O Destino do Rei
3 Adeus
Notas iniciais
Ainda era noite e Kilaki esperava Shizue na tenda azul que compartilhavam, o homem havia sumido desde de retorno do campo de batalha. Decidiu. Iria procura-lo. Ela se levantava do ofurô devagar, seu cabelo negro parecia mais escuro e escorria pelo seu corpo nu. Apesar de já fazer algumas horas que se feriu, como uma Torene ela já devia ter-se recuperado, mas ainda lhe restavam rastros da batalha, em sua cintura, na perna e no braço haviam cortes, sem sangue, mas sentia a ardência. Pegou um manto de lã e começou a secar-se. Vestiu um quimono de Shizue e saiu.
Passou pela tenda do Mensageiro e do Alquimista, pela Tenda dos Feridos e pelas outras tendas dos guerreiros. Nada. “Onde aquele homem estaria?” — Pensou enquanto andava olhando de um lado para outro. Sem perceber, esbarrou em alguém.
– Opa, atenta hoje, einh? — Ironizou — O que houve, Tenente?
– Sabe onde esta Shizue, Hilton?
O homem fingiu não ouvi-la.
– Hilton?
– Sim, senhora. Digo, não, senhora — Ele evitava o contato visual.
– Onde ele esta?
– Quem?
– Shizue Shinobu– Kilaki o encarava, enquanto ele evitava o olhar — Responda-me, soldado!
– Ah, Yeda... Ela disse que queria falar comigo — Mentiu.
Hilton passou por Kilaki e seguiu em direção a Tenda de Yeda, sem olhar para trás. Ele parecia preocupado ao ouvir Kilaki perguntando sobre seu capitão. “Qual o problema desses homens?”. Continuou a procurar por Shizue. Estava frio, mas o brilho da lua a confortava, a mesma lua que admirava era a mesma lua sobre Artur e Ramsés, e sua majestade também. “O que eles estariam fazendo agora?”. Um murmurio atrapalhou seus pensamentos. Quando se deu conta estava parada em frente a sua própria tenda, duas vozes saia de dentro dela. Um sorriso se abriu em seu rosto inconscientemente ao ouvir as vozes conhecidas. Aproximou-se da tenda azul e a abriu. Um silêncio consumiu a tenda ao verem Kilaki entrar.
– O que faz aqui, Kilaki? — Perguntou Shizue
– Essa também é minha tenda — Rapidamente desviou o olhar de Shizue e o direcionou ao homem ao lado — E quanto a você? O que faz aqui?
– Ver você?
– Sua Majestade não permitiria você via até aqui apenas para algo pequeno como isso.
– Não seja fria, minha saudade de você não é algo pequeno.
Kilaki ainda o olhava sem mudar sua expressão.
– Desista, Artur, ela é uma mulher muito fria em questão de amor — Shizue se jogou na cama — Como mesmo que você se casou com ela?
– Nunca amou verdadeiramente, Capitão?
– Um homem que viola uma mulher não é capaz de amar — Kilaki olhava friamente Shizue.
– E uma mãe que mata crianças também não — Shizue retrucou.
– Eiei, crianças — Artur batia palmas para chamar a atenção deles — Tenho realmente algo importante para dizer.
– E o que o Rei desejaria de guerreiros da linha de frente?
– Sorte sua ser eu a ter vindo se fosse outro General, não teria tanta paciência com sua falta de respeito, Capitão Shizue.
– É “Capitão Shinobu” para você.
Artur abriu a boca para dizer algo mas desistiu, em vez disso ele disse o que realmente iria dizer.
– É a Rainha, ela requisita a presensa de Kilaki Shimizu no palácio real manhã.
– E o que ela desejaria de mim? Me tirar da linha de frente seria o mesmo que desistir da batalha!
– Apenas sigo ordens, querida — Ele sorriu carinhosamente a ela — Não se preocupe, não haverá problema se eu ficar aqui — Olhou Shizue com um sorriso sínico nos lábios.
Kilaki se despediu ainda relutante, mas devia obedecer as ordens da Rainha. Montou em seu cavalo e saiu as preças. Chegando a Iohanan todos ainda estava dormindo enquanto ela passava pelas casas. Estava tudo tão silenciosos e denso, apenas ela e seu cavalo magro davam sinal de vida.
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Passos presunçosos entravam no palácio real. Os guardas pareciam zumbis que não faziam nada ou estavam dormindo em postos. Fácil. Em direção aos aposentos do rei a guarda devia estar mais atenta, mas não, ninguém estava lá, a passagem estava completamente livre. Correu para dentro. Um frio espalhou-se pelo seu corpo. Estendeu a espada de prata reluzente, refletindo o brilho da lua, sua decisão em fazer o que estava prestes a fazer não poderia ser mudada — acumulara aquele sentimento por muito tempo. O Rei dormia com o sono pesado que sempre teve, nem percebeu o que aconteceu, sua alma partiu a Seltece em dor e com ignorância. Ela corria para além dos portões grandes e pesados do palácio, a Excalibur fazia peso e foi largada em algum lugar do jardim, o manto negro que usava, agora repleto do sangue azul real de Miguel, nunca seria encontrado...

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