O Deus Sem Nome e o Galho de Álamo
11 Sou rejeitada pelo Oráculo
Notas iniciais
P.S: Eu quero dizer que vocês conseguiram batem minha meta de chegar no capitulo 10 com 30 comentários! vamos para as próximas? que tal 50 comentários até o cap. 15? e Três recomendações até o 20? me ajudem!
Os dois dias que se seguiram ao captura à bandeira foram os mais animados desde minha chegada ao Acampamento. O chalé 7, que agora liderava um dos times, estava formando boas alianças para o próximo jogo, e meus irmãos estavam confiantes de que pudéssemos ganhar novamente. Além disso, Will e Joonie me apelidaram de “A Capturadora”, que era um nome ridículo, mas que acabou pegando. Não se passava um dia sequer sem que eles ou meus irmãos me lembrassem da minha vitória sobre Ares. Eu, é claro, estava feliz de vê-los tão animados, mas não queria desapontar suas expectativas. E também, admito, estava com um pouco de medo, já que os carrancudos do chalé 5 me fuzilavam sempre que me viam. Especialmente Valerie, que agora usava ataduras na nuca, onde eu a havia acertado.
Mal eu sabia que não chagaria a participar da próxima partida do jogo de guerra.
Aconteceu numa manhã de segunda-feira, durante o café. Meus irmão e eu estávamos discutindo sobre as vantagens de se usar espada ao invés de arco-e-flechas (apenas Dylan concordava comigo. Espada é melhor, todo mundo sabe disso!), quando ouvimos os cascos de Quíron contra o chão de mármore.
–Todos os conselheiros- anunciou- estão liberados de suas atividades hoje.
Ninguém protestou, ou fez nenhum comentário. Quíron parecia meio tenso, e eu nunca havia o visto assim, mas sua voz soava firme como sempre. Aquilo, a reunião de conselheiros, significava que Dylan não estaria conosco durante uma boa parte do dia, e que Todd regeria o ensaio, mas para o resto de nós não mudava muita coisa.
–Ah, sim- continuou Quíron, depois que Sr. D sussurrou algo em seu ouvido. Todos o olharam novamente- Rose Leonards, você também.
Essa não! Essa não! Essa não! O que eu fiz dessa vez? Eu não era conselheira, então se estavam me incluindo na reunião, só podia significar uma coisa: Problema para o meu lado!
Depois que todos terminaram o café, todos foram para suas atividades, com exceção, é claro, dos outros vinte e um conselheiros, Quíron , em sua forma humana, e Sr. D. Provavelmente porque já haviam duas pessoas em nossa mesa, eles se sentaram conosco, Joonie, que era a conselheira de Éolo, ao meu lado.
–Então...-disse Colin Stoll, do chalé de Hermes- qual é a boa, Quíron?
–Humm, a “boa”- Quíron gesticulou com as mãos-, eu receio, não é nenhuma. Já faz algumas semanas, Rachel veio me ver. Disse que estava pressentindo uma profecia, e precisava de alguém para testemunha-la.
Rachel, para quem não sabe, é o oráculo do Acampamento. Uma mulher de uns trinta e muitos ou quarenta e poucos anos, com cabelos ruivos e espessos, que descem ondulando até sua cintura.
–E, de fato- continuou- foi o que aconteceu. Depois disso, enviei a profecia ao Olimpo, mas antes de mostra-la a vocês, acho que devo contar uma história.
–A mais de mil anos, quando Héstia ainda era um dos Olimpianos- Sr. D soltou um murmúrio baixinho ao ouvir isso- , um menino apareceu no Monte Olimpo, que ainda ficava na Grécia. Ele não tinha mais de cinco meses, então Zeus e Hera, apiedando-se dele, o adotaram e criaram como se fosse seu filho. Evidentemente, o menino era um imortal, um deus, se preferirem.
