O Diário

14 Capitulo 14


Notas iniciais
Finalmente voltei! E depois do capitulo passado, acho que já tá na hora de começar com as revelações da historia, neste cap tem uma bem importante. Esperou que gostem ^.^

14.

Estávamos sentados no sofá da pequena sala, cada um com seu roteiro, lendo-o atentamente. O silencio pairava entre a gente, apenas o som do tic-tac do relógio de parede era ouvido.

Eu repassava mentalmente uma cena simples:

Era um pequeno monologo que Naja fazia enquanto roubava a carteira de um bêbado que dormira na sarjeta. Deveria ser um momento engraçado da historia, não pela situação, mas pela forma que a garota deveria falar, se expressar e andar pelo cenário.

Como fazer graça disso? Naja era uma garota sem qualquer escrúpulo...

Fiquei imaginando como Naruto reagiria se me visse atuando dessa forma, acho que ele riria obviamente, mas de mim, não da cena. Riria por estar ridícula falando com aquele linguajar sujo das ruas.

As outras cenas não eram diferentes, a personagem falava com outros coadjuvantes de maneira tão desleixada, não conseguia fingir nem quando teve a ideia de se infiltrar num baile universitário. Foi descoberta facilmente e se não fosse Hektor acabaria presa, ele foi inteligente o suficiente para tira-la das encrencas que se metia, embora sempre caiam em algo pior posteriormente.

Sorri, percebendo que Naruto seria um ótimo Hektor...

Frequentemente lançava olhares curiosos para o rapaz ao meu lado, ele tinha um dicionário em mãos e estava distraído, parecendo ter esquecido da minha presença.

– O que é “abisma” mesmo?! – Naruto perguntou de repente, sem desviar o olhar do fichário que lia.

Por reflexo, cobri meu rosto com o roteiro numa tentativa de esconder que o observava.

– Significa “espanta” ou “assusta”. – Respondei nervosa, mas depois olhei-o novamente, encontrando seus olhos me encarando confuso, então, já mais calma, conclui. – Mas, dependendo do contexto, pode ser “impressiona”.

– Ah, sim... – Naruto sorriu entendendo, fez um pigarro forçado, parecendo se preparar para dizer algo importante. Disse moldando a voz para que ficasse mais grave. – “Sua beleza me abisma demasiadamente”.

Meu coração acelerou, me forcei a desviar discretamente o olhar, fingindo voltar a ler meu próprio fichário e então ouviu-o gargalhar, como sempre.

– Foi muito ruim?! – Naruto perguntou.

– Não, acho que é assim que o personagem deve se expressar. – Respondei com um sorriso tímido.

– Hunf, que cara da nossa idade fala desse jeito?! Eu não entendo metade dessas falas. Hektor idiota! – Naruto disse se encostando no sofá.

– Basicamente, nessa parte, Hektor quer dizer que a beleza de Naja o impressiona bastante. – Expliquei.

– Isso eu percebi. Esse cara é um covarde, só sabe falar e elogiar, ate contra os inimigos. Um verdadeiro bajulador... Não gosto de ser ele nem um pouco!

– Hektor é um inglês culto e educado que tem lábia e consegue dialogar para evitar problemas e brigas. É tão astuto e inspirador. – Sorri admirada.

– Então é desse tipo de cara que você gosta?! Não tem nada haver comigo... – Naruto falou pensativo.

– Só não entendo porque você implica tanto.

– E a Naja?! O que acha da sua personagem? – Naruto perguntou em tom provocativo.

– Ela é “diferente”.

– Só diferente?! O jeito que resiste e luta pelo que quer, sua forma de se expressar, pronta para se arrebentar numa briga só para se aproximar do seu sonho! Ela é apaixonante!

– Apaixonante?!

– Claro, gosto de pessoas como ela!

– Hum...

Voltei a ler um pouco mais desanimada e Naruto, percebendo que o silencio iria se restaurar, parecia tentar manter-me interessada no assunto.

– Sabe, Ebisu-sensei bem que podia fazer uma adaptação na peça para mudar a personalidades das personagens. Combinaria muito mais com a gente se Naja fosse a burguesa inglesa e Hektor o brigão matador!

– Seria mais fácil! – Ri um pouco, mas depois usei um tom de aviso. – Mas, se você propor isso, Ebisu-sensei terá uma de suas crises de fúria!

– Não! – Naruto fez uma careta fingindo medo. – Prefiro ser o Hektor chato!

Nós dois rimos um pouco e então Naruto esticou o pescoço para tentar ver em que parte eu estudava.

– Você já esta decorando o ato 3?! – Perguntou surpreso.

– Eu já decorei tudo, só estou revisando e pensando na interpretação.

– Ei, que tal interpretarmos uma das cenas! – Naruto pediu animado.

– Não, nem pensar!

– Por que não? Foi para esse tipo de coisa que o professor mandou a gente estudar juntos. Para conhecermos a personagem um do outro!

– Eu não sei, acho que não tenho coragem com você olhando.

– Ué, mas a gente vai contracenar na frente de todo mundo. Você tem que se acostumar comigo, porque vamos ficar juntos o tempo todo!

– Talvez...

