Cam estava sobrevoando o mar, a água estava agitada. Ele mergulhou e nadou com a ajuda das asas, o que fazia ficar muito mais rápido. Em seguida saiu da água completamente molhado.

Começou a voar novamente, estava mais difícil por causa do peso da água em suas asas. Mas voo mais rápido possível e o vento foi secando-o. Quando já estava totalmente seco, avistou uma pequena ilha, não parecia ter muita coisa — tinha várias árvores, só — e ele esperava que não tivesse ninguém nela.

Cam aterrissou na pequena ilha. Era realmente um lugar muito bonito. Ele andou pela ilha e não tinha sinal de nenhuma pessoa.

Mesmo sendo o lugar ideal para ele naquele momento, ainda não estava satisfeito algo o incomodava, como se estivesse esquecendo de algo, como se solbesse que precisava de algo.

Ele fechou os olhos e se viu na Shoreline, viu Luce, viu alguns nefilim, mas algo lhe chamou atenção, algo entre os nefilim. Não. Algo, não. Alguém.

Mas não conseguia ver quem era. Era algo que lhe intrigava. Queria saber o que era. Será que havia algo ali para ele? Por que algo na Shoreline interessaria a cam?

Mas algo dizia para ele ir para Califórnia. — Onde se localizava a Shoreline. — Ele não sabia explicar, mas sabia que tinha algo que o atraía para lá.

Então estava resolvido. Ele iria para Califórnia. Mas não iria agora. Queria passar o dia ali mesmo, sentado na praia olhando o horizonte.

Ali ele se sentou na sombra de uma árvore — Que quando o vento batia caía muitas folhas sobre Cam, mas isso não o incomodou. -. O calor daquele lugar era intenso. Cam tirou a jaqueta para refrescar. Estava tudo muito calmo.

Sentiu uma brisa suave bater em seu rosto, causando-lhe um arrepio. Tudo parecia perfeito. Ficou ali parado por um longo tempo, mas logo mais lembranças começaram a aparecer. Cada vez mais elas o perseguiam.

Ela ficará longe do Grigori para sempre...Se não se apaixonar por ele...Meu plano é o seguinte...

Cam se levantou em umpulo. Queria afastar tais lembranças. Não importavam mais, mas ele sabia que sempre sentiria culpa por ter aceitado seguir aquele plano.

Como era inevitável, tentou deixar que as lembraças retornassem a sua mente. Aquilo era uma tortura, mas cedo ou tarde, as lembranças tomariam conta dele.

***

Alguns dias antes da reunião com Bill, Roland havia deixado escapar em uma conversa com Cam os planos de Daniel para a próxima vida de Luce.

Ele resolveu que dessa vez iria desistir de Luce, deixaria que ela vivesse sua vida como mortal. Não suportava mais ver o sofrimento da amada e de todos que estavam a sua volta. Vera — a antiga irmã de Luce — ficara totalmente desnorteada após a última morte de Luce que naquela vida era sua irmã. Daniel a viu sofrer e pela milésima vez sofrera junto com a família de Luce.

Cam muitas vezes antes tentou seduzir Lucinda e separá-la de Daniel. Mas era por diversão. Realmente gostava de Luce, mas não amara... ela.

Daniel e Cam estavam brigados desde o dia em que Cam passou para o outro lado. Assim acabaram passando de irmão a inimigos.

Logo Bill já sabia sobre os planos de Daniel. Com isso ele teria que fazer com que Luce não quisesse Daniel. A oportunidade era perfeita.

Bill já sabia sobre Luce não ter o pacto com o Trono. Que essa seria sua última vida. Ele sabia desde o início, sabia que Luce conseguia ver os Anunciadores, e que estava perto de quebrar a maldição.

Sabia que Daniel queria ficar longe dela e sabia que tentaria afastá-la de qualquer jeito. Então só teria de ter alguém que Luce pudesse confiar e colocar no lugar de Daniel. Esse alguém seria Cam.

Cam foi designado a separar Luce de Daniel, já que Luce sentia algo forte por Cam. Não tanto quanto Daniel, mas sentia uma atração.

Estava tudo planejado. Molly faria Luce se afastar de Daniel que também tentaria afastá-la — sem saber dos planos, ele acabaria ajudando sem querer. -.

Então Cam apareceria como seu amigo, alguém que Luce poderia confiar e amar. Quando Luce percebesse que Daniel não gostava dela, o esqueceria e ficaria com Cam. Assim, Daniel não teria sua amada nunca mais.Seria fácil afastá-la de Daniel -Pelo menos era o que ele achava.

