O Diário

31 Capitulo 31


Notas iniciais
Hey, I'm back! kk Capitulo bem simples e inteiramente NaruHina... um romance água com açúcar para acalmar os ânimos de todos... Sei que vocês podem querer brigar comigo por frear o mistério um pouco, mas... eu tenho meus motivos... precisei fazer isso... aproveitem

31.

A chuva caia pesada sobre mim e naquele momento eu era incapaz de respirar. O que eu ouvi... Os sentimentos dela... Hinata realmente me odiava?

Depois de tudo que passamos juntos... Das brigas, dos beijos, sorrisos e lagrimas... Depois de fazermos amor... Ela simplesmente desistiu? De mim e de nossos sentimentos... eu não merecia nem ser ouvido?!

Se ela me odiava, eu deveria odiá-la também... Arrancar cada pedaço de seu amor de mim e apagar qualquer sinal dela de minha vida...Era o que eu queira...

O som da colisão foi alto e vi a garota rodar no ar umas duas vezes antes de atingir o chão enquanto o veiculo só foi parar quando bateu em um poste.

Veio rápido de mais e Hinata nem teve chance de vê-lo se aproximando...

E eu? Parei, me calei, hesitei... Não fiz nada...

O barulho da buzina tocando infinitamente despertou toda a vizinhança:

Dois carros que passavam pararam imediatamente e seus motoristas correram para o local do acidente; alguns homens que estavam em um bar ainda aberto naquela hora também vieram; moradores que foram verificar ao tumultuo; Todos rodeavam Hinata, agora jogada contra o asfalto...

O que eu fiz?! O que eu fiz??

Eu não... não queria que isso acontecesse... não queria que ela se machucasse...

Eu estava com raiva... queria que se arrependesse do que me disse, mas... não assim...

O que eu fiz...?

Me aproximei relutante, com medo de ver as consequências desse meu ato tão covarde e ouvi as pessoas comentando uma para as outras, assustadas e preocupadas, enquanto a observavam.

— Não toque nela, é perigoso.

— Alguém ligue para a ambulância, rápido.

— Ela está perdendo muito sangue...

Eram tantas vozes alarmadas, tantas pessoas... Que eu mal o podia ver minha Hinata...

Então ouvi outra voz, uma mulher que, de algum modo, pude perceber estar agachada ao lado da morena. Disse:

— Ela ainda está consciente! – Avisou a todos e se inclinou em sua direção. – Garota, fique calma, tá?! Já chamamos a emergência, então, por favor, não tente se levantar sozinha. Entendeu?

Meu coração pulou ao ouvir aquilo, esperança gritando em meu peito. Ela estava acordada? Estava falando com alguém? Estava bem para responder?!Estava bem??

— Hinata!

Desesperado, abri passagem entre eles com alguma dificuldade, ate estar a poucos passos da morena e, assim, ver sua real situação. E o suspiro que esperança que tive, se calou.

Havia sangue por toda parte, seu casaco estava empapado com o liquido vermelho que se diluía na chuva. Sua perna estava “dobrada” de um jeito anormal, e seus olhos abertos não pareciam se focar em qualquer coisa, quase como se seu corpo já estivesse sem vida apesar da respiração ainda ser perceptível.

Cai de joelhos ali mesmo, lutando contra a vontade de abraça-la, leva-la comigo, protege-la... Aprendi o bastante na escola para saber que não deveria tocar nela antes dos paramédicos chegarem.

Percebi seus olhos piscarem lentamente e sua boca se moveu como se quisesse falar algo, mas nenhum som saiu e sua custosa respiração ainda lhe pareceu falhar por um instante.

— Vai ficar tudo bem! – Afirmei para tranquiliza-la, mas só então vi como minha voz estava chorosa. – A ambulância vai chegar rapidinho e... eu vou ficar com você, ok?! Eu não vou sair do seu lado!

— Naruto-kun... – Ouvi sua voz sair fraca e com um tom amargo de dor.

— Me perdoa, Hinata... Por favor, me perdoa...

E, por um breve segundo, eu deslumbrei um singelo e doloroso sorriso em seu rosto.

***

A luz da janela transpassava a cortina, pousando em frente aos olhos de Naruto, fazendo-o piscar algumas vezes desnorteado antes de despertar em definitivo. Ainda se sentia exausto, seu pescoço estava dolorido pela maneira que ficou curvado a noite toda, sua perna esquerda estava dormente e prensada contra o encosto do sofá e o frio da manhã fazia sua pele se arrepiar incomodamente. Protegeu o rosto com única mão livre e observou em volta, verificando o silencio da sala escura de sua casa.

Não havia nada fora do comum, aparentemente, mas notou a bolsa feminina repousada no outro sofá e a pulseira cheia de pingentes sobre a mesinha de centro, então se deu conta do peso da garota deitada por cima de seu corpo. O rapaz sorriu ao ver Hinata plenamente adormecida enquanto coberta com sua jaqueta.

Ela chorou tanto e disse tanta coisa na noite passada que, agora, tê-la tão próxima e dormindo emanando tanta paz se tornara uma agradável visão...

Após a morena aceitar seu abraço, seu choro foi se amenizando aos poucos e, quando estava mais calma, puseram-se a conversar. Ainda que sem desfazer do singelo contato, pois ela comentou que ouvir seu coração batendo a tranquilizava, de alguma forma.

Naruto tentou conforta-la o melhor que pode. Se desculpou por tudo de errado que já fizera a morena e ouviu os lamentos que aos poucos ela foi se sentindo confortável em falar.

