O Diário

17 Capitulo 17


Notas iniciais
Ola, ola... Primeiramente queria me desculpar pela demora (quase duas semanas sumida! Como pode, né??) Então, imaginem minha surpresa quando cheguei aqui hoje e vi a belíssima recomendação que LuHiuga fez *-* (Bem, não foi tão de surpresa porque ela ja havia avisado que faria hehe) Adorei cada palavra e isso me deixou muuito motivada, tanto que sai escrevendo feito louca no ultimo final de semana kkk Apesar disso... esse cap é bem menor que os últimos porque é apenas para "preparar o terreno" para algumas coisas que aconteceram em breve... É um pouco tenso e envolve alguns sentimentos que não podem ser negligenciados. Mesmo assim esperem que aproveitem...

17.

Eu estava exausta de mais para continuar andando... Andar por tanto tempo... Andar por andar... Numa jornada que eu não tive escolha... Mas, parando para pensar, qual era meu destino?! Para onde estava indo, se não havia qualquer caminho a seguir?!

Só agora percebi que esse lugar era vazio... Sem chão, sem céu, sem horizonte, apenas o vasto espaço em branco. Não lembro de onde vim antes de chegar aqui... Eu estava perdida?

Parei para descansar e percebi o quanto tudo era diferente, silencioso e tranquilo, sem dor ou medo, com uma paz que raramente podia ser presenciada na “realidade”.

Apenas eu e... Ninguém...

Meu sentimento de paz e consolo foi rapidamente substituído por um gosto amargo chamado angustia. Eu estava sozinha? Onde estavam todos? Eu não sabia... Simplesmente... Não sabia de nada!

Então senti algo segurando minha mão e olhei um pouco mais para baixo, encontrando aquela garotinha a minha frente sorrindo. Ela tinha cabelo curto, castanho, e seus olhos iguais aos meus. Seus lábios se moveram para falar algo, mas nenhum som se propagou no local, entretanto, eu entendia perfeitamente o que dizia.

“O que está esperando?! Vamos”.

Hanabi puxou o meu braço para indicar que queria que eu andasse com ela, mas eu estava cansada de mais, havia andado por tanto tempo, não queria ir a lugar algum. Claro que ela não me esperaria, minha irmã era muito independente para isso, assim que viu minha indisposição soltou minha mão e correu para uma certa direção. Acompanhei-a apenas com os olhos e vi seu destino ao longe.

A mulher de cabelo escuro amarrado em um coque para onde corria, sorria e acenava de forma alegre. Foi inevitável reconhecer uma das pessoas mais importantes da minha vida, a qual eu tanto sentia saudade.

... Mamãe...

Eu mal percebi sua presença ali e quando me dei conta já estava correndo para ela, vencendo o cansaço e ultrapassando meus limites para chegar o mais perto possível. Quando minha irmã chegara lá, eu ainda estava na metade do caminho, por algum motivo estupido, eu parecia muito mais lenta em meus movimentos.

Alguns passos a frente e eu vi que ela não estava sozinha: meu pai e meu primo, meus amigos, Naruto-kun... Todos lá com ela, esperando por mim.

Todos que amo ali, juntos e ao meu alcance, apenas bastando eu correr alguns metros a mais.

Subitamente, minha mãe e Hanabi deram as mãos começaram a se distanciar do grupo, andando vagarosamente enquanto conversavam sorrindo. Para onde estavam indo?!Por que agora que eu já estava tão perto?! Não queriam me ver ou estar comigo?

Tentei acelerar ainda mais, fixando meus olhos nelas... quando alcancei o grupo de pessoas, percebi que alguns tentaram falar algo comigo, mas ignorei, passando por eles tão veloz quanto um raio fazendo de tudo para chegar a elas. Havia tanta coisa para falar, tanto o que perguntar, nunca percebi o quão grande era a saudade que eu sentia ate agora... Eu não queria perde-las de novo... Mamãe, Hanabi...

Corri como nunca, gastando ate a ultima gota de energia que restava e, quando achei que pudesse estar me aproximando, as perdi de vista... Desapareceram na minha frente sem deixar qualquer rastro a seguir. Sumiram como se nunca estivessem lá...

