O Diário

16 Capitulo 16


Notas iniciais
Olá, olha eu de volta aqui kk E dessa vez ninguém pode falar que demorei ou que o cap é pequeno kkkkk (sem indiretas, apenas uma escritora muito ansiosa aqui) mas vamos ver que a qualidade agrada, né?! Esse capitulo mostra um pouquinho do que esta por trás do "relacionamento" de Sasuke e Hinata. Aproveitem...

16.

Chuva! Por que sempre chove quando as coisas ficam ruins?!

Quase não dava para enxergar um palmo a frente e por mais rápido que eu queira chegar a casa dele, tinha que vigiar meus passos.

Quando finalmente encontrei a rua, subi as escadas para frente da porta do apartamento, eu quase já não conseguia ficar de pé tamanho meu cansaço.

Toquei a companhia, mas não houve resposta, era tarde e ele deveria estar dormindo, então bati com força na porta. Meu braço já estava machucado e o choque contra a madeira o fez doer ainda mais, mas era o de menos comparado aos outros ferimentos do meu corpo e não era nada comparado ao que sentia na minha alma.

De fato, não sei por que vim parar aqui depois daquilo, mas tudo que eu queria era descansar e encontrar paz, sabia que minha única chance seria estar ao lado dele.

Bati na porta de novo, causando mais barulho do que da ultima vez e então o ouvir gritar lá de dentro.

– Qual a pressa?! Não sabe que horas são?!!

Esperei um pouco mais e logo a porta se abriu, seu olhar sonolento logo foi substituído por uma expressão de surpresa quando me reconheceu.

– Hinata? Como veio parar aqui nessa chuva?! – Foi a primeira coisa que Naruto-kun perguntou, mas depois me analisou de cima a baixo, parecendo mais preocupado, tocou meu ombro e me guiou para dentro. – O que diabos aconteceu? Você tá toda machucada...

Essa era a pergunta que eu temia, mas sabia que esses cortes e manchas roxas ganhariam sua atenção, imediatamente.

A única resposta que pude dar foi abraça-lo. Cerquei seu torso com meus braços e afundei meu rosto em seu tórax, sentindo o calor do seu corpo.

Ele não me correspondeu inteiramente, preocupado com meus ferimentos, apenas tocou meus ombros com as mãos ou poderia ser falta de coragem de me tocar. Talvez ele estivesse em choque, pois era ele quem sempre tomava a iniciativa de todos os nossos encontros físicos, não que fossem frequentes. Naruto-kun com certeza não esperava por isso.

Sei das mil e uma interpretações que ele faria sobre o meu gesto, parecia tão errado querer estar ali nos seus braços para depois magoa-lo nos afastando de novo.

Não quero feri-lo com meu egoísmo, mas o que fazer se eu preciso dele?! Eu preciso dele...

Talvez ele não soubesse o quanto seus sentimentos são importantes para mim. Eu não saiba demostrar isso, nunca saberia, principalmente depois de hoje.

– Hinata... – Ele me chamou, tocando minha face para me fazer encara-lo. Me desfiz de sua mão, virando o rosto para a direita.

– Me desculpe... – Disse e percebi minha voz sair mais fraca do que deveria e senti algo escorrendo dos meus olhos. Droga! Eu estava chorando?! Chorando na frente dele?

– Ah, em que confusão você se meteu?! Quem fez isso com você, Hinata?

Ele falava em um tom preocupado, mas ainda compreensivo, sentia que podia contar qualquer coisa para ele. Sentia que tudo ficaria bem se ele estivesse ao meu lado.

Mas... Não poderia dizer a verdade. Nunca... Mas como poderia mentir?! Ele perceberia na hora, cada vez que nos aproximávamos ficava mais difícil me esquivar da curiosidade dele. Naruto-kun sempre dizia que me conhecia melhor do que eu mesma, as vezes, quase acreditava que sim.

Ele veria a mentira nos meus olhos e me pressionaria para contar o que realmente aconteceu... Não quero mais represálias hoje, nem briga ou discussão, não foi por isso que vim ate aqui.

– Houve uma briga... Em um bar... – Menti, afundando ainda mais o meu rosto contra a sua roupa para esconder meu olhar.

– Bar? Você quer dizer aquele bar?! Foi atrás daqueles caras de novo?

– Fui tão estupida...

– Hinata, não importa se a gente tá meio que afastados agora, eu disse para me chamar caso tivesse que lidar com isso de novo.

– Discuti com meu pai, só queria sair e beber, esquecer tudo. – Disse, isso não era bem uma mentira.

– Me diz o que aconteceu?

Eu precisava cessar aquelas perguntas, sentir estar o enganando era horrível, quase insuportável.

– O meu pai... Nós dois... – Eu pensei no que dizer, qualquer coisa seria melhor que a verdade, porem, estupidamente, voltei a chorar e não pude concluir, não queria nem pensar em o quão patética eu deveria parecer agora.

– Ei, calma... Foi outra discussão daquelas, hein, não é mais novidade... – Ele afagou o meu cabelo e tentou erguer meu rosto novamente e agora não fiz objeção. – O que foi que ele disse dessa vez?

– Isso é...– Não sabia bem o que responder. – É... Assunto dos Hyuuga.

– Sempre é... – Ele bufou, mas depois deu um risinho simples. – Se queria ir beber, poderia ter me chamado, eu conheço lugares bem melhores do que aquela pocilga.

– Talvez eu chame na próxima... – Sorri, minimamente, mas minhas lagrimas voltaram a sair em abundancia. Tudo parecia se simplificar quando estava com ele e mentir doía muito.

Naruto-kun finalmente retribuiu devidamente ao meu abraço, fortificando seus braços ao meu redor e os ferimentos espalhados pelo meu corpo começaram a incomodar, mas, apesar disso, a forma com que ele me cercava me fazia sentir todos seus sentimentos era tão bom. Não queria que ele se afastasse agora, pelo contrario, queria desfrutar mais do seu tão caloroso gesto.

A paz que eu procurava estava ali entre meus braços, tocando minha pele e afagando meu cabelo. Eu podia ouvir as batidas tranquilas do seu coração, aos poucos, acalmando o meu.

– Vou cuidar de você, Hinata, sempre...