– Ótimo! Que tal essa cena! – Naruto me puxou para que nos levantássemos, estávamos de frente um para o outro e ele me mostrou o roteiro.

– Por que logo essa? – Perguntei ruborizada.

– Por que não?! É uma das cenas mais importante e a única que gosto das coisas idiotas que Hektor diz.

– Então, é uma cena muito importante, melhor fazermos com o professor para nos orientar!

– Ah, não gosto de fazer as passagens com o Ebisu-sensei por perto. Ele me deixa nervoso. – Naruto insistiu. – Vai dizer que você não?!

– Ok. – Suspirei derrotada.

– Isso! Vamos começar! – Ele comemorou e voltou os olhos para o roteiro. – Certo! Jardim de Oxford. Noite da formatura. Hektor entrou pelo lado direito e Naja chegou pelo esquerdo. E se viram pela primeira vez depois da perseguição. E...

Naruto descreveu a cena apressado e, com o sorriso enorme, abriu os braços convidativamente, me esperando. O jeito dele foi tão engraçado que não pude segurar o riso.

– Você pode levar isso a serio?! – Eu disse aos risos, lutando para me conter.

– Eu? É você quem esta rindo.

– E como não vou rir com você fazendo palhaçada.

– Não é palhaçada, aqui no roteiro esta escrito: “Naja abraça Hektor calorosamente”.

– Aqui também diz: “Hektor se mantem compenetrado”. E Naja abraça de surpresa, você não pode esperar de braços abertos.

Ele voltou a ler o roteiro mais atentamente e então finalmente, me encarou serio. Eu o fitei pensando como ele conseguia estar rindo em um segundo e no outro se mostrava tão...

– Estou serio, pode vir quando quiser... – Ele disse me tirando dos meus pensamentos.

Dei uma ultima olhada no meu fichário e respirei fundo, era hora de começar a cena:

O abracei fortemente, coloquei meus braços em volta do seu corpo e afundei meu rosto em seu peito, deixando o cheiro do seu perfume me embriagar.

“Fiquei preocupado” – Hektor disse.

“O bastardo mimadinho, preocupado? Sou eu que sempre tá aqui para te salvar”.

“Exatamente, o que seria de mim sem você?”

Então nos separamos brevemente para nos encarar e então eu, Naja, disse:

“Hektor, acabou... Aquele fulano...”

“Eu vi tudo da ponte.” – Hektor estava com seu olhar triste. – “Sinto muito por ser incapaz de fazer alguma coisa.”

“Não sobrou mais nada da minha família.”

“Calma, as coisas não são assim.”

“O que vai ser de mim agora que estou só de verdade?”

“Como só? E eu? O que sou?”

“Um universitário de Oxford... É isso que você é.”

“E você é uma garota de rua...”

“Sim...”

“Quem disse que eu me importo?”

“As outras pessoas se importam, é suficiente, não?!”

“Se você me perguntasse isso a um mês, eu diria que sim...Mas agora a resposta é não.”

“Idiota... Londres nunca vai aceitar a gente.”

“Agora é você quem esta preocupada com a sociedade?!” – Ele disse zombeteiro.



Nos dois rimos conforme estava no roteiro e nos encaramos de novo, mais próximos.



“Fique comigo, Naja. Construiremos uma nova família juntos!”

“Hektor...”

“Te quero por perto para sempre”

Então nos encaramos, olhos nos olhos, fixos. Ele esperava minha próxima ação, mas não consegui me mover, estava novamente hipnotizada pelo seu sorriso.

– E ai?! – Naruto finalmente quebrou o silencio.

– O que?

– Hinata, aqui no roteiro tá escrito: “Naja beija Hektor”.

– A gente não precisa ir tão longe... – Eu me separei dele, dando alguns passos para trás.

– Ah, qual é?! Faz parte da cena, Ebisu-sensei já explicou como é um beijo técnico, certo.

Suspirei... Basicamente, deveria ser o simples toque dos lábios, poderia ser demorado ou curto, mas sem sentimentos pessoais envolvidos, apenas a visão das personagens. Mas como eu poderia saber a diferença, nunca tinha feito isso, nem real, nem técnico.

– Eu não tenho certeza...

– Eu sei que você é uma garota descente e bla,bla,bla, mas isso é só encenação... Sem sentimentos... – Ele disse e sorriu maroto. – Além disso, não deve ser tão ruim assim me beijar, nem de mentira...

– O problema não é esse...

O problema era que eu não conseguia separar meus sentimentos dos personagens, e isso quebrava as regras que o professor impôs. Claro que não poderia contar para ninguém, mas não conseguia separar se estava gostando de “Naruto como Hektor” ou de “Naruto como Naruto”.

Além disso, tinha outra duvida... Se só eu estava nutrindo sentimentos, o beijo seria real ou técnico?!

– Vamos de novo. – Ele disse.

– Tudo bem...

Assumimos nossos lugares, abraçados e Naruto me olhou como Hektor novamente:



“Te quero por perto para sempre”

Então eu toquei meus lábios nos dele. Tive que ficar na ponta dos pés e ele se inclinou um pouco, para podermos nos alcançar. Eu fechei meus olhos e ele firmou seus braços em volta da minha cintura.

