Notas iniciais
Heeey sexy gente! Boom, eu vou falr bastante aqui hoje, ok?

Primeiro de tudo, eu estou muito mal por ter ficado mais de um mês sem postar, e espero que vocês não me abandonem por isso. Eu estava viajando num lugar onde a internet era mais lenta que o Percy e a Rose juntos, e a minha mãe ainda ficava dizendo pra eu "conviver", e não me deixou escrever muito... enfim, me desculpem!

A segunda coisa que eu quero falar, é que eu já estou com os nomes provisórios de todas as continuações da série "O Deus Sem Nome", e só não vou postar aqui agora por causa de um pequeno imprevisto com o nome de um dos personagens, que aparece no último nome...

A terceira é que, para a felicidade de vocês, só tem mais esse capitulo e o próximo de enrolação, e depois tem missão e a história que explica o novo nome da fic.

A quarta é que, eu não sei se vocês perceberam, mas eu acrescentei um epílogo, etão, deem uma lida, é bem curtinho.

A quinta é mais um pedido do que uma observação: nos reviews, vocês podem me dizer os personagens e as coisas que vocês tem gostado mais, e as que não tem gostado tando? eu juro pelo estige e faço o voto perpétuo que não vou ficar brava.

e a última é que vocês já podem me chamar de "Tia Ricka", porque vou começar com a chacina de personagens e a deixar vocês loucos por coisas que só vão acontecer no último "livro" (hahaha sou má).

Boa leitura... :D

Sou filha de Apolo? O.K., eu não sirvo para filha de Apolo por muitos motivos. Pelo que meus “irmãos” disseram, nosso pai tem muitos atributos, então vamos analisar a situação, certo?

1) Sol: Pelos meus doze anos de vida, tenho quase certeza de que nunca controlei o sol (Na verdade, nem sei se filhos de Apolo podem fazer isso, mas...), se bem que as vezes eu até que queria, para tira-lo da minha cara! Nada pior do que sol no rosto.

2) Artes: Sei lá se levo jeito para isso, até porque, eu não saio cantando por aí para quem quiser ouvir. Quer dizer, eu gosto de quase todos os tipos de musica, então acho que isso até vale, mas eu nem posso escutar muito durante o ano, já que Ipod + Hogwarts não dá muito certo. Acredite, eu aprendi do jeito mais difícil que se um lugar não tem tomadas, você não consegue recarregar a bateria e que, se você sai por aí procurando uma, o monitor da Corvinal te deixa de detenção por três semanas. De qualquer modo, eu gosto de desenhar, só nunca deixo ninguém, exceto Will, ver. Ele diz que são bons, mas é isso que os amigos dizem....

3) Arqueiros: Nunca usei um arco-e-flechas na vida, então não tenho como saber.

4) Profecia e Oráculo: Acho que nunca fiz uma profecia, tive uma visão ou algo do tipo. Talvez seja até melhor, todos na escola dizem que a professora de adivinhação, Priscilla Trelawney , é mais louca que que um elfo obliterado.

5) Solteiros: Aí! Finalmente alguma coisa! Afinal, sou solteira desde, bem... sempre. Quero dizer, eu já beijei alguns meninos. Tudo bem, UM menino. Foi no ano em que eu fui para Hogwarts, umas semanas antes, na verdade. Jay, meu melhor amigo da escola estava lá em casa comigo quando contei que ia estudar em um colégio interno na Inglaterra , o que não era totalmente mentira. Eu apenas omiti a parte da “magia” e “bruxaria”. O fato é que, depois que falei isso, ele me beijou. Na real, nem sei se pode ser considerado como um beijo. Durou uns oito segundos, e nem teve língua. Mas eu acho que vou poupa-lo dos detalhes sobre meu primeiro não-beijo com Jay Simmons.

6) E, finalmente, beleza: Não sei o que falar sobre esse item, então vou me descrever e você julga como quiser. Tenho 12 anos e 1,64 de altura, então sou alta para a minha idade. Sou bem magra, mais do que eu gostaria, mas não vou me preocupar muito com isso agora... Meus cabelos são loiros, ondulados e curtos, vão até um pouco acima dos ombros. Não gosto muito do meu nariz, afinal, quem é que gosta? Minha mãe diz que ele é lindo... bem coisa de mãe mesmo. Mas ele é meio achatado e batatudo, sei lá. Tenho algumas sardas também, que cobrem uma parte de minhas bochechas e o ossinho do nariz. E, por último, meus olhos são azuis escuros. Não estou falando de um azul mais intenso do que o tom normal, eles são escuros mesmo, como uma espécie de azul marinho.