Essa conversa escavou sentimentos parecidos com os que o loiro sentiu na obscura noite do acidente, mas a culpa e vergonha que sentira naquela ocasião não chegavam nem perto daquilo que atormentava Hinata e sua consciência... Sentimentos verdadeiramente incomparáveis de dor, medo e angustia que ele nunca compreenderia completamente...

Com o tempo e as horas passando, falando em meros sussurros ate que, em dado momento, apenas pegaram no sono.

O irônico era que dormiram no sofá de dois lugares, mesmo tendo o enorme sofá de três lugares ao lado, ou ainda a cama muito mais aconchegante em seu quarto.

Claro que Naruto nunca sugeriria algo assim para ela. Tinha receio de magoa-la ou assusta-la já que não sabia como ela interpretaria e reagiria. Já tinha se dado conta de com Hinata tudo teria que ser lidado com calma e cuidado, como ela merecia.

Bem, não importava agora já que, simplesmente, adormeceram.

Hinata se moveu levemente, ainda adormecida, apertou sua mão contra a gola da camisa do loiro parecendo ter algum sonho.

Naruto a abraçou com o braço que tinha livre, acariciando seu rosto. Apreciava aquele momento de tal forma que, mesmo com seu pescoço dolorido e sua perna dormente, não pensou em sair ali, julgava valer a pena tal incomodo para ter Hinata junto de ti.

Assim, fechou novamente seus olhos e, sem perceber, voltou a adormecer nos braços de sua amada.

***

Ao acordar pela segunda vez, notou a cortina fechada, impedindo a luminosidade de entrar pela janela. Depois, o leve lençol que os cobria tornando o sofá um pouco mais aconchegante. Naruto coçou os olhos e percebeu uma, quase, silenciosa movimentação na cozinha. Observou Hinata que ainda estava adormecida sobre seu corpo e soube de quem se tratava.

O loiro se preparou para levantar, só agora sentindo uma dor incomoda nas costas que o atrapalhou quando se moveu em câmera lenta e com todo o cuidado para não acordar a garota.

Quando finalmente se libertou do abraço dela, a viu mover os braços, agarrando-se a uma das almofadas do sofá e aconchegando-se, ainda presa ao sono.

Sorriu vendo esta linda reação e foi andando meio manco pela perna dormente para a cozinha encontrar com seu padrinho.

Percebeu algumas panelas borbulhando ao fogo, provavelmente o almoço sendo preparando, e encontrou o velho escritor espremendo manualmente algumas laranjas em uma jarra, mesmo tendo um espremedor funcional ao seu lado.

— Bom dia. – Naruto disse ainda sonolento.

— Boa tarde... – Jiraya respondeu erguendo a sobrancelha ao encara-lo e o rapaz apenas deu os ombros.

— Como foi lá na sua “reunião” com o pessoal da editora?

— E algum plano meu dá errado? – Jiraya abriu um sorriso. – Daqui a alguns meses, outro sucesso nas livrarias.

— Só bêbado pro seu chefe aceitar aquela pouca vergonha que você escreveu como romance...

— Ele sabe que é o que vende, só estava com vergonha de admitir. – O velho deu os ombros, e observou enquanto Naruto balançava a perna para se livrar da dormência. – E quanto a você?! Parece estar com uma ressaca pior do que a minha.

— É que já era de madrugada quando dormimos e eu já tinha esquecido como esse sofá é encaroçado... – Naruto agora se espreguiçou, esticando os dois braços para cima na tentativa de aliviar a dor nas costas.

— Que desperdício de um bom quarto e de uma porta com tranca, hein?! – Jiraya riu baixo. – E então...

— Então o que?

— Vocês dois se “acertaram”?

Jiraya fez um mínimo gesto sugestivo com as mãos e viu o afilhado interpretando lentamente a ênfase irônica que usara. As bochechas de Naruto queimaram de vergonha quando entendeu o que o padrinho queria dizer com a expressão se “acertar”.

— Eu não faria algo assim na sala de estar! – Ele falou alto, quase se esquecendo da garota que dormia no cômodo ao lado.

— Ué, vocês não pareciam brigados dormindo abraçadinhos daquele jeito... – Jiraya deu os ombros, fingindo-se de inocente.

Naruto lhe encarou com um olhar semicerrado, mas depois se desfez do constrangimento, tornando-se pensativo.

— Na verdade, eu não sei se a gente tá brigado ainda ou não... Tudo parece bem complicado agora.

— Complicado como? A garota está dormindo no seu sofá, não acredito que estejam tão mal assim.

Jiraya deu uma rápida olhada para a sala, como se analisasse e pensasse em algo distante, depois voltou a mexer nas panelas do fogão com uma atenção a mais.

— Vai avisar ao Hiashi que Hinata está aqui?

— Eu tenho. Da ultima vez que ela sumiu, deu aquele problema com a Akatsuki. Não quero deixar ninguém preocupado, mas eu queria que fosse iniciativa dela também. Melhor esperar ela acordar e ver o que quer fazer...

— Naturalmente.

— A gente ainda tem muito o que resolver, então, você... – Naruto desviou o olhar, constrangido antes de concluir seu pedido. –... Poderia sair hoje?

— Como assim?

— Eu queria ficar um pouco sozinho com a Hinata. Não acho que ela vai ficar a vontade para conversar comigo se você estiver aqui também.

— Espera! Tá me expulsando da minha própria casa?

— Expulsando não, mas... Faria isso por mim?

O velho escritor o encarou sério com uma grande porção de descontentamento estampado no rosto. Experimentou o molho de uma das panelas e, então, temperou suas próximas palavras com ironias:

— Claro, por que não. Eu nem preciso revisar um livro inteiro nos próximos dias... Vou sair com alguém e beber alguma coisa por ai...

