O Diário

25 Capitulo 25


Notas iniciais
Ola para as pessoas que ainda lembram de mim =) Espero que tenham sentido minha falta do mesmo jeito que senti a de vocês Não vou me alongar muito, só quero dizer que hoje os capitulos (sim, no plural) são especiais para comemorar minha volta E nosso maior segredo será enfim revelado... Será que estamos prontos para isso? Aproveitem ;)

25.

Já estava tudo pronto... Todas as coisas que eram importantes para mim e as roupas que mais gostava de usar, tudo arrumado conforme mamãe havia pedido, ao contrario de minha irmã... Pelo que vi de Hanabi quando espiei em seu quarto, ela não se contentaria em trazer menos que metade de seu quarto junto, algo que nunca caberia em uma mala como deveria ser.

Por isso precisava falar com mamãe, para que ela convencesse minha irmã antes que começasse a pirraça por não conseguir levar todos os seus brinquedos com a gente. Hanabi ainda não parecia entender o que de fato estava acontecendo e como nossas vidas estavam mudando.

Ainda assim... Onde minha mãe estava?! Não conseguia encontra-la em lugar algum! Às vezes tinha raiva de uma casa tão grande como essa, eu com tanta pressa e minha mãe simplesmente desapareceu pelo corredor...

Procurei por mais alguns minutos e, quando já estava quase desistindo, decidi dar uma ultima olhada no escritório. Mas ao me aproximar, logo percebi que eles estavam discutindo de novo...

Eu geralmente sairia de perto e fingiria que não vi nada, mas já estava tão farta disso que, desta vez, me aproximei da porta e tentei descobri qual seria o motivo da nova briga.

–... nenhuma necessidade das meninas estarem arrumando as coisas! – Essa era a voz de meu pai. Não consegui ouvir o que falara antes, mas estava claro que era sobre Hanabi e eu.

– Hiashi, não vamos entrar nesse assunto de novo... – Mamãe o respondeu com um tom impaciente.

– Vamos sim. Não importa se você vai embora ou não, mas as minhas filhas...

– As minhas filhas... Vão vir comigo, naturalmente.

– Não, não vão e isso não está em debate... Eu as quero comigo!

– E o que você pensa que vai fazer com as duas aqui?! Acha que Hinata e Hanabi vão apenas sorrir e acenar quando que me verem saindo?! Como você acha que elas vão ficar?

Tentei lutar contra a curiosidade e o desejo entender mais sobre tudo isso, mas acabei abrindo minimamente a porta para poder observar um pouco mais daquela briga.

– Hinata já é bem crescida, entenderá muito bem o que está acontecendo! – Meu pai estava em pé falando com minha mãe que estava sentada com alguns papeis a mão, sem nem ao menos encara-lo. – E quanto a Hanabi... Bem, as coisas dela estão aqui, então não será difícil convence-la!

– Vê qual é o seu problema?! Acha que o mundo está a venda e que as pessoas tem preço... – Ela elevou a voz agora, deixando as folhas sobre a mesa e se levantou. – Sentimentos não podem ser comprados, Hiashi. Minhas filhas vão ficar bem melhor comigo e você sabe!

– Vão ficar muito bem... Muito bem lá no... Desculpe-me, aonde você vai mesmo?! Pra debaixo da ponte ou para o casebre no subúrbio daquel...

– Eu tenho minhas próprias provisões! – Ela o interrompeu.

– E suas ”provisões” são suficientes para pagar a escola de Hinata?! Os cursos? Ou os caprichos de Hanabi?!

– Ah, por favor... Se está “preocupado” com minha situação e condições para criar as meninas então pode ficar tranquilo, porque podemos viver muito bem sem o seu dinheiro. Claro que deve ser isso que mais te dói, certo?!

Nunca vi minha mãe falar daquela forma, era quase como se fosse outra pessoa, como se eu não a conhecesse de verdade... Achava que ela ficaria arrasada pelo fim de seu casamento, choraria ou ao menos falaria dos momentos bons que eu sei que existiam no passado... Esse seria o normal, certo?

Mas não... Ela estava fria com meu pai e falando de tal forma... Eu nunca a vi assim...

– Hinata-sama!! – Ouvi Natsu me chamar em tom de repressão e a aparição repentina dela me assustou. – Não deveria estar bisbilhotando!

Dei dois pulos para trás, me distanciando de onde estava, e encarei a governanta sem saber o que dizer e foi quando vi a porta do escritório se abrir e meu pai me olhar fixamente. Minha mãe também estava me observando, um pouco mais distante, não tão mais friamente quanto na briga.

O clima se tornara tão pesado... Todos me olhando como se pedissem explicações... Não pude deixar de me sentir pressionada, não pude fazer nada além de sair correndo dali, deixando todos para trás, ainda ouvi minha mãe me chamando, mas não a obedeci desta vez, continuei sem parar... Indo direto ao meu quarto, onde fiquei sozinha por um bom tempo.

Talvez tenha passado uma hora ou duas quando ouvi alguém bater na porta, não estava trancada então não respondi, quem quer que fosse poderia entrar se quisesse ou não... Não importava.

– Hinata?! – Minha mãe abriu a porta.

– Nós já vamos?! – Perguntei, enxugando minhas lagrimas para que ela não as percebesse, algo que com certeza seria em vão.