É, segundo meus cálculos, Apolo tem seis atributos ao total, sendo que eu nem mencionei a medicina, e eu não levo jeito para NENHUM deles.

Me acordei no dia após à minha reclamação na cama em que haviam me dado, entre Bridget e Aria, com todos esses pensamentos na cabeça, e pensando em como seria meu dia. A porta de ouro da entrada já havia começado a brilhar, o que significava que o sol já havia saído. O resto do pessoal estava de pé, então também levantei.

–Bom dia, preguiçosa!- exclamou Aria assim que me viu sentando na cama. Já estavam todos vestidos, e arrumavam as camas e os baús-guarda-roupas que ficavam à frente delas.

–Bom dia- me esforcei para parecer mais animada do que realmente estava- Posso ajudar em alguma coisa? Acordei muito tarde?

–São dez horas, e nós já arrumamos quase tudo, mas não tem problema. Acho que você tem umas roupas para arrumar- disse Dylan, apontando para o chão. Fiquei de pé para poder enxergar o que ele apontava. Para a minha grande surpresa e felicidade, era o meu malão! O brasão de Hogwarts bem na tampa com a cobra da Sonserina, o leão da Grifinória, o texugo da Lufa-Lufa e a águia da Corvinal, devidamente acompanhados pelo lema da escola: “Draco Dormiens Nunquam Titilandus”, que, em latim, significa “ Nunca Cutuque um Dragão Adormecido”, o que, na verdade, é um conselho inteligente.

Na lateral da mala, o nome M. Leonards está escrito em amarelo e, ao lado dele, um bilhete. Me abaixei para pegar o palel, e vi nele uma letra familiar e bonita.

Rose,

Achei que poderia precisar disso. Espero que esteja se divertindo. Nos mande uma mensagem de Íris quando puder.

, Mamãe.

P.S: Da próxima vez, você paga as corujas. Essa mala é pesada.

Não pude deixar de sorrir com o bilhete e, quando levantei a cabeça para o resto do pessoal, eles também estavam sorrindo enquanto me observavam.

–Já está na hora do café-da-manhã — disse Todd- Você pode arrumar isso depois se quiser.

–Não, tudo bem. Eu alcanço vocês depois.

Eles assentiram e saíram. Escolhi ficar ali por dois motivos. 1) Todo mundo no chalé era mais velho que eu, então acho que não tínhamos muito o que conversar. David e Daniel, os gêmeos, que eram os mais novos depois de mim, tinham quinze anos, e Dylan, o mais velho, tinha dezenove e já estava até na faculdade. 2) Era a primeira chance que eu tinha de usar minha varinha aqui.

Tecnicamente, não podemos usar magia fora da escola antes dos dezessete, mas eles certamente iriam entender.

Tirei a varinha do cós do short, que eu ainda estava usando, já que não tinha pijamas. Tentei lembrar das aulas de feitiços domésticos, que eram muito úteis nessas situações. Eu gostava disso nos bruxos, eles não se importavam se os jovens usassem magia para fazer tarefas.

Desfazer as malas!

A tampa do malão se abriu com um estampido e as roupas começaram a voar, perfeitamente dobradas, para dentro do meu baú-guarda-roupas. Depois de tudo arrumado, as tampas se fecharam estridentemente, e a mala foi, se arrastando para o espaço em baixo da minha cama.

–Que bonito, né, Dona Rose?- disse, em um tom de desaprovação, uma voz vinda da porta que, graças a Deus, era de Will.

–Serio, Will, você tem que parar de fazer isso comigo! Eu quase tive um enfarto agora!

–Usando magia fora da escola? E ainda por cima para fazer as tarefas! Você tem sorte de ter sido eu a entrar e não o Quíron.

Eu ri.

–Vamos tomar café?- perguntei

–Claro, delinquente. Espero que você não vá para Azkaban.


–Não se preocupe tanto comigo, menino-cabra- falei, andando até a porta- Mas antes... — me virei- Arrumar cama!



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Enquanto tomávamos o café-da-manhã, meus “irmãos”- desculpe, não consigo tirar as aspas da palavra irmãos... parecia tão estranho que eu tivesse tantos- me explicavam nossas atividades para semana. Era quase como uma escola, tínhamos horário para todas as atividades, que nós fazíamos juntos, raramente com outros chalés ou pessoas.