Parei olhando para os lados, buscando-as, não entendia como tinham simplesmente ido embora, me deixando para trás desse jeito.

Cai ajoelhada, arfando de exaustão, tanto esforço para no final, nem se quer conseguir vê-la de perto? Parecia tão injusto, tão doloroso. Poderiam ter me esperado, não?! Que mal havia em falar comigo um pouco?! Ou pelo menos se despedido... Talvez um “ate logo”, “adeus”, ou mesmo um “seja uma boa menina”... Qualquer coisa...

Senti meu choro atrapalhar ainda mais minha respiração e, fraca, apoie minhas mãos no vazio inexistente que era o chão abstrato em que estava.

Foi quando percebi alguém se aproximar e vi seus pés pararem bem a minha frente. Levantei a cabeça tentando cessar minhas lagrimas e o vi sorrindo para mim. Naruto... Me olhando de forma carinhosa, estendeu a mão em um gesto claro de tentar me ajudar a levantar.

“Vem comigo”.

Seus lábios se moveram para falar isso, mas novamente não consegui ouvir as palavras.

Eu não pude pegar a sua mão, um receio estranho me fez abaixar o olhar para fugir do dele. Então o vi se ajoelhando para se juntar a mim e repetir o gesto em minha direção, oferecendo novamente seu apoio. Olhei-o encantada por um instante, mas novamente não consegui retribuir, era como se meu próprio cérebro não conseguisse dar aquele comando.

Com minha insistente recusa, seu sorriso sumiu e ele se levantou, olhou para mim uma ultima vez e começou a se afastar, exatamente como minha mãe e minha irmã.

Eu não queria que ele fosse, mas não tinha forças para impedi-lo. Como para-lo se nem de pé eu conseguia ficar?!

Logo pensei em pedir ajuda aos meus amigos, eles poderiam, eram fortes e estavam descansados, sempre me ajudariam, mas quando olhei para trás, não havia ninguém. Meu pai, Neji, Sakura, Shino, todo mundo desapareceu. Tremi de medo ao pensar que Naruto poderia desaparecer também.

Se eu deixasse que se distanciasse de mais sumiria em frente aos meus olhos como minha mãe?! Não, eu não permitiria... Me levantei em um ultimo folego de energia e começou a andar ate ele, mancando por algum motivo.

Naruto estava indo rápido de mais para eu acompanhar nas minhas condições, mesmo assim, lutei para continuar impulsionando meu corpo fraco para mais um passo.

Em certo momento, bem antes de eu se quer pensar em desistir ele parou completamente, para me esperar. Isso me deu uma injeção de anima para me apressar um pouco e chegar lá.

Então... Algo mudou...

O mundo em que eu estava se tornou escuro e amedrontador, um tipo estranho de vento começou a soprar entre nós, tentando me jogar para trás. Não sei de onde tirei forças para resisti, mas consegui continuar meus passos agora muito mais difíceis.

Ele que ate então se manteve de costas de virou para mim com um de seus sorrisos simples que eu adorava e estendeu sua mão novamente. Estava perto, apenas alguns centímetros e eu a pegaria para nunca mais soltar...

Porem, eu consegui ver em um milésimo de segundo seu sorriso mudar completamente. Sua mão, que estava estendida, se moveu rápido desviando da minha.

E ele avançou em minha direção, passando por qualquer tipo de defesa que eu pudesse pensar e alcançou o meu rosto segurando de modo que eu não podia mover nada além dos olhos. Finalmente percebi que, em algum momento, o homem a minha frente assumiu o lugar que pertencia a Naruto, transformando-se em um verdadeiro monstro. Não havia nada da pessoa que eu amava... Apenas alguém totalmente diferente...

Quem era? Quem? Seu rosto estava coberto com algo que me impedia de reconhece-lo, parecia pintado com um tipo de liquido vermelho, viscoso, o mesmo espalhado por sua roupa. Pingava das extremidades, formando uma poça em volta de nós. Vi um rastro do liquido saindo de seu braço estendido e manchando minha roupa, deixando-me perceber cheiro forte e embriagante, fazendo-me querer tossir.