Cam aceitou ajudá-lo e Molly também.

Só precisava fazer com que Luce fosse para Sword&Croos. Ele queria fazer isso com as próprias mãos. Então descobriu onde ela estava e procurou a oportunidade perfeita.

Ele seguiu Luce até descobrir sobre a festa de Rachel onde Luce fora. Então a seguiu até lá. Quando Trevor — um garoto que Luce gostava muito — a levou até uma cabana distante da festa, viu sua oportunidade chegar.

Ele se aproximou da cabana e olhou pela janela, Trevor estava beijando Luce, que parecia um pouco desconfortável. Bill sentiu o ódio se espalhar por seu corpo. Então resolveu, seria ali, naquele instante.

Antes de fazer qualquer coisa, percebeu que ela havia sentido a presensa de alguém. Mas isso não importava. Agora ele colocaria seu plano em ação.

Estralou os dedos e pequenas chamas começaram a queimar as paredes, logo, o fogo tinha tomado conta de tudo se espalhando rapidamente.

Luce se desesperou sentiu o calor tomar conta de tudo. Estava muito difícil respirar, a fumaça estava a deixando tonta e ela não conseguia enxegar nada.

Olhou para Trevor que estava com os olhos arregalados e brancos de medo. Luce foi pega por uma chama que atingiu uma parte de sua cabeça. Ela sentiu queimar e soltou um grito gritou. As lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ela estava desesperada.

Ele poderia deixá-la lá, morrer ali mesmo com aquele garoto insignificante. Mas nunca conseguiria.

Bill não poderia deixá-la lá. Ele entrou na cabana. Onde ele passava, as chamas se afastavam e abriam um caminho para ele passar. Ele chamou por Lucinda, e viu que acabara de desmaiar. Ele a retirou do chão e a segurou em seus braços e saiu de lá rapidamente.

Ao sair da cabana, deixou Luce sentada como se nada houvesse acontecido, ajeitou de um modo confortável e beijou sua testa suavemente.

Se afastando para que Luce fosse a única no lugar quando as pessoas chegassem. E foi o que aconteceu. As pessoas começaram a chegar e acusar Luce do que estava acontecendo.

Quando descobriram sobre a morte de Trevor, Luce foi expulsa da Dover — sua antiga escola -, teve de prestar vários depoimentos, foi acusada pela morte de Trevor e foi transferida para Swor&Croos. O reformatório mais próximo a sua casa.

Tudo estava indo como o planejado. Bill estava comemorando sua vitória. Mas ainda faltava muito para acabar.

***

Cam se levantou e viu que já estava anoitecendo. A maré havia subido tanto, que seus pés estavam molhados pelo mar. Ele não conseguia fugir de seus pensamentos, então resolveu começar sua viagem no mesmo instante.

Ele libertou suas asas, e começou a voar. O vento batia em seu peito nu lhe causando arrepios. O voo foi mais tranquilo do que imaginava.

Seus pensamentos não interferiram na viagem. Ele só voou. Sem pensar em nada nem em ninguém.

Na sua frente nuvens de chuva estavam em seu caminho. Ele geralmente evitava essas nuvens, mas até que seria divertido. Ele se jogou dentro das nuvens, atravessando rapidamente.

Ao sair do outro lado, seu cabelo estava grudado em sua testa e suas roupas estavam encharcadas. Cam começou a voar dando piruetas para conseguir se secar mais rapidamente.

Ele se deixou levar pela brisa e voou até o amanhecer. O sol começava a surgir no horizonte, trazendo os primeiros raios da manhã. O nascer do sol era uma coisa que Cam adorava ver. Lembrava-se de quando ia para festas e ficava até o sol nascer, ele adorava ver as ruas de manhã.

Aquele sol o aqueceu e deu mais energia para ir até Savanna mais rápido. Estava indo o mais rápido possível.

Já passava de dez horas da manhã quando Cam chegou. Ele estava na Sword&Cross. Caminhando pelo cemitério que era estranhamente torto.

Passou pelos túmulos que estavam terrivelmente sujos. Aquele lugar foi onde ele havia feito um piquenique com Luce; onde a beijou a força; onde teve a luta com os outros anjos. Parecia até que haviam se passado anos, não meses.

Escondeu suas asas um pouco antes de alguns alunos — provavelmente que haviam ficado na detenção — e uma outra figura -com certeza, treinadora Dante- passasseem por perto e o vissem.

