O Deus Sem Nome e o Galho de Álamo
18 Minhas aulas de voo no Capitólio
Notas iniciais
Mandar um review é de graça, quase não ocupa seu tempo e faz bem para o ego da autora. Vamos chegar ao final da fic (mais quatro capítulos, segundo meus cálculos) com 100 reviews? O que acham? Se tiver algum leitor fantasma aí (quem lê e não comenta), apareça, dê sua opinião, eu ficaria muito feliz.
Depois desse meu pequeno escândalo, vamos ao capítulo, que ta meio chatinho, mas eu espero que vocês gostem :D
P.S: Uns capitulos atrás, eu escrevi que o Tanner tinha treze anos. Foi um erro de cálculo, gente, ele acabou de fazer quatorze, desculpem...
Voávamos velozmente sobre a estrada. O vento batendo em meu rosto era agradável, mas eu estava como uma pilha de nervos. Pude ver a cidade de Washington ao longe, o Capitólio, a Casa Branca e o Washington Monument. Eu nunca havia visitado a cidade, mas duvido que teríamos tempo de olhar um dos museus, ou tomar café num Starbucks.
Sem tirar os olhos da “estrada” Eos se abaixou e pegou algo próximo a seus pés.
–Seu pai também me mandou entregar isso- disse ela, estendendo o rolo de inúmeras folhas de papel amarelado. O abri.
–Nossa!- exclamou Tanner apontando para o jornal- Essas fotos estão se mexendo?
Eu e Will sorrimos. As fotos que se moviam já haviam virado rotina para nós, mas era sempre legal ver a surpresa no rosto dos outros. Olhei para a capa do “Profeta Diário”, o jornal bruxo mais popular da Inglaterra. A manchete dizia: Ataque de Dementadores no vilarejo de Hogsmeade.
–Na tarde de dezoito de julho, a pequena cidade de Hogsmeade sofreu um grande ataque de Dementadores- li em voz alta- Eles estavam armados com varinhas, provavelmente as mesmas saqueadas da loja Olivanders, no Beco Diagonal, cinco dias atrás. Os moradores do vilarejo se posicionaram contra o ataque e expulsaram os Dementadores com a ajuda dos alunos e professores da escola de Hogwarts, que visitavam o local, como de costume. Poucos saíram feridos, assim como a própria diretora da escola, Minerva McGonagall e, depois de alguns quilos de chocolate oferecidos pela doceria Dedosdemel, todos passam bem. Dois alunos foram beijados e estão internados no St. Mungus.
Abaixo da notícia, a foto de Nathan Callidan, da Lufa-Lufa, e de Alaska Kaine, uma colega de Casa, jaziam as condolências do jornal às famílias. Eu conhecia os dois de passagem, é claro, mas não pude deixar de me preocupar com a Professora McGonagall.
–Eles foram beijados?- perguntou Tyler, confuso- O que isso significa.
–O beijo do dementador- falei- É quando eles sugam a sua Alma por completo. O beijo não mata, mas faz com que a pessoa se torne um ser inválido, sem absolutamente nada dentro de si. Era usado como uma espécie de punição para criminosos em Azkaban, a prisão bruxa, uns anos atrás.
–Isso é horrível!- disse Tanner- E como vão curar esses dois?
–Não vão- respondi- Não existe uma cura conhecida. Eles vão ficar internados no St. Mungus até não conseguirem mais aguentar.
–O que é St. Muncus?- ele perguntou.
–Mungus– corrigi- É o Hospital para acidentes mágicos. Fica em Londres.
–Então, se um bruxo se machucar, tem que ir até Londres para se tratar?
Revirei os olhos.
–Não. Primeiro, é um hospital para acidentes mágicos. Se esfolar o joelho vai ter que ir num médico trouxa. Ou faz um feitiço, muito mais simples. Segundo, o St. Mungus é o hospital de Londres. Meu padrasto, Richard, é Curandeiro Desestrunchador no St. Lipschitz, o hospital de Nova York.
–Desestrucha o quê?
–Desestrunchador. Quando você apara e desaparata, que é basicamente sumir de um lugar e reaparecer em outro, você pode acabar estrunchando, deixando para trás uma parte do seu corpo. Pode ser uma sobrancelha ou seu fígado, dependendo da sua sorte.
