O Destino de Cada Coração Iv
8 Morte E Ressurreição
Inu-Yasha retornou ao vilarejo e parou diante da cabana de Kaede, onde encontrou com Sango e Miroku. Ele havia saído para procurar por Sesshoumaru, pois Kagome havia começado a passar mal e ficou aos cuidados de Kaede. Sango aproximou-se de Inu-Yasha, esperançosa.– Algum sinal deles, Inu-Yasha?– Não, nada, Sango... Quando Sesshoumaru quer, sabe como não ser encontrado.Havia um tom melancólico em sua voz. Miroku aproximou-se e colocou a mão sobre o ombro dele.– Não se preocupe, Inu-Yasha. Tenho certeza de que ele não culpa você pelo o que aconteceu a Setsuna e logo eles vão voltar. Acho que ele só queria um tempo.– Talvez você tenha razão... E quanto àquele lobo fedido?
– Ele está bem preso na outra cabana e aqueles dois amigos dele estão lá também. – Respondeu Sango. – Pode estar certo de uma coisa, ferido e fraco como está, não vai conseguir escapar. – Notou Kaede sair da cabana. – E então, senhora Kaede? Kagome ainda está dormindo?O rosto sério da sacerdotisa era muito preocupante.– Inu-Yasha, tenho que lhe dizer algo... Enquanto estiveram fora, Kagome piorou muito...– Ora, velhota, o que quer dizer com piorou?– Ela começou a ter hemorragia... Está perdendo a criança e se algo não for feito logo, ela também pode morrer.O ar escapou de seus pulmões e ele cerrou o punho. “Não pode ser!”.– O que você está dizendo, velhota? Por que não fez alguma coisa?– Acalme-se, Inu-Yasha. Eu fiz tudo o que podia, mas não consegui parar a hemorragia...– Saia da minha frente!Empurrando Kaede para o lado, entrou rapidamente na cabana.– Inu-Yasha! – Miroku amparou a velha senhora.– Deixe, Miroku... Ele não vai ouvir ninguém agora. É melhor deixarmos os dois um pouco sozinhos.“Se ao menos Sesshoumaru estivesse aqui...”, pensou Sango. Escutaram um grito de Shippou, que acabou sendo arremessado para fora da cabana. Sango se adiantou e o segurou no colo.– O que foi que eu fiz, Inu-Yasha? – Exclamou a raposinha. – Que mau humor!Dentro da cabana, Inu-Yasha viu Kagome deitada sobre o futon. Estava deitada de lado, encolhida, com muitas dores e suava muito. Ele se aproximou e se sentou ao lado dela. Afastou as mechas de cabelos da testa dela e percebeu que ardia em febre.– Kagome... Por que não disse que estava assim tão mal?– Inu-Yasha... Não me dei conta de que era tão sério... Me desculpe...Fez um esforço para sentar-se e tossiu um pouco.– Sua boba! Pare de fazer esforço!Finalmente ela se deixou cair no colo dele, abraçando-o e recostando a cabeça em seu peito. Ele também a abraçou com os olhos rasos de lágrimas.– Eu só quero ficar no seu colo um pouquinho...A voz dela era como um sussurro e logo ela novamente adormeceu. Àquela altura, ele já não sabia mais se era um bom sinal.– Acorde, Kagome... Não faça isso comigo... Vamos, acorde!Os olhos dela não abriam e, pouco a pouco, o desespero tomava conta dele. “Maldição! O que eu faço? Nunca quis tanto o Sesshoumaru por perto como agora...”.Miroku, Sango, Shippou e Kaede esperavam do lado de fora da cabana receiosamente, mas não havia mais nada que pudessem fazer por Kagome, a não ser rezar.– Que droga! Eu me sinto uma inútil!– Calma, Sango... – Disse Miroku, abraçando-a. – Vamos esperar pelo melhor...Notaram Inu-Yasha sair da cabana e, em seu rosto, havia muita raiva.– Inu-Yasha?...O hanyou ignorou a pergunta de Kaede e olhou para o lado, apontando uma cabana.– É lá que ele está?– Inu-Yasha, espere um pouco. – Pediu Sango.Sem prestar mais atenção aos seus amigos, Inu-Yasha deu as costas e seguiu em direção à cabana. Shippou desceu do colo e Sango e ficou observando o hanyou, até com uma certa pena do lobo.– Acho que agora é o fim do Kouga...Sango olhou curiosamente para Miroku e o indagou.– E nós não vamos fazer nada?– Você quer se arriscar, Sango?– Mas, Miroku...– Não se preocupe. Eu acho que Inu-Yasha não irá matá-lo. Pelo menos, não por enquanto.Kouga estava sentado no chão de uma jaula, dentro da cabana. Sua prisão não era muito grande, o impedia de ficar de pé. Seus dois companheiros dormiam em um canto. O que sobrara de seu braço estava enfaixado, protegendo o ferimento. Seus pensamentos o torturavam e consumiam, pois não conseguia esquecer a forma como a machucara. “Kagome... Eu sinto muito...”. E apesar de ter percebido a presença de Inu-Yasha, não pôde encará-lo, mantendo-se cabisbaixo. Inu-Yasha se aproximou e se sentou no chão, diante do lobo, com um olhar acusador.– Ela está morrendo, Kouga...Foi uma das poucas vezes que Inu-Yasha o chamou pelo nome. E, naquele momento, em sua voz não havia sinal de retaliação. Era mais como se estivesse pedindo ajuda. Kouga não sabia o quão grave era a situação, só sabia que a tinha ferido.– O que você quer que eu faça, Inu-Yasha?
