O Diário

15 Capitulo 15


Notas iniciais
Ola, amigos. Finalmente voltei, queria me desculpar pela demora. Enfim, trago o cap 15 e devo dizer que ficou muito maior do que pretendia e não coloquei nem metade do que queria (tive que deixar algumas coisas para o próximo cap) Mas ainda assim, espero que gostem.

15.

Estava sangrando, meu corpo não me obedecia, estava fraca de mais para me levantar. Sem forças nem para pensar direito, queria dormir, mas a dor não me permitia... E doía muito, de verdade, cada milímetro do meu ser clamava de dor...

Não tive coragem para fita-lo, mas, pelo que ouvia, sabia que estava terminando de se vestir, recolocando o cinto talvez, o mesmo que usou para me bater ante de me forçar a...

Então se aproximou e se agachou para me encarar, abri meus olhos, receosa pelo que ele faria a seguir...

– Acho que nem preciso dizer que esse será um segredo nosso, não é? Você não deve dizer a ninguém o quão íntimos nos tornamos nessa tarde, entendeu?

Estava acariciando meu rosto e seu toque áspero e frio me causava náuseas. Queria afasta-lo, bater nele ou xinga-lo, mas tudo que consegui fazer foi fechar os olhos e chorar.

– Gosto do seu silencio... – Ele riu cínico. – Você foi ótima, sabia?! Realmente maravilhosa. Pena que eu tenho mais o que fazer, se não...

Ele acariciou meu pescoço puxando minha blusa para expor meu ombro e estremeci em um misto de medo e nojo, pensando que tudo recomeçaria de novo...

Porem, ele se levantou, indo para a porta, antes de sair ainda o ouvir dizendo:

– Você sabe onde fica o banheiro, caso queira se limpar...

Fiquei estirada naquele chão frio, sem conseguir respirar direito, com aquele nó na garganta. Por que eu não gritava? Eu gritei uma vez, na primeira vez, de medo, de dor. Gritei por alguém que não veio, a ajuda nunca vinha...

Era pior quando gritava, ele me castigava mais, ria mais... Sádico, frio e ríspido, sem sentimentos. Ele não era humano, não poderia ser, era um monstro.

Me mostrava que nada mudava e que eu continuava sendo dele... Hoje, ele me fez dele de verdade... Eu estava suja, não só o meu corpo, minha alma também... Manchada por seu desejo e seu ódio.

E tudo que pensava era na morte, minha morte... Não queria existir em um mundo que ele existia.



***

Hinata despertou lentamente, encontrando o teto branco daquela sala, tudo estava meio embaçado e a lâmpada que iluminava o local não parecia estar parada, girando ao redor do foco dos seus olhos. Sua cabeça estava latejando como se houvesse sinos de uma igreja dentro do seu cérebro tocando as badaladas da meia noite em véspera de natal.

Tentou se mover, mas se deu conta de que seu corpo estava letárgico e nenhum movimento respondia como deveria. Cada parte do seu corpo parecia querer atenção total sua para agir, como se um raio a acertasse e agora os neurônios perderam a capacidade de conversar entre si e fazer coisas simples como respirar. Alias essa era uma questão mecânica que ela se forçava a fazer quando dava falta do oxigênio, porem se sentia mais sufocada do que revigorada quando o fazia.

Moveu a cabeça com cuidado, vendo armários de porta de vidro ao lado, dando para ver vários frascos de medicamentos, havia um brasão do colégio perto da porta. A cama em que estava lembrava um leito e o cheiro de álcool cobria o ambiente... Ela se sentia como se tivesse voltado ao hospital.

Se forçando a pensar um pouco, tentou sequenciar os fatos: Era uma sala no colégio, com um leito e armários com medicamentos; Uma enfermaria, provavelmente.

Ainda cansada, não conseguiria manter-se acordada por muito tempo, deixando passar o susto inicial de estar em um lugar desconhecido, respirou fundo e fechou os olhos disposta a dormir novamente. Porem, agora um peso pairou em seus pensamentos:

Se dormisse voltaria para aquele pesadelo?! Ficaria presa sozinha com aquele homem disposto a machuca-la de todas as maneiras que sua mente doentia pudesse imaginar?! O que acontecera naquela ocasião a fez desejar a morte, morreria se dormisse de novo?!

Então a realidade mostrou que sua linha de raciocínio parecia errada, as perguntas não faziam sentido... Foi como ser atingida por uma flecha de fogo que queimara a venda que sua mente usava para tentar se proteger da verdade cruel.

O que vira em sono não era um pesadelo, era uma lembrança. Sonhos podem amedrontar, mas não machucam e ela tinha cicatrizes reais que eram antigas feridas reais, feitas por uma pessoa real.

Aquilo aconteceu de verdade... Ele, realmente, fez...

Ficou nauseada de mais para concluir seu pensamento e, mesmo lutando contra o cansaço, se esforçou para segurar seu almoço no estomago. Seria degradante se meras lembranças, por piores que sejam, a dominasse de forma tão implacável. Teve uma boa dose disso no hospital e agora durante a briga do refeitório, não poderia ser tão manipulável por seu medo e, se fosse, não iria se render a essa loucura sem lutar antes.

Enquanto se concentrava para manter sua sanidade e conter as lagrimas e os enjoos, sentiu uma mão gelada tocar o seu rosto, quase achou que estava de volta em sua lembrança perturbada, mas percebeu que ainda não dormira. Estava acordada! Era real!

Abriu os olhos surpresa, se sentando as pressas, desesperada para afastar aquelas mãos desconhecidas de sua pele.

– Calma, menina. – Ouviu, era uma voz frágil e envelhecida.

– Quem é você?! – Ela perguntou ainda encolhida na cama, vendo uma senhora de idade a sua frente.