Isso era... a sangue?!

Me desesperei e tentei me afastar e foi ai que senti seu aperto em meu pescoço romper completamente meu folego e olhando-o assustada encontrei seus olhos vermelhos...

“Por que? Eu digo que te amo e você faz isso?”

Eu não o ouvia, mas cada palavra que saia dos movimentos dos seus lábios, causava dor diretamente em meu cérebro, era como se alguém martelasse uma estaca na minha cabeça.

“Por que me cortou?!”

A mão que segurava meu pescoço fortificou o seu aperto, fazendo a fraqueza da falta de oxigênio aumentar de tal maneira que minhas pernas bambearam e eu fui de joelhos ao chão.

“Vou te ensinar como deve tratar o homem que te ama”

Ele me jogou contra o chão e eu tentei me levantar, mas, talvez pelo desespero, cansaço ou o sangue espalhado, acabei escorregando estupidamente. Não podia me mover, nem forças para me arrastar para longe, eu tinha.

Ele se curvou sobre mim enquanto me segurava pelos ombros, impedindo qualquer ação de meu corpo. Quando enfim criei coragem para encara-lo, fiquei congelada quando encontrei o tom de seus olhos, me observando de forma cobiçada que ia além de seu sorriso psicótico. As gotas de sangue que escorriam pelo seu rosto, começam a pingar sobre mim.

E eu nada podia fazer... Não havia como resistir, ou escapar...

“Você é minha”.

***

Hinata se levantou em um pulo só, saindo da cama desesperada e olhando em volta buscando seus pesadelos. Tudo estava tão escuro quanto aquele homem havia transformado aquele lugar, mas, passado o susto e com os olhos se acostumando com a falta de luz, percebeu onde realmente estava. Não era nenhum lugar vazio ou hostil, não tinham monstros e nenhum ser que a machucasse... Apenas o seu quarto...

Foi para onde veio assim que chegou em casa depois do desastroso “momento familiar” que Hiashi tentou propor naquele restaurante.

Lembrava-se de entrar, trancando a porta atrás de si para não se permitir ouvir qualquer reclamação dele, pelas grosserias que ela tenha lhe feito durante o caminho de volta.

O fato era que Hinata se sentia tão mal que, agindo por impulso, acabou falando coisas para evitar uma conversa. Hiashi também estava furioso pela forma com que ela tratou aqueles conhecidos que estavam em um jantar de negócios com Madara. Dizia que a forma com que ela agiu era inadmissível para a herdeira da empresa.

Aos poucos ela percebeu que nada tinha mudado e não importava quantos jantares de reconciliação ele prepare ou quantas historias ele saiba sobre ela e a mãe. O relacionamento de pai e filha não poderia ser resgatado, simplesmente porque ele nunca existiu. Por isso cortou qualquer iniciativa de dialogo antes mesmo de começar, era tarde de mais para aquilo...

Hinata se jogou na cama assim que livre dele, querendo descansar sua mente daquelas lembranças estupidas e não sabia ao certo quando pegou no sono, nem mesmo chegou a se trocar, ainda estava com o mesmo vestido.

E... Surpresa... Teve um novo pesadelo.

Uma mistura bizarra das historias que Hiashi contou sobre sua mãe e a irmã, somada com o que Sasuke havia lhe falado e ainda aquele ser impiedoso que sempre aparecia em sono.

Belo combo para deixa-la em uma pilha de nervos.

Ela ofegou um pouco e se sentou a beira da cama, tentando convencer a si mesma de que sonhos não poderiam lhe fazer mal. Era fácil manter o pensamento, difícil acreditar nele...

Já fazia um bom tempo que não dormia nada bem... Mesmo dormindo quatro ou cinco horas seguidas, bastava ter um estupido pesadelo de alguns segundos para todas as suas energias serem esvaídas. Hinata já estava tão cansada dessa rotina de medo e ódio, exausta de ter que “fingir” para todos de que nada estava acontecendo... Mas o que mais ela poderia fazer?!