***

O carro fez uma curva fechada e o movimento mais brusco que o normal a fez abrir os olhos. Hinata não estava dormindo, mas permanecia com os olhos fechados por causa da dor de cabeça que sentia.

Manteve-se quieta revirando os pensamentos desde que saiu do colégio, tentando compreender e não enlouquecer com as recentes lembranças que estavam surgindo. As coisas que aconteceram em seu passado, tudo, era como um quebra cabeças com peças tão espalhadas e perdidas que ela não saiba nem por onde começar a montar e, o pior, não sabia se queria mesmo ver a imagem que formaria depois de resolvido.

Ela se recusava a entender algumas coisas, parte da “historia” estava faltando e tentar imaginar algo para completar a fazia se sentir mal.

E então, apenas para acalma-la e mostrar a direção certa, Naruto voltou a sua mente... Sem nunca pedir permissão, surgiu sorrindo e a tratando tão bem para lembra-la mais uma vez de porque estava apaixonada.

Em algum momento achou que o rapaz era gentil por pena ou culpa, caso desconfiasse de sua real situação, mas agora sabia que ele é assim apenas por ser assim, com algum outro sentimento mais nobre que o fazia parecer ainda mais perfeito.

E Hinata foi procura-lo naquela noite, buscando a paz que ele sempre emanava nela, atrás do único toque que não a ofendia, o olhar e sorriso que afastavam seus fantasmas e a tranquilizava.

Então chegou com todas as palavras escolhidas, toda a historia limpa na cabeça e com a certeza que o inferno poderia em fim acabar, mas não disse nada a ele... Foi lá querendo ajuda e simplesmente mentiu.

E por que? Por que não confiou nele? Não duvidava de que Naruto a ajudaria, a salvaria, mas ainda assim... Seus lábios estavam selados com esse segredo.

Suspirou, fechando os olhos novamente.

Que dia seria este?! Parecia que nunca iria acabar.

Após seu “pequeno mal estar” no colégio, Hiashi levou Hinata ao hospital, onde passaram um bom tempo fazendo testes e respondendo a perguntas pertinentes de Tsunade. A garota entendia que por ser sua médica, ela tinha o direito de saber sobre seus sintomas e exigir explicações, mas o jeito com que ela insistia e a pressionava para falar era tão irritante que deixava a Hyuuga com raiva.

Toda aquela rotina de interrogatórios era extremamente exaustivo para Hinata e tudo que queria fazer, quando finalmente fora dispensada, era chegar em casa, deitar em sua cama e ficar lá pelos próximos 20 anos.

– Chegamos, senhor!

Ela ouviu Kou falando e sentiu o carro parar, então olhou pela janela, pensando que veria o belo jardim da residência Hyuuga, e percebeu que estavam estacionados em uma rua, que ela não conhecia, cheia de prédios comerciais em volta.

– Não íamos para casa? – Perguntou a Hiashi.

– Vamos passar no consultório da Dra. Kurenai antes. Liguei para marcar uma hora enquanto você se consultava com a Tsunade-sama, aliais foi ela que me pediu para te trazer.

– E por que?

– Bem, ela é sua psiquiatra. E o que aconteceu hoje foi...

Hiashi fez uma pausa para escolher melhor suas palavras, mas, nesse curto período, Hinata já podia imaginar o que realmente queria dizer: “foi loucura”.

Era isso, o que tinha acontecido na escola foi uma amostra clara de como sua mente se mostrava conturbada. Provavelmente, todos achavam que era maluca agora e não tinha como mudar isso...

– Foi algo grave, Hinata. – Ele concluiu simples e a garota apenas acenou com a cabeça.

Escapou das conversas invasivas de Tsunade apenas para cair em outro teste psicológico com Kurenai? Tinha mesmo que passar por um novo interrogatório de “como você se sente”?

Antes que pudesse perceber já estavam sentados na sala de espera do consultório. Levou apenas cinco minutos e Kurenai abriu a porta de sua sala se despedindo de um homem esquisito que estava com ela, a garota não pode deixar de notar um tipo de tique que ele tinha no pescoço.

– Hinata, pode entrar. – Kurenai sorriu para ela.

A garota se levantou receosa trocando olhares entre a doutora e Hiashi, era certo que ela não se sentia muito confortável na presença do Hyuuga, mas encarar uma psiquiatra sozinha depois do que aconteceu dava medo. Por algum motivo quase infantil, queria que ele viesse junto, mas, aparentemente, não viria.

Assim que entrou, observou a sala, não era ampla, mas havia dois sofás normais de dois e três lugares e uma mesinha de centro, mais no canto perto de uma estante de livros havia uma daquelas poltronas reclinada e perto da janela, uma mesa normal de escritório.

Hinata ficou parada sem saber direito para onde ir, apenas seguiu os passos de Kurenai.

– Sente-se. – Ela pediu já se sentando atrás de sua mesa, a garota obedeceu tímida. – Então, faz alguns dias que não nos vemos. Conte-me as novidades.

Automaticamente, Hinata se viu repassando o que acontecera nos últimos dias, desde que saiu do hospital ate agora: A festa que Neji organizara em sua casa; O encontro com Naruto armado pelo primo e a amiga naquela lanchonete; Ir para o colégio no dia seguinte e beija-lo no auditório; Descobrir que era noiva do Sasuke; Se meter em uma briga na refeitório.

Tudo isso poderia ser considerado novidades, entretanto...

– Não tenho nenhuma. – A garota respondeu receosa.

– Mesmo? Sei que a vida de uma adolescente pode ser tudo, menos monótona.

– A minha é...

Fim de papo... Kurenai a observou um pouco em silencio, estava claro que Hinata não estava afim de conversar. Se quisesse lhe tirar informações, precisava tentar descobrir uma maneira de se socializar com ela.

– E como é estar de volta a sua casa, junto do seu pai e seu primo, seus amigos?!

Hinata acabou pensando nos pesadelos horríveis e lembranças desordenadas que lhe apareceram, pensou sobre acordar de madrugada para tocar piano e ter que encarrar a fúria do frio e rígido Hiashi e, ainda, em passar boa parte dos dias sozinha com empregadas.

Isso seria uma visão de problemas?!

– Normal, eu acho. – Respondeu.

– Está se adaptando bem?