Ele caminhou para fora do cemitério. Quando viu um grupo de garotas o olhando ele as ignorou e se virou em direção ao prédio onde ficavam os quartos dos alunos, e resolveu ir até seu antigo quarto pegar uma roupa.

Ele estava novamente naquele lugar que ele odiava mais do que tudo. Aquele lugar era terrivelmente horrível e com uma decoração de péssimo gosto.

Ele caminhou até o corredor sem graça com cheiro de mofo, onde as luzes nunca paravam de piscar e os vermelhos estavam sempre atentos, e andou até seu quarto. As lâmpadas piscavam conforme ele ia passando. Era realmente algo de assustar.

Uma garota loira com o estilo bem punk, que lembrava muito Molly passou por ele. Ele a reconheceu, era uma das amigas de Molly que viviam a seguindo. Ela parou na frente de Cam e abriu um sorriso malicioso para ele.

Então ela se virou e começou a se afastar, mas antes de ir embora, olhou para trás, Cam viu seus olhos azuis cheios de rímel e sombra preta. Olhos profundamente azuis. Em seguida ela se virou novamente e foi embora.

Cam chegou a uma porta olhou para cima e viu o número 44 escrito em uma pequena placa. Ele não tinha mais a chave, mas com um jeitinho ele conseguiu abri-la facilmente. Então ele deu dois passos para trás e forçou a porta colidindo contra ela — que caiu no chão segundos depois.

Ainda estava do jeito que ele havia deixado. Não parecia que alguém estivera ali depois dele, mesmo já fazendo um bom tempo.

Ele abriu as portas do seu armário e pegou uma camisa preta, a mesma que usava quando convidou Luce para sua festa. E em seguida, pegou outra jaqueta de couro que estava em cima da Cama.

Ao sair, Cam estava mais sério do que nunca. Se ele buscava esquecer das coisas, ali realmente não era o lugar certo para isso.Quando estava perto do prédio Pauline, ouviu uma voz conhecida. Ariane. O que ela estaria fazendo ali?

Cam pensou e achou que deveria ser para acertar tudo com a família de Luce. Cam realmente estava triste e sabia que seus pais Harry e Doreen estavam pior ainda. O casal era muito simpático e bem-humorado. Cam havia gostado dos dois.

Ele queria ajudá-los a superar isso — afinal, ele havia contribuído para que Luce fosse embora. Mas não sabia o que fazer, então decidiu deixar por conta de Ariane.

***

Voando pela cidade se recordou dos preparativos para a chegada de Luce.

"Depois dos planos de Bill, somente Cam, Molly e ele sabiam da chegada de Lucinda a Sword&Cross. Além de uma possível suspeita de que Gabbe também poderia saber.

Daniel estava tranquilo na Sword&Cross. Não conversava com ninguém. Estava só, mas estava tranquilo, pois ela não estava lá.

Provavelmente Gabbe havia alertado Roland e Ariane sobre Luce, pois os dois haviam saído um dia antes de sua chegada para comprar algumas coisas.

Porém, Daniel não saberia de nada. Eles não contariam a ele. Somente depois que Gabbe chegasse também. Gabbe havia pedido que Roland e Ariane mantivessem segredo.

Mas, no dia em queLuce chegaria, Daniel já sabia antes que lhe contassem. Os sinais. O frio intenso, os olhos no tom mais forte de violeta. Ela estava chegando e ele sentia."

Cam, naquela época só queria agradar seu mestre. Agora tudo estava diferente.

Ele resolveu caminhar. Desceu devagar, parando perto de um lugar um pouco deserto. Era uma estrada, do lado havia um rio que cheirava muito mal.

Mais a frente ele avistou um bar deprimente. Estava literalmente caindo aos pedaços. Não havia ninguém lá. A ultima vez que Cam esteve lá... Fazia muito tempo. Ele entrou naquele lugar.

Havia teias de aranha por toda parte e uma Camada grossa de poeira cobria mesas e cadeiras. Com certeza aquele lugar deve ter fechado depois da briguinha que ele havia tido com dois outros caras. O lugar tinha ficado destruído. E ainda estava.

Dentro do freezer, Cam achou duas garrafas de cerveja e se sentou apoiado no balcão sujo. Começou a beber. Já não fazia isso a mais ou menos dois meses. Muita coisa havia mudado desde aqueles dias na Sword&Croos.

Como ele poderia ter feito tudo aquilo? Era até um pouco difícil de entender. Só sabia que ela tinha feito aquilo com ele.

Ele não deixava perder-se em pensamentos, pois tinha medo do que poderia fazer. Sempre tentava bloquear seus pensamentos para poupar-se de se lembrar o grande idiota que foi.