– Eu sou a enfermeira da escola, você passou mal e foi trazida para cá. – A mulher respondeu simpática.

Hinata suspirou e pensou por um longo momento, quieta e de cabeça baixa, aliviada por não ser o homem de seus pesadelos. De alguma forma, conseguiu se acalmar.

– Estava tentando checar sua temperatura, você parece um pouco febril. – A enfermeira esticou a mão, mirando sua testa novamente.

– Não. Eu já me sinto bem. – Hinata se ajeitou na cama impedindo sutilmente que seu rosto fosse tocado.

– Não deveria. – A enfermeira sorriu simples. – Eu te dei um calmante, então deveria se sentir, no mínimo, um pouco tonta.

– Sim, um pouco... – Hinata disse, disfarçando por ser pega na mentira. – Mas estou bem, comparada a antes. O que aconteceu?

– Você teve uma crise nervosa, é normal para pessoas que sofrem certa quantidade de estresse. Do que se lembra? – A senhora perguntou.

– Eu estava no refeitório com o Shino-kun... Teve uma briga e... – Hinata suspirou. – Só isso, eu acho...

Ela viu a enfermeira tomar ar para falar algo, porem alguém bateu a porta e ela foi atender, reconheceu a voz de Neji perguntar algo antes de entrar, encarando-a com uma expressão aliviada assim que a viu acordada.

– Será que pode me deixar sozinho com ela para podermos conversar um pouco? – Neji pediu a enfermeira.

– Claro. – A senhora sorriu e saiu.

– Está melhor?! – Ele perguntou.

Hinata ficou quieta, enquanto a mulher de idade saia da sala, apenas balançou a cabeça para responder um sim mudo. Esse jeito dela deixava Neji um pouco nervoso.

– Eu passei a lista de medicamentos que Tsunade-sama receitou, a enfermeira disse que usaria um calmante neutro para não interferir em seu tratamento. – Neji reparou que ela continuava encarando-o, indiferente a suas palavras. – Quando você passou mal, ficamos todos preocupados...

– Por que ninguém me disse que eu tinha um namorado? – Ela cortou suas palavras com essa pergunta.

– Ele era seu... Noivo, na verdade. – O rapaz se sentiu na obrigação de falar antes de responder.

– Noivo... – Ela se retificou, agora desviando o olhar. – Então eu ia me casar... E ninguém me disse nada?! É algo importante para alguém que tem amnesia, sabia?!

– O Sasuke não é alguém que você deva se envolver ou se lembrar.

– Acredite, eu realmente queria poder escolher o que lembrar ou não, mas é impossível. – Hinata disse ríspida. – E com vocês escondendo coisas assim de mim, fica difícil saber em quem confiar, principalmente com esse monte de lembranças distorcidas aparecendo toda hora...

– Como assim? Que lembranças são essas?

Engoliu a seco, percebendo que falara de mais. Não queria contar ao primo sobre os pesadelos reais de sua vida ou os traumas que descobriu que carregava.

– O Naruto-kun fica fazendo mistério sobre uma discussão que tivemos na noite do meu acidente... – Ela disse simples, usando isso como uma boa desculpa. – Aliais, lembrei mais cedo que briguei com a Sakura também...

– Você e a Sakura brigaram?!

– Não de verdade, por que o Naruto-kun estava lá para separar. Mas quem sabe o que aconteceu depois...

– Vocês iam sair no tapa mesmo?! – Neji riu um pouco contido. – Desculpe, eu não fiquei sabendo disso e, realmente, não consigo imaginar vocês duas brigando.

Hinata tocou na própria testa, estava se sentindo zonza novamente e precisava acalmar seus pensamentos, antes que desse na vista seu mal estar.

– Ainda estou esperando você começar a explicar porque todo mundo escondeu que eu era “noiva” daquele... Sasuke. – Ela disse tendo dificuldade para se lembrar do nome.

– Vocês terminaram uns dois dias antes do seu acidente, foi uma discussão bem feia nos portões do colégio. – Neji disse simples. – Depois disso, agiam como se nunca tivessem tido algum relacionamento, na verdade, ele nunca pareceu interessado de verdade.

– Ele parecia interessado no refeitório. E o Shino-kun e o Naruto-kun estavam empenhados mantê-lo longe.

– Escute, Sasuke é um imbecil, te tratou muito mal na frente de todos, levantou calunias a seu respeito e depois ainda fez pouco caso do seu acidente, nunca nem sequer foi te visitar no hospital.

– Foi com ele que você brigou na festa?

– É... Naruto e eu brigamos contra o Sasuke.

– Vocês dois?! Mas o Naruto-kun não foi.

– O Naruto foi, sim. Ele estava de birra depois da discussão no hospital, mas Sakura o convenceu. – Neji disse. – Quando chegaram em casa, Sasuke já estava lá, disposto a falar com você a qualquer custo. Foi por isso que a Sakura chegou tarde e o Naruto não apareceu.

– A Sakura... – Hinata bufou, encontrando uma linha oculta de raciocínio para seguir. Não era uma lembrança, apenas um pensamento que parecia correto. – Claro, ela e Sasuke...

– É uma historia antiga... não se preocupe.

Hinata o olhou de forma enigmática. Se não mencionaram a existência de Sasuke em sua vida, o que mais seus amigos poderiam estar escondendo?! A curiosidade se fazendo maior que o receio de revelar algo assombroso de seu passado. Tinha que arriscar e descobrir em quem confiar. Precisava ter certeza de quem era honesto com ela de verdade.

– Neji-niisan... Você sabe o que ele quer de mim?! O que Sasuke quer tanto falar que vale passar por tanta briga assim?