– Você já fez o suficiente...Dessa vez, Inu-Yasha usou um tom de ironia, o que irritou o lobo. Kouga levantou o olhar e o encarou, revelando a tristeza e as lágrimas em seus olhos.– E você acha que eu queria machucá-la de propósito?– Que bela desculpa você arrumou... Você foi um fraco! Deixou que aquela coisa o controlasse e agora...Sua frase foi interrompida pelo nó em sua garganta. As palavras estavam presas, junto com a vontade que sentia de querer retalhar o ser diante dele.– Você veio aqui só para me torturar, Inu-Yasha? Eu não queria machucar a Kagome! Eu preferiria que você tivesse me matado com a sua espada!Fez-se silêncio entre ambos por alguns instantes, durante os quais Inu-Yasha se acalmou e se levantou.– Por mais que eu não queira admitir, Kouga, a Kagome se importa com você. Ela acha que você é uma boa pessoa. Ela não gostaria que você morresse pelas minhas mãos... Você diz que a ama e espalha isso aos quatro ventos. Mas nem mesmo todo esse amor, que você diz sentir por ela, foi suficiente para impedi-lo de atacá-la a sangue frio, não é mesmo?O lobo engoliu a seco aquelas palavras e baixou o olhar. A culpa o consumia e não podia encarar os olhos do hanyou. “Ele tem razão... Eu fui presunçoso e egoísta e, por isso, acabei caindo na armadilha daquele monstro...”. Notou que Inu-Yasha caminhava para a porta.– Inu-Yasha... Me mate de uma vez...O hanyou parou diante da saída do cômodo, sem olhar para o lobo.– Eu não pretendo matar você. Mas se algo de pior acontecer, não haverá mais nada que me impeça, seu lobo maldito... Só que você vai desejar que Sesshoumaru tivesse arrancado seu coração ao invés de seu braço...Saiu da cabana e notou que o amanhecer chegava. Os primeiros raios de sol cruzavam o céu e ele pôde ver o sol surgindo no horizonte. “Kagome... Já assistimos juntos esse sol tantas vezes... Tantas vezes o vimos nascer e se por, mas não agora...”. Estava tão absorto em seus pensamentos que mal percebeu Kaede se aproximar.– Inu-Yasha?– Hã? Kaede... Eu... Eu... Eu sinto muito por...– Tudo bem, Inu-Yasha... Eu entendo.Ele olhou ao redor e notou que só haviam eles dois ali naquele lugar.– Onde está todo mundo?– Estão lá dentro, com Kagome. Inu-Yasha, você...– Eu volto logo... Cuide dela para mim, Kaede...Ele saiu caminhando, meio que sem rumo, deixando a velha sacerdotisa para trás. Durante a trilha que percorria, pensamentos o assolavam. “Como pude deixar isso acontecer? A Kikyou foi morta pelo Naraku e, agora, uma de suas crias deixou a Kagome a beira da morte... Maldição! Eu sempre acabo fazendo alguém sofrer...”. Não se deu conta do quanto caminhara até parar diante da Árvore Sagrada. Algo nela o chamava e, diferentemente das outras árvores ao redor, esta ainda conservava parte de sua folhagem. Ele observou a copa quase desnuda daquela imensa árvore, por onde os primeiros raios de sol atravessavam. “Foi aqui... Foi aqui que a Kikyou lacrou meu coração com sua flecha... Mas, também foi aqui que ele despertou, pela Kagome...”. Ele respirou profundamente.– Me diga, Árvore Sagrada, o que eu devo fazer?-x-x-x-x-x-Sesshoumaru interrompeu seus passos e voltou seu olhar para a direção onde deveria estar o vilarejo do qual tinha saído e no qual ficara Inu-Yasha. Jyaken, que vinha logo atrás dele, não percebeu que seu mestre havia parado e esbarrou em sua perna. Logo que se deu conta de onde havia batido, tratou de ajoelhar-se, fazendo reverências. Rin ria da situação, montada sobre Ah-Un.– Perdão, senhor Sesshoumaru! Eu sou mesmo um imbecil! Me perdoe por ter esbarrado no senhor! Perdão! – E ficou com a cara colada no chão.Sesshoumaru não estava prestando atenção no que o assustado servo dizia. Seu olhar era concentrado em outra direção.– O que foi, meu senhor? – Indagou Setsuna, aproximando-se dele.Ele nada respondeu e continuou a caminhar. Setsuna resolveu olhar a mesma direção que antes Sesshoumaru observava. Logo foi tomada pela angústia e ouviu uma voz em sua mente, uma súplica. “Socorro!”