O Destino do Amor

17 Capítulo 17 - Um pouco de Jon - parte I


Notas iniciais
Quanto mais se sabe sobre alguém. Mais se gosta ou se detesta a pessoa. Vamos ver como eles evoluem...

O dia lentamente terminava. O primeiro dia inteiro de paz, sossego, e alguma conversa amena desde o casamento. Jon estava acomodado no pequeno sofá, com um copo de brandy na mão. Annie, da poltrona o observava. Ele havia falado, sobre si, coisas que ela considerava que todos soubessem.

Fora enviado para a escola interna aos cinco anos. Hilda o levara, e depois disso, era com ela que ele passava os verões. Enfurnado em uma gigantesca casa de campo do Duque de Hawkisn. Longe de pai e mãe e também de qualquer “amigo”.

— Por isso você é tão ligado a ela? – aquela informação era importante. – A Hilda?

Jon remexeu o copo na mão, balançando o líquido de um lado para o outro.

— Hilda não tem família, pai, mãe, irmãos... nunca se casou... ela se apegou a mim, e eu a ela. Confio nela

— Ela cuidou de você desde que nasceu?

— Sim... – ele desviou o olhar em direção ao da esposa. – Sua mãe cuidou de você?

Annie sorriu ao lembrar-se da mãe.

— Não tive alguém como Hilda na minha vida, se é isso que quer saber. Minha mãe cuidava de mim, ela era carinhosa, amável, passávamos muitas horas juntas.

— Quando ela morreu?

Aquela era uma lembrança dolorosa. Fora naquele ponto que sua vida tivera a primeira virada negativa.

— Eu ia fazer dez anos.

— E depois disso? O que aconteceu?

— Depois disso, meu pai ficou sozinho por algum tempo, então casou-se com Helen. Quando Fredy nasceu, fui enviada para a escola.

Jon se calou, parecia distante. Mas logo perguntou:

— Como sua madrasta é com você?

— Como toda madrasta geralmente é.

Não havia outro modo de falar sobre Helen. Elas não eram amigas. Nem próximas. Conviveram pouco e se falaram pouco. Algumas vezes Annie se sentia como se a esposa do pai a visse como um problema.

— Você não teve madrasta.

Ele estalou os lábios rapidamente antes de responder:

— E também não tive mãe... mas suponho que isso aconteça com muitas pessoas. Lembro que alguns colegas eram órfãos de mãe, outros de pai, havia um garoto que vivia com o avô...

Annie se sentiu perdida.

— Sua mãe morreu quando você era adulto.

Jon sorriu brevemente, precisaria explicar melhor aquele ponto.

— Exato! Porém, ela nunca se importou em fazer o “papel” de mãe.

Ela não soube que dizer, mas teve certeza de que a ausência materna provocou algum tipo de sentimento rejeição no homem que estava diante dela.

— Ela o rejeitou? – perguntou abertamente.

Os olhos escuros estavam levemente na penumbra. Annie queria identificar a reação de seu marido diante da pergunta, mas não conseguiu claramente.

— Ela sabia que tinha um filho... porém, pelo que entendi, ela nunca quis ser mãe, mas precisava ser. O Duque de Hawkins precisava de um herdeiro.

— Assim como você também precisa? – talvez estivesse entrando por um terreno complicado, que os levaria para um lugar indesejado, porém, ela precisava ver aquela pergunta respondida.

Jon não via problema naquele questionamento. Ele sabia bem porque queria um filho. E com certeza não era exatamente pelo mesmo motivo que o pai dele um dia quis um filho.

— Lhe expliquei naquela noite porque quero ter um filho. Não há motivos escusos nisso.

Annie lembrava.

— Então não será um problema se o primeiro a nascer for uma menina?

Ele sorriu de leve e colocou o copo vazio sobre a mesinha ao lado do sofá.

— Não havia pensado nessa possibilidade. Mas penso que gostarei de ter uma filha.

Saiu do sofá lentamente e se aproximou de Annie, estendendo a mão para ela.

