O Diário

2 Prazer em conhecê-la... de novo.


Notas iniciais
Agradeço desde já, quem estiver lendo e espero que aprecie o capitulo 2

O Diário 02

(...)

A chuva pesada tornava a visibilidade quase nula, mas mesmo com os trovões abafando a maioria dos sons ao redor, ainda era capaz de ouvir seus gritos! Não importava o que acontecesse, eu tinha que continuar correndo! Eu não sabia para que lado ir, mas eu não podia deixar ele me alcançar.

— Hinata! – Senti seu aperto no meu braço.

— Me solta! – Puxei de volta com força, mas ele segurou o outro também.

— Não! Está chovendo muito! Vamos procurar abrigo e conversar!

— Eu não quero conversar com você!

— Deixa eu te explicar, por favor!

— Não quero explicação! – Soltei meus dois braços com um puxão só. – Eu quero você longe, entendeu?!

— Hinata...

— Eu te odeio!

Agradeci mentalmente por estar chovendo, só assim ele não perceberia minhas lagrimas.

E eu corri novamente...

O mais rápido que pude, para ir o mais longe que fosse possível. Tudo para esquecer-se dos seus olhos azuis e seu sorriso cativante.

Tudo para esquecer-se dele de uma vez por todas...

(...)

***

Isso era frustrante... De alguma forma, ate bem irônico: Desejar com tanto afinco esquecer-se de alguém e, no fim, acabar perdendo toda uma vida de lembranças;

Será que era uma de suas memórias perdida ou apenas um sonho realista?!

Mesmo meditando sobre o assunto, Hinata não sabia de mais nada.

Quem era aquele que a perseguia em seu pesadelo? Ou o nome dele?

No sonho ela sabia e ate disse uma vez, mas poucos detalhes se destacavam e agora, acordada, não conseguia nem imaginar qual era.

— Hinata Hyugaa...

Ela disse para si mesma. Sua voz era a única coisa que quebrava o silêncio incomodo que se instalara no quarto. Estava de olhos fechados, com a cabeça encostada contra o travesseiro.

— Com 17 anos... Cursando 3° do colegial... Morando com o pai e o primo... Herdeira de uma empresa de publicidade... Esta sou eu... mas parece como se fosse outra...

Ontem, o Sr. Hyugaa disse que responderia as perguntas importantes, mas essa era toda a informação que ele soube dar sobre a filha. Não sabia que tipo de música gostava, ou os livros que lia, a comida preferida e onde ela costumava passear.

O que ele julgava importante? O limite do cartão de crédito?!

Que tipo de ‘pai’ era esse?

Quando perguntou sobre os amigos, o senhor ate tentou descrever alguns colegas da escola, mas por nome mesmo ele só conhecia dois: Sakura e... Naruto?!

Era frustrante! Nenhum desses nomes era familiar, as descrições dos outros também não lhe diziam nada. Nada dizia qualquer coisa! Hinata era um livro cheio de paginas em branco e isso a angustiava.

Pelo menos o Sr. Hyuuga disse que seu primo viria fazer uma visita hoje.

Ah, Neji era o nome...? Tomara que ele tenha algo mais para falar dela além da altura ou quantos quilos pesava.

Ela olhou para o relógio, faltava pouco mais de meia hora para o fim do horário de visita e nenhum sinal dele. Será que ela teria que ficar sozinha como a noite?! Perdida com seus próprios pensamentos confusos e sem ter ninguém para lhe mostrar uma direção?!

Isso era realmente frustrante...

***

***O numero chamado está fora de área de cobertura ou desligado, por favor tente mais tarde***

— Onde ele está?!

Sakura parecia nervosa, com o celular grudado a orelha, Neji estava ao seu lado, esperando, logo ela desistiu, desligou o aparelho e guardou na bolsa.

— Ele não trabalha hoje, também não está em casa e não atende o celular.

— Hunf... Naruto e aquele celular velho que sempre dá defeito! – Neji disse. – Se você não tivesse demorado a arrumar essas coisas, daria tempo de passar na casa dele para busca-lo.

— Eu pensei que ele já estaria aqui, além disso, ‘essas coisas’ são importantes! – Sakura se justificou. – Tem certeza que você disse a hora certa para ele ontem?

— Sakura, ele veio aqui todo dia durante meses, Naruto sabe muito bem o horário de visita.

— Então alguma coisa aconteceu. – Ela afirmou.

— Que seja! Vamos entrar logo, se não, não vai dar tempo nem de falar ‘oi’ com a Hinata. – Neji disse puxando-a para dentro do hospital. – Depois a gente encontra o Naruto.