– O que mais poderia ser... – Ele parecia irritado de repente, como se pensar na resposta o tirasse do serio. – Sasuke é um manipulador, gosta de brincar com as pessoas. Deve querer se aproveitar da sua amnesia para se divertir.

Ela ficou pensativa se dando conta de que ele, de fato, estava escondendo algo. Sasuke nem se quer acreditava que ela tinha mesmo amnesia, sendo assim, a desculpa que Neji usou, para Hinata, não era nada convincente.

Também não haveria porque ter tanto empenho em afastar o rapaz sem ter um motivo concreto. E qual seria?! O que todo mundo sabia e ela não?!

– Olha, eu soube que Sasuke não estava na cidade e não viria na escola hoje, não teria deixado você vir se soubesse que ele apareceria aqui. – Neji disse. – Mas Naruto não deveria ter deixado você sozinha, de qualquer forma.

– Ele me deixou com o Shino-kun. – Ela disse rápida e ríspida.

Sentiu uma certa raiva, não aguentava ver Neji tentando culpar o loiro, não depois de tudo que fez para protege-la. Ele não saiu de seu lado o dia inteiro, provavelmente, por causa do Sasuke que só veio a aparecer no único momento em que ela foi deixada. Não, se existia alguma culpa nessa situação, com certeza não era do Naruto.

– E onde você estava?!

– Eu? Sinto muito... – Neji disse agora sem graça. – Não deveria ter saído do refeitório, mas Sakura estava cansada de esperar e queria procurar vocês, então...

– Tudo bem... – Ela suspirou cansada. – O que aconteceu depois que desmaiei?

– Sasuke, Naruto e Shino estão na diretoria, por causa da briga, junto de Hiashi-sama.

– Ele também?

– Ficou claro para todo mundo que a briga foi por sua causa, você também estaria lá se não tivesse passado mal.

– Por minha causa... – Hinata disse a si mesma, pensativa.

***

Estavam os jovens sentados nas cadeiras em frente a mesa, enquanto o velho diretor, Hiruzen Sarutobi, estava de pé encarando seus respectivos responsáveis. De forma estratégica Shino foi colocado na cadeira do meio para separar Naruto e Sasuke que já fizeram menção de quase brigarem novamente, pelas inúmeras provocações que lançavam um para o outro.

– Shibi, Jiraya, Hiashi, que bom que puderam atender ao meu chamado de forma tão rápida. – O Diretor disse.

– Em um assunto preocupante como esse, não há escolha. – Shibi disse.

– Por favor , acabe logo com isso. Quero ver como minha filha esta. – Hiashi disse.

– Nós ainda temos que esperar o Sr. Uchiha. – Disse o Diretor se sentando em sua cadeira.

– Perda de tempo. Itachi não esta na cidade... – Sasuke disse.

– É por isso que ele é assim, quem deveria ensinar valores nunca está presente... – Naruto sussurrou baixo para Shino.

– Nem todo mundo tem um desocupado como responsável, Naruto. – Sasuke disse alto sem se importar com quem ouviria.

– Como é que é? – Naruto dizia furioso, já pensando em começar outra briga.

– Relaxa! – Jiraya pediu segurando-o forte pelo ombro, impedindo o rapaz de se levantar.

– Sasuke, contenha suas palavras. – Sarutobi mandou.

O Uchiha, encontrou os olhos do diretor e se levantou, encarando-o desafiador.

– Por que? Eu não fiz nada de errado.

– Sente-se Sasuke! – Foi mandado novamente.

– Foram esses malucos que me atacaram sem motivo.

– Sem motivo?! A Hinata... – Naruto deixou sair entre os dentes cerrados.

– Acalmem-se, os dois! – O diretor reforçou suas palavras agora encarando o loiro.

– Se Hinata desmaiou foi por causa da confusão que vocês provocaram. – Sasuke o acusou.

– Seu Filho da-

– Naruto! – Ouviram outra voz na sala. – Por favor, não xingue a minha irmã pelo filho inútil que ela teve.

Todos olharam para trás, encontrando um homem de terno e gravata, cabelos longos, escuros e espetado. Tinha um olhar penetrante e um sorriso divertido nos lábios.

– Tio?! – Sasuke disse baixo, surpreso.

– Sente-se! – Mandou e o moreno obedeceu receoso.

Madara entrara na sala a algum tempo e, sem ser percebido, pode ouvir as ultimas palavras da recente discussão que começaram. Sarutobi sorriu parecendo satisfeito com a presença dele ali e, estendendo a mão para um cumprimento, disse:

– Eu não esperava que o Senador viesse pessoalmente.

– Itachi esta cuidando de assuntos da empresa da família e, como eu estava de folga do congresso hoje, não vi problema em vir prestigiar outra confusão do meu sobrinho. – Madara disse cumprimentando o diretor, então se voltou para Hiashi. –Como está, companheiro?

– Não posso dizer que estou bem, nesta situação.

– Imagino, é realmente lamentável que o reencontro dos Uchiha e Hyuuga seja dessa forma tão desconcertante. – O Senador disse de forma simples. – Realmente esperava encontra-lo na festa de premiação ou em algum outro lugar mais agradável. Como esta a Hinata?

– Eu também queria saber, mas estou preso aqui ate esta reunião acabar.

– Nesse caso, acho que devemos continuar, Hiruzen.

Sarutobi reassumiu o controle da conversa agora que a presença do Senador Madara Uchiha acalmara os ânimos entre os dois rivais. Dera um longo sermão sobre as regras do colégio, formas de auto comedimento, consequência dos atos e disciplina. Falava mais para os responsáveis do que para os alunos, de forma dura para que percebessem que os jovens precisavam de atenção e pulso firme para evitar que brigas como aquela acontecessem novamente.

