O Destino de dois Mundos
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Flashback ON
“ Era hora de ir. Há alguns dias vinha adiando essa decisão, porém não restava mais tempo. Já não podia mais arriscar aos outros como havia feito. Quantos ataques ainda teriam que acontecer para deixar de ser covarde e agir como havia sido ensinado? Coragem, fora uma de suas primeiras lições. E sacrifício estava sendo uma das mais duras.
- Só me resta dizer adeus... – sussurrou em um suspiro.
Virou-se. Enfim, dera as costas a tudo e a todos e seguia o caminho ao qual estava destinado. Já estava prestes a subir em seu navio quando ouviu algo:
- Legolas! – alguém gritou.
Não queria ficar para ouvir. Já era doloroso demais ter que dizer adeus e ainda tinha que lidar com alguém tentando evitar o inevitável?
- Legolas! – a voz foi se aproximando. E ele a distinguiu.
- Ireth? O que você... – ele começou.
- Legolas, o que você está fazendo? – a jovem elfa perguntou com urgência.
- Nada, eu só... – tentou mentir.
- Las, olhe pra mim. — ela levantou-lhe o queixo. – Estava indo embora, não estava?
- Ireth, você tem que entender... – começou. Inútil. Em poucos segundos fios de lágrimas escorriam pelo rosto dela.
- Por que você faria isso? Iriam embora sem se despedir! Iria me deixar aqui!
- Eu não tinha...
- Sim, você tinha a intenção! Senão iria atrás de mim e ao menos me daria um adeus! – seu tom era de desespero.
- Ireth, ouça-me! – ele segurou-lhe os braços – Eu preciso ir! Você não entende? Esse lugar será destruído por minha causa! Centenas de elfos morrerão por minha causa! Você morrerá por minha causa!
Legolas soltou os braços e tampou os olhos. Não queria chorar, não queria parecer fraco.
- Então me deixe ir com você. – ela quebrou o silêncio.
O elfo levantou os olhos e a encarou. Ficaram alguns segundos ali, perdidos em memórias e possibilidades até que ela quebrou o silêncio novamente.
- Você sabe que eu iria com você a qualquer lugar, não sabe?
- Sim, mas...
- Legolas, você foi a minha primeira e única definição para família. Você é tudo que eu tenho que me lembre quem eu sou. Por favor, não me obrigue a te perder.
- Ireth, não pode fazer isso. Não tem ideia de como dói ter que deixar tudo aqui: você, Ada, Elladan, Elrohir, Elrond, todos vocês. Não piore essa dor.
- Não tem ideia de como é ser deixada para trás.
A elfa se virou, trêmula, as lágrimas já não mais contidas, e foi caminhando de volta. Legolas sentiu seu coração doer no peito. Não podia fazê-la sofrer assim.
- Vamos então. – suspirou, sentindo-se derrotado.
E ele nunca esqueceu o sorriso que ela lhe deu quando se virou.”
Flashback OFF
Acordou de seus devaneios e se deu conta da realidade. Estava sentado em seu flet encarando a mata ao redor. Desceu e foi dar uma volta.
Já era o final do verão e as primeiras folhas começavam a se desprender de suas árvores. A floresta em que viviam não mudava muito, era sempre composta por cores delicadas, especialmente nesta época do ano, na qual um fino traço marrom se juntava a todo o verde daquele lugar maravilhoso. As árvores, uma beleza a parte, eram em sua maioria, espécies altas e fortes, porém também haviam pequenos arbustos espalhados no solo. Era um lugar abençoado por Iluvatar, principalmente para um elfo. Também havia pequenos animais: esquilos, macacos, entre tantos outros que tornavam o lugar ainda mais alegre.
As sombras já começavam a se alongar quando Legolas retornou ao flet:
- Onde estava? Já estava chamando toda a Arda para te procurar! – Ireth falou em tom de brincadeira.
- Fui dar uma volta... – respondeu.
Ireth se virou. Havia algo estranho em seu olhar, algo entre o medo e a surpresa.
- O que aconteceu? – Legolas perguntou, preocupado.
- De manhã, quando fui atrás de algumas frutas, julguei ter ouvido vozes.
- Vozes? De quem?
- Não sei... Eram dois homens, provavelmente humanos, porque acredito que não me ouviram quando me aproximei.
- O que diziam?
- Só consegui entender algumas frases, mas nenhuma faz sentido, era algo como “Aquele covarde, fugiu e deixou todos para trás”, “Só podia ser o filho daquele tal de Bill”, “O chefe não vai gostar nada”. Então um deles sugeriu entrarem na mata, mas o outro disse “Não, já estamos atrasados, podemos nos perder aí dentro”, então eu voltei, para te avisar, só que você já não estava aqui.
- Você não reconheceu as vozes?
- Não, não acredito que eu não conheça ninguém com essas vozes. Mas não moramos aqui desde que Aragorn se foi, muita coisa mudou, Legolas.
Ambos se perderam em uma série de lembranças. Mas logo voltaram a se preocupar.
- O que vamos fazer? – a menina perguntou.
- Não sei, mas não acredito que eu vá dormir essa noite. – Legolas respondeu pensativo.
Quem seriam aqueles homens? E o tal “chefe” a quem se referiam? E se...
- Legolas? Será que eles tiveram alguma coisa a ver com os ataques a Valinor?
- Não sei... Mas se sim, não são gente da Terra-Média, ao menos, não da Terra-Média que eu conheço.
Ficaram parados mais alguns instantes, refletindo sobre o que estaria implícito na conversa dos tais homens.
- De qualquer forma, não acho que possamos resolver nada agora. – a menina concluiu.
Naquela noite, nenhum dos dois foi capaz de adormecer. Concentravam-se em cada parte de sua mente, buscando qualquer evidência que pudesse levar a uma conclusão. Mas ela não veio, e as horas se passaram. Até que os primeiros raios de Sol começaram colorir o céu.
- Vou andar um pouco para organizar as ideias. – o rapaz procurou dar uma desculpa para ver se conseguia descobrir algo.
- Certo. Tente não se aproximar muito da parte norte da floresta, pode ser perigoso. – Ireth respondeu ainda absorta em seus próprios pensamentos.
- Olhe para mim. – ele pediu.
A elfa moveu os olhos devagar, como se estivesse com os olhos presos em algo e, enfim, fixou-os nos de seu irmão.
- Não saia daqui. Se vir alguém, corra, se não conseguir, grite. Entendeu?
- Sim, toron-nin.
Legolas ainda ficou ali alguns segundos, tentando sentir algo entranho no ar, mas, não obtendo sucesso, desceu do flet e foi caminhar entre as árvores. Não estava a dez metros de onde tinha deixado a irmã quando ouviu um estalo. Um galho de árvore se partindo ao ser pisado. Correu de volta. Ireth já havia descido, atenta a qualquer detalhe, fosse este um barulho ou um vulto. O arco preparado para matar o que quer que fosse.
Alguns metros a frente dos elfos alguns arbustos começaram a ser cortados, abrindo passagem para alguém. Qualquer ação precipitada poderia ser a última de qualquer um deles.
Notas finais
Nota da beta: Olá gente! Primeira fic que eu beto e espero que gostem da história da louca da Maria! Qualquer dúvida mandem comentários!
Ps.: Arda - Terra, mundo
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