Pegaram suas credenciais na recepção e foram direto para o quarto onde encontraram Hinata deitada, distraída observando o tic-tac do relógio da parede, vidrada e perdida em pensamentos.

Como uma forma de chamar sua atenção, Sakura deu leves batidas no batente da porta já aberta. Hinata se assustou com o súbito aparecimento daqueles dois desconhecidos, mas logo vestiu um sorriso simpático para recebê-los.

— Oi...

— Como vai, Hinata-sama?! – Neji perguntou se aproximando.

— Se sente bem? – Sakura perguntou sem jeito.

— Melhor, eu acho. Vocês são...

— Eu sou seu primo, Neji Hyuuga.

— Sim, eu acho que vi vocês ontem, pelo vidro do corredor. – Hinata disse. – O Sr. Hyuuga disse que viria, eu estava esperando.

— Desculpe ter demorado... – Neji deu meio sorriso.

O rapaz percebeu que Sakura ainda não tinha se apresentado, na verdade ela ainda estava distante ao lado da porta. Estava retraída, obviamente sem saber como agir nessa situação, não conseguindo lidar com sua amiga desmemoriada.

— E essa daqui... – Neji foi ate Sakura, cercou seus ombros com um dos braços e a trouxe consigo para bem perto da cama de Hinata. – É Sakura Haruno, sua melhor amiga de uma vida inteira!

— “Amiga de... – Hinata o repetiu.

— ... uma vida inteira”? – Sakura completou saindo do abraço do Hyuuga. – Francamente, você está passando tempo de mais com o Lee, fica ate falando essas coisas extravagantes!

— Você trouxe um monte de coisas para mostrar para a Hinata, mas o horário de visita está quase no fim. Apresse-se.

— Desculpe, Hinata! Aqui! – Sakura abriu a bolsa que trouxe com ela e retirou um livro e um caderno e um celular. – Você me emprestou esse livro, um tempo antes do acidente.

— As crônicas de um Ninja?! – Hinata leu a capa.

— Infelizmente, não temos o mesmo gosto literário. Não li e acabei nunca devolvendo, mas acho que será um bom passatempo aqui no hospital.

— Obrigada. – A Hyuuga folhou brevemente as paginas.

— E esse aqui é o seu caderno do colégio! – Sakura o entregou.

— Sakura, pra que isso? Quer que ela se lembre das lições de matemática?! – Neji disse irônico.

— Não subestime as informações pessoais que há no caderno de uma garota! – Ela revidou.

— Garotas... – Neji cruzou os braços e desviou o olhar.

Hinata abriu o caderno aleatoriamente na matéria de inglês e foi passando folha por folha, analisando sua própria letra e vendo desenhos de flores nas bordas, provavelmente feita em um momento entediante da aula.

Algo chamou sua atenção, uma anotação na borda escrita em inglês, era a letra de outra pessoa. Foi estranho entender o que estava escrito, percebendo que sabia ler em outro idioma sem qualquer esforço.

— “Não adianta”... – Hinata leu em voz alta, traduzindo sem perceber. – “Não vou ajudar ate você arranjar meu encontro com seu primo”.

— O que?! – Neji arrancou o caderno das mãos da prima e leu a anotação. – Quem escreveu isso?

— Desculpe, eu... Não sei! – Hinata disse sem graça. – Não me lembro.

— Como assim?! Faça um esforço!

— Neji, Tsunade-sama disse para não pressionarmos ela! – Sakura o repreendeu.

— Sakura, você sabe quem é, certo?! – Ele a encarou agora.

— Como eu vou saber?! Eu não tenho aula de inglês com a Hinata.

— Garotas contam tudo umas para as outras!

Sakura o ignorou, cruzando os braços, Neji bufou decepcionado colocando o caderno sobre a cama, murmurando algo sobre tentar reconhecer a letra.

Hinata riu timidamente com a cena, eles eram tão descontraídos, traziam uma boa energia para ela, se sentia bem e conseguia imaginar como deveria ser divertido conviver com eles.

Voltou seus olhos para a cama para pegar o caderno novamente e se deparou com o aparelho celular ao lado. Ela o pegou e apertou um botão, revelando o protetor de tela: A foto de duas garotas com olhos perolados; uma mais velha com cabelo escuro azulado e sorriso tímido; a outra mais nova com cabelos curtos e castanhos, descontraída e fazendo pose;

— Isso é...