–Então, é o seguinte- começou Dylan- todas as manhãs, arrumamos as camas assim que levantamos, isso é mais ou menos às 9:30, e agora que você chegou, temos o número exato de dias da semana, o banheiro é seu nos domingos. Os baús tem de estar sempre em ordem para a inspeção. Se tivermos uma nota ruim, ficamos com os piores horários de banho, e temos de lavar a louça das refeições daquele dia. Se tivermos uma nota boa, ganhamos alguns privilégios. Depois do café, você tem um horário livre, que deveria preencher com grego antigo, você escolhe o professor. Alguém do chalé de Atena é uma boa opção. Ou seu sátiro. O seu é...?

–Will- respondi entre uma garfada de ovos mexidos.

–Ah, legal! Tudo bem, depois temos arco-e-flecha, depois esgrima com o chalé de Hermes, no anfiteatro- ele falava rápido, mas se certificando de que eu estava entendendo-, depois ensaio no “Artes e Ofícios”, e...

–Ensaio?- perguntei, interrompendo sua listinha.

–É, nós lideramos a cantoria na fogueira todas as noites. Depois temos escalada, canoagem e, antes da janta, vamos até as quadras jogar basquete. Esse é seu horário para hoje. Nas sextas-feiras, à noite, temos captura á bandeira, que é uma tradição do Acampamento.

–Tudo bem, vejo vocês depois, então.

–Claro, Rose- e deu um sorriso super-reto-e-brilhante que todos eles tinham.

Me dirigi até a mesa de Dionísio para falar com Will.

–Will, posso falar com você? –perguntei, me abaixando ao seu lado na mesa.

–Claro, fala- mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, outro sátiro me interrompeu.

–Ah, essa é a sua protegida especial?- perguntou. Eu não fazia ideia de como ele sabia disso. Ele tinha cabelos castanhos, ainda mais cacheados do que os de Will, olhos escuros e um sorriso malicioso no rosto- Ela é bonita- complementou, sorrindo para mim. Ah, não acredito nisso, ele estava flertando comigo? Revirei os olhos, e continuei a falar com Will

–Pode ser meu professor de grego antigo?

–Posso ser seu professor, se quiser- disse o outro.

–Ah, cala a boca, Derek! – Disse Will- Não liga pra ele, tá? Te encontro na Casa Grande em cinco minutos.


Assenti e fui embora do refeitório.



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Will chegou exatamente cinco minutos depois, carregando um monte de livros que pareciam infinitos, e que ele largou na varanda.

–Pronta?- perguntou, sentando-se ao meu lado nos degraus.

–Prontíssima, capitão!- falei, batendo uma espécie de continência, e começamos a aula.

Sabe, grego antigo não é tão difícil assim. Talvez eu diga isso porque sou uma semideusa, e você, provavelmente não, mas, se você fosse, você me entenderia. É infinitamente mais fácil que inglês, acredite. É claro que algumas coisas são mais complicadas, mas consegui aprender uma boa base naquela hora que se passou.

Depois disso, fui para a aula de arco-e-flecha, morrendo de medo de furar meu próprio olho. Depois de apenas algumas flechadas certeiras no alvo, eu percebi que era simplesmente impossível que algum de nós errasse. Não era preciso nem mirar! É claro que, ninguém mais além de mim, ficou surpreso com isso.

Ficaram surpresos mesmo foi com meu desempenho na esgrima. Acho que devia ser muito raro um filho de Apolo bom com espadas. O chalé de Hermes praticava conosco, e Colin Stoll estava me ensinando. Por incrível que pareça, ele só ganhou de mim por uma partida, e ficou tão animado que me levou até o arsenal, que ficava logo ao lado do anfiteatro.

–Pode escolher a que quiser- disse ele, apontando para o monte de espadas empoeiradas misturadas ás outras armas.

Não precisei procurar muito, pois havia uma chamando minha atenção. Peguei-a e limpei a lâmina de Bronze Celestial na camiseta laranja. Era um florete ( N/A: para quem não sabe como é um florete), com um punho de metal polido e brilhante.

–Boa escolha- comentou Colin, pegando uma bainha e a ajustando em minha cintura.

Embainhei minha nova espada, e não pude deixar de sorrir com minha aquisição. Senti uma mão em meu ombro.