– Eu preciso conversar com você... – Ela entrou e se sentou ao meu lado. – O que você ouviu da minha conversa com seu pai?!

– Não foi uma conversa. Vocês estavam brigando. – Eu respondi, ela permaneceu em silencio, não queria negar, nem mentir para mim e isso, de certa forma, me fez me sentir um pouco confortada. – Vocês vão brigar na justiça também? Por nossa causa?

– Eu vou fazer de tudo para evitar isso... – Ela me abraçou, deixando com que eu me aconchegasse em seu colo, como se eu ainda fosse uma criancinha boba, pois na verdade era assim que eu estava me sentindo. – Entrei em um acordo com o seu pai...

– Que tipo de acordo?!

– Por enquanto... Você ficará com ele e eu levarei Hanabi comigo...

– Vai me deixar para trás?

– Nunca, meu anjo! Eu apenas... – Ela fez uma pausa, escolhendo o que dizer. – Eu não quero entrar em um embate com o seu pai. Não importa o quão perspicaz eu seja, sei que não posso ganhar batendo de frente com ele. Hanabi é menor e eu não ficaria tranquila longe dela, mas você é forte e muito esperta, sei que conseguirá domar aquele Hyuuga teimoso...

– Mas eu não quero ficar sem a senhora... Vou me sentir tão só...

– Eu sei, meu bem... Mas você não ficará sozinha, seu pai me prometeu ser mais presente com você...

– Como se fosse possível...

– Hiashi é um homem bom, ele apenas não entende certas coisas na vida e não sabe o que realmente importa.

– E por que você não diz a ele o que importa?! Não pode ser tão difícil...

– Talvez... – Ela sorriu para mim. – Talvez eu esteja indo para dar a ele uma chance de se reencontrar e descobrir por si mesmo... E talvez esta possa ser a chance que vocês dois precisem para se entender também.

– A única coisa que entendo agora é que o papai está separando a gente e destruindo nossa família... – Não pensei muito no que disse, já estava com tanta raiva dele.

– Não, Hinata... – Mamãe me segurou pelos ombro me fazendo encara-la, seu rosto estava serio de mais. – Não cultive um sentimento tão ruim por seu pai. Me deixaria muito triste saber que você está fechando as porta sem ao menos tentar...

– Se eu ficar, ele nunca vai me deixar ir com você...

– Será apenas por algumas semanas... Só ate eu encontrar uma boa casa para nós, então darei um jeito de te pegar... Nem que eu precise te roubar de volta. – Ela apertou levemente minha bochecha para me fazer sorrir.

– Sentirei tanta saudade.

Ficamos em silencio e estupidamente, levada por sentimentos tão infantis, comecei a chorar de novo e apesar dela me consolar e afagar meu cabelo, não pude parar. Não ate ouvi-la:

– Então te darei isso... – Ela retirou sua pulseira e fechou em meu próprio pulso. Era de ouro e decorada de pequenos pingentes, mamãe nunca a tirava, era ate um pouco estranho vê-la sem. – Você sabe o que é?!

– Sua pulseira favorita?!

– Não apenas isso. – Ela sorriu e então tocou em um dos pingentes. – Este eu coloquei aqui quando descobri que estava grávida, isso foi a um pouco mais de... 13 anos, certo?!

– Eu?! – Perguntei e ela apenas sorriu e escolheu outro pingente.

– Este foi quando descobri sobre Hanabi. – E então pegou outro ao lado. – E este de quando Neji veio morar conosco... Cada um desses pingentes é parte das lembranças de momentos importantes de minha vida que guardei nesta pulseira...

– E por que vai dá-la pra mim?!

– Para que sempre que olhar para ela, olhar também para minhas memorias... E talvez no futuro você possa me ajudar a completa-la com seus próprios feitos... – Ela explicou simplesmente. – Você consegue entender, não é?! As coisas que realmente importam?! As coisas que devem ser colocadas aqui... – Ela tocou na pulseira e depois tocou em meu coração. – E aqui?!

– Acho que sim...

– Então me prometa, Hinata... Prometa que, enquanto eu estiver longe, vai ao menos tentar se entender com seu pai... Assim, quando eu voltar para te buscar, poderemos colocar outro pingente aqui, juntas...

Eu pensei por mais um segundo antes de enxugar minhas lagrimas e tentei sorri como ela própria estava sorrindo.

– Eu prometo...

***

Estavam no carro agora. Kou dirigia em uma velocidade media, enquanto Hiashi lia atentamente alguns documentos e Neji fazia algo em seu tablete, com um silencio habitual tomando conta daquele ambiente.

Hinata ficara um tempo olhando pela paisagem da janela, pensando sobre suas lembranças e sobre a sessão de terapia de hoje, em tudo que ouviu e falou... Foi uma sessão em conjunto com Hiashi e Neji , algo que Kurenai planejou para analisar o “comportamento familiar” dos Hyuugas como um todo.

A garota não quis admitir na hora, mas foi bom ouvir o primo contar sobre como se sentiu quando foi morar na casa dos tios e como descobriu as verdadeiras circunstancias que levaram seu pai a ser preso. Ou ainda quando o pai revelou seus próprios sentimentos para com sua falecida esposa, defeitos que causaram a separação antes do acidente, momentos felizes destruídos por ambição e orgulho (coisas que avivaram algumas lembranças).