— É o seu celular. – Neji disse e ela o encarou. – Hiashi-sama me disse que você perguntou sobre seu gosto musical, então decidi trazer isso.

— E essa foto?

— Ah, é a Hanabi. – Sakura disse observando o aparelho.

— Hanabi é...

— O Sr. Hyuuga me contou ontem, quando eu perguntei sobre a mamãe... – Hinata disse simples, interrompendo a desnecessária explicação de Neji.

A garota fechou os olhos e respirou fundo, não entendia o que estava sentindo, mas não estava bem com aquele assunto.

Hiashi havia lhe falado da separação, explicando tudo por alto e sem detalhes relevantes, destacando apenas o principal: por estar em período de provas, não poderia deixar a cidade imediatamente; sua mãe partiu com Hanabi, sua irmã mais nova, prometendo voltar para busca-la; Um problema na manutenção do carro a fez sofrer um acidente e nenhuma das duas sobreviveu; Isso foi a 3 anos;

— Tudo bem? – Neji perguntou.

— Sim, não é nada! – Hinata forçou um sorriso.

— Bem, tem mais fotos ai, se quiser ver! – Sakura disse.

Mexeu no aparelho e entrou na galeria de fotos, esperando ter alguma de sua mãe ou outras de Hanabi e acabou por encontrar varias da mesma garota mais velha de cabelo azulado e cumprido, com os olhos perolados: em maioria eram selfs tirada por ela ou outras pessoas; hora sozinha, outrora com mais alguém, sempre sorrindo, fazendo pose ou caretas engraçadas; Era uma estranha que, por alguma razão remetia uma sensação familiar.

Então se deu conta...

Hinata arregalou os olhos com a surpresa e buscou apressada o aplicativo da câmera para tirar uma, atrapalhada, foto de si mesma.

— Sou eu mesma... – Visualizou atentamente.

— Você não sabia?! – Neji perguntou incrédulo.

Com a afirmação da prima, ele trocou olhares preocupados com Sakura, eles sabiam que o que a garota tinha era sério, mas não ao ponto de não reconhecer a própria aparência... Nunca imaginaram presenciar uma situação assim.

Hinata voltou a ver as fotos, passando uma a uma e tentando encaixar as descrições falhas que o Sr. Hyuuga deu de seus amigos no dia anterior.

Parou quando viu uma foto especifica: Estava com um rapaz loiro, abraçando-o e praticamente pendurada em seu pescoço; Usava um gorro laranja enquanto ele prendia o cabelo mais ou menos comprido e volumoso em uma faixa marrom na testa; Seus rostos estavam grudados, com seus nariz quase se tocando, além do sorriso bobo nos lábios de cada um;

— Isso foi em uma peça de teatro da escola! – Neji disse alto para chamar a atenção da garota, se perdera na foto.

— Peça de teatro?!

— É, estavam representando!

— Neji! – Sakura usou seu tom para repreendê-lo.

— Você quer que ela tire a conclusão errada?!

— Eu não tirei conclusão nenhuma! – Hinata disse rápido, sentindo-se um pouco envergonhada.

— Hinata, esse é o Naruto. Estava com a gente ontem também. – Sakura disse. – Vocês foram os protagonistas dessa peça no ano passado. Foi como se conheceram.

— Ino tirou essa foto! – Neji explicou.

— Ino? – Hinata retrocedeu algumas imagens para a que tinha visto antes, a amiga loira com rabo de cavalo de que lhe falaram antes. – Essa garota aqui, certo?!

— Isso! Ela queria mesmo era tirar uma foto da cena do beijo, mas o flash do celular atrasou.

— Beijo?! – Hinata voltou a sua foto com o loiro e imaginou o que aconteceu meio segundo antes dessa cena. Tímida e com o rosto todo vermelho, tirou do álbum com alguns cliques desordenados no aparelho.

— Eu já disse que era uma PEÇA?! – Neji reforçou suas palavras novamente.

Sakura riu um pouco da reação da amiga e do ciúme protetor do primo dela. Por alguns instantes nada parecia ter mudado.

— Naruto era novo no colégio e vocês se tornaram amigos muito rápido! – A rosada disse.

— Acho que o vi ontem também... – Hinata meditou.

— Ele deveria ter vindo com a gente hoje.

— E por que não veio?! – Hinata perguntou.

— Acho que nos desencontramos. – Neji disse.

— Ou é um grande idiota! – Sakura afirmou.

Hinata voltou a mexer no celular buscando outras informações pessoais de si mesma, enquanto Neji desviou o olhar para a janela, pensativo sobre onde o grande idiota havia se metido...