Continuou a beber.

Depois de terminar sua garrafa, jogou no chão tudo que estava sobre o balcão empoeirado. Não aguentava aquele sofrimento.

Agora invejava os mortais por ser tão fácil suas vidas. se lembrou de seu amigo Carlos, ele viveria, poderia errar e se arrepender, mas um dia teria um fim ele viveria sua vida até não poder mais.

Não que Cam quisesse morrer, mas ele achava maravilhosa a forma como os humanos viviam. Eles cresciam, amavam, se arrependiam e um dia tudo acabaria.

Ele odiava sentir pena de si mesmo. Então se levantou da cadeira, pegou a segunda garrafa de cerveja e atirou-a na parede. O vidro atingiu a parede e se quebrou. Cacos de vidro se espalharam. A força de Cam fez com que alguns cacos batessem em seu próprio rosto causando-lhe arranhões.

O sangue começou a escorrer, e com a mesma rapidez que sua pele foi cortada, ela foi se curando sozinha. Os pequenos arranhões iam se fechando deixando somente as marcas do sangue que havia escorrido.

Cam sentia inveja dos mortais por isso também, ele nunca se machucaria como eles. Claro, tinham as setas estelares, mas isso era outra coisa.

Ele caminhou em direção a saída do bar. O chão estava sujo e havia rachaduras nas madeiras com se tivessem passado mil anos naquele lugar. Ele sentiu algo atrás dele e se virou rapidamente. Era somente um dos Anunciadores. Ele o ignorou, mas algo atrás daquela sombra. Um espelho. Viu seu reflexo no espelho empoeirado.

Foi se aproximando e limpou o espelho com a manga da jaqueta. Seu rosto estava ali. Um garoto de aparentemente não tinha mais que dezenove anos anos, tão branco, Com aqueles olhos verde-esmeralda que chamavam tanta atenção. Ele era realmente lindo.

Voltou a caminhar na direção da porta de saída,o chão rangia abaixo de seus pés. Fora isso o silêncio predominava naquele lugar. Cam sempre ia naquele lugar de baixo nível. Adorava dar uma de riquinho revoltado.

Fazia muita fama com as garotas. Elas praticamente caiam aos seus pés. Mas nenhuma jamais teria seu coração.

Pois ele só pertencia a uma garota, aquela que o abandonou. Aquela que duvidou do seu amor. A que fez com que ele fizesse todas as escolhas erradas.

Lilith.

Aquela garota por quem Cam havia se apaixonado e iria se casar. Até ela ficar indignada por não casar dento de uma igreja.

Mesmo que quisesse — e Cam não queria — não poderia entrar em nenhuma igreja, ou a destruiria. Nunca poderia contar isso a ela. Que o largou em Jerusalém e ele nunca mais a viu depois daquela discussão. Depois disso ele largou tudo e fez sua escolha. O inferno.

Ele resolveu falar com Steven, um professor da Shoreline e amigo de Cam.

O professor junto com Francesca, sua noiva faziam uma ótima dupla de professores — um demônio e um anjo — muito atraente.

Cam gostava de conversar com ele, pois ao contrário dos outros ele nunca fazia com que se sentisse errado e não queria fazê-lo mudar de ideia. Ele era a pessoa certa para esse momento.

Agora ele já deveria ter voltado para Shoreline. Ainda tinha alguns dias antes do fim do ano. Então Cam teria que ir até lá agora. Pois talvez ele não estivesse mais lá depois.

Ele saiu do bar e voltou a Caminhar em direção a um ponto de ônibus.

Ao chegar ao aeroporto, Cam comprou sua passagem — com o dinheiro que pegou no seu quarto na Sword&Croos- e foi até a sala de espera.

Esperou até dar o horário e embarcou no seu avião. Ele gostava de estar entre humanos. Era divertido ver as várias maneiras como se comportavam.

Alguns ficavam com medo durante a decolagem, chegavam a chorar. Um homem sentado na frente de Cam estava disfarçando o medo com uma revista na frente do rosto, Cam teve que conter a risada.

Outras duas garotas sentadas uma perto da outra, ficavam olhando Cam e quando ele olhava para elas, elas começavam a dar risadinhas e cochichar uma pra outra algo. Elas não deviam perceber, mas Cam estava se divertindo com a situação.

Esse tipo de viagem o acalmava. Ele não precisava se esforçar para bater as asas. Só precisava sentar e relaxar. Ele fechou os olhos e sentiu o avião decolar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.