Mas aquilo que realmente marcou em sua mente foi o que a doutora lhe falou depois que Neji e Hiashi foram dispensados para que as duas conversassem sozinhas.

Primeiro Kurenai passou um tempo analisando-a antes de finalmente se pronunciar:

– Você parece um pouco quieta hoje, Hinata...

– Não, eu só... – A garota se calou, completando em um sussurro. – Não é nada...

– Nada?

– Nada...

– Bem, Hinata, ficar tão dispersa assim como você está hoje por “nada”, não é um bom sinal e, tenho que admitir, estou começando a ficar preocupada com você.

– Comigo?! Mas eu estou bem.

– Escute, eu sei que você esta passando por muita coisa e sua mente esta cheia com as lembranças que tem, ou não tem, ou não quer ter... Mas se há algo que não queria dividir comigo, basta dizer que não quer falar, não precisa fingir estar bem apenas para evitar minhas perguntas.

Hinata não gostou de como a doutora falou, estava agindo como se a conhecesse ou a entendesse de verdade e achou suas palavras invasivas e desnecessárias. Isso a irritava.

– Por que está falando assim comigo agora?! – Respondeu de maneira ríspida – Na outra vez, não se importou com o meu silencio...

– Não precisa ficar na defensiva, Hinata. – Kurenai falou simples. – Eu não disse nada antes por que estava tentando formar uma base para te avaliar, mas agora vejo como você parece distante e percebo que isso pode só estar piorando desde que acordou do coma.

– Eu... Não estou piorando...

– Você tem se escondido atrás de camadas e mais camadas para evitar situações desagradáveis, mas essa sua insistência em guardar tudo para si não é saudável. Só quero deixar claro que vou te respeitar se não quiser entrar em certos assuntos. Entende isso?!

– Então respeite... Eu não quero conversar com você...

– Certo, se é o que quer... Não vamos mais discutir isso

– Olha, eu estou bem, sério.– Hinata respondeu, desviando o olhar. – Eu apenas tenho pensado muito ultimamente... Não é nada de mais...

Kurenai percebeu a pequena brecha na cobertura dela, normalmente perguntaria que no que estivera pensando para tentar faze-la se abrir, porem, sabia como Hinata era arisca e que provavelmente se fecharia ainda mais ao se sentir pressionada.

A médica não queria forçar nenhum assunto, queria que a garota confiasse nela o suficiente para compartilhar suas experiências, mas obviamente não conseguiria isso tão cedo, então achou melhor mudar de tática.

– Suas lembranças fazem parte de quem você é, Hinata. E será impossível recupera-las se continuar fugindo desta maneira. Eu sei que a maioria se sente expostos ao falar de algo intimo e que essa exposição pode ser assustadora as vezes, mas eu estou aqui apenas para ajuda-la, se me permitir.

– Ninguém pode me ajudar...

– Não seja tão definitiva assim, por favor. – Kurenai sorriu. – Podemos começar com algo simples, se houver algo que se sinta confortável em me falar.

Hinata tentou encontrar uma nova desculpa para fugir dos insistentes ultimatos da doutora, ao mesmo tempo, inconscientemente pensava sobre o que ela estava dizendo e como parecia sincera e sensata. Houve uma pequena batalha interna sobre confiar ou não, antes dela decidir o que responder:

– Eu não sei, talvez eu só esteja com um pouco de medo do meu passado... Sei que existem coisas que não quero me lembrar...

– Não há nada de errado em sentir medo...

– A senhora quer mesmo me ajudar?!

– Sim, eu quero. – Kurenai falou firme.

A garota teve outra briga com sua consciência, se questionando de estava sendo ingênua por estar fraquejando com a doutora, mas agora que começou não deveria parar, além de que não perderia nada se pedisse esse favor.

– Então, como psiquiatra, poderia me receitar algo para... dormir?!

– Dormir?!

– Não pense que eu vá fazer alguma loucura. Não é isso! – Hinata falou rápido. – Eu não quero que você pense mal de mim...

– Fique tranquila quanto a isso, eu não estou aqui para te julgar e juro que não pensei nada de ruim, mas se você pudesse explicar melhor... Você esta com insônia?

– Não, são alguns pesadelos, na verdade...

– Hum, você também tinha pesadelos quando estava no hospital, não é?!

– É, mais ou menos...

– Poderia me contar sobre o que eles são? – A garota se calou baixando o olhar e Kurenai percebeu que não teria resposta. – Tudo bem, não vou insistir.

– E o remédio?

– Veja bem, Hinata. Eu só posso receitar medicamentos quando penso ser necessário para meus pacientes, mas, no seu caso, não poderia fazer uma boa analise com tão pouca informação.

– Então falar sobre isso com você foi inútil. – Hinata falou ríspida.

– Não... Talvez nós tenhamos encontrado um ponto chave para sua amnesia...

– Como assim?!

Kurenai sorriu ao ver que despertou o interesse da garota e então pegou um copo plástico e uma garrafa de agua, tirou alguns papeis de sua mesa deixando uma boa área livre.

– Será mais fácil de entender assim. O copo representa sua mente e sua capacidade de suportar certas coisas. E a agua é o tanto de estresse ou mesmo lembranças suprimidas e sentimentos que guarda para si... Entende?

– Sim.