Percebeu agora como o quarto estava silencioso, assim como em seu pesadelo. Era tão irreal que parecia piorar sua dor de cabeça. Estava enlouquecendo? Não sabia, mas não suportava esse silencio absurdo quando dentro dela havia uma tempestade de emoções destruindo e transformando tudo que ela acreditava em mentiras.

Se levantou e foi andando lentamente pelo corredor.

Chegou as escadas e pensou, só pensou, em voltar para o quarto, porem não conseguiu compactuar com essa falsa paz que a rodeava.

Adentrou a sala e se sentou a frente do piano, estendendo as mãos sobre ele. Só então percebeu que estavam tremendo, assim como sua respiração começava a ficar cerrada, suas lagrimas saíram sem permissão e Hinata apenas se debruçou sobre as teclas, escondendo o rosto entre os braços. O som de todas as notas sendo pressionadas pelo seu peso ajudou a diminuir um pouco sua angustia.

O quanto desse sonho era só imaginação? E o que era real?! Quem era aquele que lhe fazia tanto mal?! Sua cabeça estava tão pesada e esse silencio... Por que sempre tinha que estar tão quieto?!

Se posicionou novamente em frente ao piano e fechou os olhos... Segurou uma nota grave e fez uma curta sequencia de agudas.

Sim, era o silencio que a estava matando e enlouquecendo e esse som do piano parecia ser capaz de afastar seus fantasmas e acalmar.

Hinata sabia que era errado, esse era o instrumento favorito de sua mãe e desde que ela faleceu servia meramente como decoração daquela sala. Algumas notas chegavam estar ate um pouco desafinadas, com a falta de uso, Hiashi não permitiria nem que um afinador profissional tocasse aquelas teclas...

Somente ela, sua esposa, poderia tirar melodia dele. Mesmo assim... Cá estava sua filha, desobedecendo e implorando por um pouco de barulho...

Então deu continuidade deslizando seus dedos habilmente e recomeçando com aquela música, que ela não fazia ideia de onde vinha, apenas sabia que era carregada de um tipo diferente de sentimento.

Uma paz tranquila que se manifestava, fazia suas mãos se moverem quase em solo, ela não precisava se concentrar em quais teclas tocar. Era tão natural formar aquela melodia quanto era respirar. Ela sabia o que fazer mesmo sem lembrar como aprendera a tocar.

E foi uma experiência boa, ate sua mente deslumbrada puxarem suas lembranças a tona, novamente.

– Vadia! Nós temos um trato! Você não pode parar tudo agora! – Lembrava-se apenas das vozes, essa era a de Sasuke, gritava furioso.

– Claro que eu posso!

– Hyuuga e Uchiha juntos, esse era o plano. – Ele disse. – Não funciona de outro jeito.

– Eu tenho o meu próprio plano agora.

– Você... me usou!

Hinata balançou a cabeça, tentando se concentrar no que fazia. Ela não queria saber, não fazia sentido dar atenção a algo que estava a enlouquecendo te uma forma tão avassaladora.

Percebeu que enquanto de lembrava acabou travando as mãos em uma sequencia de notas, suspirou dando continuidade.

Prosseguiu trocando movimento com as mãos, fazendo as notas agudas e graves se complementarem de uma maneira natural e belíssima que fazia seu coração acelerar.

Mas, novamente tudo foi encoberto por vozes em sua cabeça.

– Me envergonha ter uma filha como você! – Essa voz... Era de Hiashi agora.

– Não percebe o que você esta fazendo com o legado da família?!

– Não diga coisas que não tem certeza!

– Eu é que tenho vergonha de te chamar de pai!

– Eu preferia mil vezes que você estivesse naquele carro no lugar da sua irmã!

Tocou as notas da melodia com mais vontade e fervor a fim de afastar o que quer que sua mente estivesse minando neste momento. Foi para se tranquilizar que veio tocar, não para relembrar discussões.

Pena que seus desejos tinham tão pouco controle sobre seus sentimentos.



– Como você quer que eu acredite em qualquer coisa depois de que você fez, Hinata?! – Sakura, a voz dela...