— Você se incomodará se nosso contrato for mais longo do que o estipulado?

Annie aceitou a mão estendida e ficou em pé. Ela não se incomodaria em ter uma menina. E já não sabia se se incomodaria em prolongar o contrato.

— Poderei suportar. – respondeu baixo, sentindo os lábios dele descerem por seu queixo, em direção ao pescoço. – E você?

— Ah minha querida, se nossas tentativas forem como as últimas. Realmente não me importarei...

Annie abraçou a cintura masculina, passando as mãos sobre a camisa fina de algodão e sentiu algo sob seus dedos, era como uma cicatriz, longa, na base, perto do cós da calça.

— O que é isto? – perguntou passando os dedos por cima da saliência.

Jon se afastou do pescoço dela, automaticamente estendendo a mão na direção em que ela tocava.

— Um machucado antigo. – respondeu sem responder.

— Você deveria ser uma criança sapeca.

— Fui uma criança normal. – ele respondeu observando os olhos dela e sorrindo. – Você não tem marcas da infância?

— Oh não! Mamãe não era adepta do campo, ou de passeios ao ar livre. Ela tinha problemas respiratórios. Passava mal sempre que entrava em contato com plantas, ou animais. Nós ficávamos muito em casa.

Para ele aquela justificativa não cabia.

— Tenho muitas cicatrizes de machucados que aconteceram em casa. Como por exemplo: ao descer a escada pelo corrimão, ou ao saltar da janela do meu quarto para a árvore em frente, ou ainda, me esconder sobre o dossel...

Annie arregalou os olhos admirada.

— Senhor! E ainda considera ter sido uma criança normal? O que seus pais faziam quando você aprontava coisas desse tipo?

O interesse dela sobre a vida dele o agradava profundamente.

— Minha mãe nunca se incomodou, nem com meu comportamento, nem com machucados que viessem dele, isso era responsabilidade de Hilda. Meu pai... – ele suspirou rapidamente — geralmente tínhamos longas conversas regadas a chicotadas.

Assim que terminou a frase, ele viu pena estampada nos olhos dela. E se arrependeu de ter falado daquela forma. Pena não servia. Nunca lhe serviu. E tratou de remendar:

— Não se sinta mal por mim. Isso aconteceu durante pouco tempo, depois que fui para o colégio, tudo mudou.

Era mentira. Mas ele não contaria mais nada que pudesse atrair novamente aquele olhar piedoso sobre si.

— Mas você era criança e eles deveriam... – Annie era, e ele já deveria saber disso, uma inconformada com tudo o que considerava como injustiça.

Tentou reverter a opinião dela usando de argumentos dos quais se valera quando criança ou jovem.

— Annie, pais são assim. Meu colegas...

Ela o interrompeu:

— Pais não podem ser assim Jon! Os filhos devem ser corrigidos, mas também devem ser amados. – lentamente ela afagou a barba rala dele — E esse será o comportamento que esperarei de você quando tivermos um filho.

Ele selou rapidamente os lábios dela com os dele.

— Vou fazer o melhor que puder.

Ela o ajudaria a lembrar disso. Ele sabia. Annie não permitiria que ele cometesse com seus filhos a mesma atrocidade que seu pai cometia com ele. E estava satisfeito por isso.

Ela se recostou próximo ao ombro dele. Fechou os olhos ouvindo as batidas do coração de Jon. Cadenciadas, ritmadas, serenas. Ele afagou sua nuca com a ponta dos dedos provocando ondas de calor e frio.

— Que tal dormirmos no meu quarto esta noite? – Annie o ouviu sugerir.

— Seu quarto é maior do que o meu?

— Não, eles são praticamente iguais.

— Então não faz diferença o aposento em que dormiremos... – ela já estava gostando do quarto dela.

— Olhando a situação por esse ângulo, não faz mesmo. Mas, você seria a primeira mulher a dormir na minha cama... talvez isso faça alguma diferença.

Annie não conseguiu conter o riso. Era difícil acreditar naquilo.