– Agora, cada vez que você se sobrecarrega com os pesares, ou mesmo quando se distancia das pessoas que ama, sua capacidade diminui conforme o espaço vai se completando um pouco mais. – Ela começou a encher o copo lentamente com a agua e só parou quando estava completo ate a borda. – O que aconteceria se houvesse aqui mais uma gota, a ultima gota?

– A agua vai derramar.

– Seus sentimentos vão extravasar e, momentaneamente, você poderia perder o controle sobre eles.

– Seria como meus pesadelos...?!

– Sim. – Kurenai sorriu ao perceber como Hinata estava acompanhando bem o seu exemplo, ela eea mesmo uma garota esperta e consciente. – Você esteve no limite da sua capacidade desde que acordou do coma e seus pesadelos são como válvulas de escape para o estresse acumulado.

A doutora, então, despejou mais agua de forma brusca dessa vez, o copo já cheio não só derramou como se virou espalhando a agua pela mesa. Hinata saiu da cadeira pegando alguns guardanapos que tinha ao lado e tentou secar o excesso, ao contrario da médica que não parecia se importar.

– E esse foi o seu limite, Hinata. Você já estava sobrecarregada quando “algo mais grave” aconteceu, algo que excedia sua capacidade de suportar, criou uma reação em cadeia e tudo se perdeu.

– O meu acidente... A amnesia...

– Suas lembranças ainda estão ai, espalhadas pelo seu subconsciente esperando para serem “enxugadas”. – Kurenai disse. – Mas é algo que só você é capaz de fazer.

– Isso parece meio estranho, mas ate que faz algum sentido. – Hinata largou os guardanapos e se sentou rindo um pouco desanimada. – Sabe, eu acho que não durmo uma noite inteira desde que acordei do coma.

– Talvez você não precise de medicamentos para se livrar dos pesadelos, ou para dormir bem. – Kurenai disse simples. – Talvez você só precise tirar esse peso que tem carregado a tanto tempo em seus ombros...

– Como assim?

– Pense um pouco, depois de tudo que tem acontecido, desde que saiu do coma ate agora, em nenhum momento você sentiu vontade de partilhar algo com alguém?

– Partilhar?

– Conversar, desabafar... A maioria das pessoas não sabe como chorar em um ombro amigo faz bem para o espirito.

Sim, já houve alguém que despertou esse desejo de desabafar e descarregar o peso que carregava nos ombros, mas ele não era um amigo e Hinata nunca poderia chama-lo assim, pois os sentimentos que os unia iam muito além de qualquer termo ou rotulo. Nada seria suficiente para definir Naruto em sua vida.

Porem, a cada dia que passava, Hinata pensava que ficava mais impossível de se falar com Naruto... E não era só por seus bloqueios e paranoias, mas por algo muito mais confuso: O rapaz simplesmente sumiu e ela não tinha ideia de quando o veria de novo.

Sim, Hinata não via Naruto a mais de três dias e isso já começava a preocupa-la... Quer dizer, ele ligou para ela algumas vezes e ainda trocavam mensagens um pouco mais frequentemente, mas era só isso... Ela se lembrou de algo importante e precisava falar e perguntar tanta coisa, mas, agora, sempre que lhe questionava sobre quando iria, de fato, se ver e conversar cara a cara, ele dizia estar extremamente ocupado e sem tempo para uma visita.

Ficar se falando assim não era suficiente para amenizar a saudade que sentia, pelo contrario, as vezes, causava ainda mais falta. Pois não podia vê-lo e a seu sorriso ou olhar, ou mesmo ouvir claramente sua risada, nem sentir seu abraço...

Era tão estranho pensar assim, mas... parecia que Naruto a estava evitando de proposito e Hinata não entendia o que tinha feito de errado para afasta-lo assim...

– Eu não poderia...

– Sei que não fara isso comigo, mas deve haver alguém que desperte esse tipo de confiança em você. Ele pode não saber o que dizer, ou como te aconselhar, mas garanto que será um bom ouvinte.

Ah... Já estava se sentindo tão cansada com tanta complexidade, não sabia o que pensar...

Ate mesmo agora, algum tempo depois de já ter terminado a sessão e estando nesse carro a caminho de casa, Hinata ainda não entendia aquilo. Mesmo sem citar um nome, sentia como se a médica estivesse falando deliberadamente de Naruto, mas como ela poderia saber que era com ele que a garota queria desabafar?!

Já imaginava se Kurenai tinha algum poder telepático ou praticava bruxaria, pois tudo que ela falava pareci ser tão... Era como se soubesse que os dois tinham assuntos pendentes...

Balançou a cabeça, afastando os pensamentos e voltando a realidade, decidiu pegar seu celular para, quem sabe, ouvir alguma música e esquecer os problemas. Foi quando notou o ícone de nova mensagem recebida e o nome de Naruto marcado. A garota suspirou, se sentindo ainda mais cansada e clicou para ler:

“Oi,

Desculpe ñ ter te atendido ontem. To trabalhando agora, mas vo liga mais tarde, ok? (=^.^=)

Bj”

Ela sorriu brevemente para o emoji que ele fez com sinais tão simples, mas que conseguia se parecer tanto com ele, era fofo e bem a cara de Naruto...