– Ele estava te usando, eu livrei você de...

– Claro, comigo ele esta apenas ‘me usando’, com você ele quer o que?! Casamento?

– Sakura... Já marcamos a data.

Tocava cada tecla como se sua vida dependesse disso, batia a ponta dos dedos velozmente em cada sequencia. Querendo que o som da música suplantasse as vozes das discussões que se formavam aos poucos.

Por que tinha que ser tão difícil?! Por que não poderia viver bem sem qualquer uma dessas lembranças?!

– Me solta! Esse não é você!

– Pelo contrario... É, sim, quem realmente sou! – Neji... Era o Neji-niisan agora...

– Tá me machucando!

– Você não entendeu ainda que é exatamente isso que eu quero!



Lagrimas escaparam e ela balançou a cabeça, tentando se focar nas notas que fazia. Manter-se nessa realidade e não nos devaneios que eram mais e mais comuns a cada nota que formava. Parecia que se acalmar era proibido e sua mente aparecia com qualquer coisa impedir que se tranquilizasse.

Respirar já era difícil, e nem todas as notas saiam perfeitas por causa dos tremores que o nervosismo provocava em suas mãos. Agora também uma dor no coração deixava tudo mais evidentemente ruim.

– Nunca devia ter confiado em você.

– Para! – Naruto-kun... Gritando furioso... – Para de se fazer de vitima!



As lembranças não paravam de aparecer, umas por sobre as outras, intercalando entre si, se confundindo, se amontoando, impedindo que fossem compreendidas. Ela podia ouvir e sentir tudo que faltava para completar esse maldito quebra cabeças, mas não conseguia interpretar.

Estava mesmo ficando maluca?!

Não importa, não conseguia parar, parecia que sua mente estava sendo consumida e tudo mais se tornou mecânico, algo anteriormente programado, assim como as notas executadas pelas suas mãos. Ainda de olhos fechados, movendo seus braços para atingir cada nota em uma exata precisão, acompanhando com a cabeça para manter-se focada, tentando não “se perder” em si. A música estava chegando ao fim, mas, ao invés de concluir, indo para o seguimento final, Hinata apenas repetiu a parte do coro, voltando tudo ao ápice da melodia... E voltaria de novo e de novo, sem qualquer controle de seus movimentos.

Era como se essa capacidade de entender a si mesma, tivesse sido roubada de alguma forma.

– Hinata! – Uma mão a segurou e puxou para que se levantasse.

Alguém a segurava firme pelos ombros, mas a garota só foi perceber quando ele a sacudiu de forma impaciente.

– O que você pensa que esta fazendo?!

– Hiashi-sama, solte-a, por favor! – Neji puxou o tio para trás deixando Hinata livre.

– Eu estou cansado de ser acordado no meio da noite com essas musicas!

– Ela com certeza não fez por mal!

– Ela esta fazendo isso para me afrontar! Exatamente como hoje no restaurante.

Hinata parou, foi como se tivesse despertado de uma hipnose, olhou sem entender muito bem o que acontecia a sua volta. Via a cena meio desacreditando, Neji tentava por um pouco de consciência no tio, Hiashi parecia mesmo alterado e ela não tirava sua razão, sabia desde o inicio que tocar piano era proibido naquela casa.

– Eu sou a filha que você queria morta...

Embora tenha falado bem mais baixo que o normal, a discussão sessou instantaneamente quando os dois perceberam as palavras que a garota proferiu.

– O que disse? – Hiashi estava surpreso, a olhou de cima a baixo antes de tomar a iniciativa de se aproximar, estendendo a mão sobre a filha novamente, não mais furioso.

– Não me toque. – Hinata disse firme se afastando ainda mais, pondo as costas contra a parede que só agora percebia que estava lá.

– Hinata-sama, não diga coisas assim. – Neji falou tentando apaziguar o clima que se formou.

– Não toque em mim. – Ela ergueu as mãos numa forma de mostrar que queria distancia do primo também.

– Você esta um pouco nervosa e...

– Ele me queria naquele acidente no lugar da Hanabi. – Hinata disse firme e então encarou Hiashi. – Estou mentindo?!