Ficamos parados, sem sentimentos, como deveria ser. Mas era bem mecânico, demorou menos de um segundo e nos afastamos.

– Isso foi...

– Ruim... – Eu conclui a frase dele.

– É... – Ele riu um pouco. – Se Ebisu-sensei visse isso já estaria gritando com a gente. – Então me encarou com seriedade. – Melhor tentarmos de novo.

Eu respirei fundo e pensei em como fazer isso. Eu deveria ver como Naja via, não deveria ser Naruto na minha frente e, sim, Hektor, a pessoa por quem Naja foi se apaixonando aos poucos... Não eram meus sentimentos, ou os do Naruto-kun... Apenas Naja e Hektor...



“Te quero por perto para sempre”

Dessa vez ele se inclinou mais e eu não precisei erguer meus pés. Nossos lábios se tocaram, e diferente de antes, ele os moveu para aprofundar o beijo. A novidade me assustou um pouco, mas logo o senti abraçando minha cintura e me tranquilizei, fechando meus olhos.

Foi um beijo longo e quando nos afastamos senti um arrepio, uma vontade de repetir.

– E agora? – Perguntei.

– E-eu... – Ele gaguejou o começo da frase, parecia um pouco nervoso. – Eu não gostei.

– Não?!

– Isso esta longe de bom, Hinata. – Naruto disse simples e desviou o olhar, coçando a cabeça sem jeito. – Mas talvez se a gente... Tentar outra vez...

Era estranho ver Naruto assim, pensei que ele riria ou faria alguma piada do “beijo falho”, entretanto, ele parecia incomodado. Talvez não estivesse gostando dessa experiência tanto quanto eu.

Ele se pôs a minha frente de novo, assumindo o personagem e eu o abracei como antes.



“Eu quero você”.

Eu o olhei confusa por ele falar errado, pois já havia encenado essa parte três vezes antes. Como conseguiu errar agora?

– A fala não é assim, Naruto-kun.

– Deveria ser...

Então ele tomou meus lábios e me abraçou, puxando-me mais para si, os movimentos que fazia estavam sincronizados aos meus. Senti sua língua pedindo passagem e deixei-o livre para fazer o que quisesse, repeti a forma que se movia retribuindo igualmente aquele beijo.

Senti-me arrepiada de novo conforme fui percebendo o quanto aquilo era bom.

Quando nos separamos, ainda ficamos abraçados um tempo. Ele parecia satisfeito e, de certa forma, eu também estava... Isso significava que não precisaríamos ensaiar mais?! Me senti triste e frustrada, eu queria sentir aquele calafrio de novo. Queria mais daquele beijo.

– Ebisu-sensei é bastante perfeccionista então... – Eu disse sem pensar muito, as palavras simplesmente saíram.

– Acho que precisamos praticar mais. – Naruto concluiu minha frase e eu apenas acenei com a cabeça, concordando.

Nos beijamos de novo de forma tão boa e desejosa quanto o ultimo. Embora não conseguisse dizer quando atravessamos o limite, nem saber separar sentimentos reais da ficção...

Mesmo com minha inexperiência eu tinha certeza que aquilo estava longe de ser um “beijo técnico”.

***

Hinata sentia novamente o gosto dos lábios de Naruto junto aos seus. Os movimentos suaves que faziam tão sincronizados quanto suas próprias respirações. Sentia os braços dele cercando-a e puxando-a mais para si, perto o bastante para sentir seu coração acelerado batendo contra o peito.

Ela abriu os olhos com essa lembrança de seus ensaios em sua mente, foi uma reação impensada que o clima do momento proporcionou. Assim, notou o sorriso bobo dele se formando ainda em contato com seus lábios, percebeu que nunca foi “técnico” com ele, nem nos ensaios, na peça, ou mesmo agora...

Desceu as mãos, que ainda tocavam o rosto dele, ate o tórax e o empurrou levemente para se separarem.

Naruto não fez resistência e ficou olhando-a por um segundo, mas o desejo e a saudade o encobriram e, por isso, fez menção de se aproximar, buscando sua boca novamente.

– Não. – Hinata virou o rosto no ultimo segundo e o rapaz se conteve para não toca-la, desfazendo o abraço que formaram durante o beijo.

Parecia que só agora a garota se dava conta do que realmente aconteceu, então se virou de costas para ele, numa forma desesperada de esconder o quão vermelho de vergonha seu rosto ficou.

– Me desculpa! Sinto muito mesmo. Não sei o que me deu. – Ela pediu de forma apressada. – Não deveria ter acontecido, nem sei por que fiz isso!

Claro...

Naruto bufou finalmente se dando conta do que ocorrei ali.

Neji e Jiraya estavam certos em tudo que disseram: Hinata não estava pronta para um relacionamento e se viesse a se lembrar de tudo algum dia, com certeza acharia que ele a trouxe ali apenas para tirar algum proveito da sua falta de memoria. Impor essa situação a ela foi golpe baixo.

Se xingando mentalmente pela burrice que estava preste a fazer, ele a encarou o mais calmo possível e disse:

– Nada haver você ficar nervosa assim, Hinata. Não foi nada de mais.

– C-como assim... Nós acabamos de...