— Obrigado, Ero-Sannin! – Naruto falou alegremente, quase como se não tivesse notado a sarcasmo do mais velho. Jiraya bufou se rendendo:

— Sou muito velho para ficar segurando vela de qualquer forma. – Deu os ombros. – Além disso, de que adianta ficar em casa se não posso ficar a vontade, já foi difícil fazer o almoço em silencio para não acordar os pombinhos...

— Ah, se fosse só eu dormindo na sala, você faria todo o barulho do mundo...

— Claro, ela é visita, você não. – Jiraya jogou o pano de prato para Naruto e foi ao quarto pegar seu celular e sua carteira. Ao passar pela cozinha novamente concluiu. – O almoço já está quase pronto, é só vigiar para não queimar. Vou comer fora, assim vocês tem privacidade para se “acertarem”.

Jiraya saiu rindo baixo e Naruto emburrou sua expressão, não gostando da tonalidade de sua insinuação. Se voltou para as panelas para verificar o que estava cozinhando e sorriu reconhecendo o molho, os condimentos e a massa... Seu padrinho preparou seu prato favorito.

***

Naruto pôs a comida em fogo baixo antes de decidir tomar um banho e fazer a higiene matinal. Demorou pouco e se vestiu rápido, foi checar a comida e voltou a sala, encontrando a garota ainda quieta enquanto enrolada no lençol. Pensou se deveria carrega-la para seu quarto para poder dormir melhor na cama, mas desistiu da ideia, não sabia se Hinata gostaria de acordar lá. Sentou-se no outro sofá e ligou a T.V. em um programa qualquer, deixou o volume mudo.

Levou alguns minutos e tornou a olha-la, não conseguia vê-la claramente, a garota estava virada de costas para ele com o rosto afundado contra uma almofada.

Quanto tempo mais ela iria dormir?!

Se ficasse muito mais tarde, logo perceberiam que ela não voltara para casa ontem a noite e as coisas poderiam ficar desnecessariamente complicadas. Ele tinha que avisar que Hinata estava bem e com ele, mas, se falasse com Hiashi sem o consentimento dela, poderia dar a impressão de que ainda “trabalhava” para o Hyuuga, e esse era um mal entendido que queria evitar.

Respirou fundo se questionando se tudo tinha mesmo que ser tão complicado e pegou seu celular, iniciando uma chamada.

— Alô, Neji... – O loiro não sabia como iniciar a conversa. – Oi... Como vai?

— Ah, estou bem... – Neji falou e esperou o loiro, mas, como houve silencio, voltou a se pronunciar, sua voz mostrava confusão. – E você está bem? Aconteceu algo?

— Sim, aconteceu... Quer dizer... Nada grave, eu só... Onde você tá agora?

— Acabei de sair do colégio, tenho um curso para fazer. Por que?

— Uhum, então você não foi pra casa ainda, nem falou com nenhuma das empregadas?

— Não, eu acordei atrasado e sai correndo de casa, nem tive tempo de tomar café. O que está acontecendo, Naruto?! Por que me ligou?

O rapaz coçou a cabeça, escolhendo suas palavras. Não havia jeito certo de explicar a Neji sobre a noite passada, tão pouco impedir uma interpretação maliciosa da parte dele. Contar detalhes provocaria perguntas que não teria como responder e dizer apenas o básico deixaria duvida sobre suas “boas intenções”.

— Hinata veio falar comigo.

— Ótimo! Vocês dois precisavam mesmo conversar. Vocês já se acertaram?

— Não! – Naruto falou apressado. Acabara se lembrando das provocações de seu padrinho e inconscientemente respondeu nesse sentido, o que deixou Neji confuso.

— Não me diga que brigaram de novo, Naruto... O que há com vocês?

— Não é isso... quer dizer... – Naruto pensou em como se explicar, mas não encontrava palavras. – Hinata veio ontem a noite... E... Ela ainda está aqui.

O silencio pairou. Naruto não quis falar nada antes de Neji, sabia o que ele interpretaria ao saber que Hinata dormiu em sua casa, mas não podia falar nada além sem revelar os segredos sobre o assunto que falaram ou o clima entre eles.

Ele iria pensar o que qualquer outra pessoa pensaria e isso seria, no mínimo, constrangedor.

— E está me falando isso por quê? – Neji falou com um certo incomodo na voz.

— É que ela não avisou a ninguém e eu fiquei com medo de pensarem que ela sumiu de novo e chamarem a polícia ou algo assim. O Hiashi, por exemplo, ficaria louco...

— Hiashi-sama te procuraria se percebesse que Hinata fugiu, certo?

— É... Acho que sim...

— De qualquer forma, ele está viajando a negócios, só deve voltar hoje à noite ou amanhã cedo. É provável que um dos empregados já tenha percebido e avisado a ele, mas eu duvido, me ligariam também se fosse o caso.

— Então me preocupei atoa?!

— Não, obrigado por avisar. Depois da ultima vez... – Neji bufou. – Você sabe: Akatsuki, tiroteio e tudo mais... Eu ficaria maluco de não encontra-la em casa e imaginar isso se repetindo.

— É, eu sei.

— Posso falar com a Hinata?

— Ah, ela ainda tá dormindo e eu não queria acorda-la agora. Parecia bem cansada ontem e...

— Entendi.

— Olha, não aconteceu como você está pensando... Ela só pegou no sono depois que nós dois...

— Naruto, eu não quero saber da sua intimidade com a minha prima, ok?

Naruto riu baixo, admitindo o quanto essa conversa era estranha, ele poderia ter escolhido melhor as palavras. Acabou criando uma situação engraçada.

— Foi mal, Neji. Eu sei o quanto você é “super protetor”.