– Claro, é o meu lar.

Ponto final novamente... A doutora não esperava se tornar uma confidente de Hinata de uma hora para a outra, mas queria, pelo menos, conseguir manter uma conversa continua. Entretanto, parecia que a menina estava mais do que empenhada em não se comunicar, viu que, de alguma forma, não estava sendo honesta também.

– Eu soube que sua manhã foi um pouco agitada. – Kurenai disse simples.

– Um pouco.

– Gostaria de conversar sobre isso?

– Não. – Hinata disse simples.

– Bem... – A doutora mediu bem suas palavras. – Já que é o motivo de estarmos aqui, achei que talvez quisesse me contar o que houve.

– Foi só um desmaio. – A garota mentiu.

– E você tem alguma ideia de por que isso ocorreu?

– Não.

– E se eu disser... – Pensou um pouco antes de prosseguir. – Que Tsunade-sama me mandou o relatório que a enfermeira do colégio fez e ela descreveu detalhadamente os sintomas e as circunstancias.

Hinata não se surpreendeu tanto com a afirmação da doutora, mas não gostava da forma simples com que falava e a olhava. Se viu quase obrigada a responder, teve que pensar bem, pois, estranhamente, sentia que estava sendo analisada ate o mínimo gesto, estava cansada de mais para aturar os jogos da doutora. Bem... foi para isso que veio, afinal...

– Então, se já sabe, por que perguntou?! – A garota notou que sua resposta irônica saiu em um tom de desafio sem pretensão.

– É importante ouvir as coisas de você, saber o seu ponto de vista. Só assim poderei entendê-la e ajuda-la.

– Não quero que me entenda... Eu não queria nem estar aqui!

Kurenai bufou, pensando.

Da ultima vez, Hinata parecia bem mais simpática e, mesmo não querendo aceitar o teste psicológico, ainda sorria e cooperava mais. Agora, estava reservada e fria, como se quisesse impedir que sua privacidade fosse burlada.

Sim, a garota sempre teve o que esconder, mas antes ela não sabia disso, era apenas uma garota assustada com pesadelos fantasiosos que não gostava de ser tratada com maluca. Agora, porem, era diferente. Não estava só desconversando, estava mentindo calculadamente, vendo suas respostas para não deixar detalhes escapar.

Então, para a doutora, a conclusão era simples: Se houve uma mudança de postura era porque Hinata agora não era mais tão inocente e aleia as coisas que lhe aconteceram no passado e, de alguma forma, já sabia bem que tipos de abusos sofria.

Talvez não se lembrasse de tudo, mas o suficiente para não querer ter sua mente revirada por algum profissional.

– Calma Hinata, nós estamos apenas conversando.

A garota não respondeu, continuando parada apenas a olhando e Kurenai percebeu que estendeu de mais sua paciência. Ela não queria falar sobre sua pequena crise e estava disposta a manter seu “voto de silencio” uma vez que seu comentário infeliz sobre a troca de informações entre Tsunade e a enfermeira tirou o pouco de confiança que ela tinha. Hinata precisava, não só saber, mas acreditar na confidencialidade que as duas teriam como médica e paciente.

– Escute, não precisa me ver como uma psiquiatra, pense em mim como uma pessoa que esta disposta a te ouvir incondicionalmente e você não precisa se preocupar, pois tudo que decidir me contar ficara só entre nós.

– Sinto muito, acho que não tenho nada mais para falar.

De fato, sabia que poderia tentar outra forma de “quebrar o gelo” e ganhar a simpatia dela, mas hoje não conseguiria nenhuma informação útil com Hinata.

***

Hiashi entrou um pouco apreensivo, Kurenai o chamou depois da mais longa hora de espera que teve em sua vida. A consulta da filha foi demorada o bastante para enlouquece-lo... Pensamento estranho tendo em vista que estava em um consultório psiquiátrico.

Sentou-se ao lado de Hinata, a frente da mesa da doutora.

– Café, Hiashi-sama? – Kurenai ofereceu.

– Não, obrigado. – Ele respondeu rápido e olhou para a filha que se mantinha de cabisbaixo. – Como foi tudo?!

– Bem, nós duas...

– Posso esperar lá fora?! – Hinata interrompeu o que a doutora dizia com sua pergunta.

– Eu achei que... – Hiashi começou, mas não concluiu.

– Você não quer participar dessa conversa?! – Kurenai perguntou a olhando analiticamente. – Pode ser interessante.

– Não... – Hinata disse simples.

– Tudo bem, pode sair se quiser. – Ela disse.

Hinata andou um pouco desanimada, saindo da sala lentamente.

– Como ela está?

– Nós conversamos só um pouco, Hinata não gosta de falar de si mesma e fica muito na defensiva quando é pressionada. Levou tempo para conseguir estabelecer uma conversa.

– E sobre o que falaram?

– Coisas, nada fora do normal de uma adolescente.

– A minha filha não é uma adolescente normal.

– Por que diz isso?

– E o que mais eu poderia dizer? Descobri que ela sofria e tolerava “coisas” calada e sem lutar; Então perdeu a memoria enquanto esteve em coma; E agora começa com essas crises?! Eu realmente pensei que ela não era assim tão fraca...

– Hinata é forte, Hiashi. Eu já vi pessoas enlouquecendo por muito menos.

– E não é assim que ela está?! Enlouquecendo?

– É comum para uma vitima se sentir envergonhada ou ate mesmo se culpar pelos abusos que sofre, ao ponto de querer eventualmente esconder a verdade. Nesse ponto de vista, ela esta agindo como qualquer outra pessoa agiria.

– E o que foi que aconteceu hoje?

– Por enquanto, eu vejo a crise de hoje como um evento isolado, mas precisamos ficar atentos caso aconteça de novo ou se torne frequente.

– E se repetir, o que faremos?!

– Eu não quero tirar conclusões precipitadas, vamos deixar o futuro para o futuro. Espero conseguir a confiança da sua filha em breve e assim descobrir exatamente o que ela tem sentido.

– E, quando isso acontecer, você poderá ajuda-la.

– Eu espero que sim.