– Você só se lembrou da cena... Normal, não é? Depois que eu repassei e descrevi tudo para você...

Ela se virou para ele de novo, ainda mantendo a cabeça baixa, sem querer encara-lo diretamente.

– Isso que fizemos... – Ela não queria concluir, mas usou um tom de pergunta.

– Nós fazíamos essa mesma cena três vezes por semana durante quatro meses, sem falar nos ensaios diários. – Naruto fingia um tom casual. – Claro que acabaria se lembrando de alguma coisa.

– Eu agi por impulso...

– Eu que devo me desculpar. – Ele sorriu, mas a morena podia ver um toque de tristeza em seus olhos. – Você já me disse que fica confusa às vezes, eu deveria ter bom senso e não te provocar tanto assim.

– A culpa foi minha também, por me deixar levar...

Eles ficaram calados, um fugindo do olhar do outro. Naruto tinha a sensação de que esse era o mesmo clima que ficou entre eles quando ele se declarou em Suna. Lembrou-se que ela não queria nem deixa-lo toca-la depois daquilo.

Observando-a sentada ali no palco, tristonha, tímida e confusa, ele esticou o braço para segurar a sua mão e ela sutilmente cruzou os braços para fugir do toque. Ela fez o mesmo em Suna... Exatamente da mesma forma...

– Acho que estou preso em algum tipo de déjà vu bizarro! – Naruto disse extravagante se deitando no chão do palco com as mãos sobre a face.

– O que?! – Ela perguntou confusa.

– Ora, você não se sente assim as vezes? – Ele a olhou agora, entre os dedos que cobriam o rosto. – Como se estivesse fazendo coisas repetidas de novo e de novo...

Ela percebeu que ele queria agir normalmente e fingir que nada aconteceu, ou que nada mudou. Machucava ver que o que acabara de acontecer não significava tanto para ele quanto para ela, mesmo assim, viu que seria mais fácil para ambos se as coisas fossem assim, então decidiu fazer o mesmo e prosseguir com a conversa.

Mas era estranho...

Sentia mesmo uma sensação de déjà vu com esse clima que se estabeleceu depois do... Beijo...

– Acho que não vou querer ler o roteiro da peça... – Ela disse simples.

– Por que não?

– Porque vai acontecer igual aquele livro que você me deu, “As Cronicas de um Ninja”.

– Como assim? Você não gostou? – Ele se sentou apressado para encara-la.

– Eu comecei a ler, mas ai eu ficava lembrando do que aconteceria nas outras partes da historia... Acabava dando Spoiler para mim mesma, não tinha graça...

– Spoiler? – Naruto começou a rir, geralmente era ele quem fazia piadas, mas gostava do senso de humor de Hinata. – Você é tão boba.

De alguma forma, o clima estranho desapareceu conforme os sons da risada de Naruto propagaram pelo ambiente, tranquilizando também os pensamentos de Hinata.

Ela sentia que podia faze-lo feliz e percebeu que gostava de saber que era a causadora daquele sorriso, queria estar sempre presente para não permitir que ele desaparecesse.

– Aquele livro foi um presente importante, sabia?! – Naruto disse enfim.

– Eu sei que foi.

– Sabe é?! Então me diz por que? – Ele perguntou em tom divertido e provocativo.

– Por causa do nome do Protagonista. – Ela respondeu simples com o mesmo tom e o encarou de perto. – Estou errada, Naruto-kun?!

Ele abriu um enorme sorriso, não só por ela se lembrar do porque de ter ganhado aquele livro, mas também por ouvi-la chamando com o sufixo “Naruto-kun” novamente. Aquilo lhe trouxe um alivio inimaginável. Ela não havia falado assim em nenhum momento desde que despertou do coma, mas ele não sabia que sentia falta desse tratamento, ate agora.

– Você se parece muito com você mesma, às vezes...

– Eu me sinto como eu mesma às vezes... – Hinata sorriu.

Estando ali com ela, naquele palco, conversando normalmente depois de terem se beijado...

Era o momento que Naruto sempre esperou, a hora certa para falar o que sentia, explicar o que havia entre eles e como tudo mudou depois da briga e do acidente.

Entretanto se encontrava completamente paralisado, fitando os olhos dela, o sorriso dela. Estavam a centímetros um do outro, novamente com uma proximidade perigosa, e não conseguia dizer nada que estragasse aquelas feições tão magnificas.

Algo precisava mesmo ser dito? Não, estava convencido de que ações diziam mais que qualquer palavra. Não importava que era errado ou se brigariam depois, precisava tê-la consigo imediatamente, beija-la, ama-la...

Porem, subitamente, ela ficou de pé, se distanciando e quebrando a linha de raciocínio de Naruto.

– Hinata?

– Vamos voltar? O horário de almoço deve estar quase no fim.

– Tem razão... – Ele sorriu sem graça.

Estava diferente, Hinata podia sentir, algo mudou em seu interior. Era uma paz que não conseguia explicar. Será que poderia ter sido assim no passado? Não lembrava, mas queria que fosse, pelo menos enquanto estivesse com o rapaz por perto.