–Encantador- murmurou Tyler.
–E você pode fazer isso?- perguntou Tanner- Aparatar, eu quero dizer, não estrunchar.
–Claro que não! Eu preciso ter dezessete anos para aprender a aparatar, não é tão fácil assim.
–Eu só queria saber- disse Will- porque os Dementadores estão agindo tão estranho. Era para eles terem sido exilados.
–Eu sei- falei- E eu não tinha nem ideia de que haviam saqueado a Olivanders. Isso não pode ter algo haver com Dárion, pode? Quer dizer, ele não sabe que sou uma bruxa.
–Ah, ele sabe, querida- comentou Eos, virando-se para olhar para mim. Seu olhar continha uma certa pena- Esse tipo de informação vaza a toda hora do Olimpo. Profecias, crianças que não deveriam ter nascido, quebra de regras... Aqueles deuses são mais fofoqueiros do que sabe-se lá o quê- um trovão- Desculpe-me, Lorde Zeus, mas é o que é.
Ultrapassamos o limite da cidade, e minha cabeça pareceu explodir, não sei se de nervosismo ou da aura do Deus, que de alguma forma havia conseguido me alcançar.
–O que foi?- perguntou Will, preocupado, provavelmente porquê eu estava cravando minhas unhas eu seu braço.
–Nada, desculpa.
Eos pousou sua carruagem roxa em algum lugar da Independence Avenue, no bairro Capitol Hills, mas os Mortais não pareceram notar. Queria saber o que enxergavam. Uma carroça cheia de crianças maltrapilhas, provavelmente.
Descemos todos da carruagem, inclusive Eos, que deu um abraço em cada um de nós.
–Foi um prazer traze-los aqui, crianças. Espero vê-los no Olimpo, no dia vinte e um.
–Esperamos ver você também- respondi. Eu estava realmente agradecida- Obrigada pela carona. Agora só precisamos achar uma ilha flutuante no meio da nona maior cidade do País.
–Humm, Rose- murmurou Tanner, que olhava para o outro lado da avenida, para o complexo do Capitólio- Acho que não vamos precisar procurar tanto assim.
Direcionei meu olhar para onde ele apontava. Uma ilha enorme flutuava bem ao lado do mastro da construção, como se fosse a coisa mais normal do mundo (N/A: Para quem não sabe o que é o Capitólio. O mastro é a ponta, no topo). Só tinha um problema: Como Hades chegaríamos até lá. Virei-me para Eos, que acompanhava nosso olhar.
–Você não pode nos levar até lá?- preguntei. Ela me olhou com compaixão, mas sua resposta não era bem o que eu queria ouvir.
–Sinto muito, docinho. Eu não devia nem mesmo ter trazido vocês até aqui, eu estava seguindo ordens. Mas, infelizmente, não posso leva-los até lá.
Assenti. Eu entendia, é claro, mas aquela regra era ridícula.
–Tudo bem, obrigada de qualquer forma.
Ela sorriu, nos desejou boa-sorte novamente e foi embora, deixando um rastro dourado atrás de si.
Nos encaminhamos até a construção romana, mas eu os parei na entrada.
–Não vão nos deixar entrar- falei- Olhem para nós.
Nossas roupas estavam rasgadas e sujas, nossos cabelos estavam bagunçados e nossos rostos davam a impressão de que vínhamos trabalhando em uma mina de carvão.
–Ela está certa- disse Will- vamos ter que dar um jeito antes de entrar.
–Tudo bem, venham aqui- chamei-os até o outro lado da entrada, onde os seguranças não podiam nos ver.
De dentro da mochila tirei meu cantil de néctar e os mandei beber um pouco. Seria o bastante para fechar os arranhões. Meu moletom estava inteiro, assim como os casacos de Will e Tanner, então se os vestíssemos por cima das camisetas ninguém notaria, mas Tyler era um caso grave. Suas calças jeans não estavam tão ruins assim, pois os rasgados pareciam pré-fabricados, mas sua camiseta branca era duas vezes maior que ele e estava tão desbotada que eu nem podia ler o que estava escrito. Peguei a camiseta laranja extra do Acampamento e entreguei para ele.
–Vista isso enquanto eu compro algo para comermos.