Kurenai o viu dar um quase imperceptível suspiro de, algo que parecia, alivio. Essa situação criada pela Hinata hoje deixou uma brecha livre e o frio, ríspido e prepotente Hiashi se mostrava vulnerável. Era hora de por o plano de Tsunade em ação.

– Mas existe algo me preocupando um pouco.

– O que?

– Hinata... As vezes age como se estivesse só, como se não houvesse ninguém com quem contar. Isso me criou uma certa duvida: Como é o relacionamento familiar de vocês?

– É duro admitir, mas eu não conheço minha própria filha. Simplesmente não sei quem ela é ou era... Quando ela acordou, eu nem mesmo pude responder perguntas simples como “a comida preferida”.

– Conhecer sua filha não é só saber o que ela gosta, mas também saber o que ela não gosta. Saber quem ela não é, pode ser tão importante quanto saber quem ela é.

– Para mim é o mesmo. – Ele deu um sorriso sem graça.

– Pense, tenho certeza que há algo. Você parece tão preocupado que acho quase impossível não haver alguma referencia do relacionamento de vocês. Pense, por exemplo, na ultima vez que a abraçou.

Hiashi pensou um pouco e, por mais estranho que parecesse, achou por um segundo que ele é quem tinha problemas de memoria no lugar da filha. Algo tão simples não poderia estar tão distante em suas lembranças.

– Foi a quase cinco anos... – Respondeu simples. – Eu me lembro que foi no aniversario dela de 13 anos, havia um conserto de uma orquestra, se eu não me engano, de violinos. Hinata realmente queria ir e esse foi o meu presente, lhe dei três ingressos, para ela, a mãe e a irmã. – Fez uma curta pausa. – Ela queria que eu fosse, mas eu precisava fazer uma viagem de negócios. Não era escolha minha, apenas precisava ir. Porem, meu voo foi cancelado e de ultima hora eu apareci no teatro.

– Foi uma bela surpresa.

– Quando ela me viu, correu e me abraçou. Foi algo diferente, sabe, algo...

– Espontâneo?!

– Exatamente... Cinco anos... Nunca tivemos um relacionamento bom, mas mudou depois que minha esposa morreu e foi ficando cada vez pior. No dia que foi atropelada, Hinata e eu brigamos e ela acabou saindo escondida...

– Você se culpa?

– Não, não chega a ser culpa, apenas um questionamento. Não entendo como coisas assim têm que acontecer.

– É claro que Hinata sabe que não esta sozinha, mas saber não é suficiente, ela tem que sentir também. Ela precisa do seu apoio, precisa sentir que se importa.

– E como faço isso?!

– Leve-a para sair qualquer dia, um lugar que você saiba que vá trazer boas lembranças. Ela vai gostar e vai ser uma chance de tentar “reconstruir laços”.

– Vou pensar em algo.

– Além disso, eu gostaria de fazer uma sessão com toda a família para ver como ela reage.

– Nossa família se resume ao meu sobrinho, Hinata e eu.

– E seria possível marcar algum horário em comum, eu realmente queria conversar com os três ao mesmo tempo.

– Eu não sei, terei que ver com minha secretaria.

Eles conversaram um pouco mais e então se despediram.

Hiashi e Hinata se encaminharam para o carro sem um olhar para o outro, entraram para uma viajem silenciosa de volta a sua casa.

A garota provavelmente não percebeu, pois estivera de novo mantendo os olhos fechados, mas Hiashi a esteve observando o tempo todo. Pensando em tudo que a doutora lhe disse e, quando finalmente chegaram ao destino, viu Hinata sorrir ao caminhar aqueles poucos metros do carro a porta, olhando para o jardim de forma simples, mas alegre e, logo depois que entraram, a viu ir direto para quarto, sem trocar uma palavra consigo.

Ele suspirou... Hinata realmente deve se sentir solitária. Reconstruir laços?! Sim, tinha que pensar em algo...

***

Chegaram tarde ao restaurante e Hinata teve esperança de que sua reserva pudesse ter sido cancelada para poder voltar rápido para casa, porem, por serem quem são e por pertencer a família a qual pertencia era muito mais fácil os elegantíssimos garçons enxotarem alguém as pressas do que ignorar um pedido deles. E não tiveram que esperar nem um minuto inteiro que logo o metre aparecer para encaminha-los a mesa vaga.

Aquele dia já foi difícil e confuso de mais e, quando achou que finalmente seria deixada em paz, no meio da tarde, Hiashi aparece com essa ideia de leva-la para jantar fora.

Hinata detestou, na verdade, tinha receio de sair e acabar passando mal novamente, era mais fácil ficar em casa e tentar manter suas lembranças traumáticas sob controle. Mas não teve nenhuma escolha, o Hyuuga organizou tudo por conta própria, sem se quer lhe perguntar nada.

Era obvio que foi algo que surgiu na reunião com sua psiquiatra, a garota não saiba o que falaram exatamente, mas pelo que entendeu, Kurenai achou que precisavam reestabelecer uma relação e que deveria passar mais tempo juntos. Então o Hyuuga decidiu deixa-la em casa para que descansasse o resto da tarde para que se sentisse disposta a sair com ele a noite.

Algo nele a incomodava e poucas vezes se sentia realmente a vontade na presença do seu “pai” e, definitivamente, essa não era uma dela. Não estava disposta a ser sociável, não queria estar ali e já decidira responder rápida e secamente a qualquer tentativa de conversa vindo dele.

Porem, enquanto seguiam o metre, perdeu totalmente o foco das coisas quando viu um grupo de empresários jantando em uma mesa grande. Eram mais de dez engravatados e entre eles, Madara Uchiha e seu sobrinho, Sasuke.

Agora que os viu, não conseguia tirar os olhos do rapaz que, por sorte, ainda não havia notado.

Hinata estava com os olhos estáticos e sem vida e andava mecanicamente a dois passos atrás dos calcanhares de Hiashi, disfarçando e tentando, de alguma forma imaginaria, ocultar a sua presença, desejando que fossem colocados na mesa mais distante possível.

Não fora longe suficiente, estavam no meio do salão, apenas três mesas os separavam, isso significava que acabariam os vendo cedo ou tarde.

– Senhor Hyuuga, senhorita. – O garçom apareceu acenando respeitosamente com a cabeça enquanto entregava os menus.