— Ela é praticamente minha irmã. Eu sei que vocês se gostam e que você faz bem para ela... Não preciso de “mais informações”.

— Ok. Quando ela acordar, eu peço para te ligar.

— Certo.

Naruto desligou, jogando o celular entre as almofadas enquanto ainda ria e se esticava contra o encosto do sofá, ainda sentindo as costas reclamarem pela noite mal dormida. Esfregou os cabelos enquanto bocejava e voltou a fitar a T.V.

Então, quase como se pressentisse que era observado, virou-se para a garota, encontrando os olhos perolados mais lindos analisando-o com uma expressão curiosa.

— Ei, eu acordei você?! – Ele foi até ela, se sentando na mesinha de centro ao seu lado.

— Não, eu... – Hinata se virou no sofá, deitando-se barriga para cima para esticar as costas. – Eu já estava acordada a algum tempo...

— Mas não parecia. – Sorriu.

— Estava sim. Só não quis levantar logo.

— Sei, eu estava quase pensando que você ficou em coma de novo... Não sabia como te acordar para o almoço...

— Como assim almoço? Que horas são?

— Sei lá. Mais de uma hora, eu acho.

— Que?! – Hinata se sentou apressada, encarando o loiro incrédulo. – Como assim?

— Por que tanta surpresa? – Naruto riu enquanto via a garota alcançar sua bolsa no outro sofá para conferir a hora pelo celular. – Eu não vi a hora que dormimos, mas tenho certeza que era quase de manhazinha.

— Não é isso... – Ela baixou os ombros, relaxando. – Eu só não costumo... dormir tanto...

O loiro a analisou, entendendo o que Hinata queria dizer com “dormir tanto”... Ela havia lhe falado sobre os insistentes pesadelos que perturbavam seu sono, descreveu alguns deles e se recusou a falar de outros. Era compreensível que ter uma noite completa de sono, mesmo em um sofá pequeno e velho, a surpreenderia.

— E como você está se sentindo?

— Eu não sei... Minhas costas doem... – Hinata cobriu o rosto com ambas as mãos, esfregando os olhos para limpar a vista sonolenta e Naruto não pode deixar de sorrir com o comentário.

— É, o mesmo comigo. – Ele alongou o pescoço.

— Minha cara deve está horrível também...

— Nem um pouco. Você é linda, de qualquer jeito.

Naruto sorriu, mas percebeu a garota encara-lo de forma séria, ficando calada enquanto respirava fundo e jogava a cabeça para trás, descansando no encosto do sofá e fitando o teto, em um gesto de concentração corriqueiro que o loiro observou minuciosamente.

— Eu acho melhor ir embora agora... – Ela disse de repente, juntando e começando a dobrar o lençol que a cobria apressadamente.

— Que? Por que tão rápido?! – Ele tentou parecer bem humorado para disfarçar o incomodo das palavras dela. – O almoço já tá ate pronto, Hinata. Fica um pouco mais.

— Não quero incomodar...

Ela se interrompeu ao puxar uma das pontas do lençol para si, o atrito do tecido com sua pele causou uma leve e incomoda ardência no braço, algo que a fez parar de imediato e olhar para o novo arranhão que tinha se auto infligido na noite anterior.

Naruto também observou o pequeno corte e depois encarou a expressão enigmática de Hinata, mostrava um tipo de arrependimento que, naquele instante, o fez ficar inseguro de como reagir.

— Eu não sei o que deu em mim ontem. – Hinata, falando baixo e sem encara-lo, parecia envergonhada com tal situação.

— Você já havia feito algo assim antes?

— Não. – Ela respondeu firmemente, mas logo um tom de duvida apareceu em sua expressão. – Quer dizer... Eu não me lembro de já ter feito isso... Então, eu acho que não.

— Se é assim, então a culpa foi minha.

— Naruto-kun... Isso não tem nada haver com você. Sou eu que...

— Não, escuta... Eu te pressionei de mais ontem. Vi que você não estava se sentindo bem e continuei insistindo para conversarmos, te colocando contra a parede mesmo sabendo que te incomodava... – Naruto bufou esfregando uma das mãos pelos cabelos. – Eu pensei que, te pressionando, você pararia de ser indiferente comigo: falaria abertamente; brigaria; gritaria; sei lá, jogaria um abajur na minha cabeça... Me daria uma chance de te entender...

— Funcionou... no final.

— É, mas eu nunca pensei que você acabaria “se machucando” assim...

Naruto se ajeitou onde estava sentado e segurou o braço dela gentilmente, virando o ferimento para si, a garota não recusou seu toque e ele sentiu liberdade para analisa-lo calmamente. Era algo bem superficial, provavelmente, mesmo sem cuidados, se curaria por conta própria em alguns dias sem deixar marcas, mas ainda assim, ele ainda queria trata-lo e demonstrar o quando se preocupava com Hinata.

— Eu posso cuidar disso, se quiser.

— Não precisa, Naruto-kun. – Ela puxou o braço de volta. – Nem parece sério.

— Mas eu quero cuidar de você. Mesmo que não precise, eu ainda quero... Basta você querer também.

As palavras que ele usou na noite anterior logo vieram a mente da morena e seus olhos se umedeceram naquele instante. Naruto notou a tensão voltar aos seus ombros enquanto ela fungava baixinho, esticou o braço e rodeou seu rosto com os dedos para secar as lagrimas, mas a garota logo endireitou a postura para evitar o contato.

— Desculpa, eu só... Não posso acreditar que estou chorando de novo. – Ela limpou o canto dos olhos e, então, o encarou. – E-eu me sinto tão estranha...

— Estranha como?