Ela sabia que o beijo foi um ato impensado do momento, mas também sabia que quase veio a se repetir duas vezes nesses poucos minutos posteriores. E não era só isso, havia algo mais entre Naruto e ela que precisava descobrir, não podia deixar seus sentimentos se misturarem de novo, não agora que estavam tão esclarecidos.

Havia a amnesia, o medo latente e as lembranças obscuras que sempre a tirava dos trilhos, mas, ainda sim, queria guardar uma certeza consigo: Estava apaixonada por Naruto Uzumaki...

***

Acabaram de chegar ao refeitório, se serviram e foram ate uma mesa vazia. O loiro buscava por Neji e Sakura no local, mas não os encontrava. Hinata, por outro lado, estava mais preocupada em se sentar, por ficarem muito tempo no chão do palco, o joelho dela começou a doer um pouco, mas ela fez o máximo para disfarçar enquanto caminhavam ate ali, para que Naruto não notasse.

– Olha só, pensei que a gente se atrasaria e somos nós que temos que esperar... – Ele disse se sentando ao lado dela.

– Acho que eles foram procurar a gente. Nós perdemos muito tempo no auditório. – Hinata disse.

– Eu não diria que perdemos tempo... – Naruto sorriu.

Ficou corada ao ouvi-lo, sabendo que falava do beijo, para disfarçar, apenas disse:

– Você não pode ligar para a Sakura ou para o Neji-niisan?!

– Boa ideia. Vou mandar uma mensagem e... – Naruto disse tateando os bolsos. – Ei... Cadê o meu celular?!

– Não guardou na mochila?

– Não eu sempre deixo no bolso.

– Eu posso emprestar o meu... – Ela disse olhando sua bolsa. – Também não esta aqui.

– Como é?! – Ele pensou um pouco e percebeu. – Hinata, você pegou o seu celular depois da aula de química?!

– Não, eu recebi as mensagens e você tirou ele de mim.

– Aah! Então foi lá que a gente esqueceu! – Ele bufou finalmente se dando conta. – Vamos pega-los de volta antes que levem para sala dos professores. – Naruto a segurou pela mão já puxando-a, mas Hinata se deteve.

Seria bom ficar sozinha para pensar um pouco em tudo, de preferencia sem ter ele e seu sorriso por perto para influenciá-la.

Além disso, não queria andar mais, Tsunade já avisara que ela se cansaria mais rápido, já que não estava mais tão habituada a andar desde o coma.

– Eu prefiro ficar aqui e esperar. Você pode ir.

– Bem, se você não vai, eu não vou. Não quero te deixar sozinha aqui.

– Mas eu prefiro que você vá.

Naruto conseguia lê-la muito bem agora, estava agindo como a antiga Hinata e seu olhar era transparente para ele, percebeu que queria ficar sozinha, talvez precisasse de um tempo para pensar. E realmente tinham muito que pensar depois daquele beijo.

Mas ainda assim, não queria cogitar a ideia de deixa-la sozinha e desprotegida no refeitório. Tanta coisa podia acontecer... Onde Neji esta quando se precisa, hein?

Olhou em volta por um segundo e viu um dos amigos, chamou-o:

– Shino!

– Naruto, Sakura estava procurando vocês dois. – Shino disse chegando ate eles.

– Você sabe onde ela e o Neji-niisan foram? – Hinata perguntou.

– Hum, não. Mas vocês deram um bolo neles, não devem estar contentes.

– Haha, se eles soubessem o que aconteceu para nos atrasarmos...

– Naruto-kun. – Hinata o repreendeu tímida.

Sabia que ele se referia ao beijo e sentia vergonha da forma tão natural que falava. Ficava ainda mais sem graça por chama-lo pelo sufixo, já se lembrava antes que o chamava assim, mas agora parecia que algo tinha estalado em sua cabeça e não conseguia nem pensar em chama-lo de outra forma.

– Que foi? Não disse nada de mais. – Naruto riu a reação dela.

– Acho que não entendi a piada... – Shino disse para si mesmo encarando-os meio depreciado.

– Shino, você pode ir falar com o Iruka-sensei? Esqueci meu celular na aula dele.

– Se o celular é seu, ele não vai entregar para mim.

– Verdade... – O loiro pensou um pouco. – Ei, você cuida da Hinata ate eu voltar?!

– Eu não sou uma criança de cinco anos, posso ficar muito bem sozinha. – A garota o contrariou, ofendida, da forma com que ele falou, parecia que ela não era capaz de cuidar de si mesma.

– Tá, eu fico! – Shino disse firme.

– Não precisa, Shino-kun. Você deve ter mais o que fazer.

– Qual é a diferença se eu for almoçar naquela mesa ou nesta aqui com você?! Não há diferença... – Shino disse simples e então a encarou, ajeitando os óculos escuros. – A não ser que você não queria minha companhia.

– Eu não quis dizer isso! – Ela se surpreendeu com a interpretação dele.

Naruto estava se divertindo com a cara que a garota fez, claro que ela não se lembrava do quão neurótico e temperamental Shino poderia ser.

– Assim você vai ferir os sentimentos dele, Hinata!

– Não, ele é que está... Interpretando mal... – Ela dizia, mas acabou se dando por vencida.