Ficou claro que a richa entre Naruto e Sasuke era antiga e que Shino apenas deixou-se levar por essa linha de raiva. E como era provável que nem os castigos que a escola poderia propor eliminaria esse problema, o diretor deixou a cargo dos responsáveis vigia-los e aconselha-los.

– Eu entendo Hiruzen, por favor perdoe a impulsividade do meu filho. – Disse Shibi. – Shino, diga que sente muito!

– Sinto muito por ser leal aos meus amigos.

– Assim não é convincente. Faça direito. – Shibi insistiu.

– Ora, isso é um grande exagero. – Jiraya disse. – Foram só adolescentes brigando por uma garota. Quem nunca fez isso na idade deles?

– Não tente tornar tudo isso uma piada. Este tipo de atitude é inadmissível em nossa instituição! – O diretor falou firme.

– Eu concordo com o Jiraya. – Madara disse. – Não acho que devemos dar tanta atenção a uma briga desse tipo.

– Foi exagero a minha filha parar na enfermaria?! – Hiashi disse calmamente. – Não devemos da atenção a esse fato?!

– Não foi o que quis dizer. – Senador bufou cruzando os braços. – É que essas coisas acontecem, só isso.

– Mas o que essa menina esta fazendo aqui. Se ela se encontra tão frágil, deveria estar em casa ou no Hospital. – Shibi disse simples.

– Tudo bem, vamos falar das punições. – Sarutobi disse. – Três semanas de suspensão e bota-los para ajudar o zelador com a limpeza seria o padrão nessa situação. Entretanto, eu estive vendo a grade escolar e os planejamentos dos professores e encontrei um problema.

Naruto se pôs pensativo, três semanas significava perder as próximas provas, duas delas eram de química, sua pior matéria. Fazendo as contas...

– Que tipo de problema? – Shibi perguntou.

– Temos um bolsista entre nós. – Sarutobi encarou Jiraya agora. – As notas do Naruto não estão boas e para manter sua bolsa ele precisa de uma certa porcentagem a mais de aproveitamento em cada matéria. Algo que ele não vai alcançar, se perder as próximas provas.

– Espere, o que você quer dizer exatamente? – Jiraya perguntou.

– Significa que Naruto não poderá alcançar a porcentagem na matéria de química, as notas de matemática e física já passam no limite... Assim, não será possível manter a sua bolsa e, se não poderem pagar as mensalidades, então...

– Isso não é justo! – Naruto esbravejou.

– Calma! – Jiraya pediu para o rapaz. – Hiruzen, deve haver uma forma de nos entendermos. Credito extra ou algo do tipo?!

– Eu não vejo como...

– Todo mundo brigou e só eu vou ser expulso?! – Naruto disse e se levantando agora.

– Só você é bolsista, além disso, não está sendo expulso pela briga. – Sarutobi firmou suas palavras, saindo de sua cadeira para encarar o rapaz nos olhos. – Mas porque não soube aproveitar a oportunidade de estudo da nossa instituição. Se suas notas estivessem normais não precisaria se preocupar.

– E se eu interceder por ele?!

As atenções de todos se voltaram para o que o Hyuuga acabara de dizer, Hiashi estava no canto da sala e, sem nem reparar na cara de surpresa de Naruto e Jiraya, encarava o diretor sereno e simples.

– Como assim? – O diretor perguntou interessado.

– Ele está no terceiro ano, e só falta um trimestre para a formatura. – Hiashi explicou. – E se eu pagar pelos últimos três meses de aula?! Ele não seria mais bolsista, seria um aluno normal, sem restrições.

– Por que você faria algo assim? – Jiraya perguntou.

– Se ele brigou por causa na minha filha, acho que é o mínimo que eu posso fazer. É minha forma de agradecer. – Hiashi disse.

Naruto não disse nada, voltou a se sentar agora de cabeça baixa, pensativo.

Sem dar muita atenção, ficou ouvindo as palavras finais do discurso do Diretor e, depois que Sasuke, Shino e seus respectivos responsáveis foram liberados, reparou que Jiraya e Hiashi ainda ficaram para começar a combinar com Sarutobi sobre a transferência da matricula de bolsista para uma normal. Ouviu o padrinho prometendo pagar sua divida futuramente, mas não prestou atenção na resposta do Hyuuga, não queria ouvi-lo mais.

O loiro apenas parecia calmo, mas a verdade é que estava furioso por dentro. Não sabia bem o porque, mas o que acontecera ali estava incomodando de mais. Não se sentia como se estivesse em divida, e sim, que fora comprado por aquele maldito dinheiro. Era como se estivesse novamente preso pela cobiça e ganancia dessa família.

Então eles foram liberados e o rapaz sentiu Jiraya puxa-lo e começou a andar mecanicamente para a saída, ainda inerte em seus pensamentos.

– Eu quero ver a Hinata. – Naruto disse baixo.

– Não, não quer! – Jiraya disse. – Você quase foi expulso por causa dela, e não vai vê-la tão cedo. É o seu castigo.

– Eu não pedi permissão, vou vê-la de qualquer jeito. – Naruto o encarou agora.

– Ora, moleque! Acho que é isso que o velhote quer dizer com “impor regras e disciplina”!

– Deixe-o, Jiraya. – Hiashi disse simplesmente se intrometendo na conversa. – Você o conhece, não vai ficar tranquilo ate saber como ela está.

– Bem... – Jiraya bufou, não tinha coragem para contradizer o Hyuuga depois de tê-los ajudado daquela forma. – Esperarei lá fora.

Naruto se encaminhou para a enfermaria, andando pelo corredor vazio, lado a lado com Hiashi, ambos em silencio.

O rapaz sentia o mesmo nervoso de quando ia visita-la no hospital e tinha medo de abrir a porta e vê-la novamente inconsciente. Ela já parecia tão mal quando foi levada... E se entrasse em coma novamente?! Ficar meses e meses dormindo como antes. Naruto não suportaria aquela agonia de novo...