–Sete anos se passarem, sem que os outros deuses descobrissem um atributo sequer por parte do menino. Um pouco antes de completar nove anos, ele começou a demonstrar habilidades estranhamente parecidas com as de Zeus, com quem passava a maior parte do tempo. Era um líder nato, e tinha fascínio por raios e trovões. Então, começou a demonstrar habilidades parecidas com as de Hera, então as de Poseidon, e as de Deméter. Em pouco tempo, além dessas ele demonstrou ser tão forte quanto Ares, e tão talentoso quanto Apolo, a mira de Ártemis, a sabedoria de Atena, o jeito com metais e fogo de Hefesto, o charme de Afrodite e as mão leves e velocidade de Hermes. Até mesmo Ártemis, conhecida por odiar os homens convivia com o menino, pois ele era, realmente, encantador. A única deusa que não teve seus poderes copiados pelo menino foi Héstia, que desconfiava dele desde o início.
–Os mortais da Grécia, que já haviam construído alguns templos para o menino, seguindo comendo de Zeus, não tinham a menor ideia da confusão que aquela criança estava causando. Bom, depois de um tempo, os deuses começaram a teme-lo, e com motivos, pois o garoto havia se tornado cruel e manipulador. Os Olimpianos tiveram de tomar uma decisão drástica: Expulsaram-no do Olimpo, e apagaram seu nome dos templos, e do povo grego. É por isso que existem, até hoje, templos dedicados ao “Deus Sem Nome” espalhados pela Grécia.
–Durante milênios, os deuses temeram o retorno do menino, mas como isso nunca aconteceu, simplesmente pararam de se preocupar. Mas parece... parece que chegou a hora. Estamos vivendo a terceira Grande profecia.
Todos os presentes na mesa, tinham um olhar de incredulidade e espanto estampado nos rostos, e as palavras de Quíron deixaram-nos em meio a um silêncio pesado e tenso. Depois de Alguns minutos, Colin tentou quebrar o gelo:
–E qual é a profecia, Quíron?
–Ah, sim- respondeu, empertigando-se em sua cadeira de rodas. Ele retirou um pequeno pedaço de papel de dentro do bolso do casaco de tweed e, quando leu o quer havia escrito, suas palavras pareceram ecoar no espaço.
O que até pouco era sem nome ao poder ascenderá.
Sem ajuda da magia o Olimpo não trunfará.
O mundo inteiro nas mãos dele congelado ficará,
E à Princesa do Sol a escolha caberá.
E então eu, finalmente entendi o porque de estar ali.
–Princesa do sol...- disse Dylan- Rose?
–Não, mas é claro que não!- disse uma voz grave no fim da mesa. Valerie- É impossível que uma grande profecia se refira a essa mosca tonta!
–mas eu não entendo!- falei, ignorando o comentário- “Princesa do Sol” pode se referir a qualquer outra filha de Apolo, certo?
–Não, Rose- respondeu Dylan- Sinto muito, mas não. Quando alguém é reclamado como filho de Apolo, uma lira aparece flutuando sobre sua cabeça e, quem quer que nos anuncie, nos chama de “Filho do Deus do Sol”, simplesmente. Mas não foi o que aconteceu com você. Você foi reclamada a moda antiga, como nosso pai costumava fazer a mais de duzentos anos atrás, quando seus filhos eram chamados de príncipes e princesas do sol.
–e porque ele parou de fazer isso?
–Ah, sabe, pra ficar mais padrão. Os mortais ficavam inventando teorias ridículas sobre aliens e coisas do tipo, mas isso não importa! O que importa é que você é a única princesa em muito, muito tempo!
–Então eu renuncio à coroa!
Os outros acompanhavam a discussão como se fosse uma partida de tênis.
–Eu queria que fosse tão fácil, maninha. Mas é impossível negar que você é especial.
–Eu não sou... especial!
–Ah, não? Você é a primeira princesa em duzentos anos, a primeira a capturar a bandeira para nós em três, e, em quinhentos anos, a primeira Orfé... AI! Porque você fez isso?