– Fale alguma coisa, tio!

O Hyuuga parou de avançar olhando o medo que a filha demonstrava ter dele. Lembrava-se dos bons momentos do jantar que aconteceu a pouco tempo e não entendia como os sentimentos dela mudaram tão drasticamente. Buscava em que momento errou, por que ela agora o olhava com tanto ódio, mas percebeu que talvez o erro não seja dessa noite, mas de vários outros anos dispersos de brigas e discussões.

E tentou... Realmente tentou encontrar algo útil para dizer, mas estava assolado com aquelas palavras, ainda paralisado por aquele olhar que ela direcionava.

– Não quero que toque este piano novamente, entendeu?!

– Não vai se repetir, Sr. Hyuuga. – Hinata disse simples e saiu da sala deixando os outros dois em um completo silencio.

Chegou ao quarto e não conseguia ficar parada. Andava de um lado para o outro como um leão selvagem que acabara de ser jogado em uma jaula pequena. Um tipo estranho de “fúria” a consumindo. Mas de que? Pelo que? Não conseguir se lembrar a fazia se sentir tão... Furiosa!

Estava mesmo enjaulada, mas, diferente de qualquer animal em cativeiros, suas barreiras não eram físicas, eram criadas por sua mente perturbada que continuava tentando se iludir e se torturar com memorias tortuosas.

O que era a sua vida antes daquele maldito acidente? O que todas aquelas “lembranças”, se é que um conjunto de vozes em sua cabeça pudesse mesmo se chamar assim, o que significavam?! Tão pouca coisa foi filtrada e entendida que ela sentia uma imensa frustração.

Que vida era essa a qual estava tentando desesperadamente se apegar?! Valia mesmo a pena?! Tanto sofrimento, ódio, dor e medo... Era realmente isso que queria?!

Não aguentava mais...

Simplesmente não suportava ter seu espirito preso por essas barreiras imaginarias e faria qualquer coisa para escapar... Qualquer coisa...

***

Naruto estava sentado no pequeno balcão da cozinha comendo ramen quando Jiraya chegou, o velho havia saído no começo da noite, após faze-lo de faxineiro a tarde inteira.

Seu castigo pelo que aconteceu foi dividido em duas partes, em que a primeira era essa que foi designado: ser obrigado a espanar, esfregar e lavar cada centímetro daquele pequeno sobrado que chamavam de casa; cozinha, sala, banheiros e quarto; Janelas, azulejos, o teto; lâmpadas, sofás, pratos e panelas; tudo que pudera imaginar.

De fato, o rapaz nunca tinha visto aquele lugar tão limpo e arrumado, a dor de seus músculos por tamanho esforço mostrava como aquele trabalho era pesado e esperava não ter que fazer isso todos os dias da suspensão.

Um bip estranho o tirou dos pensamentos. Olhou para o lado encontrando sobre o balcão, bem perto de onde estava sentado, aquele aparelho moderno de tela enorme e sem nenhum botão, o celular da Hinata.

Ele o pegou e constatou que o bip era para avisar da falta de bateria, marcava menos de dois por cento e, provavelmente, desligaria a qualquer momento. Casualmente, ele abriu a pasta de mensagens, buscando a ultima enviada para a garota.

“Hora de acertar as contas. Estou sem paciência, então não me venha com seus truques dessa vez.”

Foi Sasuke que a enviara... Aquele filho da puta nem tinha ido ao colégio, apareceu só quando soube que Hinata estava lá.

Naruto e Hinata tinham acabado de se beijar no auditório; O que teria acontecido no resto do dia se ele não tivesse aparecido?!

Almoçariam e terminariam as aulas; Ele a levaria para casa e passariam toda a tarde juntos; Quem sabe não pudessem conversar sobre o beijo... Ou talvez ate repeti-lo...

Mas não, aquele cara sempre tem que atrapalhar tudo. Chegar exigindo coisas dela, agindo como se ainda fossem noivos... Deveria ter batido muito mais forte!

Riu brevemente do pensamento, valeria a pena limpar dezenas de casas e pudesse socar e arrebentar a cara do Sasuke mais algumas vezes.