— Leve, eu acho. – Respondeu tímida, desviando o olhar o do loiro. – Sinto muito, não tem como explicar... A gente conversou sobre um monte de coisas ontem e... E eu não sei como lidar com isso...

— Bem, talvez você só esteja aliviada por dividir seus problemas comigo.

— Aliviada?! – Hinata suspirou com um sorriso mínimo. – Talvez... Falar com você foi mesmo bom...

“Bom” claramente não era a palavra que morena queria empregar em sua frase, mas foi a única que lhe veio em mente naquele momento, a única que se encaixou. Mas o rapaz entendia perfeitamente o que ela queria dizer: Hinata baixou completamente a guarda, desfez os muros que mantinham os outros afastados e agora estava vulnerável para permitir que Naruto a ajudasse. Foi um passo importante para ela que a muito tempo não sabia como era erguer o olhar para alguém que conhecia todos os seus segredos. Ela queria sua ajuda, isso era evidente...

— Então está tudo bem se... – Naruto pareceu cauteloso. – ... Se eu cuidar de você um pouco mais?

— Eu queria lavar o rosto, ou tomar um banho, não sei. Ainda não acredito que dormir tanto, preciso tirar essa cara de sono...

— Tá, claro. Eu vou procurar alguma coisa pra você vestir e, enquanto você se arruma, eu ajeito tudo pra gente almoçar.

Depois deste combinado, eles não falaram muito, mas a garota se surpreendeu em saber que o rapaz manteve as roupas, que deixou para trás quando se acidentou, guardadas ate aquele momento.

O loiro fez piada ao se justificar, dizendo que seria constrangedor devolver a Hiashi uma sacola cheia de roupas da filha, que ainda incluía peças intimas. A morena riu minimamente e não contestou sua logica, pelo menos teria o que vestir agora.

Ela gastou um tempo desnecessário no banho, aproveitando a agua quente para embalar seus pensamentos por tudo que acontecia, assim como seus sentimentos que se atritavam uns aos outros. Medo e confiança, desejo e receio, conspirações e descobertas;

Era complicado para a Hyuuga conciliar tudo e continuar agindo normalmente.

Ao sair do banho, já vestida e de cabelos penteados, encontrou Naruto sentado na cama a esperando com álcool, algodão e curativos. Hinata percebeu seu olhar pousar no braço arranhado e, se sentindo um pouco incomodada, baixou-o para que ficasse fora de vista.

— Não é pra tanto, Naruto-kun.

— Eu sei, só queria ter certeza de que estava bem.

— Eu estou.

Naruto sorriu e a chamou com gesto de mão, vendo como as maçãs do rosto de Hinata se tornaram exageradamente rosadas enquanto ela andava lentamente ate ele e sentava-se ao seu lado. Ele puxou seu braço para si e tocou com todo cuidado o algodão umedecido de álcool sobre a extensão do leve ferimento.

Ardeu e a morena soltou uma pequena reclamação, mas o rapaz já havia acabado e colocava um curativo. Quando concluiu sua tarefa escorregou a mão pela extensão do braço ate alcançar a mão dela que segurou firmemente.

— Isso me traz lembranças. – Ela comentou.

— É mais como um de já vu, na verdade.

Seus olhos se encontraram e ele sentiu desejo de beija-la naquele momento, como fizeram a muito tempo atrás, naquele mesmo lugar, sob um pretexto tão semelhante, mas percebeu como a garota observava o quarto em volta e entendeu que nem todas as memorias contidas entre essas quatro paredes eram boas para ela. Contentou-se em sorrir e afirmar com dura convicção:

— Não vou te decepcionar como da ultima vez, Hinata. Acredite em mim.

Hinata consentiu com a cabeça e fortificou o laço de suas mãos entrelaçadas, gesto que não desfizeram mesmo ao se encaminhar para a sala, Naruto praticamente a guiando ate as tigelas de ramen que estavam postas sobre a mesinha de centro, onde ele decidiu que almoçariam com mais tranquilidade.

Sentaram-se um ao lado do outro no tapete, logo começaram a comer. O rapaz estava, claramente, faminto e a morena também sentia seu estomago roncando, então não falaram muito a principio, saboreando a deliciosa refeição que Jiraya fizera para eles antes de sair.

A comida estava boa e logo começaram a conversar animadamente enquanto repetiam a refeição mais de uma vez. Nada sobre o passado ou os traumas, apenas comentários sobre o programa que passava na TV ainda ligada em volume mudo.

Eles poderiam alcançar o controle no sofá e ajustar o som a qualquer hora, mas Naruto começou a fazer piada sobre o que as pessoas deveriam estar falando, adivinhando as frases ou mudando-as para algo mais engraçado e irônico. Tudo se transformou em um jogo cujo o único objetivo era fazer Hinata rir...

E ela realmente riu... Pela primeira vez em muito tempo, uma gargalhada espontânea da morena inundou seus ouvidos e ele se sentiu extremamente satisfeito e feliz em ouvi-la.

Depois de um tempo, quando o canal que assistiam entrou em um ciclo infinito de comerciais de algum produto estético, eles voltaram a se calar e se concentrar na comida.

Naruto já se sentia satisfeito depois da terceira tigela de ramen, mas Hinata já estava na quarta e ainda comia com vontade, isso o surpreendeu.

O rapaz esperou que ela acabasse para levar as duas tigelas para a pia da cozinha, esta que já estava cheia dos utensílios sujos que Jiraya largou jogado quando saiu. Foi um dos motivos do loiro ter preferido comer na sala, pois seu padrinho deixou uma grande bagunça para trás e ele não queria desperdiçar o precioso tempo que tinha com Hinata lavando pratos e talheres.

Decidiu esconder a bagunça por enquanto.