–Desculpe- falei, envergonhada pela cotovelada que havia dado em suas costelas. Enfiei as mãos no rosto. Era muita informação!
–Que ela é o que?- perguntou Quíron, alarmado de repente.
–Nada que seja realmente importante- respondi.
–Dylan, você não ia falar Orféia, ia?
–Humm, não! Claro que não! Que ideia. Porque você acha que eu... tudo bem, a Rose é Orféia!
–Obrigada pela força, irmão.
Os outros soltaram exclamações surpresas, com exceção dos conselheiros de Afrodite, Hebe e Perséfone, que faziam parte do coral e já sabiam. Até mesmo Valerie parecia surpresa.
–ah, Rose!- exclamou Joonie- Porque você não me disse?
–Eu não disse pra ninguém, nem mesmo para o Will. Só o pessoal do coral sabia.
–E é melhor que continue assim- disse Quíron, que parecia preocupado- eu não quero comentários sobre isso com ninguém, entenderam?- ele soltou um longo suspiro e continuou- ainda temos assuntos para tratar.
–Mas é claro que temos!- falou uma menina sentada à frente de Colin. Tinham cabelos tão negros que pareciam grafite, e olhos amarelos felinos, com fendas no lugar das pupilas- Acho que não estão prestando atenção na parte da magia.
Tive a sensação de ser espetada nas costas. Eu nem havia me apegado muito a essa parte, mas agora eu percebia o quanto era importante. Quíron e eu trocamos um olhar rápido, ele estava pensando o mesmo que eu.
–Ah, nem vem, Crissie!- avisou Colin à menina, que devia ter uns quinze anos- Isso não tem nada a ver com a sua mãe!
–Não? E você tem algum outro palpite, Stoll? O Oráculo foi claro! Sem a ajuda da magia, o Olimpo não triunfará. O que isso pode significar, se não que precisamos da ajuda de Hécate?
–Crissie, eu não sei se isso tem, ou não, a ver com a sua mãe- mentiu Quíron, interrompendo a discussão-, mas não era bem a isso que me referia quando disse que ainda tínhamos assuntos para tratar.
–É, eu imaginei- disse Colin- Toda a boa guerra começa com um objeto roubado, certo? Fala aí, Quíron, o que foi dessa vez?
–Cale a boca Colin, ou transformo você numa morsa!- Implicou Crissie, a menina dos olhos felinos.
–Vocês podem, por favor, ficarem quietos?- gritei, já irritada com os dois.
–Obrigada, Rose- suspirou Quíron, aliviado- E sim, Colin, um objeto foi roubado.
–E o que foi?- indagou Valerie.
–O Galho de Álamo
–O Galho de O Que?- perguntei.
Um garoto, que não havia falado uma palavra sequer durante toda a reunião, levantou a cabeça nessa hora, e eu pude perceber que ele estivera dormindo esse tempo todo.
–O galho de Álamo!- exclamou- O símbolo de Hipnos, é claro.
–E o que exatamente esse tal galho faz?
–Mas você não sabe nada mesmo, não é?
–Foi mal, eu ainda não tive aula sobre galhos na escola!
Ele revirou os olhos e continuou.
–O galho é um setro de madeira, esculpido numa árvore de Álamo do mundo inferior e banhada no rio Lete. É muito poderoso. Se encostar em você faz com que esqueça de tudo. Não uma amnésia qualquer! Faz que você esquecer de tudo mesmo! Até de como se anda, como se fala... TUDO!
Quando terminou a explicação entusiasmada, caiu com a bochecha na mesa de piquenique de pedra, e começou a roncar.
–Não deve ser muito seguro deixar uma coisa dessas com um deus que só dorme. E, de qualquer forma, porque o tal deus Sem Nome quer isso?
–Pense um pouco, Rose- disse Joonie, com sua voz avoada de sempre- Você está numa guerra e, de repente, todos os seus inimigos começam a agir como recém-nascidos. É uma vitória fácil.
