O Deus Sem Nome e o Galho de Álamo
21 Sobre histórias de amor e transformações
Notas iniciais
Bom espero que gostem desse, boa leitura, e não esqueçam de dizer o que acharam...
-Ah, não- murmurei- Agora eu estou ferrada!
Eram os Ministros da Magia, Simas Finnigan, da Inglaterra e Joseph Bailey, dos Estados Unidos, com caras nada contentes. Os dois limparam suas roupas, sujas de fuligem e dirigiram o olhar para mim.
Apolo se pôs de pé e andou até os dois bruxos parados no centro da sala.
-Simas, Joseph- exclamou, abrindo os braços e envolvendo os Ministros, que não retribuíram- O que fazem aqui, se é que posso saber?
-Apolo- murmurou Bailey, desgostoso- Estamos aqui para discutir o futuro da sua filha, é claro.
-Oh, sim, claro. Ela é uma heroína, uma grande heroína! Recuperou o que havia sido roubado, não há motivos para se preocupar!
-Sim, uma grande heroína e uma bela quebradora de regras!- bradou o Ministro americano.
-Ora, vamos, Bailey- disse o home sardento que era Finnigan- A menina precisava usar a magia, ou teriam sido mortos. Nenhum trouxa viu nada!
-Nenhum trouxa? E o menino?- Bailey apontou ferozmente na direção de Tanner- Ele sabe, e é, até onde eu sei, um grande trouxa!
-Sou um grande o quê?- perguntou confuso o filho de Ares.
-Um trouxa- respondi- Sem sangue mágico. Um não-bruxo.
-Sem um pingo de sangue mágico, devo dizer! Chame seus obliviadores, Simas, ou eu chamo os meus!
-O que?- exclamei- Não vão oblitera-lo! Não tem necessidade nenhuma!
Todos os deuses assistiam a discussão como se fosse um jogo de pig-pong.
-Mas e se ela contar? Não podemos confiar nele!
-Sim, podemos sim! Eu confio, ele não vai falar nada.
-Não vou aceitar isso, Leonards. Desista.
-Ele faz o voto perpétuo!- gritei, meio sem pensar.
A sala ficou silenciosa, até Apolo, voltar a falar.
-Eu acho uma ótima ideia. Rose, sua varinha.
Tirei as duas partes que um dia haviam feito magia do bolso.
-Oh, sinto muito. Hum, Simas, empreste sua varinha para Rose, sim?
-O que? Emprestar?
-É por uma boa causa, Ministro- assegurei, e ele concordou, relutante.
Botei a mão nas costas de Tanner e o dirigi até Bailey.
-Rose, o que está fazendo?- perguntou, com uma pontada de medo em sua voz.
-Cale a boca. Só jure e vai ficar tudo bem. Deem as mãos.
O Ministro pegou a mão de Tan, e eu posicionei a varinha sobre elas.
-Humm, então, ahn...- balbuciei antes de começar- Você, Tanner Adams, jura que vai manter segredo sobre o mundo bruxo, a não ser que se encontre em um caso de vida ou morte?
-É, acho que sim.
-Você não acha nada!- sussurrei- Jure logo!
-Tudo bem então. Eu juro.
Uma fina corrente de fogo enrolou-se em suas mão.
-E você jura que vai guardar segredo de todos que ainda não tem conhecimento sobre isso, a não ser que eu dê completa e explícita permissão para falar para alguém?
-Eu juro.
Mais uma corrente, complementando a primeira.
-E, por fim, jura lealdade ao Ministério da Magia Americano, para que que o Ministro Joseph Bailey possa confiar em sua palavra?
-Eu juro.
Uma última corrente juntou-se ás outras duas, que tremeluziram e desapareceram logo depois.
O Ministro Bailey soltou a mão de Tanner e murmurou.
-Ótimo. Ótimo, assim está melhor.
-Então eu não vou para Azkaban?- perguntei.
-Não, acho que não, por enquanto. Mas eu teria mais cuidado, se fosse você.
Então, como que para fazer uma saída dramática, desaparatou.
-Eu espero que ele estrunche!- sussurrou Tanner para mim, e eu ri- Mas é sério, o que foi tudo aquilo?
-Um Voto Perpétuo. Por favor, apenas não quebre o juramento!
-Por quê? O que acontece se eu quebrar?
Meio relutantemente, respondi.