Quando voltou a garota, a encontrou esperando com aquele pen-drive, ainda preso a pulseira, em suas mãos, estava séria e muito pensativa, então o loiro se aproximou devagar e sentou-se ao seu lado em silencio.

Hinata o encarou e baixou o objeto, pousando-o de volta a mesinha, respirou profundamente ao decidir o que falar:

— Posso usar o seu computador?

— É, acho que já tá na hora de vermos isso.

Os dois foram para o quarto, Naruto assumiu a cadeira versátil e ligou seu computador, esperaram o sistema iniciar completamente e, então, Hinata lhe entregou o pen-drive, nervosa de mais para plugar ela mesma a entrada usb.

Houve um tempo para a leitura dos dados e finalmente a reprodução automática apareceu na tela. O loiro respirou fundo e clicou para abrir e foi quando veio a surpresa.

— Ah, me diz que isso não é um vírus... – Ele encarou o programa que iniciou automaticamente e escureceu o monitor.

— Não, isso é... – Hinata observou as palavras aparecendo sobre o preto, se lembrando do que aquilo se tratava. – É um programa de segurança.

— Tá. E ai?

— Acho que só precisa de uma senha. – Ela assumiu o teclado, escrevendo algo, mas uma mensagem de erro apareceu. – Não é a que eu uso no meu computador...

— Isso é meio frustrante.

— Diz isso para mim? Eu sou a doida que “esqueceu a senha”.

— Você não é doida, Hinata. – Naruto tocou a mão dela. – Certo, a gente só precisa pensar um pouco. Você deve ter usado uma palavra chave, ou uma data importante. Não pode ser algo tão difícil.

— É, talvez eu só precise de um tempo para pensar.

Hinata coçou a têmpora, fazendo algum esforço para lembrar de uma direção. Naruto a notou tensa novamente, como na noite passada, carregando algum tipo de peso sobre os ombros. Era visível sua frustração perante aquilo.

— Eu sei que você vai pensar em algo logo. – Ele afirmou.

— Vou, eu preciso... – Ela respirou fundo. – Foi bom fazer essa pausa. Respirar aliviada e me sentir leve por algumas horas...

— Mas...?! – Ele completou a evidente falta da palavra, pedindo o resto da explicação embora já suspeitasse qual seria.

— Mas... Já passou da hora de eu voltar para casa.

Naruto já sabia. Essa hora chegaria mais cedo ou mais tarde, aquilo que estavam vivendo realmente parecia uma simples “pausa”, um sonho fruto de um sono profundo: era bom, era divertido, magico e cheio de significados, mas, no final, a hora de acordar sempre chegava.

— A gente pode se ver qualquer dia... Quando você precisar da minha ajuda, sei lá. – Ele perguntou, reparando ela olhar para o curativo no braço antes de responde-lo:

— Eu não quero que se preocupe mais comigo.

— Que espécie de namorado eu seria se não me preocupasse?!

— Não... somos... namorados...

Aquelas palavras machucaram, uma verdade que doeu mais que qualquer soco na boca do estomago. Naruto ficou sem fala por um momento e desfez o contato da sua mão com a de Hinata. Esquivou o olhar dela e respirou profundamente.

— Eu sei que não. Eu gosto de pensar que somos porque... – Dizia baixo, porem se interrompeu parecendo refletir. – Mas, você nunca vai me perdoar completamente pelo que eu fiz, certo?

— Naruto-kun, a questão não é essa.

— Claro que é.

— Eu já te perdoei. – Hinata tocou no braço dele para reafirmar suas palavras. – Eu te perdoei, naquela noite, quando eu estava a beira da morte e você estava ao meu lado tentando me manter acordada.

— Você se lembra? – Seus olharem-se encontraram agora.

— Acha que eu teria segurado sua mão na ambulância se já não tivesse te perdoado?!

— Então por que não quer ser minha namorada? – Ele perguntou, mas se antecipou em responder a qualquer desculpa que a garota poderia inventar. Apesar de tudo , parecia calmo. – Eu sei que você gosta de mim também. Então eu só quero entender o “por que”, certo?

Foi a vez de Hinata desviar o olhar. A resposta que ela pensara em dar, não parecia lhe agradar, mas acho que o loiro merecia sua sinceridade.

— Eu sei como um namoro funciona... Vai chegar um momento em que você vai começar a exigir coisas que eu não sei se vou poder corresponder.

— Você tá falando de sexo?! Hinata, eu não estou pensando nisso. Não ainda, não agora.

— Mas vai e eu não poderia... – Ela se calou, baixando o olhar. – Eu não sou mulher para você, Naruto-kun. Você merece mais que...

— Nada do que eu te disse ontem entrou nessa sua cabeça, não é?! – Ele a interrompeu, falando baixo e sério.

— Eu não sou a mesma garota por quem você se apaixonou... Eu mudei tanto...

— Você acha que eu não mudei também? Olha para mim e diz que eu sou o mesmo Naruto que você conheceu. Ainda sou um moleque atrapalhado encharcado de tinta nos bastidores de um auditório?

— Não... – A lembrança de como se apresentaram pela primeira vez, fez Hinata olha-lo nos olhos novamente.

— Então você entende que eu não sou mais tão impulsivo, certo? – Ele sorriu. – Eu aprendi a esperar, Hinata. Seu tempo está bom para mim também.

— Eu não quero falar mais sobre esse assunto.

Um silêncio estranho os cercou agora, ambos pareciam entender o ponto de vista um do outro, o querer de Naruto e o receio de Hinata e nenhum dos dois queria qualquer tipo de arrependimento.

— Fica aqui essa noite. – Naruto pediu de repente.

— Que?

— Alonga essa “pausa” um pouco mais.

