O Deus Sem Nome e o Galho de Álamo
2 Embarcamos a caminho da morte
Notas iniciais
~Lu
Sr. Binns tagarelava sem parar. Aliás, como sempre. As aulas de História da Magia eram sempre as mais irritantes! Eu não sei por que era pior: se era porque ele falava rápido de mais e não anotava NADA na lousa, ou porque caminhava, ou melhor, voava entre as mesas, atravessando o corpo dos alunos, que sentiam um imediato arrepio.
Fala sério, quem deixa um fantasma dar aula? Binns trabalha naquela escola desde a primeira guerra bruxa, ou antes. É claro que ele nem sempre foi um fantasma, mas ele da aula lá há muito tempo!
De qualquer forma, meu nome é Rose Leonards, aluna do segundo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Grifinória. Eu deveria ser corvinal, acho. Minha mãe era de lá. Eu sentia saudades dela durante o ano todo, enquanto estou em Hogwarts e ela em Nova York trabalhando. Ela é do setor de relações internacionais Inglaterra- Estados Unidos no Ministério da Magia e nós moramos lá, como trouxas. Ela ganha metade do salário em Dólares e a outra metade em Galeões. Eu estudo aqui, e não no instituto das bruxas de Salem porque minha mãe nasceu na Inglaterra, e sempre foi a primeira da turma em tudo então, quando completei onze anos, no ano passado, recebi a carta de Hogwarts. É bem complicado, pois tenho que pegar o avião de Nova York para Londres, então um táxi até a estação de King’s Cross, atravessar a barreira para a plataforma 9 ³/4 e então pegar o trem para a escola.
Eu gosto daqui, mas não sei me enturmar. Durante toda minha vida, fui passando de uma escola trouxa para outra, pois eu tenho dislexia, déficit de atenção e hiperatividade, sempre tive muita dificuldade para ler e vivo me metendo em confusão então já fui expulsa várias vezes. Eu mal consigo ler os feitiços dos livros da escola, então as minhas notas não são lá essas coisas. Não que eu seja completamente inútil. Se alguém ler o feitiço para mim, e me explicar com calma, consigo conjurar tão bem quanto os outros alunos. Difícil é alguém se oferecer para me ajudar. Por isso tenho reunião com a diretora, Prof. McGonagall duas vezes por semana. Ela é melhor do que a maioria pensa, apesar da cara severa. Então nessas reuniões ela me pergunta como foi a semana, se estou com dificuldades, se me meti em confusão... Obviamente, as respostas não são muito boas. Mas ela não se importa, me escuta com atenção, suspira profundamente, dá um sorriso cansado, e me manda de volta para a sala comunal. Eu não me surpreendo que ela esteja tão cansada, pois já tem uns 94 anos, e leiciona na escola à muito, muito tempo. O único que me ajuda realmente é Will, um americano e colega de casa. Ele entrara no ano passado, junto comigo, e também tem alguns problemas: Ele não exibe NENHUMA habilidade mágica, poderia até ser um aborto, mas se esse fosse o caso, ele não teria recebido a carta da escola. Ele deve ter problemas hormonais também, já que tem uma barbicha de bode no queixo. Sei que pode parecer estranho, mas não é tanto. Na verdade, cai bem nele, combina com os cabelos pretos encaracolados e os olhos verde-claros. E tem uma ultima coisa sobre ele. Will é aleijado, e anda de muletas. Acho que é um problema muscular, ou alguma coisa assim, mas é muito difícil ter que correr do inimigo de muletas, segura-las em uma das mãos, puxar a varinha e tentar conjurar um feitiço que nunca vai funcionar. Ele é bem zoado por causa disso, e fica bem mal, mas eu dou um jeito de animar ele, assim como ele da um jeito de me animar quando estou chateada. Will também tem reuniões com a Prof. McGonagall por causa dessas coisas, e talvez seja por isso que nos damos tão bem. Mas, não é fácil, isso eu digo!
Era o último dia letivo em Hogwarts, e estaríamos voltando casa para as férias de verão naquele mesmo dia. Eu estava ansiosa para chegar em casa, com a minha mãe, Lauren, e Richard, o marido dela. Antes que você pergunte, ele não é meu pai.
Meu pai sumiu assim que soube que minha mãe estava grávida, com 19 anos e recém- mudada para os Estados Unidos. Sempre que toco no assunto ela o defende, diz que ele não tinha escolha. A única coisa que eu sabia dele é que tinha a mesma idade da minha mãe e ‘’os mesmos olhos azuis escuros que eu’’, nas palavras dela.
Mas o Richard era muito legal, eles estavam juntos desde três meses depois do meu nascimento, e eu o considerava um pai.
Finalmente, a aula do Sr. Binns acabou, e eu peguei minhas coisas e fui para a porta, onde esperava Will.
–E ai?- disse ele, botando a mochila nas costas com dificuldade- Conseguiu não dormir?
–Com muito esforço, mas consegui. — respondi- Já está com tudo pronto?
–Sim, arrumei minhas coisas ontem- disse ele, fazendo cara de orgulho- e você?
-Faltam algumas coisas fora do malão- falei — Mas tá quase tudo pronto.
– tudo bem, termine de se arrumar, e nos encontramos no trem- disse ele apressando o passo, ou melhor, os pulos em direção ao escritório da McGonagall- vagão 13!- e dobrou o corredor.
Dirigi-me até a sala comunal da Grifinória, para terminar de arrumar minhas coisas. Tirei o uniforme, guardei os livros e embalagens de doces que ficaram espalhados pelo dormitório durante o ano todo, guardei a varinha no cos da calça jeans (era o meu lugar especial, onde eu sempre a deixava, de um jeito que ninguém percebia), fechei o malão, e desci para os terrenos lotados da escola, onde todos os alunos se organizavam em direção á estação de Hogsmeade.
Quando entrei no trem, Will esperava por mim no vagão 13, o que ocupávamos em todas as viagens, porque o carrinho de doces começava a passar por ali, e nós comprávamos os produtos antes de um bando de alunos famintos destruírem tudo. Quando a senhora do carrinho bateu á porta do nosso vagão, nós nos apressamos para comprar feijõezinhos de todos os sabores, varinhas de alcaçuz, sapos de chocolate e bolinhos de caldeirão.
Fomos saboreando nossos doces e contando piadas, pensando em como em breve estaríamos com nossos pais, onde ninguém poderia nos julgar. Não sabíamos o quanto estávamos errados.
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