. Assustou-se ao sentir a mão de Sesshoumaru em seu ombro.– Setsuna?– Ouvi alguém gritar por socorro... – Encarou-o com tremenda angústia.– Você sabe quem era?– Sim... Era Kagome...-x-x-x-x-x-O vento balançava os galhos da Árvore Sagrada, levando o restante das folhas que neles ainda permaneciam. Logo os galhos dela estariam completamente desnudos. Mas alguma coisa naquelas folhas que caíam chamou a atenção de Inu-Yasha. Ele ficou observando a direção para a qual elas eram levadas, conhecia bem aquela trilha. Foi então que, como um estalo, lembrou-se de algo.– Por que eu não pensei nisso antes?Voltou correndo para o vilarejo e adentrou a cabana de Kaede apressadamente. Pegou Kagome no colo e saiu, deixando todos confusos. Miroku, Sango e Shippou trataram de seguí-lo.– Inu-Yasha! Ela tem que descansar! Assim você só vai piorar as coisas!– Eu não tenho tempo para ficar discutindo com você agora, Miroku!Ele continuou correndo até se deparar com Kaede.– Inu-Yasha, o que está fazendo? Ela não pode viajar neste estado!– Você não disse que não podia fazer mais nada? Vou levá-la de volta para o mundo dela. Talvez os médicos de lá possam fazer algo...Sem dar atenção a qualquer outro comentário partiu em direção ao poço. Shippou, meio desesperado correu alguns metros atrás do hanyou, inutilmente.– Inu-Yasha! Espere!Sango ficou observando a face séria de Miroku.– O que foi? Você acha que não foi uma boa idéia?– Acho que foi a melhor idéia que ele poderia ter. Mas será que mesmo os médicos do mundo da Kagome vão poder ajudar? Ela parecia muito mal, Sango...– Não seja pessimista, Miroku! A Kagome vai ficar bem! Ela tem que ficar bem!A essa altura, sua voz já estava embargada e as lágrimas desciam pela sua face. Sango escondeu o rosto nas mãos e, depois, sentiu o abraço caloroso do monge.– Sango, eu também quero o melhor, mas não se iluda. – Murmurou ele, enquanto a envolvia.-x-x-x-x-x-– Vovô! Vovô!Gritava a mãe de Kagome adentrando o pátio do templo. O velho sacerdote, como de costume, estava varrendo o pátio. Ela aproximou-se dele correndo, seguida por Souta. Quando parou, apoiou as mãos nos joelhos e tentou recuperar o fôlego.– Minha querida, para que esse alvoroço? – Perguntou o velho.– Vovô, o senhor se lembra daquele crédito que eu pedi ao banco para financiar um carro?– Sim, me lembro. Mas o que tem isso?Sem poder se conter de euforia, Souta revelou a notícia.– A mamãe conseguiu o crédito!– O quê?– É, sim, vovô. E tem mais... Hoje, eu e Souta fomos a uma concessionária. Adivinha?– Compramos o carro! Ele é novinho, todo branco e tem ar-condicionado! – Finalizou o menino.Souta mal continha sua empolgação. Saltitava de alegria, fazendo com que, tanto sua mãe como seu avô, sorrissem. O que não sabiam era que esses sorrisos seriam tão bruscamente cessados. Bem ao lado deles, estava o pequeno templo que abrigava o poço Come-Ossos. E por ele chegava Inu-Yasha, com Kagome em seus braços, inconsciente. O hanyou subiu correndo as escadas e parou diante da porta ao escutar risadas. Olhou por uma fresta e os viu felizes. “Como é que vou explicar o que aconteceu a eles?”. Olhou preocupadamente para Kagome. Ela ardia em febre. Olhou para poço atrás de si e lembrou-se que fora naquele mesmo lugar, durante uma noite chuvosa, que ela dissera que o amava pela primeira vez e, no dia seguinte, ele havia feito uma promessa à mãe dela. “Eu só não quero que ela se magoe, você me entende?”, foram estas as palavras dela. E ele agora retornava com Kagome naquele estado. Ele retirou os fragmentos da Jóia que estavam com ela, guardando-os em seu quimono, e olhou novamente pela fresta. Encheu o peito de ar e deu um chute na porta, que se abriu, assustando os três no pátio. A princípio, a mãe de Kagome não conseguiu identificar quem estava saindo do templo.– Mas o quê?... – Notou que Inu-Yasha saia daquele pequeno templo, carregando Kagome. – Oh, meu Deus! Kagome! – Ela correu até ele e tomou sua filha, sentando-se no chão com ela em seu colo. – Minha filha, o que aconteceu?Kagome não respondia, permanecia desacordada nos braços de sua mãe, que levantou o olhar e encarou Inu-Yasha acusadoramente.