***

Naruto bufou ao observar as janelas do quarto andar do hospital tentando adivinhar qual seria a dela... Nunca se preocupou em descobrir antes, mas hoje parecia essencial...

Se já estava acordada poderia aparecer ali para facilitar, não é?! Não, Hinata não deveria poder sair da cama ainda.

Suspirou e baixou o olhar. O que ele estava fazendo parado aqui, sentado a beira da calçada?! Iria acabar parecendo um mendigo se ficasse muito tempo nesse chão sujo! Era melhor se levantar e ir para casa, ou...

— Você foi assaltado ou algo assim, Naruto?!

Ele foi pegou de surpresa ou ouvir a pessoa que apareceu ao seu lado sem ser notado. Ficou de pé em um pulo assustado, mas logo o reconheceu e se tranquilizou.

— Kakashi-sensei?!

— Por que estava ai jogado na sarjeta? – Perguntou.

Naruto observou o homem a sua frente, cabelo branco, mascara típica dos médicos e estava com um livro aberto nas mãos. Era um dos amigos que fez no hospital, mas não um qualquer, era justamente o socorrista que salvou e cuidou de Hinata na ambulância ate sua internação.

— Eu não tava na sarjeta! – Naruto o respondeu. – Eu só fiquei pensativo sobre algumas coisas!

— Algumas coisas, é?! – Kakashi olhou para seu relógio. – Faltam 5 minutos para o horário de visita acabar, Gai te expulsou mais cedo hoje?

— Não, não é isso! – Naruto coçou a cabeça e desviou o olhar. – É que Hinata já acordou...

— Uhum... Acho que ouvi algo a respeito pelos corredores do hospital. A amnésica, certo?!

— Amne... Que?

— A desmemoriada! – Kakashi explicou, voltando a ler o seu livro.

— Ah, sim... Ela não se lembra de nada.

— E qual é o problema? Ela não vai se lembrar de que você é um idiota... isso é uma vantagem, certo?

— As coisas são bem mais complicadas que isso.

Kakashi observou o rapaz e constou que aquilo não parecia ser apenas uma crise de adolescente. Naruto parecia estar carregando um grande peso nos ombros, algo sério pode ter acontecido entre ele e a Hyuuga.

— Se tornou um hobby meu ver você fazer o Gai e os outros seguranças de idiota, eu ate te ajudei uma vez! – Kakashi olhou novamente para o relógio de pulso e voltou ao seu livro. – Você vai acabar com a minha diversão assim tão cedo?!

— Mas é diferente agora, entre a Hinata e eu...

Hinata o odiaria se lembrasse “daquilo”, naruto respondeu com o silencio de seus pensamentos... Idiota, ela se lembrará uma hora ou outra, não é algo que de para fugir... se desculpando ou não nunca mais teria uma chance...

— É normal as pessoas ficarem com medo dos próprios sentimentos... – Kakashi riu.

— Eu não tenho medo de nada!

— Então o que é tão complicado?!

— Não fale como se soubesse algo sobre a Hinata ou sobre mim! – O loiro desviou o olhar e cruzou os braços.

— Sabe o que eu sei?! Sei que você quase foi desfibrilado na ambulância por não querer soltar a mão dela. Disse algo sobre um tipo de promessa, certo...

Naruto se lembrou de como Kakashi parecia assustador com o desfibrilador armado na ambulância, parecia que ele segurava um raio cada mão e queria mata-lo eletrocutado com aquela coisa. Naquele momento, a tensão o fez dizer tanta coisa sobre seus sentimentos que agora sentia uma mistura de raiva e timidez pela insinuação do socorrista.

— Ei! Não preste tanta atenção ao que alguém diz para uma pessoa a beira da morte!

— Uhum.., Então aquilo foi coisa do momento?! Não era para levar a sério aquela promessa de “estar sempre ao seu lado”?!

— Claro que era! Mas ainda assim... – Naruto falou, mas parou por não saber como concluir. – Ah, você está me deixando confuso!

O médico fechou o livro de repente de forma bem audível.

— Sabe, gosto de história com um bom final. E um final onde o protagonista por medo desiste da garota e fica depressivo é bem ruim...

Naruto ficou pensativo de novo e voltou a olhar as janelas do quarto andar, é verdade que sentia medo do que aconteceria se a visse e conversasse com ela. Ser tratado com indiferença era pior dos ser maltratado ou odiado...

Ele conseguiria agir normalmente com a garota depois depois de tudo?!

Kakashi olhou para o relógio mais uma vez e então sorriu para Naruto.