– Por favor, me traga um Bouef Bourguignon. E, para minha filha, um Aligot.

– Sim, senhor. E o que querem para beber?

– O chá especial da casa, sim?!

– Perfeitamente. – O garçom disse e saiu.

Hiashi reparou em o quão inquieta a filha estava, distraída, olhava para os lados de vez em quando, movia uma mão sobre a outra de forma impaciente e as vezes podia jurar que a via tremer um pouco. Queria perguntar se ela estava bem, mas, por algum motivo, não conseguiu pensar em como se pronunciar e tocar no assunto. Não se sentia propriamente a vontade para falar algo e, quando tentou, tudo que saiu foi uma pergunta simples e impessoal:

– Não gostou do pedido?

– Não estou com fome. – Ela falou finalmente tirando os olhos dos Uchiha, baixando a cabeça para fitar os inúmeros talheres distribuídos sobre mesa.

– Se você quiser pode pedir outra coisa que agrade mais. – Hiashi disse em um tom casual.

– Você sabia que eles estariam aqui? – Ela perguntou receosa.

– Quem? – Hiashi olhou para a direção que ela olhara antes e um disfarçado sorriso formou em seu rosto quando reconheceu o Senador. – Ora, eu nem os tinha visto. Devo ir lá cumprimenta-los.

Hinata se empalideceu na hora. Ir cumprimenta-los... Mostrar que estavam no mesmo restaurante a poucos metros de distancia...

– Por que? – Ela perguntou baixo, Hiashi que já estava prestes a se levantar, se voltou para ela ao ouvi-la.

– Eu tenho negócios com os Uchiha, é uma regra de cortesia falar com ele, mesmo se for apenas um rápido aperto de mão.

– Depois do que aconteceu hoje comigo...

– Bem, ficou claro na reunião que Sasuke só queria conversar com você e foram seus amigos que provocaram a briga. – Hiashi deu meio sorriso. – Sasuke é um bom rapaz, sabe, o conheço desde menino. Talvez um pouco ambicioso de mais, é uma copia escarrada do que Madara costumava ser na mesma idade.

– Neji-niisan me contou coisas...

– Naturalmente que contou, seu primo sempre foi “super protetor” de mais com você. Não deixe-o encher a sua cabeça. – Ele pensou um pouco. –Sasuke e você se davam muito bem, já ate faziam planos de casamento. Me deu gosto quando anunciaram o noivado.

– Eu nunca gostei dele. – Agora Hinata levantou a cabeça, disse firme e seria.

Finalmente Hiashi percebeu que a fonte da tormenta era o rapaz, mas não entendia porque Hinata se mostrava tão nervosa assim na presença dele, se conheciam a tanto tempo e sempre viu o rapaz como “o marido ideal”.

Não saiba o que falar então decidiu ficar quieto e não sair da mesa, iria fingir que não tinha avistado Madara.

Quando percebeu o garçom já havia chegado com o bule do Chá que pedira.

– Ótimo, experimente. – Hiashi disse, tentando mudar de assunto, ele mesmo serviu a filha, esperando que bebesse para ver sua reação.

Hinata observou aquele liquido de coloração estranha que era o chá, mantendo um segundo de silencio antes de perguntar.

– Você quer mesmo recuperar nossa relação de “pai e filha” que perdemos?!

– Claro, foi para isso que viemos.

– Então vamos embora, por favor. – Ela pediu. – Podemos ir para outro lugar ou para casa, se quiser.

– De jeito nenhum. – Ele disse simples. – Eu escolhi esse tempo para nós e o mínimo que você deveria fazer era me agradecer. Beba, por favor.

Hinata suspirou pensando em como lhe responder a altura, decidiu obedecer por enquanto e ganhar tempo. Olhou novamente para o chá e tomou um gole miúdo.

Era um tipo estranho de liquido de aroma perfumado e com um gosto amargo muito forte.

Estranhou a contrariedade que sentia, sabia que não era gostoso, mas, ao mesmo tempo, agradava seu paladar.

– O que achou? – Ele perguntou, bebendo.

– O que é?

– O favorito de sua mãe.

– Minha mãe?

– Esse chá só é servido aqui neste restaurante e ela costumava vir com você e Hanabi. Era um momento “mãe e filhas”. – Hiashi explicou. – Eu te trouxe aqui por uma razão e ninguém deveria atrapalhar nossos planos. Você nunca se deixaria intimidar assim pela presença de quem quer que seja.

– Eu pensei que não gostasse de se lembrar da mamãe.

– Sabe, eu não fui um bom pai nos últimos tempo, mas eu quero tentar algo novo e gostaria que tentasse também. Mas se ainda quiser ir embora...

Hinata olhou receosa de volta para a mesa do Uchiha. Não tinham sido vistos aparentemente, Madara conversava fervorosamente com um outro homem, gesticulando com os braços e dando um sorriso que, para a garota, parecia mais assustador do que engraçado. Seja lá qual fosse o assunto, era bem mais interessante que o fato de estarem ali.

Talvez ela só estivesse sendo paranoica... Suspirou.

– Tudo bem, ficamos.

– Ótimo. Mais chá? – Perguntou e viu a filha afirmar. – Garçom deixe a chaleira aqui, sim.

A partir dai, ela foi mais conivente, percebendo que o pai estava mesmo tentando criar algo, além do seu orgulho, e se esforçava falando de algo que ela, de alguma forma, sabia que o machucava. Assim, também deixou-se levar por aquele momento.

O jantar foi agradável, e as historias que Hiashi contava sobre a época em que ele a sua mãe eram jovens a distraiu e divertiu ao ponto de quase esquecer da presença dos Uchiha. Conversando um pouco também sobre a época em que sua mãe estava gravida de Hanabi, Hinata descobriu que, a principio, ficara com ciúmes de não ser mais a única “princesinha” da casa e Neji sempre a provocava com isso.

– E sua mãe ficou balançando a chave no alto e disse: “se conseguir pegar o quarto é seu”.

– Isso não é verdade.

– Claro que é, você apenas não se lembra.

– Acho que não saberia nem se tivesse memorias. Eu era muito nova.

– Pergunte ao Neji, ele sabe.

– Como poderia?! Nós temos quase a mesma idade,

– Ele era bem mais ajuizado do que você na época.