Então percebeu o tempo que estava sem vê-lo e prestou a atenção no que ele lhe falara nessa mensagem... Ligar mais tarde? Seria assim de novo?! Por que ele não dizia “te vejo mais tarde”?

– Naruto, é? – Neji disse e foi quando a garota reparou que ele observava a tela de seu celular e a mensagem que mostrava. Nervosamente ela clicou no ícone para voltar a tela inicial o que fez o primo rir. – Ele não te ligou ontem?

– Não... – A garota respondeu simples, guardando o celular na bolsa. – Eu pensei que ele estaria sem credito então tentei ligar eu mesma, mas ele não atendeu... Devia estar ocupado com qualquer coisa...

Neji sabia que alguma coisa estava errada, mas não entendia o que era...

Já estranhou quando Naruto lhe devolveu o celular de Hinata – que em algum momento louco destas ultimas semanas acabou ficando com ele – ao invés dele mesmo ir entrega-la pessoalmente, como seria o esperado. Além de que, nas poucas vezes em que se encontraram no estagio, notou como o loiro estivera constantemente de mau-humor e ainda ficava tenso quando o assunto “Hinata” se fazia presente na conversa.

Ele sentia-se impotente ao perceber como a prima parecia ficar ficava cada vez mais arrasada com a ausência de Naruto e não poder fazer qualquer coisa para ajudar, já que nem ao menos sabia o que estava acontecendo.

Neji queria muito resolver todos os problemas, mas era algo que não cabia a ele... Já estava cansado de tentar entender esses dois atrapalhados que só sabiam se complicar.

– Ou talvez, não. – Neji disse simples. – O celular dele nunca funciona direito, talvez ele não tenha percebido sua ligação.

– Ele percebeu agora, já que me mandou uma mensagem...

– Eu vivo dizendo: “Naruto, você tem um trabalho, junte algum dinheiro para comprar um celular deste século”, mas ele não sabe poupar, está sempre pagando cursos atrás de cursos.

– É, eu sei... – Hinata sorriu minimamente.

– Naruto estuda mais coisas do que a cabeça oca dele consegue digerir, por isso é tão avoado. – Neji disse. – Ele é um teimoso com toda essa historia de empresa e sonhos.

– Eu diria que “esforçado” é uma palavra mais adequada... – Hiashi falou de repente.

Hinata encarou o pai, surpresa por perceber que prestava a atenção na conversa, mas o velho Hyuuga ainda mantinha os olhos nos papeis a sua mão e ela duvidou se ele não apenas estava ouvindo por alto e não entendia plenamente o assunto. De qualquer forma, aquela palavra era o mais próximo de elogio que poderia esperar de Hiashi em relação a Naruto e o pior era que Hinata concordava com ele.

Entao um celular tocou e, por um segundo, a garota teve esperança de que poderia ser Naruto, mas não era, pois percebeu que não era o seu aparelho, mas o de seu pai.

– Alo? – Hiashi atendeu, ouvindo. – Toneri está na empresa?! Por que? – Se calou para ouvir novamente, agora mais atento. – Explique que fiquei ocupado nessa manhã com assuntos pessoais e deixei meu celular desligado. – Houve um tempo maior de silencio e Hiashi bufou impaciente. – Claro que está... Diga que levarei minha filha em casa e irei para a empresa resolver esse assunto.

Hiashi desligou, guardando seus papeis e fechando sua pasta de documentos, visivelmente insatisfeito.

– Toneri pode causar problemas se deixa-lo esperando.– Neji usou um tom sarcástico.

– Quem é esse?! – Hinata perguntou.

– Um dos sócios. – Neji respondeu simples, mas deu um sorriso. – Hiashi-sama não gosta dele.

– É um jovem mimado que herdou os negócios da Familia Otsutsuki cedo de mais. – Hiashi se justificou.

– Parece familiar... O que ele quer?

– Estamos vendo uma parceria em uma concorrência. É um projeto de marking importante. – Hiashi respondeu. – Não tive cabeça para ler o contrato com calma e estive adiando a assinatura nessas ultimas semanas.

Hinata não disse nada, mas sabia que era a principal responsável pelo pai estar tendo esse tipo de dificuldade. Estava claro que Hiashi estivera abrindo mão de várias oportunidades e se restringindo muito para poder “estar presente” como havia prometido a sua mãe.

O celular tocou novamente.

– É ele... – Hiashi bufou, atendendo. – Sim, estou ouvindo.

– Foi como eu pedi para minha secretaria lhe falar: Tive um compromisso familiar e não pude deixar meu celular ligado. – Ele ouviu. – Sim, eu vou para casa agora e depois... – Hiashi se calou, novamente se mostrando impaciente. – Então que não espere... Não vejo problema em nos falarmos outro dia. — romper com a parceria?! Essa é uma ameaça muito inconsequente.

– Isso é sério... – Hinata comentou baixo para o primo que também parecia preocupado.

– Hiashi-sama, por que não vamos a empresa? – Neji perguntou. – Vamos lá, você le o contrato e conversa com Toneri diretamente.

– Não, vou levar vocês para casa antes. – Falou baixo para Neji, cobrindo o celular de forma a impedir que seja ouvido do outro lado da linha.

– O senhor sempre me diz que o sábio não quem resolve problemas, mas quem os evita, certo?! Então, Toneri é um problema evitável.