–Vamos, Rose. Já está todo mundo no ensaio- disse Dylan- Valeu pela ajuda, cara- e fez um cumprimento de mãos com Colin.

O “Artes e Ofícios” era uma espécie de galpão, mas super bem-cuidado, que tinham instrumentos, telas, tintas, câmeras de vídeo e uma daquelas escadas em meia-lua usadas em apresentações de coral de escola. À frente da escada de coral, estavam Aria, Todd, David, Daniel, duas filhas de Afrodite, um filho de Hebe e um casal de filhos de Perséfone, todos conversando com caras preocupadas.

–Cadê a Bridget?- perguntou Dylan quando nos juntamos ao resto do coral.

–É o que estamos tentando descobrir- respondeu Daniel.

–Ela disse que ia ao banheiro, mas isso foi à uns dez minutos!- acrescentou Aria.

–Ou ela se meteu em confusão, ou está com problemas de intestino- comentou David, e levou uma cotovelada de Aria.

–Tudo bem- disse Dylan, mais tentando convencer a si mesmo do que ao resto -, vocês ficam aqui e ensinam o repertório para a Rose, e eu vou sair para procu...- ele não chegou a terminar a frase, pois uma esbaforida Bridget adentrou a sala, o arco na mão, os cabelos, geralmente loiros e lisos, emaranhados e cheios de folhas, a boca crispada de raiva e as narinas embranquecidas de cólera. Era estranho vê-la daquele jeito, pois era uma das meninas mais bonitas que eu já vira, até mais que algumas do chalé de Afrodite.

–Ah, meus deuses, Bree — exclamou Aria, aterrorizada-, o que aconteceu?

–Aqueles malditos filhos de Ares!- respondeu, largando o arco no chão com raiva, e todos os outros na sala suspiraram, entendendo.

A voz do Sr. D ressoou em minha cabeça: “Sabe, Quíron, eu não sei porque você coloca o chalé de Ares com o de Éolo, eles são massacrados!”

–O que tem de errado com os filhos de Ares, afinal?- perguntei.

–Bom, os chalés 5 e 7 tem uma certa... rivalidade, digamos assim- explicou Dan.

–E por quê?

–Nunca realmente gostamos uns dos outros, porque os filhos de Ares nos acham covardes por usar arco-e-flechar e ficar relativamente longe da batalha em si.

–É- concordou Dylan-, mas tudo ficou pior um pouco antes da guerra contra Cronos. O Acampamento recebeu informações sobre uma base dos semideuses que passaram para o outro lado na Filadélfia, e os chalés 5 e 7 foram escolhidos para ir até lá, doze campistas ao todo. Lá, os nossos campistas encontraram uma espécie de carruagem voadora, e eles conseguiram pega-la, mas foi o chalé de Ares que liderou o ataque. Os dois chalés achavam que tinham direito à carruagem, e começaram a discutir. O conselheiro do chalé de Apolo, na época, lançou uma maldição sobre os campistas de Ares, e eles ficaram falando em rimas por duas semanas. Eles ficaram emburradinhos e disseram que não ajudariam na guerra. Só apareceram depois que cedemos a carruagem, mas os campistas desses dois chalés se odeiam desde então.

–Nossa- falei-, essa é a coisa mais ridícula que eu já ouvi. Não acredito que vocês brigam até hoje por uma coisa que aconteceu quinze anos atrás.

–Ah, é? Diga isso pra eles, então!- murmurou Bridget, agora um pouco mais calma- E foram dezenove anos atrás, não quinze.

–O fato é- disse Aria, que tirava as folhinhas dos cabelos da irmã-, que eles são horríveis conosco, Rose. Sempre foram, e sempre vão ser. O motivo é mesmo ridículo, mas isso não muda nada. Só prometa que não vai se meter com eles, ok?

–Tudo bem. Não vou.

–Bom, então acho que temos que começar o ensaio, certo? Já perdemos tempo de mais.

–Ah, é. Então, Rose- disse Dylan, virando para mim-, o que você canta?

–Eu estava com medo dessa parte da historia- murmurei, quase inaldivelmante.

–O que?

–Ah... eu não canto. Nunca tentei, quero dizer.

–Então temos que consertar isso, certo? – anunciou ele para o resto do coral- Suba na escada e cante, você escolhe a musica.