– Éramos apenas crianças, pai.

– Como todos nós naquele dia... – Hiashi bebeu mais um pouco de chá para esconde seu sorriso contido. – Hinata...

– Sim?

– Você me chamou de pai.

– É. – Ela pensou um pouco e sorriu timida. – Acho que chamei. Desculpe, foi meio...

– Espontâneo... – Ele completou pensativo e a viu sorrir em resposta.

Apesar do jeito meio fúnebre que Hiashi falava as vezes, a garota gostou de ouvir um pouco mais do seu passado perdido. A companhia do Hyuuga a deixava feliz por ter decidido ficar, tudo parecia perfeito.

Porem, logo a vida tratou de mostrar que momentos assim não permaneciam por muito tempo.

– Então, que tal pedirmos uma sobremesa, ou...?

Hiashi não teve tempo de concluir a pergunta, logo ouviram uma firme e audível voz preencher o ambiente em volta deles.

– A família Hyuuga! – Madara chegou ate a mesa sorrindo. – Depois do encontro de hoje cedo, eu diria que vir ao mesmo restaurante é mais que sorte, talvez seja o destino.

– Destino ligando velhos amigos. – Hiashi se levantou para cumprimenta-lo. – Como vai, Senador?

– Tenso com a prévia da corrida eleitora, você sabe como é... – Madara disse e então encarou a garota que continuava sentada. – Hinata, como estas? Se sente melhor depois do acidente de hoje?

– Estou bem. – Ela respondeu extremamente incomodada com o jeito dele falar.

Hiashi percebeu a mudança de postura da filha e, mesmo já sabendo, em parte, o motivo, continuou sorrindo para o senador.

– Vocês vão gostar de saber que coloquei Sasuke como meu escravo pessoal nesse inicio de candidatura. O meio politico vai deixa-lo ocupado e ele não terá tempo ocioso para pensar ou fazer besteiras. – Madara explicou simples. – E ele odeia ser um “pau mandado” então acredito que será um bom castigo.

– Ele só tende a melhorar agora que você vai tomar as rédeas da situação. – Hiashi disse.

– Então, Hiashi, eu estou com alguns companheiros de partido, discutindo certas posições de opinião que devo tomar. Ter um publicitário como você seria de grande ajuda, que tal você e sua filha se juntarem a nós em nossa mesa. Será uma chance de Sasuke e Hinata conversarem, ele ainda precisa se desculpar formalmente.

– Você sabe, falar sobre trabalho e politica é meu passatempo...

Hinata relutou muito no que fazer a seguir, estava claro que seu pai aceitaria o convite. Se sentindo estranhamente sufocada, a ideia de se sentar com aquela família a deixava nervosa. Sentia-se horrível só por estarem falando com aquele homem.

– Mas, realmente não posso, Madara. – Hiashi concluiu. – Eu tirei a noite de folga para sair com a minha filha. É algo pessoal que o trabalho não pode interromper. Teremos que deixar para outra ocasião.

– Hum... Eu entendo. – O Senador disse simples. – Se despeça de nós antes de ir embora.

Ela viu o homem voltar a mesa, e então reparou que Sasuke olhava para ela, poderia estar a observando já a algum tempo. Foi ele que a viu e contou para Madara?

Aquele sentimento de ódio que escapavam dos olhos dele apenas para percorrê-la a deixava arrepiada, como se o próprio mal tentasse se apossar de seu corpo.

– Hinata?

– O que?

– Eu perguntei sobre a sobremesa. – Hiashi tentou estabelecer novamente uma conversa.

– Não quero comer nada.

– Tem certeza, existe um doce que Hanabi adorava e vocês duas...

Hinata se sentia mal de repente, precisava fazer algo, pois tinha certeza poderia cair a qualquer momento. Podia sentir sua respiração se apertando e o inicio de uma tensão que formigava suas mãos e as fazia tremer. E o pior de tudo, nada justificava isso, não tinha acontecido qualquer coisa para ela se sentir assim. Bastava o olhar daquele garoto?! Ou a ideia do senador de se sentar ao lado dele para conversarem?!

Tudo que sabia era que precisava sair dali, agora...

– Preciso ir ao toilet, com licença. – Ela disse se levantando.

Hiashi percebeu enquanto a menina andava pelo salão que algo estava errado. Por ser um empresário bem sucedido, aprendeu ler as expressões das pessoas e as de sua filha eram semelhantes a de alguém que acabara de descobrir que fez um mal negocio. Arrependimento, desprezo e medo. Mas de que? E por que tão de repente?

Não importava, já que ela tinha cedido antes, ficando e lhe dando uma chance de jantar, ele seria conivente agora, pediria a conta e, assim que ela voltasse, iriam embora.

O banheiro não estava tão longe, mas a falta de ar dava uma sensação maior de distancia no percurso. Entrou no banheiro, feliz por estar vazio, abriu uma das torneiras e molhou o rosto, suas mãos estavam tremulas novamente e ela encarou o espelho, vendo sua própria face a beira do pânico.

Balançou a cabeça, decidindo apenas tentar manter a calma e ficar um pouco parada ali. Só faltava a sobremesa, quantos minutos poderia levar?! Só precisava se aguentar sobre seus próprios pé por mais algum tempo e então poderiam ir embora.

Não há nada de errado, Hinata... Esta tudo bem, logo vamos embora e nada vai acontecer... Não precisa ter medo... Então controle-se... você esta sendo boba agindo assim...

Dizia a si mesma enquanto tentava controlar sua respiração. Mesmo uma conversa apenas de pensamento, falar sozinha era um mal sinal, certo?!

Bufou, buscando uma forma de se tranquilizar, algo que a ajudasse... Algo, não. Alguém... Era incrível como apenas pensar em Naruto já lhe enchia de força e esperança. Sim, só precisava esperar um pouco, tudo ficaria bem.

Passado apenas alguns minutos apenas observando seu reflexo se acalmar junto com ela própria, decidiu que era hora de sair. Abriu a porta e andou devagar, vigiando seus passos, não confiava que seus reflexos fossem bons o suficiente para impedir alguma possível queda, caso tropeçasse.

Mas, quando se virou para o corredor que voltava ao salão, finalmente levantou a cabeça e se deparou com Sasuke a sua espera. Estavam a menos de cinco metros de distancia um do outro.