-Você morre- ele já ia dar um pití, então tratei de falar logo- Mas eu deixei umas boas brechas nos juramentos. É só me pedir permissão se precisar contar para alguém.
Tanner assentiu, um pouco mais calmo, e fez uma coisa inesperada: Ele me abraçou.
Simples assim. Me deu um abraço, envolvendo-me em seus braços fortes, e eu retribuí. Não havia percebido o quanto precisava daquilo até que ele o fizesse. Ficamos assim por um tempo até que Will apareceu ao nosso lado.
-Então, vocês podem me incluir no abraço, ou é restrito apenas para semideuses?
Eu e Tan nos entreolhamos e abrimos os braços para que Will pudesse se juntar a nós.
-Vocês são incríveis- sussurrei- Obrigada por virem comigo.
O que falei era a mais pura verdade. Eu acho que nunca iria conseguir me separar daqueles dois, eles eram meus melhores amigos. Acho que têm coisas pelas quais você passa, experiências tão fortes que é impossível não se sentir conectado com as pessoas que as vivenciaram com você.
Alguém atrás de nós pigarreou, e nos desvencilhamos. Era Apolo.
-Espero não estar atrapalhando nada, mas...hum... Eu queria trocar uma palavrinha com a Rose- disse ele, olhando para o chão- Se importaria de andar um pouco?
Não respondi, apenas o acompanhei para fora do salão de conselho até um banco de praça que ficava bem ao lado de uma estátua de Deméter.
-Sei o que está pensando- disse ele.
-É claro que sabe. Você é o deus do Oráculo.
-Não foi o que eu quis dizer. Estou falando que você pensa que eu abandonei você e a sua mãe.
-Eu penso? Eu penso que você nos abandonou?- por algum motivo, eu estava muito irritada. Não queria que ele me desse explicações, ele havia magoado a minha mãe- Foi exatamente o que você fez!
-Não, não foi. Se me deixasse explicar eu –
-Eu não quero suas explicações!- o interrompi- Sei o que aconteceu, obrigada.
Eu ia me levantar para ir embora, mas ele falou com firmeza:
-Rose Leonards, eu sou seu um Deus e, acima de tudo, sou seu pai, e você me deve respeito!
Parei no meio do caminho, e me virei. Não queria ficar para ouvir, mas acho que não tinha escolha. Andei até o banco novamente e sentei-me.
Apolo suspirou e sorriu, como se estivesse totalmente perdido em lembranças.
-Eu conheci Lauren quando ela havia acabado de entrar na faculdade. É claro que ela não precisava já que queria trabalhar no ministério, mas ela sempre gostou de se misturar aos trouxas.- sorri. Ela era assim mesmo. Tinha ido para a faculdade de relações internacionais só para estudar o comportamento das outras pessoas.
-Você fez faculdade?- perguntei confusa- Mas e a Carruagem do Sol?
Apolo soltou uma risadinha.
-As vezes eu deixo o Sol nas mãos de meus ajudantes para me misturar com os mortais, e as faculdades dão ótimas festas. Continuando, sua mãe não dava a mínima bola para mim, diferente das outras garotas, e eu amava isso nela. Ela nem falava comigo. Achava que eu era muito metido, ou algo assim. Eu fiquei uns dois meses tentando chegar nela. Lauren é a mulher mais bonita que conheço.
Me surpreendi com o comentário. Minha mãe era mesmo linda, mas Apolo convive diariamente com mulheres como Afrodite e Eos. É incrível que ache minha mãe mais bonita que as duas.
-Ela me ignorou totalmente até uma noite, em uma festa no Campus- continuou- Em que suas amigas a haviam obrigado a ir. Ela odeia festas, ficou encostada na parede a noite toda. Aproveitei e fui falar com ela, e por algum motivo, ela não se opôs. Conversamos a noite toda. Eu nunca havia conhecido alguém tão inteligente e engraçada na vida, o que é muita coisa levando em conta aminha idade.
-Lauren achou que eu não falaria com ela no outro dia, acho, já que eu era bem popular, mas eu não conseguia ficar longe. Ela era mais que minha namorada, era minha amiga. Depois de algum tempo juntos eu não pude mais mentir para ela, e contei que era um Deus. Ela ficou chocada, claro, mas acreditou. Não me chamou de louco, ou riu como a maioria das pessoas faz. Ela disse que também tinha uma coisa para me contar. Quando eu descobri que estava namorando uma bruxa eu sabia que tinha que terminar tudo, mas eu não podia. Eu a amava muito.