– Como pôde deixar isso acontecer, Inu-Yasha? – Ele ficou paralisado. Não sabia o que dizer a ela, nem mesmo sobre a gravidez. Percebeu que ela começou a se levantar. – Preciso levá-la para o hospital.– Deixa eu ajudar...Ele estendeu a mão, mas a mãe de Kagome deu-lhe um tapa, afastando-a.– Não encoste na minha filha, seu... – Ela interrompeu suas palavras, havia pensado coisas horríveis dele.– A palavra que queria dizer era ‘monstro’, não era? Eu sinto muito. Se eu pudesse trocar de lugar com ela, o faria sem pensar, mas não posso... A trouxe até aqui nesse estado porque não sabia mais o que fazer para salvá-la...Ela o olhou e então sentiu seu filho Souta puxando sua blusa.– Mamãe, por favor. Eu acredito nele...Os olhos dele eram suplicantes e ela se comoveu. Para a surpresa de Inu-Yasha, ela lhe devolveu sua filha.– Me ajude a levá-la até o carro, Inu-Yasha. Vamos ao hospital agora.Ele assentiu com a cabeça e seguiram para o carro. O avô permaneceu no templo, tomando conta do lugar.-x-x-x-x-x-No vilarejo de Kaede, dentro de sua cabana, a velha sacerdotisa, remexia um cozido. Miroku estava sentado em um canto, enquanto Sango repousava sua cabeça em seu colo e recebia as carícias do monge em seus cabelos. Shippou, fungando ainda, estava olhando para o fogo.– Eu queria saber como a Kagome está...– Não fique desse jeito, Shippou...Miroku só queria tentar confortar Shippou, mas suas palavras pareceram surtir efeito contrário. O pequenino o encarou aos gritos.– E você? Parece que não está nem aí se a Kagome morrer ou viver!– Shippou, se acalme.– Você não é um monge? Por que não faz uma reza ou algo assim? – Ele notou que o monge o olhou tristemente, mas resolveu não dar o braço a torcer. – Eu vou ficar lá no poço esperando a Kagome voltar! – Saiu correndo em direção a porta.– Espere, Shippou! Está frio lá fora!Kaede levantou-se para tentar impedir a saída de Shippou. Mas antes que a raposinha saísse, esbarrou nos pés de uma moça que entrava na cabana. Quando levantou o olhar, surpreendeu-se.– Setsuna? – Murmurou Shippou.– Aonde vais, criança? – Olhou ao redor e deu por falta de Kagome.Sango levantou-se e caminhou até Setsuna.– Graças a Deus você voltou... Sesshoumaru está com você?– Sim... Onde está Kagome?– Inu-Yasha a levou de volta para o mundo dela. Lá os médicos têm muitos recursos. – Explicou Kaede.– Mas não serão suficientes, senhora. Como posso ir até lá?– Não pode... – Shippou ainda fungava e tinha os olhos cheios de lágrimas. – Só o Inu-Yasha e portadores de fragmentos da Jóia de Quatro Almas podem passar pelo poço e chegar no mundo da Kagome...– Jóia de Quatro Almas...Setsuna saiu da cabana e parou alguns metros depois, olhando para outra cabana. Era onde estava Kouga. Sango a seguiu, curiosa.– O que foi, Setsuna?– Sinto a presença de fragmentos naquele lugar... É o lobo, não é?– Ele jamais vai lhe dar aqueles fragmentos, Setsuna.– Veremos.A jovem seguiu caminhando em direção àquela cabana e nela entrou. Sango notou a aproximação de Sesshoumaru, seguido por Jyaken, Rin e Ah-Un. Miroku e Kaede saíram, mas Shippou permaneceu dentro da cabana. Rin perguntou por ele e Kaede informou que ele estava muito deprimido. Então a garotinha decidiu entrar, seguida por Jyaken. Sesshoumaru parecia estranhamente calmo, olhando para o local onde Setsuna havia entrado.Kouga estava quase que adormecido, quando sentiu uma presença. Ao abrir seus olhos, espantou-se ao ver a jovem que, no dia anterior, ele havia matado e que agora estava viva, diante de si.– Não te preocupes, Kouga...– Mas o que é isso? Por acaso eu morri e fui para o inferno dar de cara com você? Ou você apenas voltou dos mortos para me assombrar?– Nenhum de nós dois está morto.– Mas eu matei você! – Desconfiado, observou Setsuna sentar-se diante dele.– Sim, mataste... Feliz? – Ele baixou o olhar. – Acho que não. Meu senhor possui uma espada que pode ressuscitar os mortos. Por isso estou aqui, diante de ti, para pedir por Kagome.– Como ela está? Inu-Yasha disse...– Que ela está morrendo? É verdade o que ele disse. Mas a espada de meu senhor pode salvá-la, só que eu preciso chegar até ela.– Mas como assim? Pensei que ela estivesse aqui.– Não, não está. E, meu caro lobo, só posso alcançá-la se tiver fragmentos da Jóia de Quatro Almas. Os fragmentos que estavam neste vilarejo foram-se com ela e agora...– Você quer os meus fragmentos, não é isso? Como posso saber se o que diz é verdade?