– Toneri, me de um segundo. – Hiashi disse, cobrindo novamente o celular e, então, pensou por um breve segundo antes de encarar a filha seriamente. – O que me diz, Hinata?!

A pergunta dele a fez se sentir inesperadamente insegura de repente...

Se Hinata pudesse mesmo escolher, desejaria voltar para casa e descansar da sessão de terapia de hoje que a deixou tão confusa, mas não queria ser a causa de ainda mais problemas, principalmente vendo como seu pai estava amigável hoje.

– Eu não me importo, se quiser ir lá. – Ela respondeu fazendo Hiashi sorrir.

– Toneri, já estou a caminho e chegarei em dez minutos. Satisfeito?! – Respondeu ao celular e, depois de ouvir, sorriu. – Ótimo, mantenha esse espirito. – Agora desligou o celular e olhou para fora tentando descobrir onde estariam. – Você ouviu Kou?! Estamos indo para a empresa agora e temos que chegar em menos de dez minutos.

– Agora mesmo, senhor.

Hinata baixou o olhar, refletindo sobre o que acabara de sentir, então Neji tocou em seu ombro, encarando-a com um disfarçado sorriso quando disse:

– Confia em mim, você vai gostar de ir lá também.

***

Assim que chegaram a empresa, Hiashi foi para a sala de reuniões enquanto Neji decidiu fazer um tour com Hinata para lhe mostrar onde ela trabalhava anteriormente .

A garota estava impressionada por descobrir que o prédio, o coração dos negócios da família, era composto por outras pequenas empresas também pertencentes aos Hyuugas e trabalhavam juntas como uma grande corporação. Não era uma simples empresa de publicidade que criava ideias interessantes, mas um enorme complexo que fazia todo o trabalho de divulgação.

Cada parte era uma célula que completava e contribuía para o desenvolvimento como um todo:

Passou por vários estúdios de gravação de áudio e vídeo, salas amplas com abafadores de sons e uma lâmpada vermelha em cada porta para indicar quando estavam gravando. Era onde os comerciais eram feitos para radio, TV e internet;

Também visitou a área administrativa, onde a garota estagiava, que tinha um andar próprio cheio de cubículos e engravatados. Lá pode ver de perto os números que sua família movimentava na economia e, apesar de parecer um meio complexo de se entender, estranhamente Hinata se sentiu confortável ali, provavelmente por seus inúmeros cursos de economia e administração que já fora obrigada a fazer no passado.

A área de criação foi deixada por ultimo, que era, de fato, a mais interessante, ali era possível ver uma minúscula ideia crescer e se transformar, evoluir para algo mais. Era um salão amplo e, diferente da administração, não haviam cubículos, mas mesas amplas com computadores e mesas digitalizadoras, papeis com desenhos esboçados mascotes ou logotipos espalhados por toda parte.

Neji, porem, assim que chegou com ela lá, acabou por deixa-la sozinha com uma claro desculpa esfarrapada de que teria que ir ao banheiro, mas Hinata, por estar tão maravilhada com a janela enorme com uma linda e inspiradora vista panorâmica do topo da cidade, mal percebeu a má intensão do primo e também não se importou em ficar sozinha, pois todos os funcionários foram extremamente gentis ate agora.

Então, enquanto esperava perto da janela e observava o movimento cotidiano nos funcionários, mais distante, no final do salão, acabando de sair de uma sala com porta de vidro, ela o viu...

Era alto e tinha um cabelo esbranquiçado, combinando com as feições suaves de seu rosto e, quando a viu ao longe, veio andando de maneira convencida com um belo sorriso.

– Minha princesa, quando Hiashi disse que havia te trazido, eu mal acreditei. Bem vinda de volta ao império.

Ele chegou ate ela estendendo a mão para um cumprimento, mas antes da garota fazer qualquer menção de responde-lo, olhou bem para aquele homem, percebendo que não tinha a menor ideia de quem era.

– Toneri, como vai?! – Hinata ouviu uma voz conhecida respondendo ao rapaz a sua frente e notou outra pessoa ao seu lado, retribuindo ao aperto de mão oferecido de forma firme.

Ela o encarou abismada, enquanto via os sapato de bico fino que usava junto da calça social, sua camisa estava com as mangas dobradas e arregaçadas ate a altura do cotovelo e, apesar de não usar paletó, estava de gravata. Hinata tinha uma vaga lembrança de já tê-lo visto assim, mas estar vendo-o agora, daquele jeito e depois de tanto tempo, a fez sorrir admirada com o quanto tudo combinava com ele, dando um ar de naturalidade que o deixava ainda mais lindo, mais perfeito.

– Naruto... – Toneri disse disfarçando um sorriso insatisfeito. – Eu deveria saber, nunca tive o prazer de me encontrar com Hinata sem que estivesse por perto.

– O mundo é feito de coincidências estranhas, não é?!

– Naruto-kun, o que você...

– Eu me encontrei com Neji e ele me falou que você estava aqui. – Naruto sorriu para Hinata e voltou a encarar o outro. – Eu vim te procurar porque pensei que ele tinha te deixado sozinha, mas, se eu soubesse que estaria acompanhada pelo Otsusuki-sama, eu ficaria mais tranquilo...