— Por causa da nossa conversa, eu vou me atrasar para o meu turno. Alguém pode estar em perigo por sua causa, Naruto! – Kakashi observou o olhar surpreso e aflito do rapaz ao ouvir sua afirmação, continuou sorrindo. – Faça isso valer a pena!

— Kakashi-sensei, obrigado! – Naruto disse em fim.

***

O horário de visita acabou a cerca de meia hora, Neji e Sakura aproveitaram o máximo de tempo que puderam. Conversaram o bastante e Hinata conseguia agora imaginar como era sua vida antes do acidente. Mas não passava de imaginação, mesmo com todas as coisas que trouxeram e histórias que contaram, nenhuma lembrança surgiu.

Agora estava ouvindo as músicas estocadas em seu celular enquanto escrevia coisas em seu caderno, ficava comparando sua letra com a antiga, só para constatar que nada mudara.

Seu gosto musical não era variado, o estilo predominante era as baladas românticas, com uma boa letra e melodia bela e tranquila, mas havia alguns rocks internacionais. Em uma pasta separada ela encontrou musica clássica tocada ao piano, mas a qualidade do áudio era ruim, como se não tivesse sido gravada num estúdio.

Ouvindo no ultimo volume, para ouvir direito, um solo de piano de uma musica que não conhecia (ou não lembrava), Hinata se distraia rabiscando algo na ultima folha do caderno. Realmente era uma boa forma de se passar o tempo, melhor que ficar horas e horas se torturando e refletindo sobre as memórias perdidas.

Em um momento, parou e voltou a olhar as fotos do seu celular, tentando conciliar as pessoas com as histórias que Sakura contou; de passeios, festas e na piscina; fotos em grupo, duplas e trios; eram tantas pessoas e todas pareciam felizes.

Mas Hinata não se sentia parte daquilo... Mesmo agora desmemoriada ou quando era aquela da foto que estava sempre com um sorriso. Era estranho olhar aquilo e não sentir uma conexão ou sincronia com tais pessoas, como se as coisas não combinassem.

Novamente se pegou observando a foto tirada na peça de teatro com o loiro e

suspirou cansada. Queria se lembrar pelo menos disso, já que foi a protagonista da peça. Isso é importante, certo?! Como foi a estreia? Será que atuou bem?!

Então o som clássico acabou e foi substituído por um horrível e estrondoso solo de guitarra que tocou acompanhado de um grito rouco e desafinando. A mudança de gênero da música foi tão repentina que o susto fez Hinata pular na cama e arrancar os fones de ouvido as pressas.

Olhou, ainda assustada, para o aparelho, tentando entender o que houve. Ela tinha rock no celular, mas nada tão pesado e que não combinava nada com a pasta de clássicos em que se encontrava. Não, aquela musica não era do gosto dela.

Ela olhou em volta, desistindo de ouvir música depois do susto, e viu a vista da cidade pela janela, sentiu o quarto abafado com ela fechada.

Considerou por meio segundo o que pretendia fazer... Tsunade-sama não permitiu que ela saísse da cama e com certeza se irritaria se descobrisse, mas não conseguiu evitar, queria sentir um ar novo, sem o toca de anticéptico do hospital, entrar no quarto.

Apoiou-se na beira da cama e desceu com todo o cuidado, sentindo uma fisgada no joelho quando pôs seu peso sobre as pernas. Andou manca se apoiando na cama parede e outros moveis ate chegar a janela e sentiu algum incomodo no quadril, foram apenas dois metros, mas o suficiente para deixa-la ofegante.

Escorou-se no batente da janela e respirou fundo antes de tomar a iniciativa de abri-la, um leve vento invadiu o quarto e balançou seus cabelos.

Ela olhou atentamente para a cidade, os prédios, as arvores e as pessoas, tudo era tão bonito e tranquilo em Konoha...

Ficou lá por menos de dois minutos e o cansaço a ajudou a decidir se deitar novamente. Virou-se com alguma dificuldade para a cama e quando ficou de frente para a porta, se deparou com ele a observando: De cabelo loiro e curto, um casaco laranja, olhos azul e um belo sorriso.

— Você é...

— Nem sei por onde começar, isso tudo é meio esquisito... – Ele disse coçando a cabeça e então respirou fundo, foi ate ela e estendeu a mão em um cumprimento. – Eu sou Naruto Uzumaki, prazer em conhecê-la de novo, Hinata!

Notas finais
Peço desculpas por qualquer erro de português ou concordância... Tentarei melhorar para os próximos capítulos! Ate mais!