— Mas...

— Me pede um tempo, diz que precisa pensar... Mas não fala que é impossível pra gente, não fecha as portas para mim antes de tentar.

O olhar de Naruto tinha um brilho de convicção que influenciava o clima a sua volta, provocando uma sensação familiar que Hinata não entendeu imediatamente. Um sentimento bom que a fazia se sentir confortável para falar sobre qualquer coisa, sem impactos negativos, sem medo, nem vergonha.

Então, querendo se prender a este momento de rara tranquilidade e se sentindo um tanto egoísta por isso, ela não pode negar que queria continuar desfrutando da paz que ele lhe provocava e apenas aceitou seu, quase, irresistível pedido.

***

Passaram o resto da tarde assim como foi desde que acordaram. Conversando, brincando, fazendo coisas que alegravam um ao outro e, principalmente, evitando assuntos desagradáveis.

Ao anoitecer, a garota ligara para o Neji para se explicar, falando com ele por mais de meia hora. O loiro teve a impressão de que ela tentava tirar a impressão errada que o Hyuuga tivera sobre os fatos daquele dia, mas não pareciam discutir, falavam leve e francamente, como irmão.

Pouco depois, Naruto e Hinata esquentaram o ramen que sobrou do almoço para jantarem e logo em seguida a morena se propôs a lavar a louça acumulada, mas o rapaz achou que seria muito para ela sozinha e se pôs a ajuda-la e desfrutar desses singelos momentos com ela.

Isso gerou uma conversa divertida que terminou com uma pequena guerra de sabão que Jiraya flagrou quando voltou para casa no meio da noite. Observou-os sem que o casal percebesse e ficou satisfeito em ver o afilhado feliz com a garota, decidiu não atrapalhar e se trancou no escritório, para trabalhar silenciosamente em seu novo livro.

Logo Naruto arrumou sua roupa de cama, tal como lenções, cobertas e travesseiros para se acomodar na sala, deixando Hinata livre em seu quarto. A garota ficou sem graça pela invasão, mas o rapaz pensou em algo para que ela não se sentisse incomodada, não queria arriscar que ideias bobas de “ir embora para não atrapalhar” passassem pela cabeça da morena e não permitiria que ela tirasse qualquer conclusão deste tipo.

Aquele dia, aos olhos de Naruto, foi o melhor que ele já tivera em anos e poucas vezes se lembrava de ter se sentido tão bem. Era possível perceber como ambos cresciam na presença um do outro, pois falar com ela, ouvi-la, rirem juntos, confidenciar seus maiores segredos... Tudo que fizeram hoje era inexplicavelmente bom.

Não, Hinata não o incomodava, o fazia se sentir mais forte, mais maduro e, principalmente, mais amado.

Ele não queria que o tempo que ela ficasse em sua casa passasse, na verdade, se fosse um pouquinho mais impulsivo como era antes, já teria pedido para que ela viesse morar com ele, permanentemente. Mas as coisas não poderiam ser assim, pelo menos não ainda.

Então para distrai-la desse sentimento de incomodo e faze-la esquecer de suas ideias de partir, Naruto decidiu fazer uma sessão de “cinema em casa” com alguns filmes que tinha salvado em seu computador. Conectou a maquina à TV e buscou nos arquivos algo que seria do interesse de ambos:

A grande maioria deles era de ação, daqueles frenéticos com tiroteio e buscas intermináveis que cominavam em o “mundo sendo salvo”, de alguma forma. O rapaz já vira todos e sabia que seriam bons, mas não tinha certeza de que a garota gostaria. Então não achou legal para a ocasião;

Havia também uma comedia romântica que não se lembrava do motivo de tê-lo baixado, muito menos de assisti-lo ate o final, era um drama barato com algo acontecendo com os protagonistas no decorrer do casamento de um parente. Poderia ser bom para eles, mas ele queria procurar um pouco mais;

Uma animação 3D com animais falantes que Sai havia pedido, seria um presente para o aniversario da sobrinha dele ou algo assim. Era em estilo de musical, com uma história de base interessante, mas com musicas repetitivas e grudentas, então era melhor passar;

E, por mais embaraçoso e fora de hora que fosse, encontrou ainda um filme pornô, que jurou para Hinata ser algo de seu padrinho, o Ero-Sannin, e não sabia da existência;

Por fim, havia um ultimo filme que não conhecia muito bem, foi um que o professor de Sociologia mandou assistir para um trabalho sobre comportamento social, mas, por ser uma tarefa em grupo, Naruto nem sequer precisou assisti-lo. Abriu o arquivo sem muito interesse, pensando que se esse não servisse teriam que se contentar com a comedia romântica ou algum dos de ação, mas, em uma coincidência surpreendente, de alguma forma, aquele filme encaixou perfeitamente no momento em que os dois viviam e os fez pensar bem além dos problemas, ver além...

Naruto não compreendeu o tema a principio, viu apenas um filme de ficção cientifica que pregava um tipo de utopia e não entendia o porquê de escolherem retrata-lo em preto e branco, mesmo sendo um cenário futurista. Só o fazia parecer mais sem graça e pouco estimado. Mas depois, com o passar do tempo e a imersão na história que se passava naquele “mundo perfeito”, foi percebendo que tudo tinha um significado muito mais profundo.

O rapaz prestava atenção aos fatos, descobrindo junto com o protagonista o sentido da vida ali e de qual era o verdadeiro preço pela paz em que viviam...

Percebeu que Hinata também estava, a seu modo, fascinada por aquele ambiente e, por um momento, imaginou como ela poderia desejar ter aquele “poder” tão mencionado que o protagonista tinha de repor e traspor memórias, já que era justamente isso que lhe faltava.

