O Destino de Cada Coração Iv
2 O Veneno Da Destruição (x)
Kouga caminhou solitário pela floresta até chegar à clareira onde haviam ficado Hakkaku e Ginta.– Kouga! – A princípio, Ginta acenou alegremente, mas parou ao notar a ira no rosto de seu líder. – O que aconteceu?Kouga passou por eles e sentou-se emburrado sobre uma pedra.– Nada que interesse a vocês dois! – É melhor não ficar enchendo ele de perguntas... – Sussurrou Hakkaku para Ginta.– É, ele está de péssimo humor...Ginta concordou com o companheiro, mas ambos se assustaram com a pergunta de Kouga.– O que os dois estão cochichando aí?– Nada! Nadinha, Kouga! – Os dois responderam ao mesmo tempo.Kouga voltou seu olhar para o céu. Primeiramente, viu o rosto sorridente de Kagome. Lembrou-se de seu doce cheiro. Fechou os olhos e divagou um pouco. Veio-lhe a mente também o rosto do ser que tanto desprezava, agora mais do que nunca. Encheu-se de ira novamente e socou uma pedra diante de si, fazendo-a em pedaços.
– Aquele hanyou miserável!– V-v-você está falando de Inu-Yasha, Kouga? – Perguntou Ginta, um tanto receoso.– E por acaso você conhece algum outro hanyou desprezível, Ginta? – Levantou seu punho.– Hei, calma, Kouga! O que foi que aconteceu?Hakkaku segurou o punho de Kouga, que logo se desarmou. Eram seus companheiros diante de si, não seus inimigos. Eles não tinham culpa de nada. Kouga abaixou a cabeça e reclamou, mais para si mesmo do que para os dois que estavam ao seu lado.– Eu perdi a Kagome...– Como... Ginta não chegou a terminar a pergunta, pois foi interrompido pela mão de Hakkaku em seu ombro. Hakkaku acenou com a cabeça de forma negativa e Ginta compreendeu. Aquela não era hora de ficarem fazendo perguntas. A ferida ainda estava aberta.Kouga virou-se de costas para seus companheiros e sentou-se sobre a relva. Ele ficou olhando para a grama. Em breve aquele solo estaria coberto de neve. “Você tirou a neve do meu coração, Kagome... Como pôde se entregar àquele maldito?!”. Alguma coisa incomodava seus olhos e logo estavam embaçados. Apertou a vista e as folhas de grama receberam suas lágrimas. Ele queria parar, mas não conseguia contê-las. Desciam compulsoriamente por seu rosto, fora de seu controle, assim como estava seu coração. Batia aceleradamente dentro de seu peito.– Eu é que deveria ser o pai do seu filho! – Gritou para o ar, esquecendo-se de seus companheiros atrás de si.– Filho?Ginta sussurrou sua pergunta para Hakkaku, já que não queria perturbar Kouga. Hakkaku apenas suspirou e deu de ombros. Kouga continuava divagando e falando consigo mesmo.– Eu faria qualquer coisa para ter você comigo, Kagome...Uma voz sombria e rouca ecoou, saindo de detrás das árvores.– Qualquer coisa?Kouga levantou-se e olhou ao redor. Não dava para saber de onde vinha aquela voz.– Quem está aí?– Faria realmente qualquer coisa para ter aquela mulher? Posso ajudá-lo a tê-la só para você...Os dois companheiros de Kouga se levantaram assustados e correram até seu líder.– Hei, Kouga... Vamos sair daqui. – Disse Ginta.– É, essa coisa me dá arrepios...– Seus dois medrosos... – Interrompeu Kouga. – Por acaso vocês acham que eu vou correr de uma voz qualquer? – Para as árvores a sua frente. – Por que não se mostra?– Sou uma criatura muito frágil, meu caro príncipe lobo... Não posso mostrar-me a não ser que tenha certeza de que estarei seguro.Kouga cruzou os braços, meio desconfiado.– Como sabe quem eu sou?– E quem não conhece o grande o lobo guerreiro Kouga?– Isso está me cheirando a tapeação... O que você disse é verdade? – Apesar de desconfiar da criatura escondida na vegetação, não queria desperdiçar a chance de ter Kagome.– Sim, é... Posso ajudá-lo a possuir aquela moça e ela sempre será sua...– Kouga, você não pode confiar nessa coisa! – Exclamou Hakkaku.– Tem algo estranho...– Ah, calem a boca vocês dois! – Aproximou-se de onde achava vir aquela voz. – O que quer em troca?– Quase nada... Mas garanto que os dois estarão juntos... Temos um acordo?Kouga pensou duas vezes antes de concordar, mas era tentação demais. Poder tomar Kagome de Inu-Yasha e ficar com ela para sempre. Era uma chance que não poderia deixar passar. Notou uma sombra disforme passando atrás de uma árvore.– Está bem, temos um acordo. Mas se você não conseguir cumprir sua parte não receberá nada!– Eu sempre cumpro minha parte, mas eu cobro adiantado... – Um fino facho de luz saiu daquela sombra e passou rente pela face de Kouga, causando-lhe um pequeno corte. Kouga colocou a mão sobre o rosto e notou que sangrava.– Que traição é essa? – Olhou para frente. – Quem é você?– Seu corpo forte com fragmentos da Jóia de Quatro Almas me ajudará muito...– O quê?Kouga não acreditou nas palavras que ouviu e notou uma forma sair de detrás da árvore. Era uma criatura gelatinosa, de cor avermelhada. Não possuía braços, pernas ou cabeça. Movia-se em direção a Kouga, deixando um rastro úmido, como o de uma lesma. Subitamente saltou sobre o lobo e começou a entrar em seu corpo pelo ferimento do rosto. Hakkaku e Ginta correram e tentaram ajudar Kouga a livrar-se daquela coisa, mas foram arremessados contra as árvores, caindo descordados.
– Seu miserável! – Tentava soltar-se inutilmente, pois a criatura esvaia-se por entre suas mãos. – Você mentiu!– Eu não menti. Eu disse que a entregaria a você, só não disse como... Meu pai renascerá de novo!– Pai?! – Sentiu um frio no estômago. – “Será possível?”. Você é mais um dos clones de Naraku?– Antes da batalha final contra Inu-Yasha, meu pai quis se certificar de que poderia sobreviver caso seu plano desse errado. Retirou parte de seu próprio sangue e deu-lhe vida para procurar um corpo que pudesse abrigá-lo novamente. – Não... não pode ser... – Kouga caiu sobre os joelhos. Sentia-se sufocado e fraco.– Naraku está morto, mas eu, Hakaidoku, continuarei seu desejo!– Não!Era tarde demais. Hakaidoku havia entrado completamente em seu corpo, assumindo o controle. =================================================(x) Veneno da destruição – Significado literal do nome do vilão que surge neste capítulo, Hakaidoku-x- Continua no próximo cap -x-
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