-Namoramos por seis meses e dezessete dias antes de ela me contar que estava grávida de você. Mas, diferente das outras mulheres com quem tive filhos, eu não fiquei com raiva ou chateado, nem nada disso. Já não acontecia a três anos, mas eu fiquei exultante com a notícia. Voltei até o Olimpo e me humilhei, implorei de joelhos a Zeus para que transformasse sua mãe em imortal, para que pudéssemos nos casar e criar você aqui. Mas ele disse que nunca, jamais, deixaria uma bruxa viver no Olimpo. Eu havia quebrado as regras e agora teria de lidar com as consequências. Ele me proibiu de ver sua mãe, mas é claro que não obedeci.
-Expliquei a ela o que havia acontecido, e ela me agradeceu por tentar, mas que mesmo se eu o houvesse convencido, ela teria recusado, já que a vida só tem valor por que acaba.
Sorri. Aquilo era a cara da minha mãe.
-Nós terminamos, e eu fiquei extremamente mal. Muitos acharam que eu desapareceria, assim como Pã fez. A única que aturava minha ladainha era Afrodite, que achava tudo muito romântico, e que virou minha melhor amiga naquela época. Me dava cobertura para fugir do Olimpo, ou do trabalho para ir ver você enquanto dormia, e tocar lira. Eu até tive que pedir a ela um enorme favor, que ainda não paguei.
-E o que foi?- perguntei. Haviam lágrimas em meus olhos. Nunca pensei que tudo aquilo pudesse ter acontecido.
-Pedi a ela que encontrasse o mortal bruxo que faria você e Lauren mais felizes, que cuidaria de vocês ainda melhor do que eu poderia, e os fizesse se encontrar.
-Richard? Você pediu para Afrodite manda-lo?
Apolo sorriu para mim.
-Sim, pedi. E acho que fiz muito bem, posso ver que ela está feliz. Mas eu nunca deixei de ama-la, Rose. Você não verá mais filhos meus chegando ao Acampamento, porque eu nunca vou achar alguém como Lauren Leonards. Eu ainda a amo- seu rosto estava triste, e eu podia sentir que suas palavras eram verdadeiras. Apolo havia desistido de namorar com quem quer que fosse porque, mesmo depois de doze anos, ele ainda amava minha mãe- E eu detesto favoritismo, mas estaria mentindo se dissesse que não tenho um carinho especial por você. Estou muito orgulhoso do que você fez.
Sequei o rosto molhado apesar da dor que isso causava e o abracei. Ele ficou surpreso, mas retribuiu de prontidão, com um abraço fraterno, como eu nunca havia recebido.
-Obrigada, Apolo. E desculpe as coisas que eu disse, não foi minha intenção.
Ele se afastou de mim e sorriu.
-Vamos, Rose, eu sou seu pai. É assim que deve me chamar!
-Hum, tudo bem... Pai.
-Desculpe interromper tudo isso- falou uma voz relutante vinda da porta do Salão do Conselho. Era Tanner-, Mas Zeus e Dionísio estão brigando.
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A sala dos tronos estava uma bagunça. A maioria dos deuses se amontoavam em um canto enquanto Zeus e Sr. D discutiam e Ares gritava “Briga! Briga!”
-Você não pode tomar mais vinho, Dionísio! É proibido pelo seu castigo- berrou Zeus com raiva.
-Eu cumpro esse castigo a muito tempo! Deixe-me aproveitar por uma noite!- contrapôs Sr. D.
-Vou aumentar sua sentença para mais duzentos anos se me desobedecer!
-Parem, os dois!- gritou uma voz vinda das portas de bronze.
Uma mulher muito bonita, vestida com um manto roxo e com um cachorro espectral a seus pés sorria para todos na sala. Seus longos cabelos pretos contrastavam com a pele cara e os olhos verdes e felinos, com fendas no lugar das pupilas.
-O que foi?- perguntou fingindo-se de afetada- Porque pararam a festa? Eu sou Hécate, não Éris, vim aqui para falar com os heróis.
Engoli em seco. Aquela era a deusa da magia, e mãe da menina irritante do Acampamento, Chrissie. Pensei que ela estava se aproximando de mim, mas na verdade ela dirigia-se a Will.