— Você já teve tantas amantes! Agora quer me dizer que nunca uma mulher dormiu na sua cama?

Ele a afastou e parecia muito sério ao falar:

— Nunca trago “amantes” para a minha casa. E que história é essa de “tantas amantes”?

Jon parecia até ultrajado com o comentário dela.

— Soube que você era considerado o perigo dos homens casados... e que inclusive foi ameaçado de morte por causa de seus casos com mulheres comprometidas.

Como seu marido reagiria a tal informação?

Jon sequer se abalou.

— Nossa! Falam tudo isso sobre mim? Gostaria de saber o que mais fofocam a meu respeito... – brincou, ele sabia que era verdade. O último a jurá-lo de morte fora o Visconde de Dickinson, marido de Aisley Dickinson. Há praticamente um ano.

— Muitas coisas... mas você não me disse se é verdade ou não... foi ameaçado? Já foi desafiado para um duelo em nome da honra de alguma donzela ultrajada?

Ele riu.

— Não há mais duelos minha linda. Eles estão totalmente proibidos por lei. – mas sabia de alguns boçais que algumas vezes brigavam por causa de mulheres que não os mereciam. Ele jamais fizera ou faria tal coisa. – Mas a resposta é sim. Já tive problemas com maridos insatisfeitos com a satisfação que oferecia às sua esposas.

Annie apertou os olhos levemente diante do comentário do marido.

— Como você é presunçoso e arrogante!

— Sincero. – ele ergueu um dedo e o colocou sobre o queixo dela — Eu falo a verdade. Já lhe disse isso também.

E ela achava que poderia começar a crer nisso.

Os olhos de Annie brilharam. Suas faces rosadas estavam perto dos lábios dele. Jon podia sentir o aroma do sabonete que sua esposa usava no banho. O cheiro de ervas do cabelo claro e sedoso. Os seios arredondados contra seu peito. Imediatamente seu corpo reagiu.

Desceu as mãos em direção às nádegas firmes empurrando o quadril feminino contra seu corpo excitado. Ela sorriu e jogou a cabeça levemente para trás. Havia algo de inocente misturado com luxuria no comportamento dela que o atraia para perto. E acentuava seu desejo.

— Acho melhor irmos para o quarto... – ela falou baixinho.

— É, este sofá seria incômodo... – a boca dele sugou sedutoramente o lábio inferior dela. – mas este tapete me parece ótimo!

Automaticamente Annie olhou para o chão. Não era sobre isso que ela se expressava:

— Eu estava falando na possibilidade de alguém aparecer.

— Ninguém vai aparecer... – ele parecia muito certo disso – Todos sabem que não se perturba um casal recente.

Mesmo assim. Ela tinha medo de, de repente, ver alguém parado na porta a olhar para eles.

— A escada faz barulho. – ele usou outro argumento enquanto continuava a beijar o pescoço dela e desamarrar o vestido nas costas.

Annie continuou tensa, Jon se afastou dela o suficiente para esticar o braço e fechar a porta.

— Pronto senhora Hawkins, devidamente fechados neste cômodo.

Era a primeira vez que ela era chamada de senhora Hawkins.

— Venha sentar-se no meu colo. – ele a chamou para perto conduzindo-a para se acomodar em suas pernas.

A conversa estava definitivamente encerrada por aquele dia. Talvez no dia seguinte eles pudessem falar um pouco mais sobre o que não sabiam a respeito um do outro. De qualquer forma, Annie tinha muitas perguntas a fazer. Especialmente sobre as coisas das quais Daisy acusava seu marido de ter feito. Mas, haveria muito tempo para isso. Poderia seguir com calma por aquele caminho tão mais fácil de ser trilhado.

Notas finais
N/A: Ontem foi um dia muito complicado. Desculpem não ter postado. Espero que gostem do capítulo de hoje, não ficou muito grande, mas está entregue. BJ a todas as meninas que estão acompanhando. Um obrigada especial às meninas que deixam seus reviews. Nos vemos no próximo.