Sasuke o acusou ser quem provocou o mal estar dela. Naquela vez, o acidente foi por culpa dele... Mas e dessa? Era verdade?!

O que teria acontecido se não tivesse interrompido e o Uchiha tivesse falado com Hinata?!

Ele obviamente teria contado toda a verdade, brincaria ainda mais com a cabeça dela para afasta-la de todos os amigos e, definitivamente, faria ela o odiar como nunca...

Mas... Ainda assim... Não teria passado mal, certo? Ficaria com raiva, mas estaria bem...

Além disso, a verdade não era a escolha certa? Era isso que Hinata merecia e estava sendo novamente egoísta, não só tentando esconder tudo dela, mas também impedindo que outra pessoa contasse.

Estava agindo pior do que daquela vez, quando tentou separar Sasuke de Hinata em definitivo... Lembrava-se perfeitamente de como tudo deu certo, só para, depois, dar errado... Aquele maldito final de semana em que chamou o “casal” para a casa dos tios.

Logico que ele propôs a viagem apenas para provoca-la e ela aceitou só para lhe dar um troco, mas não esperava que fosse realmente acontecer.

As coisas simplesmente seguiram de uma maneira louca e quando percebeu já estavam a caminho do sitio com a garota que amava e o namorado dela, que era ninguém menos que o sobrinho do Senador.

Era por esse motivo que ela escondeu o relacionamento de todos?! Não importava, assim que a viu com Sasuke, o jeito que ele colocava a mão em sua cintura ou a forma possessiva que ele a olhava, ficou evidente que precisava arranca-lo da vida dela de qualquer jeito e sua única chance seria nesse final de semana.

Quem diria que só a viajem de ida já acabaria se tornando em uma verdadeira guerra?! Provocações atrás de provocações, competições estupidas, insultos, por pouco não pararam o carro e brigaram de verdade. Mas Hinata, que estava no meio disso tudo, soube lidar com a situação: passou um sermão, deixando claro que não gostava de andar de carro com os ânimos tão exaltados e que os dois estavam agindo como idiotas; Para reforçar suas palavras ainda ousou falar sobre o acidente de sua mãe, algo que nunca comentava, e dizia que do jeito que estavam acabariam se acidentando também;

Depois disso, as coisas ficaram mais tranquilas ate chegarem ao destino.

Naruto percebeu que estava virando um “vilão” aos olhos dela e não gostava disso, se tinha que odiar alguém, que fosse o Sasuke, não ele. E por que não tira-lo do caminho de uma maneira mais sutil?! Havia uma ótima oportunidade no sitio dos tios... Passou o resto do caminho calado, pensando em sua nova tática e em como pô-la em pratica. No seu plano, seria como quebrar duas pedras com uma única martelada...

Pena que Hinata era inteligente de mais para não notar. Levou apenas algumas horas, enquanto se apresentavam aos tios e a prima, arrumavam a bagagem e saiam para conhecer o lugar, para ver as reais intenções do loiro. Ate aquele dia, Naruto nunca a viu tão chateada.

Depois de terem passado metade do dia passeando pelo pitoresco e simplório vilarejo das redondezas, voltaram para almoçar mais tarde. Ele estranhou que ela não veio comer e foi procura-la, a encontrou sentada no cais, olhando para o lago.

Sem pensar duas vezes, Naruto foi ate a garota, sorrindo com a oportunidade que teriam um tempo só para eles. Uma vez que Karin, como imaginou, ficara impressionada com o “sobrinho do Senador” e decidiu apostar em suas capacidades para chamar a atenção de Sasuke.

Mas assim que chegou, viu a expressão no rosto dela, sua alegria murchou. Hinata parecia mais que triste, ela estava infeliz...

Decidiu, então, apenas se sentar ao seu lado e esperar. Foi um momento de silencio que ela parecia precisar.

– Eu pensei que tínhamos combinado de sermos amigos... – Ela finalmente disse.

– Somos... – Ele engoliu a seco.

– Então para de implicar com o Sasuke.

– Eu não! Ele não merece.

– Quando o Sasuke fica nervoso, ele... – Ela deteve as próprias palavras, voltando a fitar a agua. – As coisas são complicadas e piora com você fazendo essas coisas...

– Aquilo tudo foi só brincadeira, sabe. E você conhece a Karin, ela não tem noção nenhuma.

A garota não respondeu, apenas voltou seus olhos para o horizonte. Saber que ela estava triste por causa do namorado o deixava ainda mais nervoso.

– Claro que eu não esperava que você ficasse com ciúmes dele.

– Não estou com ciúmes do Sasuke, eu estou decepcionada com você. – Ela disse firme. – Você me trouxe aqui só para jogar sua prima em cima do meu namorado!

– Aquele cara não presta pra você!

– O que eu preciso agora é de alguém que me entenda, apoie minhas decisões e confie em mim... – Ela disse simples.

– E o Sasuke é essa pessoa?! – Naruto riu irônico.

– Não, eu pensei que fosse você... – Ela o encarou seria agora.

Ele não sabia o que dizer, ela o pegou de surpresa com aquelas palavras. O que saiu foi apenas uma frase, gaga e em um tom quase pedinte.

– E-eu posso ser essa pessoa...

– Isso não vai funcionar nunca...

– Eu prometo! Eu posso ser quem você precisa, apoiar você e suas decisões...

Hinata voltou a fitar a paisagem, apenas balançando a cabeça fazendo um sinal de não... Não para a promessa; Não para os sentimentos... Não para Naruto...

Por que ela tinha quer ser tão cabeça dura?! Por que não podia entender como seriam felizes se estivessem juntos?! Como não podia confiar nele e duvidar de tudo que passaram...