– Muito bem, eu já volto. – Naruto disse sorrindo e então deu uns tapinhas leves no ombro do Shino. – Valeu pela ajuda e não deixe ela aceitar doces de estranho!

– Ele esta mesmo me tratando como uma criança... – Hinata suspirou vendo Naruto sumir entre as pessoas do refeitório.

– Você deve aprender a levar as coisas mais na brincadeira. – Shino disse.

– Olha quem fala, não é...

Começou a comer, um pouco quieta, queria um tempo para pensar sobre o que estava acontecendo e o que estava sentindo, mas, agora que Shino estava ali, seria indelicado não conversar com ele.

– Então, onde Naruto e você estavam para se atrasarem assim?!

– Ele me levou ao auditório. – Hinata respondeu um pouco desconfortável com a pergunta, acrescentando. – Para tocar piano.

– Ah, sim, por isso perderam a noção do tempo...

Suspirou percebendo que teria que deixar seus devaneios para outra hora.

***

Enquanto Naruto andava pelo corredor, se lembrava do beijo que tiveram a pouco... Sabia que não era justo, mas foi ela quem o beijou, então ainda sentia algo por ele. Os sentimentos dela ainda estavam guardados em algum lugar, ele só precisava descobrir como arranca-los para fora.

Mesmo com tudo que Neji disse sobre ela não estar pronta para romance e ter que esperar ela se recuperar... Senti-la em seus braços de novo, o beijando de novo, foi tão bom que ele ate se lembrou dos tempos de ensaio, onde nada era complicado, apenas estavam juntos e faziam o que queriam...

As gargalhadas eram constantes: a cada erro, acerto ou simplesmente por ser difícil de imagina-los, na vida real, falando algo dos personagens.

E quando viu-a contracenando pela primeira vez... Naruto nunca ficou tão maravilhado, sabia o quanto gostava da personalidade de Naja, mas vê-la sendo interpretada por Hinata dera a ele uma visão diferente das coisas. A interpretação da garota dera um toque de sensibilidade que ele nunca percebeu que fazia falta. Não era mais tão feroz quanto ele imaginava, mas parecia muito mais expressiva, guerreira e sonhadora. Definitivamente mais “apaixonante”.

Durante aquele tempo ele desejava que a exibição da peça fosse prorrogado, pra poder ter mais motivos para continuar com ela, a beijando a cada apresentação ou ensaio.

Era sua única preocupação na época, ate que os problemas de verdade começaram...

– Iruka-sensei! – Naruto o avistou. – Eu estava te procurando.

– Deixe-me adivinhar. – O professor tirou o celular da mochila. – Por causa disso?

– É! Sabia que tinha esquecido na sala.

– Eu já estava levando para a minha gaveta!

– É maldade! Já sabia que era o meu... – Naruto pegou de volta e encarou. – O da Hinata estava junto, não é?!

– Sim, esta aqui. – O professor deu uns tapinhas no bolso da mochila.

– Pode deixar que eu levo para ela.

– Não, se a Srta. Hyuuga quiser, ela que venha pegar.

– Ah, qual é?! Hinata ia vir comigo, mas ela se cansa fácil e não pode andar muito.

– Então depois ela vai pegar na sala dos professores!

– Ah, da um tempo, eu estou falando que entrego!

– Naruto, celulares hoje em dia são coisas serias, existe muita informação privada nesses aparelhos. Não posso apenas entregar a qualquer um.

– Mas eu não sou qualquer um para a Hinata, você sabe!

Naruto e Iruka se encararam. O rapaz com um olhar desafiante, e o professor de forma pensativa.

– Então, como estão as coisas?

– Ah, você viu na aula. Parece que vou ter que começar tudo de novo, mas eu não me importo, ela vale o esforço...

– É bom ser jovem. – Iruka riu um pouco. – E sobre aquilo que conversamos? O problema com o pai dela?!

– Não, o velho “chefe Hiashi” esta mansinho ultimamente. Acho que tá com medo da Hinata se lembrar de alguma coisa das brigas deles, por isso a trata bem.

– Melhor para você que ganha um sogro “mansinho”, não é?!

– É, sim, por um tempo, pelo menos.

O professor o analisou por um segundo, então abriu a mochila e entregou o celular da garota.

– Não faça besteira, se não o castigo será em dobro. – Iruka avisou.

– Eu nunca faço... – Naruto deu um sorriso confiante. – É melhor eu voltar agora, ela tá me esperando.

Enquanto voltava pensava na ‘ameaça’ do castigo em dobro e em como Iruka-sensei era paranoico. Que tipo de besteira ele poderia fazer com um celular, Hinata não mexia em contas bancarias, ou nada assim pelo aparelho, também fazia meses que nem chegava perto das redes sociais, na verdade ela nunca se interessou muito por isso.

Hum... Pensado bem, é comum receber mensagens de apoio após um acidente... Será que ela já viu as mensagens dela? O que será que mandaram?! Alguém poderia falar sobre aqueles malditos boatos idiotas... Bem, não iria fazer mal dar uma espiada para ter certeza que a garota não teria surpresas desagradáveis.

Tomado pela curiosidade, Naruto ligou o celular, mas antes de entrar no menu, se viu com as inúmeras fotos abertas ao acaso na tela. Aquelas que foram enviadas mais cedo...