– Não podes... Embora eu mesma seja a prova viva de que ela pode ser salva. – Olhou para o toco de braço enfaixado dele. – Também posso trazer teu braço de volta.– Está querendo barganhar, garota? O meu braço pelos fragmentos?– Jamais tive tal intenção. Na verdade, só poderei fazê-lo daqui a nove meses... Eu estava contando com o que sentes por Kagome. Se entregar-me-ia teus fragmentos caso acreditasses que isto a salvaria.Kouga fitou a mulher diante de si por um momento. “Jamais vou saber se ela está dizendo a verdade, mas... Não posso errar de novo e permitir que Kagome morra...”. Ele olhou para suas pernas e retirou os fragmentos, os quais entregou a Setsuna através das grades. Ela se levantou e caminhou até a porta.– Obrigada. Quanto a teu braço...– Só quero que a salve. Nada mais me importa...– Está certo. Mas se o quiseres de volta, daqui a nove meses poderei realizar teu desejo. – Saiu da cabana.“O desejo que mais quero você não pode realizar, bruxa... Não pretendo estar vivo daqui a nove meses.”, pensou o lobo. Observou com certo ódio o seu braço. Sesshoumaru o havia destruído, mas não era por ele o ódio que sentia e que fazia seu sangue ferver. Era por aquele que o usara para ferir a mulher que ele amava. “Hakaidoku, aquele maldito...”. Nesse momento, Hakkaku e Ginta entraram pela porta, com uma cesta de frutas.– O que aquela mulher queria com você, Kouga?– Nada, Hakkaku. Demoraram muito para voltar.– Não foi fácil encontrar o que você pediu, Kouga. Ninguém vai dar uma faca de bandeja para dois youkais... – Argumentou Ginta.– Conseguiram ou não?– Está aqui. – E, de dentro da cesta de frutas, Hakkaku tirou uma pequena adaga.-x-x-x-x-x-Ao chegarem ao hospital, a confusão foi armada. Enquanto Souta convencia as pessoas de que Inu-Yasha era do circo, Kagome era colocada em uma maca e levada para a emergência. Inu-Yasha não entendia nada daqueles aparatos e de toda aquela confusão no pronto-socorro. Não sabia sequer que o nome era esse. A única coisa que lhe interessava era se aquilo tudo poderia salvar a vida de Kagome. Souta e sua mãe se sentaram no banco de espera. Então Inu-Yasha lembrou-se de que nada havia dito sobre a gravidez. Foi até a atendente no balcão de recepção e pediu-lhe que avisasse o médico. Depois que a atendente saiu, Inu-Yasha virou-se e olhou para a mãe de Kagome, no final daquele longo corredor branco. Ela olhava tristemente para as mãos sobre seu colo. “Ainda tenho que contar a ela...” Ele respirou fundo e caminhou até ela. Foi quando ela levantou aqueles tristes olhos.– Você quer se sentar ao meu lado, Inu-Yasha?Ele se sentiu meio sem graça, mas aceitou. Ficou olhando para o chão, não sabia como contar o que tinha acontecido. Não era dessa maneira que ele queria que ela soubesse.– Acho que você tem alguma coisa para me dizer...– Eu... “Como é que eu vou falar isso? Maldição! Era a Kagome quem tinha que contar!”– Mas eu também tenho algo a lhe dizer. Me desculpe, Inu-Yasha...– Hã? – A olhou surpreso. – Mas por quê? Fui eu quem...– Me desculpe por ter agido daquela forma com você. No fundo eu sei que você jamais iria querer que a Kagome se machucasse, mas é que... Quando eu a vi tão ferida... – Lágrimas caíram de seus olhos e ela repousou a cabeça no ombro dele. – Me desculpe...Inu-Yasha ficou completamente sem ação. Resolveu esperar mais um pouco para falar. Algum tempo se passou, minutos, horas, ele não sabia ao certo. Finalmente, o médico que havia levado Kagome apareceu, seguido da enfermeira com quem Inu-Yasha havia falado. A expressão dele era preocupante. Inu-Yasha, a mãe de Kagome e Souta se levantaram do banco, para escutar o que médico tinha a dizer.– Bem, a situação é grave... – Começou ele. – Então vou direto ao assunto. – Olhou para Inu-Yasha. – O senhor é o pai, certo?Só então, pela expressão espantada de Inu-Yasha e indignada da mãe, é que o médico percebeu que provavelmente mais ninguém sabia da gravidez além dos dois principais envolvidos. Inu-Yasha virou lentamente o rosto e novamente a mãe de Kagome o estava olhando acusadoramente.– Pai?Aquela palavra saiu meio que espremida entre os lábios dela. “Pronto! Agora deu tudo errado!”, pensou o hanyou. O médico tentou contornar a situação.