– Vir aqui foi um erro... – Ela disse. – Tentar sermos amigos foi um erro.

– Como assim?!

– Não é justo nem com você, nem comigo. Deveríamos ter parado de nos ver a muito tempo.

– Parar de nos ver?! – Ele perguntou irônico. – Claro, foi ele quem mandou, não é?! Ele fica enchendo a sua cabeça, é por isso que você tem pensado tanta besteira.

– Ninguém faz a minha cabeça. Só não sou egoísta ao ponto querer te ter por perto quando está claro que nós buscamos coisas diferentes um do outro.

– E por que não podemos querer as mesmas coisas?!

– Porque eu já estou com o Sasuke.

– Então você o ama?! – Ele perguntou de supetão, com raiva da forma calma com que ela falava.

Hinata, a principio, ficou surpresa com a pergunta, depois apenas desviou o olhar para longe. Essa reação fez Naruto sorrir, pois sabia que ela não conseguiria mentir em seus sentimentos e se não era capaz de dizer, era porque não sentia... Hinata não amava o Sasuke...

– O que foi?! Não vai dizer nada?!

– Eu já estou cansada de todos ficarem me cobrando o tempo inteiro. E você esta se tornando um obstáculo cada vez maior na minha vida.

– Meus sentimentos são... obstáculos?! – Naruto desviou o olhar um pouco contido.

– Não, os meus são.

Ouvir isso naquela voz, no tom que só ela sabe usar, machucava. Cada segundo daquela expressão cada vez mais distante dela era dolorosa para ele e odiava perceber que nenhuma palavra que pudesse pensar seria suficiente para mudar sua atitude... Ela estava presa a essa convicção que ele não entendia.

Continuou em silencio, por um tempo que para o loiro era maior que a eternidade, disposto a espera-la falar algo ou, ate mesmo, se desculpar. Mas, no fim, não aguentou e tentou de novo:

– Desamarra essa cara, Hinata. Não gosto de te ver triste assim.

– Não estou triste, mas, se minha companhia não agrada, você pode ir embora.

– Ou você pode sorrir e ser mais agradável.

– Mas eu não quero e ninguém vai me obrigar!

– É um desafio?!

Ele sempre usava essa tática quando tudo mais a impedia revelar seu lindo e estonteante sorriso, no fundo sabia que ela, não só gostava, como também, já espera por isso.

– Naruto-kun, nem pense nisso... – Tarde de mais, ele já havia pulado sobre ela, usando habilmente suas mãos para lhe fazer cocegas. – Não é hora para...

Hinata ainda tentou se afastar no inicio, mas, assim que sentiu o toque de Naruto sobre suas costelas, se entregou as risadas que lhe causava.

Antes que se desse conta já estava deitada sobre a madeira, com Naruto por cima, ambos ofegantes e olhando um nos olhos do outro. Previu uma aproximação mais ousada dele e logo se esquivou, se levantando e correndo para a ponta o cais.

Naruto via aquilo como acinte, Hinata era boa em fugir, mas ele tinha certeza que sua pegada era ainda melhor. Sentia-se quase como em uma caçada.

Correu com vontade, alcançando-a facilmente, abraçou-a pela cintura, erguendo-a ate tirar os pés do chão e começou a girar o corpo com ela presa em si, dando voltas e mais voltas. Parando só quando se sentiu um pouco tonto.

Onde estava aquele péssimo clima?! Não existia, nunca durava entre eles, sentimentos eram mais fortes que qualquer desentendimento...

Era como se voltassem a ser crianças novamente e, apesar de preferir sempre as risadas espontâneas, ouvir a gargalhada que ele provocava o fazia se sentir muito satisfeito.

– É assim que eu te quero, feliz e ao meu lado. – Ele sussurrou em seu ouvido.

Se ela não acreditava que era mesmo capaz de apoia-la incondicionalmente, então ele provaria que sim... Levaria a promessa a diante e Hinata veria o quão importante tudo que diz e faz é para ele. Ele ia mostra que era sim capaz de entender e confiar... E, principalmente, de ama-la.

Giraram tantas vezes que a garota também deveria estar tonta, pois perdeu o equilíbrio assim que pôs os pés de volta ao chão. O loiro viu a oportunidade se segura-la e impedir sua queda, mas, quando viu que ela iria direto às aguas do lago, simplesmente, tomou seus braços e se deixou ir junto. Talvez Hinata nem fosse cair de verdade, mas com a ação dele, definitivamente caíram.

Aquele local não era tão raso, mas Naruto ainda podia tocar o fundo com as pontas dos pés e por a cabeça para fora, já Hinata, além de não ser uma boa nadadora, ainda era mais baixa e provavelmente sumiria da superfície. O rapaz se aproveitou disso para puxa-la para perto e manter seus corpos unidos, abraçando-a para que não afundasse.

Não tinha escapatória dessa vez.

Precisaram de apenas uma troca de olhares... e Naruto venceu a pequena distancia entre seus rostos e tomou seus lábios.

Este foi o primeiro beijo real deles sem usar a peça de teatro como desculpa... O primeiro que envolveu todos os seus sentimentos sem se restringirem em nada... Aquele que, tanto Naruto quanto Hinata, sentiram que estavam totalmente entregues um para o outro.

Seus lábios não conseguiam se distanciar, não queriam que tudo passasse tão logo e, de forma simples, um segundo beijo surgiu em sequencia ao primeiro. Era tão natural para eles estarem juntos, tão fácil esquecer de tudo e se concentrar apenas no momento que o mundo realmente pareceu sumir diante daquele momento.

– Você me ama?! – Naruto perguntou quando finalmente pode por seus pensamentos no lugar.