Ele me deu um empurrãozinho até o primeiro degrau da escada, e o filho de Hebe me entregou um microfone. Estavam todos me observando atentamente, os olhos brilhando de expectativa. Ah, meu... ou melhor, “Ah, meus deuses!”. E se eu não fosse boa?

–Humm, a musica toda?- perguntei, e todos afirmaram com a cabeça. Minhas mãos estavam suando, e um arrepio percorria minha espinha. Fechei os olhos para não enxerga-los, e escolhi a primeira musica que veio na minha cabeça: Feeling Good, da Nina Simone, que é um clássico, e também descreve como eu queria estar me sentindo.

Como não tínhamos a melodia, eu teria que cantar a capella mesmo. Limpei a garganta, e comecei: Birds flying high, you know how I feel...

A musica foi saindo de mim como se eu nem estivesse cantando. Aos poucos, meus ombros foram relaxando, e minhas mãos pararam de suar. Meu peito foi se enchendo de uma sensação que eu nunca havia sentido antes. Como eu nunca havia tentado isso? Me senti completamente livre, esqueci de toda aquela maluquice pela qual eu estava passando, e me concentrei apenas na musica mas, quando abri os olhos, a sensação se fora por completo.

Primeiro, achei que tinha ido tão horrivelmente mal, que ninguém sabia o que dizer, mas não era isso. Todos os presentes na sala estavam parados, imóveis. Os braços pendendo ao lado do corpo, as pernas moles, as bocas abertas, com a língua meio para fora, e os olhares tão distantes que parecia que estavam tentando enxergar Plutão sem telescópio.

–Humm, oi?- falei, com o cenho franzido. Não recebi resposta.

Estalei os dedos em sua frente.

Nada.

Levantei os braços de Daniel sobre sua cabeça, e os deixei cair, moles e inertes, novamente ao lado de seu corpo.

Nada.

Também tentei petelecos nas cabeças, tapas de leve em seus rostos, tudo que se pode imaginar, e eles nem piscavam. O que, estavam brincando comigo?

–Será que vocês podem, por favor, voltar ao normal?- falei, por fim, já irritada.

Eu já ia sair da sala e chamar Quíron, ou o Sr. D, mas não foi preciso, mas todos piscaram rápido algumas vezes e esfregaram os olhos, voltando ao normal.

–O que... o que aconteceu?- perguntou Aria, limpando o queixo.

–Eu não sei. Me digam vocês. Estavam todos aí, parado e sem piscar, feito um bando de zumbis sorridentes!

–Parados?- perguntou Dylan num tom alarmado- Quando você terminou a musica?

–É!

–Ah, não é possível!- exclamou uma das filhas de Afrodite- Você não acha que ela...

–Pela lira de Apolo!- retomou ele- Rose, você tem certeza do que está dizendo?

–Sim, eu tenho! Por quê? O que houve?

–O que houve?- perguntou- Você é Orféia!

–Eu sou quem?

–Não quem, o que! Já ouviu falar do mito de Orfeu?

–Não, acho que não- eu definitivamente precisava de umas aulinhas de mitologia.

–Ele era filho de Apolo com uma das musas, divindades inspiradoras das artes e da ciência. Seu dom para a musica era tão extraordinariamente esplêndido, que hipnotizava todos que o ouvissem cantando, ou tocando, e elas faziam o que ele queria. Orfeu conseguiu até convencer Hades e Perséfone a libertar do Mundo Inferior a mulher que ele amava, Eurídice. Mas descumpriu o juramento que fizera, de que não olharia para ela antes que estivessem do lado de fora, e por isso não pôde trazê-la de volta.

Um longo silêncio se seguiu depois disso, então ele continuou:


–E você, Rose Leonards, tem esse poder.



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Depois disso, ninguém conseguiu se concentrar muito no ensaio, mas eles me ensinaram o repertório daquela noite, que era uma mistura de musicas normais e canções do acampamento (como Larry e a flauta de Pã, Zeus comeu carne crua, Carro do titio Hefesto e Eu sou meu próprio ta-ta-ta-taravô). Eu achei que não poderia participar por ser Orféia, mas Dylan me explicou que as pessoas só ficariam hipnotizadas se eu cantasse uma grande parte da musica sozinha, então, era só eles não me darem muitos solos. Eu fiquei feliz com isso, pois queria sentir aquela sensação de novo.