– Olhem, acho que o mais importante agora é a saúde de Kagome, concordam? Infelizmente, o estado dela é muito grave, perdeu muito sangue, talvez não haja como salvar o bebê, eu sinto muito.– O quê? – Ele quase tombou, mas, ao invés disso, agarrou o médico pelo colarinho. – Você quer dizer que vai deixar o meu filho morrer?!– Acalme-se, senhor!A mãe de Kagome segurou Inu-Yasha pelo ombro e o puxou. Souta também ajudou, puxando-o pela perna. É claro que os dois não teriam forças para afastá-lo se ele realmente não quisesse. E, ajeitando a roupa, o médico tratou de explicar-se.– Eu disse que talvez não possamos salvar a criança, mas a mãe ainda pode ser salva... Se agirmos rapidamente...– O que você quer dizer com agir?Apesar da pergunta que fez, Inu-Yasha já imaginava a resposta qual seria, só não queria que fosse verdade. O médico explicou que pelo fato de Kagome ainda estar carregando aquela criança, ela continuava a ter hemorragia. A maneira mais eficaz de parar a hemorragia e salvar-lhe a vida seria retirando a criança. Assim pelo menos ela se salvaria. Inu-Yasha cerrou o punho e socou a parede ao seu lado, tão forte, que abriu um buraco, assustando os médicos que estavam lá dentro, afinal ele havia acertado a parede da sala de descanso deles. A mãe, apesar de chocada, controlou-se e colocou a mão sobre o ombro dele.– Inu-Yasha...Ele virou-se e ela pôde ver dentro de seus tristes olhos dourados. Ela podia ver a dor dentro deles. “Estou prestes a perder minha filha, mas... Ele também está sofrendo por ela... Eu sei como é essa dor; a dor da perda...” Ela queria dizer-lhe como se sentia, mas, nesse momento, o som do alto falante do hospital anunciou:Senhor Inu-Yasha... Senhor Inu-Yasha... Compareça a recepção, por favor...Ele estava tão atordoado que já havia esquecido para que lado ficava a recepção e Souta o levou até lá. O médico chamou a mãe de Kagome em um canto.– A senhora parece ser uma pessoa razoável... E como mãe da paciente também tem o direito de opinar. Como a criança ainda esta viva, eu preciso da autorização de alguém responsável pela paciente para fazer o aborto e...– O senhor fala da minha filha como se ela fosse um pedaço de carne... – Lágrimas saíram de seus olhos.– Eu sinto muito, senhora... Mas precisa escolher entre tentar salvar a criança e perder tanto a criança como sua filha ou perder apenas a criança e salvar sua filha pelo menos.Ela respirou fundo e tentou pensar claramente. “Kagome...”. Ficou observando Inu-Yasha alcançar o balcão da recepção com seu filho mais novo. “Me perdoe, Inu-Yasha...”. Sussurrou algo para o médico, que lhe deu uma prancheta com um documento, o qual ela assinou. Depois disso, o médico se retirou.Na recepção, a atendente entregou a Inu-Yasha um telefone, coisa que ele não sabia para que servia. Souta lhe explicou como usar o aparelho e o hanyou escutou espantado a voz do avô de Kagome do outro lado da linha. Logo o velho passou o telefone para outra pessoa. Alguém que o fez sentir uma enorme alegria ao escutar a voz.– Inu-Yasha?– Setsuna! Sesshoumaru está com você?– Sim, podes trazer Kagome?– Certo.Ele devolveu o aparelho para a atendente e retornou para perto da mãe de Kagome. Para sua surpresa o médico não estava mais lá.– Aonde foi aquele médico carniceiro? Preciso saber onde a Kagome está. – Notou o triste olhar daquela mulher. – O que foi?– Inu-Yasha, me perdoe, mas... Mas eu não podia deixar Kagome morrer...Só então ele se deu conta do que estava acontecendo.– Como pôde deixar aquele médico... – Conteve-se um pouco. – Onde ela está? Qual é o quarto?
– Eu não sei, acho que estão na cirurgia...Dando as costas a ela, Inu-Yasha disparou pelos corredores procurando a tal da sala de cirurgia, seja lá o que isso fosse. Exceto as pessoas da entrada do hospital, nenhum dos outros internos haviam escutado a explicação de Souta sobre Inu-Yasha, e, ao avistarem um youkai dentro das instalações, começaram a causar um pânico crescente, uma vez que ele arrombava todas as portas que via. Seguranças foram acionados, mas apenas para servirem de saco de pancada. Inu-Yasha os jogava longe, cada vez que tentavam atravessar seu caminho. Finalmente, ao arrombar mais uma porta, pôde ver Kagome, com aquela bata branca de hospital, deitada sobre uma mesa. Havia um monte de tubinhos de plástico ligados a ela, coisas que ele não sabia para que serviam. Ao lado dela, assustados, estavam duas enfermeiras e um médico. Aquele médico.