Hinata reconheceu o tom de sarcasmo e logo viu como Naruto era péssimo em esconder os ciúmes. Ela não entendia por que eles se encaravam daquela forma, mas estava claro que existia algum tipo de historia oculta por trás dessa reação. Entretanto, percebia como Naruto ficava bem com aquele sorriso forçado que direcionava ao outro...

Feroz, mas, ao mesmo tempo, fofo...

– Então você é o Toneri Otsutsuki? Meu pai falou muito de você. – Hinata tentando amenizar os ânimos.

– Naturalmente que falou e muito bem, provavelmente. – Toneri sorriu minimamente e sem nenhum entusiasmo. – Hiashi está lendo nosso contrato agora e esse tipo de coisa exige tempo e atenção, então vim dar uma volta pela empresa e ver como anda o rendimento.

– Que interessante... – Naruto foi sarcástico de novo.

– Foi um prazer revê-la depois de tanto tempo, Hinata. – Toneri falou.

– O prazer foi meu... – Respondeu pensando em ser, no mínimo, educada.

– E meu... – Naruto falou alto.

Toneri saiu ainda portando seu sorriso insatisfeito e Naruto cruzou os braços, trocando a expressão que forçava para parecer amigável de antes por um bico emburrado. Estava inconformado com o fato de que Hinata não poderia ficar cinco minutos sozinha sem que os gaviões viessem para cima com seus olhos famintos.

– Esse cara é um idiota mimado que se gaba das conquistas do pai. Não gosto dele nem um pouco. – Naruto falou serio.

– Eu percebi. – Hinata riu baixo e o olhou de cima a baixo, novamente admirando neste novo estilo de roupa que pouco se lembrava. – O que faz aqui, Naruto-kun?!

– Bem, eu meio que trabalho aqui, Hinata. – Ele coçou a nuca com um sorriso bobo. – Acho que ninguém te contou, não é?! Nós dois estagiávamos juntos aqui na empresa Hyuuga, é uma das varias coisas que temos em comum.

– Eu me lembro de alguma coisa assim, mas nada tão evidente... Confesso que isso me pegou de surpresa, não esperava te ver tão cedo.

– Eu não devia estar aqui hoje, de qualquer forma. Eu trabalho meio expediente, três dias na semana, mas já que eu fui suspenso na escola, acabei vindo uns dias a mais pra ocupar a cabeça e ganhar um extra...

– Então é por isso que você sumiu?! – Hinata sorriu sentindo-se aliviada, saber que Naruto estava, de fato, ocupado e não inventando desculpas para não vê-la como pensava, era revigorante.

– Eu não sumi, Hinata.

– Eu sei, mas fiquei preocupada. Eu já estava começando a achar que tinha acontecido alguma coisa e você estava fugindo de mim ou algo assim...

Agora que sabia tudo o que estava acontecendo, Naruto não sabia como agir com Hinata, ate mesmo uma simples pergunta ou o tom atencioso de sua voz o deixava sem ação. Por isso precisou desses dias para pensar, afinal, não entendia como a garota ainda poderia se preocupar com ele, tendo tantos outros problemas...

– Não, nada aconteceu... – A voz de Naruto vacilou, mas, como falou baixo e sério, a garota não percebeu a mentira.

Então pegou a mão dela puxando-a gentilmente para que andasse consigo por um corredor.

– Olha, Hinata, eu tinha um monte de papeis pra copiar, mas Neji disse que ia me cobrir por uns minutos. Mesmo assim, se o meu chefe me ver atoa vai dar encrenca. Vamos pra outro lugar, menos na vista.

– Claro. – Ela assentiu.

Entraram na sala de arquivo, que era cheia de prateleiras e pastas de documentos, coisas importantes para a empresa que a burocracia obrigava a ter por escrito como sinônimo de legitimidade. Era um setor inútil, entretanto, afinal quem precisaria ir ali para checar comprovantes ou boletos de dez anos atrás, por exemplo.

Mas a inutilidade era perfeita para Naruto e Hinata, pois tinham certeza de que ninguém viria incomoda-los.

– Eu acho que aqui podemos ficar tranquilos.

– Acho que sim... – Hinata falou se sentindo um pouco tímida.

Então estavam sozinhos, em um lugar isolado e com vários assuntos pendentes que precisavam ser discutidos, mas, estranhamente, acabaram por ficar em silencio nos segundos seguintes.

Naruto estava serio com apenas uma frase se fixada em sua mente... Algo que Hinata lhe disse a muito tempo... Naquela noite, quando toda verdade veio a tona... no momento em que passou a odiá-lo por descobrir quem realmente era:

“...Você não tem ideia de como eu estava me sentindo antes! Não entende como me sinto agora...”

Era a verdade, afinal...

Ele nunca soube como eram os sentimentos de Hinata, por isso nunca foi capaz de alcança-la ou entende-la. E com essa nova descoberta sobre tudo que ela escondia, Naruto só queria ir ate ela, abraça-la, prometer que tudo ficaria bem e revelar os seus próprios pecados, desejando ser perdoado...

Mas como fazer isso?! Percebia que se encontrava no estado mais repugnante de covardia, onde o medo da rejeição sobressaia ao que era certo de se fazer, pois cada palavra que pensava em dizer a ela, parecia tão insignificante e inútil...

Por que, simplesmente, não conseguiria encara-la?! Ou nem ao menos imaginar como seria estar com ela a partir de agora. As coisas nunca poderiam ser como antes e isso o assustava. Se sentia como o “moleque” que Kakashi o acusou de ser...