Bufou, constatando que garotas não têm limites... Por que enviar isso apenas para chateá-la?! Sorte dele que Hinata sempre teve um autocontrole absurdo, mesmo quando sentia ciúmes.

Percebeu que havia uma mensagem não lida... Realmente se lembrou de não ter deixado ela continuar vendo as fotos, tirou o celular dela e por isso esqueceram na sala. Era possível que alguma tenha deixado passar.

Ficou curioso ao ver quem viera importunar a Hyuuga por ultimo e clicou no ícone da mensagem. Se surpreendeu por reconhecer o nome do contato e não se conteve em ler o texto que mandara.

– Filho da puta!

***

Conversaram um pouco mais enquanto comiam e o tempo foi passando. Logo Naruto voltaria e provavelmente não a deixaria sozinha de novo tão cedo, então decidiu perguntar de uma vez:

– Shino-kun, você sabe onde eu posso conseguir uma copia do roteiro da peça que fiz com Naruto-kun?

– Deve haver algum na biblioteca, mas garanto que Naruto guardou a copia dele, você poderia pedir.

– Ele disse que conseguiria para mim, mas não quero que ele saiba que eu quero ler.

– Por que não?!

Hinata deu os ombros, não sabia o que responder, nem como explicar que se lembrara dos ensaios aos beijos com o Naruto e queria checar a historia para ver se mais lembranças do tipo eram despertadas.

Porem, antes de pensar na resposta, ela avistou um rapaz vindo em sua direção. De alguma forma, reconheceu seu cabelo liso, espetado e escuro, sua expressão rígida e fria e seus olhos emanando uma sensação de puro ódio.

Ele não era só familiar, ela sentia que o conhecia de verdade e se levantou em um ato totalmente instintivo, com um medo irreal a dominando gradativamente.

Apesar de Hinata tê-lo visto primeiro, Shino logo foi ao encontro o rapaz que se aproximava.

– Vamos com calma, uma boa conversa pode... – Shino dizia, mas o outro simplesmente o empurrou para o lado passando sem dar nenhuma atenção a ele.

A garota estava paralisada, com os olhos vidrados naquele que por algum motivo a fazia estremecer de medo. Era um sentimento familiar ao que sentia em seus maiores pesadelos, quase como se estivesse vendo o mesmo homem a sua frente, bastavam apenas os olhos vermelhos e um monstro envolto do corpo.

– Hinata...

Ela ouviu-o falando e a própria voz de ódio lhe causava um certo arrepio, porem ele não concluiu o que dizia, alguém o segurou forte pelo ombro interrompendo-o.

– Algumas vezes conversar não adianta...

Shino lhe acertou um soco tão forte que quase o fez perder o equilíbrio, o rapaz dera alguns passos cambaleantes para trás.

– Sai da minha frente ou vai ser pior para você.

– Eu não gosto de ser ignorado... – Shino disse.

O rapaz de ajeitou o óculos escuros e correu, pulando sobre o outro e empurrando-o, para que caísse de costas sobre uma das mesas. Agarrou-o pelo colarinho, acertando mais alguns socos, porem, logo fora distanciado por um chupe que o jogou longe.

Hinata não entendia por que aqueles dois estavam brigando, mas sentia que era por causa dela e, de certa forma, torcia para que Shino ganhasse. Não sabia se deveria chamar ajuda ou tentar separa-los ela mesma, mas já viu uma roda de pessoas em volta observando o combate. Muitos espectadores e nenhum amigo para aparta-los.

Logo viu aquele rapaz acertar seu amigo e derruba-lo facilmente, três socos bem colocados foram o suficiente para que Shino não se levantasse mais.

Ela viu o moreno ajeitar a roupa, limpar o sangue da boca e voltar a ir em sua direção. Com medo, tentou se distanciar andando para trás, mas descobriu que estava encurralada pela parede. Os vários alunos que estavam em volta assistindo sem nenhuma coragem de interferir pareciam barreiras ainda mais solidas. A garota não tinha para onde ir...

– Você se acha muito esperta, não é?! – Ele disse parando a menos de um metro de distancia encarando-a feroz.

– Q-quem é...?! – Foi tudo que conseguiu falar, e ainda assim saiu de forma gaga de tanto nervosismo.

– Nem vem! – Ele disse com um sorriso cínico. – Eu não caio nessa sua brincadeira estupida de amnesia!

Hinata estava chorando agora, não sabia bem por que, mas não conseguia conter as lagrimas. O queria longe, apenas a presença dele já a fazia mal, deixa sua cabeça dolorida e sua mente confusa.

– Eu não sei do que...

– Eu quero de volta, Hinata! E você vai me dizer onde escondeu e...

Antes de concluir o que dizia, ele olhou em volta e, vendo os curiosos prestando a atenção em cada palavra, avançou para ela, agarrando-a pelo braço de forma possessiva.

– Vamos sair daqui e conversar a sós!

– Sasuke!!

Então Hinata viu o loiro surgir, empurrando as pessoas para adentrar na rodinha formada. Naruto foi ate eles a passos largos, ficando entre Hinata e Sasuke de forma protetora, esticando o braço para criar distancia entre eles e o Uchiha.