Parou encarando-o sem demonstrar qualquer expressão, um tipo de receio diferente de antes a dominou e travou seus movimentos naqueles instantes que levou para ele a encarar nos olhos. Não saberia o que fazer, ou como agir, de qualquer forma. Não sabia o que era, mas não podia chamar de medo, apenas não queria estar aquela situação...

Pensando em se deveria voltar ao banheiro, esperar ate ele se cansar e sair, ou seria melhor apenas tentar passar por ele, ser indiferente e deixa-lo para trás. Qualquer coisa para não ter que ficar sozinha com o Uchiha.

Percebeu que, se voltasse para o banheiro e ele a seguisse, estaria sozinha e encurralada sem outra forma de escapar. E quanto a outra opção... Passar simplesmente?! Será que permitiria? Bem, se tentasse algo, pelo menos estariam em um local publico cheio de pessoas em volta e não em lugar um vazio.

Então, decidiu e andou da forma mais firme que conseguiu, vendo o objetivo além do obstáculo, mirando o salão ao invés do rapaz.

Assim que estava realmente próxima, Sasuke deu um passo para o lado se pôs a sua frente. Mostrando que de fato, não permitiria passagem.

– Agora podemos conversar. – Ele disse.

– Meu pai esta me esperando e...

– Shh, sem show. – Ele sussurrou. – Não foi uma pergunta, você não tem escolha.

Sasuke segurou seu braço e a puxou discretamente no caminho de volta para o banheiro, a soltando apenas lá e fechando a porta atrás de si. Hinata, assim que livre, andou para trás sem tirar os olhos do rapaz, quando sentiu suas costas tocarem a parede constatou que, agora sim, estava com medo.

– Meu tio me mandou pedir desculpas por hoje, mas nossa relação dispensa esse tipo de formalidade. – Ele disse enquanto andava checando as cabines sanitárias para ver se estavam mesmo vazias. – Não posso arriscar que alguém nos ouça.

– O que você quer?

– Realmente não se lembra de nada? – Ele sorriu quase inexpressivo, cruzando os braços.

– Ainda esta duvidando...

– Por que está com medo? – Ele perguntou dando um passo mais para perto.

– Você brigou com o Shino-kun e o Naruto-kun, Neji-niisan também.

– Eu briguei?! Ora, basta pensar em quem deu o primeiro soco. Eu só queria conversar, mas eles têm medo do que eu posso dizer, já que eu nunca mentiria para você...

– Como assim, o que você quer de mim?

Sasuke bufou impaciente.

– Tudo bem, vamos brincar. – Ele se aproximou um passo. – Olá, meu nome é Sasuke Uchiha. – Outro passo para mais perto. – Éramos noivos, mas não nos gostávamos. – Outro passo. – Nem como amigos, talvez. A palavra certa que descreveria nossa relação seria como “sócios”. – Se aproximou mais. – Era por isso que funcionávamos tão bem juntos, porque não havia risco de envolver sentimentos com negócios.

– Negócios?!

– Nós tínhamos um trato e você, não só rompeu com a sua parte, como também me traiu.

– Trato?! Isso não faz sentido...

Ele revirou os olhos por um momento, um jeito de mostrar que estava entediado.

– Você pediu a minha ajuda. – Ele disse e a garota apenas acenou negativa com a cabeça. – Eu ajudei você a se emancipar do seu pai e armar um golpe na empresa Hyuuga e você me enganou e me traiu...

– O que?

– Isso mesmo, você é emancipada. Pode fazer o que quiser, ir onde quiser e ninguém pode te obrigar a nada. – Ele disse simples. – Eu te ajudei nisso e na hora de pagar... Você mudou de ideia e declarou o fim da nossa “sociedade”.

– Eu...

Era muita coisa em sua cabeça em um período muito curto, era impossível assimilar tudo. Ela buscava um sinal de que era mentira, um flash de lembrança que mostrasse que o que ele dizia era errado. Mas nada sobrara além de seus pensamentos confusos na qual não podia confiar.

Então se deu conta de que Sasuke a encarava, olhando-a de um jeito estranho, de forma “admirada” talvez, não, “intrigada” era o termo certo, analisando sua expressão profundamente.

– Tudo bem, vou acreditar na sua amnesia, por enquanto. – Ele disse simples. – Vou te contar a verdade.

– Que verdade?

Sasuke se aproximou, acabando com todo o espaço entre eles, se apoiando na parede com uma das mãos. Isso deixava a garota ainda mais sufocada.

– O que você precisa saber é que Hiashi é um verme tentando parecer o pai perfeito depois de todas as barbaridades que ele já te fez passar; Sakura é uma vadia interesseira que te apunhalaria pelas costas na primeira oportunidade; Neji não é apenas um priminho super protetor, é um maluco pervertido mais sujo que um rato de esgotos e tem motivos bem pessoais para ficar de olho em você; E o Naruto...

– Chega! – Ela pediu em tom baixo.

Hinata não conseguia ouvir mais, todas aquelas acusações estavam quebrando algumas de suas certezas... As tentativas de ‘conciliação’ seu pai, a cumplicidade com Neji, a amizade com Sakura... Naruto...

O que ele falaria dele? Não, não importa. Não deixaria nada mudar o que ela sentia pelo loiro, não precisava saber de outra coisa além de que estava apaixonada. O que Sasuke sabia ou tinha para falar não lhe interessava.

– Essa conversa acabou!

Ela o tirou de sua frente, empurrando-o com uma força que ela não sabia que tinha, não o arremessou ou algo do tipo, apenas o afastou o suficiente para poder passar, rumando para a porta. Sasuke a segurou pelo braço para que não se afastasse mais.

– Dele você se lembra, não é?! Se você soubesse o que ele te fez...

– Me Solta. – Ela mandou, o tom de ordem ficou clara em sua voz.

Ele não disse nada a principio, obedeceu simples, soltando-a e cruzando os braços em seguida, deixou-a ir, sem qualquer objeção.

Ela voltou ao salão andando um pouco desordenada e quando chegou a sua mesa a encontrou vazia. Olhou para os lados para verificar se tinha se confundido e ido para o lado errado, mas não, era mesmo a mesa dela. Onde estava seu pai?!