Tinha uma cafeteria bem simples do outro lado da rua, então fui até lá e comprei croissants e copos duplos de café para todos, e quando voltei, Tyler estava vestindo a camiseta do Acampamento e os três estavam conversando e rindo, como se não estivéssemos prestes a escalar um monumento nacional.
Entreguei a comida e examinei Tyler, que se controlava para não comer rápido de mais. Vestido como nós, eu podia jurar que ele era um campista. Acho que laranja caía bem em todos os semideuses, pois o “uniforme” do Acampamento parecia perfeito em todos. Perguntei-me se acontecia o mesmo com as camisetas roxas.
Mesmo estando muito melhor, alguma coisa ainda não estava certa. Provavelmente os cabelos. Tirei a touca cinza de Will e coloquei em sua cabeça. Ótimo, agora parecíamos pessoas, e não mendigos/criminosos/serial killers/ladrões de arte internacionais.
Na entrada para o monumento, uma mulher com um olhar que me deu arrepios pediu nossos “Passes Turísticos”. Claro que nós não tínhamos os tais passes, então tivemos que comprar as entradas.
Vinte dólares. Vinte dólares desperdiçados no Centro Legislativo dos estados Unidos. Programas culturais não deviam custar tão caro. Acho que ninguém esperava que tivéssemos que pagar para entrar, pois geralmente acabávamos entrando escondidos e explodindo tudo acidentalmente. Vida de semideus, meu amigo...
Uma guia turística com um sorriso extra-irritante chamou todos os turistas para começar a amostra pelo museu que fica dentro do prédio. Cheguei até a perguntar A Will se ela era um monstro. Pessoas sorridentes de mais costumam ser, mas parece que era apenas uma guia animada.
Nem chegamos a entrar, nos desviamos sorrateiramente do grupo, despistamos os seguranças e corremos para os fundos, onde os jardins mais bem-cuidados do planeta nos serviram se esconderijo. Nos posicionamos entre dois elefantes feitos de arbustos, logo atrás do prédio e olhamos para cima. Totalmente impossível de se escalado.
–E agora?- perguntou Tyler- Isso é alto pra caramba, e é feito de um material difícil de escalar, e as colunas romanas não vão ajudar em nada. Além disso, as fendas na construção são...
–Tyler-falei, cortando seu discurso- Nós entendemos. Não podemos escalar.
–Talvez com uma corda- sugeriu Tanner.
–Ah, claro! Ache uma corda comprida o bastante Adams, e então veremos se você consegue subir.
–Alguma ideia melhor, Senhorita Sabichona?
Tive que pensar por um tempo antes de achar algo que resolvesse.
–Humm, todo bem, Will... eu vou, ahn, levitar você até lá em cima e você nos diz se é seguro subir.
–Porque eu?- perguntou, indignado.
–Porque você é o sátiro. O protetor. Você vai primeiro.
Ele revirou os olhos, mas assentiu. Peguei a varinha.
–Wingardium Leviosa!
Ele flutuava cada vez mais alto a medida que eu subia a varinha. Era um feitiço simples, mas dependendo do peso ficava mais complicado. Levitar uma pena? Fácil. Uma pessoa? Digamos que é bem mais difícil.
Will atingiu o telhado redondo. Parece que tinha um pequeno espaço onde poderíamos ficar de pé sem risco de cair.
–Tudo bem- falei- quem é o próximo?
Tanner e Tyler flutuaram, um de cada vez, até o topo do Capitólio e se posicionaram ao lado de Will, pressionando as costas contra o concreto para ficar longe da borda.
–Agora você!- gritou Tanner, sua voz quase se perdendo no ar.
–Não posso levitar a mim mesma!- respondi- Vou ter que usar outro feitiço para subir! Quando eu chegar perto, me segurem, ouviram?
Os três levantaram os polegares para mostrar que haviam entendido.
Éolo, rezei, por favor não me deixe cair, estarei em seu território. O mesmo vale para Zeus, por favor. Pai? Se está me ouvindo, eu agradeço pela carona, mas preciso que me ajude de novo. Por favor, é tudo o que eu peço.
Respirei fundo e preparei a varinha, apontando-a para cima.
–Ascendio!
E fui lançada para cima, perdendo-me nos céus de Washington.
Notas finais
/Lu
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