– Ainda acordado?! Já passa das duas horas. – Jiraya entrou na cozinha.

– Não consegui dormir e vim comer alguma coisa.

– Depois de todo o trabalho, não esta cansado para dormir? Você tem energia de mais. – Jiraya disse abrindo a geladeira para pegar uma cerveja. – Que celular é esse?

– É da Hinata. Naquela confusão, eu esqueci de devolver. – Naruto disse simples, bebendo o resto de ramen de sua tigela. – Amanhã eu levo para ela.

– Claro que vai levar... – Jiraya o encarou com um olhar irônico. – Seu respeito as minhas ordens é notável, sabia?!

A outra parte do castigo de seu padrinho era não ver mais a Hinata...

Mas aquilo não poderia ser serio, se recusava aceitar que ele tinha mesmo falado com seriedade sobre essa proibição ridícula. Esse seria um castigo grande de mais por apenas uma briguinha no colégio, mesmo que ela tenha quase ocasionado sua expulsão. Preferiria ser expulso mil vezes a deixar de vê-la.

– A Hinata me beijou hoje... – Naruto disse baixo.

Ela te beijou? Ou você...

– Bem, foi ela, mas só no começo... Depois fomos nós dois. – O rapaz disse sem jeito. – Mesmo não lembrando, ela ainda sente o mesmo que eu. É por isso que não posso me afastar agora.

– Besteira, você continua agindo como um egoísta.

– Egoísta?! Eu não sou...

– Se não fosse, pararia quando teve a chance com aquele acidente. – Jiraya apoiou-se no batente da porta. – Diga, quanto tempo você pretende brincar com os sentimentos da Hinata?

A raiva causada pelas as palavras de Jiraya ferveu seu sangue. Por que aquele velho pervertido tem sempre que jogar aquilo na cara dele? Sempre relembrando e mexendo no seu ponto fraco, a amargura que sua pior escolha lhe causou...

Não, ele não entendia, definitivamente não entendia o que significava ter aquela garota na sua vida novamente.

– Eu amo a Hinata e sei que ela me ama também, então...

– Palavras não provam nada, Naruto, atitudes, sim. De que adianta você falar que a ama se continua provando o contrario, mantendo essa mentira?

– Eu já decidi, vou contar tudo quando for a hora certa!

– Idiota, não existe hora certa, existe a mentira e a verdade. E desde que você não contou tudo desde o inicio, você já escolheu a mentira. E no fim, esse amor que você diz que sente não significa nada.

– Quem é você para falar alguma coisa desse tipo?! O que você sabe sobre amor?! – Naruto falou serio em um tom bem mais alto que antes. – Vive indo de um bordel para outro, fazer “pesquisas” pros seus livros idiotas! Aposto que estava numa orgia qualquer antes de chegar!

Jiraya não fez qualquer movimento e ouvia calmamente o esbravejo do afilhado. Certamente usou palavras bem pesadas que o irritaram de verdade, mas era necessário, Naruto nunca entenderia o quão errado era isso que estava fazendo e, como seu padrinho, era dever dele mostra-lo o caminho certo.

Se pudesse voltar no tempo, ate mesmo impediria que ele viesse a conhecer e se envolver com a família Hyuuga, mas não dá para mexer com o passado, apenas aprender para não repetir os erros no futuro. Infelizmente, Naruto ainda estava errando.

– Já extravasou e disse tudo que pensa?! – Jiraya perguntou quando o rapaz se calou. – Agora é minha vez... As mulheres com quem eu saio sabem perfeitamente quem eu sou, nunca enganei ninguém! Mas o que você esta fazendo com a garota Hyuuga é diferente! Você esta se fazendo de santo para aquela menina! Você acha isso certo?!

Naruto o encarou raivoso novamente, pensando em como responder, mas não encontrou uma resposta. Pensou e pensou, nada lhe vinha a mente. Não, se aproveitar da Hinata não era certo... Era tudo que podia dizer...

Porem ignorou aquela resposta formada em sua cabeça e se levantou, deixando sua tigela vazia na pia, indo para a sala. Passou por Jiraya sem dizer uma única palavra.