– Você! – Exclamou o hanyou, furiosamente.Avançou contra o pobre humano e o ergueu contra a parede pelo pescoço. Mais um segurança apareceu e, dessa vez, sacou sua arma, atirando. A bala quicou em seu casaco de pele de rato de fogo e Inu-Yasha olhou o segurança friamente, que se apavorou e saiu correndo gritando.– Demônio! Ele é um demônio!O médico, que estava quase que sufocando, tentava pedir por sua vida.– Por favor...– O que você fez com ela, seu médico de araque?– Nada... Eu juro!O olhar de medo daquele humano fez Inu-Yasha voltar a si e largá-lo. Um som agudo chamou-lhe a atenção e viu que saía de um monitor ao lado, no qual aparecia uma linha reta e verde.– O que é isso?Apesar de temer ser morto naquele instante, o médico não podia esconder-lhe a verdade.– É tarde demais... Essa linha representa quantas vezes o coração dela está batendo... Logo, no que sobrara da porta de entrada daquele cômodo, apareceram a mãe e o irmão de Kagome. Inu-Yasha olhou para os dois. Depois voltou seu olhar transtornado na direção do médico.– Ela morreria de qualquer forma, não é mesmo? – Estalou suas garras, que reluziram por um instante. – Por quê?– Por favor, não me mate! Eu só queria aumentar um pouco mais o valor do tratamento! Por favor!A mãe de Kagome levou a mão à boca e mais lágrimas banharam seu rosto. Correu e abraçou o corpo de sua filha. Inu-Yasha pegou o médico pela roupa com uma das mãos e, com a outra, encostou as garras no pescoço daquele humano. Sangue começou a descer pelo jaleco branco de hospital; aquelas garras estavam lentamente cravando-se em sua carne.– Seu maldito! Tudo isto por dinheiro?– Por favor! – Suplicou o médico.Um lampejo de humanidade brilhou nos olhos de Inu-Yasha, fazendo-o voltar a si. Lembrou-se que ainda poderia salvar Kagome, pois Sesshoumaru estava por perto. “Não... eu não mato humanos. Kagome não gostaria que eu o fizesse...”.– Você não vale a pena... – Murmurou o hanyou.E com a facilidade de quem arremessa um disco, Inu-Yasha lançou o médico pela janela. Para sorte dele, estavam no segundo andar e só quebrou uma perna. Então, o hanyou voltou a encarar a mãe de Kagome.– Vou levá-la de volta para casa.– Inu-Yasha, espere... – Pediu-lhe a mãe.Ele rapidamente agarrou Kagome e pulou pela janela. Depois da confusão que havia armado procurando-a, não o deixariam sair assim tão facilmente, teria que ser daquele jeito mesmo. Ele havia decorado o caminho de volta, nisso ele era bom. E corria pelo alto dos prédios, de volta ao templo.-x-x-x-x-x-O velho sacerdote, avô de Kagome, estava meio que receioso, diante da figura de Sesshoumaru, que permanecia calmamente de pé, ao lado da janela, de braços cruzados e olhos fechados. Setsuna estava ao lado dele, segurando-lhe o braço e com a cabeça encostada em seu ombro. O sol já estava alto e, o velho, apavorado.– Vocês querem comer alguma coisa?... – O avô virou-se de lado e colocou a mão sobre a boca, sussurrando para si mesmo. – Que não seja eu, de preferência...– Não gosto de carne passada...O comentário maldoso de Sesshoumaru fez o avô recuar uns dois passos, com o medo estampado em sua face. “Como ele pôde ouvir o que eu disse?”, perguntou-se. Setsuna percebeu que Sesshoumaru não estava falando sério, era como se estivesse brincando com o medo do pobre ancião. Tortura o divertia. Ela se soltou de seu braço e caminhou na direção do velho.– A senhorita é uma bruxa?– Por que me confundes com uma bruxa?– Só uma bruxa andaria com um youkai...– Então, pelo o que dizes, Kagome também é uma bruxa.– Minha neta não é uma bruxa! É uma sacerdotisa!– Patético. – Disse Sesshoumaru, com ar esnobe.– Perdão, não quis ofendê-lo! – Suplicou o avô, ajoelhando-se no chão.– Isto me parece tão familiar... – Murmurou Setsuna, fitando curiosamente o velho com a cara colada no chão.– Levante-se, velho. – Sesshoumaru abriu os olhos. – Eles chegaram.Mal terminou de falar e Inu-Yasha adentrou a casa, arrombando a porta. Parou diante de seu irmão, afobado de tanto correr, e colocou Kagome no chão. Sesshoumaru, por sua vez, simplesmente sacou sua espada e olhou para a jovem a sua frente. Podia ver sua alma, mas diferentemente do corpo de Setsuna, no qual ele vira duas almas, agora ele via três. Apertou a vista um pouco e encarou Inu-Yasha.