Hinata abriu os olhos, um sorriso se formou em seus lábios e seu olhar ficou mais brilhante do que Naruto jamais tinha visto e, no momento em que ela o fitou, ele soube qual seria sua resposta e percebeu como se sentia desesperado para ouvi-la...

– Eu te...

– Eu sabia! – Alguém falou, interrompendo-a.

Encontraram Karin em cima do cais, com as mãos na cintura e batendo o pé, como uma mãe que pegara o filho fazendo bagunça. Isso não assustaria nem intimidaria ninguém, se Sasuke não estivesse ao lado observando a cena fixamente.

Naruto sorriu triunfantemente quando viu o Uchiha parado olhando-os, talvez um pouco incrédulo, coçava a testa de forma sugestiva e o loiro se perguntava se ele já estava sentindo os chifres crescerem. Imaginou como o corno gritaria, xingaria ou brigaria, porem a única reação do moreno foi bufar e sair andando calmamente.

Hinata largou o loiro de imediato, quase se afundando subitamente na agua, e nadou desengonçada tentando alcançar a marguem. Saiu sem olha-lo ou falar nada, correndo atrás do namorado.

– Sasuke, o que você vai fazer? – Hinata perguntava enquanto andava alguns passos atrás do moreno.

– Vou arrumar minhas coisas, pegar o carro e voltar para a cidade. – Ele respondeu simples. – Eu tenho muito trabalho, só vim aqui porque você insistiu. Mas não foi uma boa ideia...

– Por favor, o que aconteceu foi só...

– Não estou interessado, Hinata.

Naruto a acompanhou sem entender aquela reação tão desesperada da garota, a chamou apenas uma vez e quando ela finalmente olhou para trás para encara-lo, pode perceber como os olhos dela estavam chorosos, mas parecia mais que tristeza, ele viu... medo?!

Sasuke arrumou suas bolsas em cinco minutos e inventou uma desculpa aos tios de Naruto sobre ter recebido uma ligação e ter que voltar as pressas. Disposto a “manter as aparências” a todo custo, nem zangado de verdade ele parecia estar.

Hinata tentava dialogar com ele diversas vezes nesse tempo e era totalmente ignorada, quando ele terminava de por suas coisas na mala do carro, tentou de novo.

Naruto observava a conversa da porta de casa, não era longe, podia ouvir tudo perfeitamente. Essa insistência dela já o incomodava profundamente.

– Sasuke, vamos conversar.

– Eu não quero palavras de você, quero ações! – O moreno disse secamente.

– Ações?! Como assim?

– Eu estou indo para a cidade. Agora, veja suas opções: Pode vir comigo e fingir que este ‘dia’ não aconteceu; ou ficar aqui com o Naruto e fingir que nosso ‘relacionamento’ não aconteceu.

Naruto sorriu por um momento, sabia que Hinata o amava, viu em seus olhos. E agora ela estava sendo posta contra a parede, logo depois de reclamar das inúmeras cobranças em sua vida?! Não tinha duvidas... Ela não poderia escolher outra opção se não a...

– Certo, eu vou. – Ela suspirou. – Eu vou com você...

– O que...?! – Naruto se perguntou surpreso.

– Ótimo. – Sasuke sorriu.

– Hinata? Eu pensei... – Naruto só se aproximou dois passos, percebeu que ela o ignorava, então parou de andar e falar.

– Enquanto arrumava minhas coisas, eu, casualmente, arrumei suas também. – Sasuke disse simples.

– Vou me despedir de Nagato e da Konan.

– Não precisa, já fiz isso por você. Entre no carro.

Antes de ir para o banco do carona, Hinata olhou para Naruto por menos de um segundo, foi sutil o suficiente para passar despercebido aos olhos de Sasuke, mas o loiro com certeza reparou, era como um pedido de desculpa...

E ela foi...

Sem entender direito, tentando encontrar logica no que aconteceu... Naruto apenas ficou parado vendo o carro indo embora, levando-a junto, por livre e espontânea vontade. Ela teve a chance de decidir e não o escolheu. Respondeu ao ultimato sem nem sequer pestanejar, não pensou um segundo, nem duvidou da resposta. Simplesmente foi...

– Ah, ate que eu tinha gostado dele. – Karin disse simples e então acertou um soco no antebraço do primo. – Você é um inútil mesmo, nem para ser amante você serve. Tinha que ser pego no primeiro pulo?!

– Cala boca... – Ele respondeu furioso e foi para dentro de casa, arrumar suas coisas e voltar para a cidade de ônibus.

A partir desse dia eram raras as ocasiões em que via Hinata, pois ela sempre dava um jeito de escapar. Naruto agradecia por estagiarem juntos e ainda serem parceiros nas aulas de química, pois provavelmente não haveria outra chance de estar com ela se não fosse o caso.

Mesmo assim, estava realmente agindo como se nunca tivessem se beijado, nem sentido aquele sentimento um pelo outro, tratando-o apenas como o amigo que ele sempre foi.

Com o tempo esse clima de tensão, diminuiu e puderam voltar a sair de vez em quando para estudar, mas Hinata sempre tinha medo que alguém pudesse interpretar mal e contar para o namorado.

Ela estava sempre triste ou distraída de mais, sua espontaneidade sumiu assim como seus melhores sorrisos e Naruto sentia culpa e raiva, porque talvez, se ele tivesse se controlado um pouco mais naquela hora, ela poderia vir a escolhê-lo algum dia...

De vez em quando, ocasionalmente, a via com Sasuke em uma festa ou outra, mas Naruto preferia sair de perto e tentar esquece-los do que criar caso e, quando estava sozinho com ela, qualquer coisa era assunto melhor que seu romance barato.