– Você diz que eu não sei o que é amor, mas é você que não sabe respeitar a mulher que ama! – Ele ouviu o padrinho dizer quando já estava longe.

***

Ainda estava na sala, sentado em frente ao piano, olhando atentamente a cada tecla que a filha havia tocado a pouco, as mesma que a muito tempo atrás sua mulher também tocara. Hiashi suspirou, se sentindo derrotado por nunca ser capaz de fazer algo diferente de dar ordens e afastar as pessoas. Hinata parecia muito mais distante do que jamais esteve.

– Não vai dormir, Hiashi-sama?! – Neji perguntou.

– Não tenho sono, não dormiria após ouvir aquela maldita música.

– Aquela melodia que a Hinata-sama tocou?

– É como se um fantasma tivesse novamente vagando por essa casa para me assombrar. Tente dormir com sua falecida esposa lhe causando pesadelos.

– Por um segundo, quando acordei com o som do piano, também pensei que fosse a minha tia. Claro foi só uma impressão.

– Impressão ou não, eu perdi a razão e acabei descontando na Hinata.

– Foi uma discussão boba, tenho certeza que pela manhã ela não...

– Eu disse aquilo, Neji. – Hiashi afirmou calmo. – Naquele dia, Hinata me tirou do serio e eu disse aquelas palavras, foi por isso que ela fugiu... Horas depois recebi o telefonema do hospital...

– Uma coincidência infeliz.

– Aparentemente, um homem poderoso como eu têm todos os desejos realizados, não é?!

– Talvez o senhor devesse ir falar com a Hinata-sama.

– Ela não vai querer me ouvir...

Hiashi tocou algumas teclas com a mão direita, de forma desordenada, sem qualquer habilidade para a música, o som saiu tremulo e tempestuoso. Barulho ao invés da melodia que sua filha era capaz de formar.

Ele estragou tudo... Qual era o problema de tocar piano se ela quisesse?! Que mal ela fez?! Talvez seja ele o maluco e não a sua filha. Ou talvez precisasse de ajuda tanto quanto ela.

Será que Hinata nunca mais o chamaria de pai de novo?!

– Hiashi-sama! – Ouviram a governanta gritar e depois entrar desesperada, ofegante por ter corrido tanto.

– O que você quer, Natsu?! Por que entra assim dessa forma?!

– Desculpe, é urgente! – Ela tentou se reestabelecer. – Outra empregada ouviu a discussão de vocês e foi me chamar... Eu queria ver se a Hinata-sama estava bem, mas quando cheguei ao quarto dela, ela... – A mulher ofegou um pouco mais.

– Ela o que?! – Hiashi se levantou encarando a governanta, apreensivo. – O que houve?!

– Ela não...

– Fale de uma vez! – Ordenou impaciente.

– Ela não estava lá! – Natsu disse. – Não está no primeiro andar, nem em nenhum outro quarto do segundo... A Hinata-sama desapareceu.

Notas finais
...Fim do capitulo... (acho que estou vendo muita novela para decidir parar por aqui hehe) Não briguem comigo por terminar as coisas assim, por favor. Como já disse no começo "estou preparando terreno" Tenham paciência comigo, sim?! Agora... Não aconteceu lá muita coisa: Começando com o pesadelo da Hinata... Apesar de abstrato, ele esconde muitos segredos (é só o que posso dizer, mas quero saber a opinião de vocês a respeito) Então algumas lembranças dispersas enquanto ela tocava piano... E a discussão com Hiashi... Uma "boa e amigável" conversa entre Naruto e Jiraya... E, é claro, a fugidinha da Hinata... Para onde ela foi?! Alguma ideia?! Quero saber as teorias e as expectativas de vocês para os próximos caps (Quero saber se vou conseguir surpreender) Ah, sim, se alguém tiver interesse... Esse é a música que estava ouvindo enquanto descrevia a parte da Hinata tocando piano: https://www.youtube.com/watch?v=25VZOYwvvSo Obrigada por lerem e ate os proximos capitulos =)