Os dois ficaram em silencio, ele envolvendo os ombros dela com um braço e ela descansando a cabeça contra peito dele, enquanto viam o desenrolar da história e analisavam cada conclusão e decisão do protagonista, assim como suas descobertas, as escolhas que faziam também despertavam certa familiaridade. O que aconteceria era, de fato, obvio... O “final feliz” era altamente previsível, mas o que foi realmente questionado era a duvida que aquele ato do herói trazia.

Aquela escolha consertaria tudo?! O filme acabou sem lhes dar essa resposta...

A tela escureceu para a aparição dos créditos e entre os nomes dos atores, diretores e produtores, uma música suave tocou de fundo, contendo uma letra significativa que, provavelmente, foi a responsável por ser justamente escolhida para aquele momento.

Nem Naruto ou Hinata se moveram de imediato, ainda observando estáticos e pensativos, sem saber o que fazer a seguir e, em meio aquela melodia, a conversa se iniciou:

— Eu não entendi o final... – Naruto afirmou simples.

— É... – Hinata riu baixo. – Não é um filme para conclusões rápidas, ele quer te fazer pensar. É o objetivo.

— Esse cara... O motivo dele é nobre, sei que era o certo, mas pareceu egoísmo, de certa forma.

— Eu me imagino um pouco como essas pessoas...

— Como assim?

— Quando eu acordei do coma eu não era nada. Não sabia meu nome ou meu passado, não conseguia sentir qualquer apreço ou ver diferença entre as pessoas. Nada era interessante, nada fazia sentido, como se as coisas estivessem em “preto e branco”... Ela disse e então desviou o olhar timidamente. – Eu estava completamente vazia, entende?! – perguntou e ele acenou.

— O preço que eles pagaram pela “paz”, a isenção de suas emoções, se tornarem vazios... Foi muito caro, não é?!

— Eu não sei, mas viver assim é uma sensação horrível, acredite...

— Acho que finalmente estou entendendo... Eu não iria querer viver em um mundo sem sentimentos, principalmente os que sinto por você, por minha família e amigos... – Naruto riu sem graça. – Acho que no fim, somos todos um pouco egoístas...

— Somos apenas pessoas... Cometemos erros, aprendemos e seguimos em frente, voltar atrás não é opção. Isso é o que torna tudo real, os sentimentos, as emoções, o amor...

— E agora você consegue sentir... – Naruto encerrou sua pergunta no meio, receoso e escolhendo melhor suas palavras. – Quer dizer, você ainda se sente vazia?

— As vezes, sim. Mas em alguns instantes não tanto... Há momentos em que tudo parece melhor e me sinto normal, como qualquer outra garota... – Ela respondeu e então riu baixo e sem graça. – Aos poucos eu fui me lembrando do meu passado e das minhas experiências, fui entendendo e “vendo cores”... Nem todas são bonitas, mas fechar os olhos por causa disso é errado...

— Existem cores muito mais bonitas espalhadas por ai, para se deixar levar por meros borrões...

Naruto falava um pouco mais espalhafatoso deixando um ar leve a sua frase mesmo com ambos sabendo qual era o real significado da metáfora que usavam. Hinata observou o sorriso dele percebendo a simplicidade com que conseguia entende-la. Hoje ela se sentia muito melhor, mais viva, muito mais normal.

A música dos créditos ainda tocava em seus ouvidos quando a pequena distancia que os separava foi vencida pela aproximação lenta de Hinata que selou seus lábios ao de Naruto em um simples e puro beijo.

Notas finais
Vou parar por aqui, se não o capitulo iria ficar bem enorme (não consigo controlar a extensão dos capitulos e isso tem me preocupado haha) Sei que não aconteceu muita coisa aqui e que um romance "agua com açúcar" tão basico, não costuma interessar muito, mas eu precisei dessa pausa. O proximo capitulo tambem será completamente NaruHina, mas com umas coisinhas mais tensas... Alegrem-se, porque a fic (e o mistério) está quase chegando ao fim =) Breve desabafo: eu demorei para publicar a continuação por que eu meio que desisti dela nesses ultimos dias... Chutei o balde e pensei em não fazer mais... Isso já aconteceu antes... de eu desistir e no ultimo segundo mudar de ideia e publicar um novo capitulo... Eu NÃO VOU abandonar essa história, garanto que não... é apenas um pensamento triste que me passa de vez em quando... então eu fico 2, 3 semanas sem chegar perto do pc para escrever e é isso que faz os cap demorarem tanto =/ O que posso dizer?! Aquilo sobre review incentivarem parece ser verdade... Quem for ver as notas iniciais e finais dos primeiros capítulos daqui vai ver que publicar essa historia era tipo um teste para mim, que nunca fiz isso antes... (parece que estou sendo reprovada, infelizmente) Repito em dizer que, NÃO VOU parar antes completar essa história e o mistério que criei. Faço isso pelas poucas pessoas que comentam e que eu sei que leem e gostam do que escrevo... Não seria justo com elas desistir... ainda mais agora que "O diário" está na reta final, certo? Então não se preocupe, tudo será resolvido em breve e vocês logo saberão todas as verdade dessa história =) Ate o próximo =) OBS: Para quem se interessar... * O filme que descrevi no final é "The Giver" (O Doador de Memórias), é aquele tipo de filme cliche que nem todo mundo gosta, mas quando o vi pela primeira vez não pude deixar de pensar na minha história =) * A musica que toca nos créditos é a "Ordinary Human" (banda One Republic). Não, não sou fã dessa banda, na verdade, eu nem a conheço direito (não tenho bom gosto musical, provavelmente kk), mas gostei muito dessa música, ela faz o meu tipo =)