-Bééé- baliu o sátiro, nervoso.
-O que foi, querido? Só quero ajudar.
-A-ajudar?-perguntou.
-Isso! Sou a Deusa da Magia, e pensei: Aquele menino-bode vai ter de voltar para Hogwarts no próximo ano, não acho justo que fique aturando os xingamentos novemente. É por isso que eu vou abençoa-lo e ensina-lo até o fim do verão!
Silêncio total na sala.
-Me ensinar?
-Mas é claro! Você não vai poder fazer tão bem quanto os bruxos de verdade, mas eu garanto que vai se sair muito melhor.
Ninguém se opôs, e eu não pude conter um sorriso. Will teria aulas de magia! Sem mais boatos de que ele era um aborto! Ele também parecia feliz. Hécate virou seus olhos felinos em minha direção.
-E você, Rose, vejo que quebrou sua varinha- concordei com a cabeça e ela andou até o Deus dos Deuses.
-Zeus? A quanto tempo! Agora me dê o galho.
-O que?- ele pareceu completamente abismado com a ordem.
-Isso mesmo que você ouviu. Preciso do Galho de Álamo.
-Eu não o entregarei para você!
A deusa sorriu e estalou os dedos. O setro foi parar em sua mão.
-Obrigada, querido, você é muito prestativo!
Ela andou até o centro da sala, como se estivesse fazendo um show.
A madeira do Galho encolheu, e ficou mais fina, formou um punho e brilhou intensamente por alguns momentos. Ninguém parecia ter entendido o que estava acontecendo, até que Hécate andou até mim e me entregou a varinha mais bonita na face da terra.
Era brilhante e polida, e sua ponta ondulava de um jeito majestoso. A Deusa sorriu e anunciou:
-A primeira varinha Olimpiana do mundo, para a primeira Bruxa-Semideusa em muito, muito tempo.
Eu estava encantada.
-E funciona?-perguntei sem tirar os olhos de minha nova varinha.
-Se funciona? É claro que sim, e é completamente única. Álamo, vinte e sete centímetros, totalmente flexível e núcleo de pena de Pégaso! O velho Olivanders teve que aprender com alguém, certo?- então se aproximou de mim e sussurrou- Não preciso nem comentar que é ótima para feitiços de memória, ou preciso?
Zeus e alguns outros iam argumentar, mas Hécate simplesmente estalou os dedos e sumiu em meio a fumaça púrpura.
Eu tinha uma nova varinha. Uma varinha muito poderosa, e estava assustada e feliz ao mesmo tempo
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O fim do Conselho chegou, e nós precisaríamos voltar para o Acampamento, o que já estava me deixando ansiosa. Não queria que pensassem que estávamos mortos.
-Vou manda-los de volta- anunciou Zeus de seu trono.
-Ora, não seja bobo!- exclamou Afrodite levantando-se e andando até nós- Eu mesma farei isso.
Sem deixar espaço para objeções, ela estralou os dedos, e o universo a nossa volta evaporou, voltando a estabilizar-se na forma da Colina Meio-Sangue.
Alguma coisa estava diferente. Não com o Acampamento, mas conosco. Afrodite havia mudado nossas roupas!
Will parecia um nerd do século passado, com suéter e óculos de grau, e Tanner usava uma camisa social super engomadinha. E eu... Eu usava um short jeans com renda e uma blusa que não era nem um pouco o meu estilo. Eu só tinha uma pergunta para a Deusa do Amor, que era: PORQUE RAIOS EU ESTAVA COM A JAQUETA DO TANNER?
Depois de se olhar e de soltar várias maldições em grego antigo, Will olhou para mim.
-Rose, seu rosto...
Levei a mão aonde deveriam estar os cortes feitos por Dárion, mas haviam sumido magicamente, e nem ardiam mais. Tanner deu uma risada divertida e aproximou-se do meu rosto até que seu nariz tocasse minha orelha e sussurrou:
-Você sabe que vai ter que me devolver a jaqueta mais tarde, certo? Mesmo ficando linda com as minhas roupas.
Juntei toda a minha força para dar uma cotovelada em suas costelas. Ele gemeu de dor, e eu o fuzilei com o olhar.
-Não brinque comigo, Adams- falei, e sai correndo em direção ao Acampamento.
Notas finais
P.S: Não foi um momento Ronner, ok?
/Lu
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