–E é exatamente aí que você entra- disse-me Quíron- Como a profecia se refere a você...
–Querem que o recupere.
–Exato, e leve-o de volta ao Olimpo. Você aceita a missão?
Enfiei as mãos no rosto novamente. Alguém precisava de mim, e isso era novidade. Mas, por mais que eu não gostasse de admitir, eu esta com medo. Era muita coisa para uma criança de doze anos. Claro, eu não era uma criança normal, eu era... duplamente esquisita. Por fim, me decidi:
–Porque não, certo? Não tem nada de mais em correr o risco de perder a memória- eu estava sendo sarcástica, mas ninguém pareceu se importar, o que era bom, porque eu sou muito sarcástica.
–Ótimo!-disse Quíron, que parecia um pouco mais aliviado- Você ´pode levar dois acompanhantes.
–Humm, tudo bem. Eu escolho Will e Joonie- me virei para ela- se vice quiser, é claro.
–Claro que sim! Vai ser divertido!- eu não entendia bem qual era a diversão, mas assenti com a cabeça.
–Você já pode ir ver a Rachel agora, Rose.
Quando já havia me afastado um pouco da mesa, me virei para Quíron, que me observava atentamente. Eu ainda tinha uma pergunta:
–Qual é o nome? Do deus, eu quero dizer. Antes de terem o apagado de tudo.
–Dárion- a menção do nome fez uma arrepio percorrer minha espinha- O nome dele é Dárion, o deus de todas as coisas.
Assenti com a cabeça e saí correndo em direção à floresta.
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A floresta parecia diferente à luz do sol. Menos assustadora, talvez até bonita. Algumas dríades, ninfas das árvores, andavam pelo local, cantarolando e banhando-se no riacho que atravessava o bosque. Eu tinha que segui-lo para chegar até a pequena gruta, onde Rachel sentava-se entre as pedras ao lado de sua caverna, tentando dar um jeito nos cabelos ruivos e espessos com uma escova de plástico azul.
Ela sorriu quando me viu, e fez sinal para que sentasse na pedra à sua frente, o que eu fiz. Ela parecia mais jovem de perto, apesar das rugas em sua testa.
–Oi, Rose. Suponho que Quíron tenha contado sobre o galho, e a nova grande profecia.
–Contou, mas ela não me parece assim tão grande.
Ela riu quando eu disse aquilo, o que foi estranho, pois eu não estava tentando ser engraçada. Não, eu estava assustada de mais para isso.
–Uma grande profecia não precisa ser necessariamente comprida. Ela apenas indica grandes acontecimentos. Mas acho que não é sobre essa profecia que precisamos falar agora, não é? Você precisa de outra. Nós só temos que... esperar o espirito de Delfos dar sinal.
E nós esperamos. Ficamos cinco minutos em silêncio antes de ela começar a contar sobre as missões em que saiu com Percy e Annabeth Jackson e todos os outros. Algumas das histórias eu já havia lido nos livros do Acampamento, mas era legal ouvir a versão dela, e eu estava realmente interessada.
Quando nos demos por conta do horário, já estávamos uns dez minutos atrasadas para o almoço, então tivemos que nos apressar até o pavilhão refeitório.
Antes de irmos para nossas respectivas mesas, Rachel colocou as mãos em meus ombros e disse:
–Perece que hoje não é seu dia, Rose. Delfos sabe tudo, então é provável que alguma coisa vá acontecer nos próximos dias que mudarão o rumo de algo. Não se preocupe, ok?- depois disso, me deu uma piscadinha e foi sentar-se ao lado de Quíron.
Quando sentei-me à mesa com meus irmãos, todos queriam saber qual era minha profecia, então eu tive de explicar que Delfos não foi com a minha cara, e que resolveu esperar mais um tempinho para fazer suspense. Eles entenderam numa boa, mas essa história estava me dando arrepios, Além do quê, o nome do tal deus ainda ecoava em minha mente: Dárion. Parecia maligno o suficiente para mim.
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