– Naruto-kun, está tudo bem?

Naruto não tinha mais estomago para fingir que “tudo estava bem” enquanto tentava manter suas mentiras e segredos... Não, não mais...

Então puxando-a de encontro a si, acolhendo-a contra seu tórax e a abraçou, calando qualquer pergunta que a garota pudesse querer fazer e com os braços enormes cercando seu corpo de forma doce e gentil. Fazendo Hinata o olhar confusa e um pouco assustada com o gesto repentino.

– Me desculpa, mas não aguentava mais te ver sempre tão fora do meu alcance... – Naruto pediu falando baixo. – Sei que foi pega de surpresa, não queria te assustar, nem nada.

– Eu não entendo... – Ela sorriu, retribuindo ao abraço. – Como um abraço seu poderia me assustar?!

– Eu senti sua falta, Hinata...

– Eu também... Também senti muito a sua falta.

Estiveram parados por alguns segundos, sem nenhuma palavra, sem nenhum movimento, apenas apreciando a presença um do outro.

– Ficar assim com você me lembra de quando me abraçou no estacionamento daquela lanchonete no ultimo final de semana... – Hinata disse.

– Sim... Espero não estar te incomodando agora...

– Nunca... Lembra o que me disse naquela vez?!

– Claro, quem tem amnesia aqui é você. – Naruto riu, separando seus rostos do abraço para encara-la, confuso. – Mas do que você está falando, exatamente?!

– “Não é justo que só eu me lembre” – Ela disse. – É por isso que estou aqui...

– Como assim?

– Você prometeu que falaríamos daquela noite... Quando eu me lembrasse de alguma coisa.

Pasmo com o que acabara de ouvir, Naruto a encarou sem mover um só musculo, quase como se tivesse em choque, tornou-se tenso de repente, livrou-a de seu abraço completamente e deu um passo para trás. Deixando seu queixo estupidamente caído e sua boca aberto de surpresa lentamente se transformarem em uma linha única de um meio sorriso sem expressão.

– E você lembrou? – Ele perguntou serio.

– Sim...

Hinata percebia como, de alguma forma, Naruto parecia receoso, como se soubesse o que ela pretendia lhe questionar. Mas, é claro, não era possível ele saber, ela própria não tinha certeza de que teria coragem ou não de falar.

– Eu lembro que fui ate a sua casa, estava chovendo muito e eu estava um pouco machucada. Você me ajudou com os curativos...

– Só isso?!

Naruto perguntou deixando claro para Hinata de que havia mais a ser lembrado e ela teve certeza que ele já imaginava onde ela queria chegar e mesmo assim esperava em silencio, aguardando sua confirmação.

– Nos beijamos, eu disse que te amava e... – Hinata respirou fundo antes de prosseguir. – Fizemos amor...

A ultima frase saiu em tom de pergunta não proposital, ainda assim a garota ansiou por uma resposta do loiro.

– Então você lembrou... – Ele disse simples. – Eu sempre quis conversar sobre isso com você...

– E por que não falou?

– Como se fosse fácil com você sem memoria... O que eu podia fazer? – Naruto falou irônico esfregando a mão pelos cabelos nervosamente. – Eu ia só chegar para você e falar “Oi! você não se lembra de mim, mas dormimos juntos antes de eu causar o seu acidente”?!!

– Por que você tem sempre que voltar a essa assunto?? Eu já disse que eu não te culpo por nada.

– Mas eu me culpo, Hinata. O que eu fiz... Tudo que eu fiz... – Naruto dizia, mas se interrompeu, pensativo. – Você não se lembra dessa parte, não é mesmo?!

– Não, não me lembro dos detalhes e eu não sei explicar direito, mas eu SINTO que algo aconteceu... Algo ruim... Entende?

– Sim, entendo... – Naruto disse simples.

– Por isso chega de adiar esse assunto! – Hinata disse firme. – Eu preciso saber como a melhor noite da minha vida acabou comigo em coma num hospital... Naruto-kun, eu preciso saber por que nós brigamos...

Ele viu a determinação e a coragem que ela carregava e percebeu como estava sendo injusto novamente, egoísta novamente... Hinata merecia mais dele e de seus sentimentos.

– Tudo bem, eu contou. – Naruto disse. – Mas você vai ter que me prometer que vai me ouvir e não vai fugir antes de me deixar explicar e falar tudo...

– Fugir?! Por que eu iria...

– Promete, Hinata, por favor! Independente do que eu dizer ou do que se lembrar, promete que vai me ouvir ate o fim...

– Certo. Eu prometo...

A coragem que o rapaz precisava para tal momento só viria com o tempo, aquele que precisava para pensar e aprender a lidar com a mulher que ama e, principalmente, consigo mesmo... Infelizmente para Naruto, o tempo era agora...

Então a olhou fixamente, pronto para lhe contar tudo e revelar cada um de seus segredos.

Notas finais
Eu sei que esse cap não teve muita coisa, mas garanto que o próximo será especial (no pior sentido) Aguardem ai que é rapidinho =) Obs: desculpe os prováveis erros de português, estive escrevendo e editando de madrugada então não me responsabilizo pelos erros cometidos kkk Espero que entendam =)