Então o encontrou na mesa dos Uchiha, dizendo algo para um dos engravatados enquanto apertava a mão de Madara. Essa imagem mexeu com ela e toda a confusão que Sasuke criou em sua cabeça se transformou em raiva... Claro que Hiashi só esperaria ela virar as costas para ir “lamber as mãos” do Senador...

Por algum motivo que ela não soube classificar nos poucos segundos de reação. Hinata andou ate aquela mesa e encarou o pai com um olhar profundo. Percebendo que Sasuke também acabara de voltar e se sentara.

– Ora, se não é a Jovem Hyuuga. – Um dos senhores mais velho disse.

– Você não se lembra, mas esses são... – Hiashi dizia, mas ela ignorou completamente os nomes deles, ficou um tempo parada sem nem sequer olha-los. – Hinata? Não vai cumprimentar os senhores?!

– Você parece um pouco pálida. Esta tudo bem? – Madara perguntou a observando intrigado.

Hinata olhou a todos na mesa, depois ao pai, o Senador e Sasuke... Simplesmente não entendia o que estava fazendo ali, ou por que fora ate aquela mesa. Queria sair, ir embora, seria pedir de mais?!

– Esperarei lá fora. – Ela disse a Hiashi e simplesmente saiu.

Pudera ouvir o Hyuuga dar alguma desculpa forçada, para encobri-la, não querendo que aqueles homens pensasse mal dela ou da família, provavelmente.

Ela apenas continuou andando... com aquelas ideias e duvidas implantadas por aquele maldito rapaz...

Então chegou a porta do restaurante e pôs seus pés para fora, fechando os olhos para respirar o ar fresco e foi ali naquele momento que se lembrou:

Estávamos dançando. Com meu vestido de gala, o local lindo, a bela e lenta melodia de uma musica clássica para valsas, todos reunidos para festejar o aniversario de 15 anos da filha de um dos sócios. Poderia dizer que tudo estava perfeito, se minha companhia fosse outra ao invés dele...

– Quero que me beije. – Sasuke disse enquanto dançávamos.

– Aqui na frente de todos?

– Essa é a ideia. Pensei que você queria que fossemos “convincentes”.

– Podemos ser convincentes sem precisar desse tipo de demonstração de afeto vulgar.

– Vulgar?! Não precisa ter medo do seu pai, eu estou bem acima dos padrões dele. Por ele, marcaríamos o casamento amanhã mesmo.

– Você já esta pensando no casamento?! Começamos com isso não tem nem dois meses...

– Eu gosto de planejar o meu futuro, principalmente se alguém como você estiver nele.

Ele se inclinou na minha direção, buscando meus lábios, me esquivei baixando a cabeça brevemente, impedindo-o de maneira sutil.

– Aqui não. Se quiser se mostrar para o seu tio, podemos fazer isso mais discretamente.

– Ah, entendi. – Ele disse com um sorriso sarcástico.

Algo chamou sua atenção, segui seus olhos para longe, no fundo do salão. Naruto estava escorado na parede, olhando diretamente para nós.

– Você não esta preocupada com o seu pai, esta com medo da reação do Naruto.

– E você só quer provoca-lo. – Eu disse simples. – Prometeu que iria deixa-lo longe disso. Foi o nosso trato.

– Hinata, fale baixo, alguém pode pensar que eu estou te chantageando ou algo assim...

– Algo assim... – Dei um sorriso sem graça.

– Quem sou eu para te obrigar a alguma coisa?! Você esta livre.

Sasuke soltou minha cintura e eu andei um pouco para trás para manter a distancia. Ficamos os dois parados no meio da pista de dança e as pessoas mais próximas voltaram suas as atenções diretamente para nós.

– Pode ir ficar com Naruto se quiser, eu não me importo. Mas esteja ciente do que estará perdendo.

– Eu já fiz a minha escolha. – Olhei rapidamente para o loiro no fundo do salão e depois me voltei de novo para meu par.

– Então me beije.

Ele deu um passo largo em minha direção, acabando com todo o espaço entre nós, permiti que tomasse meus lábios e explorasse minha boca. Eu não retribui, mas, para que ninguém percebesse minha “falta de sentimento”, enlacei seu pescoço com meus braços e fechei os olhos.

– Então esse é o seu beijo técnico... – Ele disse ao meu ouvido. – Quando vi suas apresentações na peça, pensei que fosse melhor.

– É melhor quando é com o Naruto. – Eu disse friamente.

Ele separou nosso abraço e me olhou profundamente, vi os olhos dele estamparem toda sua raiva quando segurou meu pulso com força e me puxou para fora da pista de dança. Me levou para um lugar mais afastado das pessoas.

– Escuta aqui, eu perdoei aquele seu deslize e ainda prometi não fazer nada com seu “amiguinho”, mas eu não vou aceitar isso novamente. – Ele dizia firme. – Se você quer ser minha namorada, então seja fiel. Existe mais em jogo aqui do que os seus sentimentos.

– Eu sei.

Hinata abriu os olhos com essas recentes lembranças latejando na sua cabeça. Ela via, ouvia e entendia cada palavra... E percebia com pesar que, sim, tudo que Sasuke falara era verdade...

Notas finais
Gente, eu juro que não estou fazendo capítulos gigantes assim de proposito. Apenas vou escrevendo e quando vejo já esta enorme. Como é que pode?! Acho que estou perdendo o controle da minha imaginação. kkk Tem algumas pessoas bem apreensivas e espero não ter decepcionado. =) Enfim... Nesse cap nao teve Naruto, mas, para ninguem ficar com saudade, coloquei uma lembrança bem NaruHina no começo. Espero que tenham gostado porque eu adorei escrever =) E Kurenai esta de volta... Querendo 'ajudar' a Hinata e o Hiashi?! E a familia Uchiha ataca novamente... Sasuke finalmente conseguiu chegar ate Hinata... O quanto o que ele disse é confiavel? Teorias sobre isso?! Mais detalhes sobre os misterios logo serão revelados e estou ansiosa por logo algo que estou esperando muito vai acontecer. Aguardem... É isso, obrigada por lerem e desculpe se ficou "enorme de grande" (não é nada intencional, mesmo) Ate o próximo...