Só vieram a falar disso uma vez, em uma ocasião na escola enquanto estudavam para uma prova, justamente o dia que ela contou que eles tinham ficado noivos...

Nunca entendeu o porque das suas decisões, mas, assim como prometera, não a questionou mais. Se ela queria apenas alguém para conversar e se distrair, seria ele e ponto final. E o que mais podia fazer além de ser o que ela queria?! A necessidade de vê-la todos os dias, vigia-la e saber se estava bem era tão grande que, se a única maneira era se submeter a essa amizade, ele faria e não esperaria nada em troca.

E foi assim ate o dia do acidente, quando tudo veio a tona no pior momento e do pior jeito...

O que mais o irritava era saber que causou mais sofrimento a ela naquelas poucas horas, do que o Uchiha em todo tempo de namoro.

Esteve mentindo por tanto tempo que agora ate duvidava se Sasuke era mesmo a escolha errada...

– Senhor...– Naruto chamou Hiashi de repente. – Não me importo em terminar o ano em uma escola publica.

– E pelas suas notas era lá mesmo que você deveria estar.

– Então por que me ajudou?

– É apenas a minha forma de pagar pela atenção exagerada que dispõem a minha filha.

– Faço isso por motivos pessoais, não preciso do seu dinheiro.

– Já conheço seus sentimentos para com a Hinata. E mesmo não gostando, já entendi que não posso fazê-lo desistir da ideia.

– Não pode mesmo.

Naruto sorriu sem graça, achava estranho responder assim tão abertamente a Hiashi, quase o via como “futuro sogro”. Sabia que era melhor tentar causar uma boa impressão para evitar problemas.

– Posso visitar a Hinata em sua casa mais tarde.

– Apesar de tudo, você sempre foi bem vindo, não precisa da minha permissão. Mas acho que ouvi seu padrinho falar alguma coisa sobre castigo.

– Irei assim mesmo.

– E eu posso saber que assunto quer tratar com a minha filha?!

– É algo pessoal que tenho que conversar com ela. Mas talvez o senhor já saiba...

– Ah, será sobre isso. – Hiashi se pôs pensativo. – Naruto, eu acabei de te salvar de uma encrenca e...

– Eu não quero falar sobre o senhor, especificamente. – Naruto o interrompeu já sabendo que o Hyuuga iria usar o pagamento da mensalidade para manipulado. – Mas, se ela vir a perguntar alguma coisa sobre a empresa, eu não pretendo mais mentir. Eu serei sincero, Hinata merece isso.

– Bem... Que seja...

– Então eu posso?

– Sim, mas hoje não. Leve o castigo do seu padrinho a sério um pouco. Amanhã a noite, se você quiser, poderá ir ver a Hinata.

Eles voltaram a caminhar em silencio ate chegarem a enfermaria, onde encontraram Hinata deitada, estava acordada, mas ainda cansada pelo mal estar e tonta pelo calmante administrado pela enfermeira. Mesmo assim, quando ela viu o loiro passar pela porta, se sentou, querendo passar a impressão de que estava bem para que o rapaz não se preocupasse.

Em poucos minutos, ambos já estava rindo por qualquer besteira que ele havia falado ao acaso. E Hiashi, que se encontrava mais afastado, deu um sorriso contido ao perceber o quão feliz a filha ficava na presença de Naruto.

***

– Três semanas de suspensão... Isso saiu muito barato, se fosse eu...

Madara abriu a porta do carro para Sasuke, depois assumiu a direção, saíram do estacionamento em alta velocidade.

– Qual é a boa explicação que você tem para agir como um desequilibrado, atacar a filha de um velho amigo meu e ainda causar esse escândalo?! – Madara ria enquanto falava, tamanho seu nervosismo. – Porque eu imagino que alguém gravou aquela briga e já publicou internet: “O sobrinho do Senador brigando por causa de uma mulher”.

– Era para ser uma conversa, mas eles...

– Culpar outra pessoa não tira sua responsabilidade! – Madara o interrompeu em tom furioso.

– Eu sei.

– Ah, você sabe... Sabe também quão importante é o apoio financeiro de Hiashi na minha próxima candidatura?!

Ele mantinha um tom de sarcasmo ao perguntar, o rapaz apenas balançou a cabeça afirmando.

– Acha que ele se sentira a vontade para promover o “Tio do maluco que persegue a filha dele”?! – Madara dizia baixo e com um toque de ódio em sua voz. – Não. Tudo pode ir pelos ares porque o pequeno Sasuke não sabe ouvir o “não” de uma garota!

Sasuke o ignorou, olhando pra fora pelo vidro, ao perceber o desinteresse do sobrinho, Madara parou o carro, freando bruscamente, e encarou-o.

– Os Uchiha e os Hyuuga enlaçam uma amizade de décadas...

– O que você quer que eu faça?!

– Quero que você se desculpe decentemente com a familia Hyuuga. Faça Hiashi te olhar com bons olhos de novo e reate seu relacionamento com a filha dele! É isso que eu quero que faça!

Notas finais
Esse cap foi bem mais explicativo, desculpe se foi muito cansativo de ler. Como já disse na nota inicial, não consegui por tudo que eu queria, mas estou preparando novas revelações para os próximos que vão estourar as mentes de vocês (e da Hinata também, provavelmente). Enfim... Coloquei novas lembranças sobre o passado da Hinata... e ainda mostrei o que aconteceu entre ela e o Naruto naquele final de semana... Mais beijo entre eles (tenho que me controlar, se não vou acabar colocando coisas assim em todos os caps... haha E o que dizer de Hiashi que salvou a pele do Naruto, hein?! Alem da familia Uchiha já aparece causando... O que vai acontecer agora com os planos de Madara e Sasuke? Prevejo problemas no futuro e vocês? Espero que tenham gostado. Ate o próximo...