Depois do ensaio, declinei o jogo de basquete, dizendo que precisava pensar, o que não era mentira, então me sentei na plataforma de madeira à beirada do lago de canoagem, as pernas pendendo, meus pés quase encostando na água cristalina. O sol já estava se pondo, colorindo o céu de um pálido tom de rosa. Era meio difícil de acreditar, mas aquele era meu pai. O sol. Meu pai era o sol. Bom, não, ele não era o sol, mas ele o levava para o mundo todo, numa carruagem, ou algo do tipo. De qualquer forma, é loucura, não é?

–Posso me juntar a você?- disse uma voz atrás de mim. Era um menino alto e musculoso, bom, não tão musculoso, apenas mais musculoso do que a maioria das pessoas de treze anos geralmente são. Tinha cabelos castanhos curtos e meio bagunçados, e olhos da mesma cor, que brilhavam muito à luz do sol poente. Tinha também um sorriso torto meio engraçado, e uma pequena fenda entre os dentes da frente, tão mínima que era quase imperceptível.


–É, Humm, acho que não tem problema- respondi, e ele se sentou ao meu lado, em uma distancia respeitável de setenta centímetros. Eu não estava muito afim de papo, e só aceitara sua companhia por educação. Ficamos ali, olhando o pôr-do-sol por o que eu pensei serem uns cinco minutos, até ele falar:



–Você é a filha de Apolo que foi reclamada ontem, não é? Rose...


–Leonards. É, sou eu- forcei um sorrisinho- E você é...?

–Ah, Tanner. Tanner Adams, filho de Ares.

Levantei-me num salto. Ele era filho de Ares?

–Filho de Ares? Ah, claro, entendi sua estratégia!

–É, filho de Ares- respondeu ele, também se pondo de pé- E que estratégia?

Desembainhei a espada.

–Eu não faria isso se fosse você- sugeriu Tanner- Temos uma regra sobre não aleijar, você pode ficar sem sobremesa.

–Ah, vocês são uns idiotas mesmo, não é?

–O que? Por quê? Porque está tão estressada? Foi uma piada!

–Uma piada, claro. Nossos chalés se odeiam, e você me vem com piadas? Acha que eu sou burra?

–Ah, a velha história da carruagem, e tudo o mais. Pois é, nossos chalés se odeiam, mas eu não odeio você. Nem acho que seja burra?

–E eu posso saber por que não me odeia?

–Eu nem te conheço! Como posso te odiar?

–Eu acho que posso responder essa!- disse outra voz atrás de mim. Era grave e pesada como água, mas eu percebi que era feminina.

Me virei, e dei de cara com a maior garota que já vira na minha vida. Não que ela fosse tão alta, ou tão velha, mas eu me senti do tamanho de uma formiga. Ela dava a impressão de que eu sairia menos quebrada se enfrentasse cem quimeras, do que se enfrentasse apenas uma dela. Devia ter uns quinze anos, e mantinha cabelo castanhos oleosos presos em um rabo de cavalo que parecia ter sido feito pelo Sr. D depois de uma noitada numa piscina de vinho. Sua camiseta do Acampamento Meio-Sangue estava com as mangas cortadas, e sua bermuda camuflada suja de lama deixava a mostra algumas cicatrizes nas pernas. Ela também segurava uma espada, e parecia poder usa-la muito bem.

–A nova filhinha de Apolo já está arrumando confusão?- perguntou ela, imitando uma vozinha de bebe.

–Não, Valerie, deixa ela em paz!- falou Tanner, andando até ela e tentando puxa-la dalí.

–Vai defender o inimigo agora, Tan?

–Não estou defendendo ninguém! E ela não fez nada de mal!

Bem nessa hora, a trombeta que anunciava a hora do jantar soou.

–Viu, Val? Temos que ir! Andando!

–Salva pelo gongo, não é?- disse Valerie, me matando com o olhar- Espere até o caça à bandeira!- e saiu, empurrando uma menina do chalé de Hermes que estava em seu caminho.

–Peço desculpas pelo comportamento da minha irmã- falou Tanner, se virando e indo atrás de Valerie, parando apenas para ajudar a filha de Hermes caída no chão.

Fui encontrar meus irmãos para o jantar, amaldiçoando Ares e todos os seus filhos imbecis.

Notas finais
Aqui tem um vídeo com a minha versão favorita da musica "Feeling Good", cantada pela FABULOSÍSSIMA Carly Rose Sonenclar ♥ : http://www.youtube.com/watch?v=ffyZNW7Ra7M