– Naruto-kun...

– Não basta a surra que eu dei em você e no Neji... – Sasuke dizia rindo, não oferecendo resistência a permanência do loiro a frente de Hinata. – Você ainda aparece querendo mais?!

– Se afasta dela! Se afasta dela agora!

– Não se intrometa, isso é entre minha noiva e eu!

– Ela não é mais nada sua! – Naruto disse raivoso.

– A Hinata e eu temos assuntos íntimos que você nunca vai entender!

– Cala boca!

– Ela esta enganando você, idiota! Esta enganando a todos nós! Fingindo esse tempo todo!

Naruto não aguentou, partiu para cima disposto a matar aquele bastardo com as próprias mãos. Hinata, por outro lado, estava praticamente perdida enquanto via os dois rapazes atracados no chão trocando chutes e socos. Shino surgiu de repente, puxando-a gentilmente para longe, numa forma de protege-la.

Ela não sabia o que fazer, ou que pensar, nada que ouvia ou via fazia qualquer sentido logico. Noiva... Assuntos íntimos... Enganando ou fingindo... Surra em Neji e em Naruto... Quem era esse rapaz?! Por que ninguém nunca falou dele para ela?

Sentia as coisas sequenciando rápidas de mais, mal podendo ver quem aparecia para separar a briga, não conseguindo distinguir mais quem era quem ali em meio aos socos e insultos que ainda trocavam, mesmo separados.

Ela via as pessoas em volta torcendo ou comemorando em favor da briga, mas era estranho... As imagens em frente aos seus olhos lhe pareciam um tanto sem sentindo, fosca ou distorcida pelo nervosismo que a encobria. Não conseguia ouvir direito também, sua dor de cabeça parecia amortecer os sons que chegavam ate os seus ouvidos, deixando-os previamente surdos.

Não existia mais controle cardíaco, parecia que seu coração batia cada segundo num compasso diferente, deixando falhas que causavam uma dor quase agonizante.

Sua respiração sessou simultaneamente. Simplesmente se paralisou como o resto do seu corpo, sem reação nenhuma a qualquer estimulo mesmo sabendo que alguém perto falava com ela ou questionava sobre o que aconteceu.

Suas forças foram se esvaindo aos poucos, deixando lugar para uma fraqueza mortal, começando das pernas, passando pelo tronco e os braços, ate chegar a cabeça.

Era isso que sentia... Já havia sentido isso antes, naquela vez no hospital... Reconhecia bem o que era... A morte...

Sem nenhuma outra opção e fraca de mais para resistir, deixou-se levar por ela...

– Hinata?! – Shino a segurou em meio a queda, antes atingisse o chão.

O tempo pareceu parar no exato momento em que todos perceberam o que acontecera com a garota. Acabou as brigas, sermão dos professores ou vaias dos alunos, todas as atenções voltaram-se para Hinata...

O ódio de Naruto se dissipou ao vê-la ali jogada nos braços de Shino, respirando de forma cerrada e desregular, suas mãos tremiam e calafrios faziam sua pele ficar arrepiada.

Ele via e não acreditava, de novo aquilo acontecia, de novo por culpa de Sasuke...

Não se conteve, se livrou do professor que o segurou para impedir a briga e correu ate a garota. O que faria para ajudar pensava depois... Só queria gritar por ela e faze-la acordar, mesmo assim, no desespero, foi o primeiro a tomar uma iniciativa.

Ainda estava consciente, vendo e ouvindo coisas sem sentido, quando sentiu seu corpo sendo suspenso e carregado para algum lugar e depois depositado. Seus olhos estavam abertos, mas era como se não estivessem, apenas borrões e machas pintavam seu campo de visão...

– Hinata! – Ela, de alguma forma, reconheceu sua voz, mas ainda era um sussurro distante.

– Naruto-kun...

Então viu nitidamente o rapaz loiro a sua frente, como simplesmente tomasse forma, olhando-a assustado, desesperado... Era como estar no dia do acidente de novo, ela inerte esperando o fim e ele segurando sua mão tentando puxa-la de volta a vida.

Parecia que ele tinha mesmo esse poder, pois, quando sentiu-o tocando seu rosto, ela conseguiu respirar de novo, profundamente e sem esforço. Mas um cansaço descomunal a fez ver manchas de novo e não podia mais ouvir o que quer que ele falava, mesmo lutando para se manter acordada...

Tudo ficou escuro e silencioso de repente.

Notas finais
O capitulo já acabou? Incrível que eu não escrevi quase nada e quando fui perceber já tinha mais de 15 pag. Tive que parar ai, espero que entendam =) Um dos muitos segredos revelados haha Quem ai ja sabia quem era o namorado da Hinata?! Quem achava que era outra pessoa? Quero saber suas teorias sobre o passado que os liga... Comentem quem quiser =). Nesse tempo estive pensando bastante no futuro da historia e... A partir dos próximos capitulos, vamos começar com o desvendar dos mistérios e as coisas podem ficar um pouco sombrias e obscuras... (Vocês nem imaginam o que tenho pensado hehe) Obrigada por ler e ate o próximo =)