– O que foi, Sesshoumaru? Algum problema? – Indagou o hanyou.– Não, nenhum...E no exato momento em que Sesshoumaru desceu a Tenseiga sobre o corpo de Kagome, chegaram Souta e a mãe dela que Inu-Yasha teve que segurar, caso contrário, ela teria se jogado na frente do golpe. Um clarão se fez e quando ele finalmente cessou, Sesshoumaru guardou sua espada e saiu caminhando lentamente, seguido por Setsuna. Inu-Yasha ia falar algo com seu irmão, mas praticamente esqueceu-se disso quando percebeu que Kagome despertava.– Inu... Yasha... – Ela olhou para o lado e viu que ele não era o único presente e sentou-se surpresa. – Mamãe? Vovô? Souta? Que houve? O que estão fazendo aqui... – Reparou nas roupas hospitalares que vestia e que estava em casa, ao invés do período feudal. – Bem, acho que a pergunta é o que eu estou fazendo aqui...Com os olhos cheios de lágrimas, a mãe a ajudou a ir até o quarto. Inu-Yasha olhou para a porta e lembrou-se de Sesshoumaru. Mas antes de sair, o avô de Kagome deu-lhe uma vassourada.– Olha o que você fez com a porta!– Ta, mas não precisava bater! Eu conserto quando voltar! – E o hanyou saiu para o pátio.– Que rapaz mais abusado...– Vovô, ele salvou a mana...– E isso por acaso é desculpa para quebrar a casa dos outros?Souta suspirou e também subiu para o quarto de Kagome ver sua irmã.Lá fora, Sesshoumaru estava parado diante da Árvore Sagrada com Setsuna. Inu-Yasha se aproximou deles. Assim como na era feudal, aquela imensa árvore estava desfolhada. Nada mais havia que o frio vento que soprava pudesse atiçar, a não ser os cabelos dos três que se encontravam no pátio. Os dois irmãos que sempre lutaram um contra o outro, agora estavam lutando do mesmo lado, por elas.– Obrigado, Sesshoumaru. Como conseguiram chegar até aqui?– Kouga nos emprestou isto e assim pudemos passar. – Disse Setsuna, abrindo a mão e mostrando dois fragmentos.Nesse momento, Kagome começou a gritar da janela de seu quarto.– Setsuna! Sesshoumaru! – Ela acenava sorridente para eles.Sesshoumaru fingiu ignorar o gesto, mas Setsuna sorriu e retribuiu. Inu-Yasha também sorriu e Sesshoumaru pôde perceber nele, a mesma coisa pela qual passara com Setsuna. A dor de vê-la morta e a alegria de tê-la viva.– Vocês vão voltar agora? Não querem ficar um pouco? – Perguntou Inu-Yasha, meio sem graça.– Não temos tempo para brincar de família unida agora... Hakaidoku ainda não foi destruído totalmente.– Do que você está falando, Sesshoumaru? Eu acabei com ele com a minha Tessaiga.– Não, não acredito que tenha acabado. Pude ver um pedaço dele escapar e sumir na floresta. Outros pedaços dele também podem ter escapado do golpe e talvez sejam suficientes para que ele se reconstrua, vitimando algum outro ser. Temos que procurá-lo e destruí-lo de vez. – Pegou os fragmentos da mão de Setsuna e a encarou. – E acho que vocês duas deveriam permanecer aqui por enquanto...– O quê? – Setsuna mal acreditou nas palavras de Sesshoumaru.– Você tem razão. Vou falar com Kagome. – Inu-Yasha deu as costas e se dirigiu para a casa.– Hei! Eu não disse que ficaria!Ela ia atrás de Inu-Yasha, mas sentiu que Sesshoumaru a segurou pelo ombro e quando ela virou-se para falar, foi silenciada por um beijo. Um beijo que depois foi interrompido por um abraço.– Eu e Inu-Yasha iremos sozinhos desta vez. E voltaremos. Eu prometo.Ela não teve mais forças para falar e apenas assentiu com a cabeça, aconchegando-se um pouco mais naquele abraço.Quando Inu-Yasha adentrou o quarto de Kagome, Souta já havia saído, mas a mãe dela estava sentada sobre a cama. Kagome estava em pé, diante da janela. “Agora é a hora do sermão...”, pensou ele. Trancou a porta atrás de si e disfarçou, perguntando a Kagome o que ela via de interessante lá fora.– Seu irmão acabou de beijar Setsuna e agora os dois estão abraçados. – Disse-lhe ela com um sorriso.– E eu perdi isso? – Correu até a janela. – Maldição! – Então ele escutou a mãe de Kagome, que estava de braços cruzados, pigarrear.– Bem, agora que o susto passou... Eu gostaria de algumas explicações...– Explicações, mamãe? Do quê?– Ela já sabe, Kagome...– Sabe o quê, Inu-Yasha?– Que você está grávida, ora!– Ai! – Kagome cobriu a boca e deu um passo para trás, encostando-se na janela. – Isso é jeito de falar, Inu-Yasha? Eu quase morri!– E por que você não disse logo que estava mal? – A seguir tentou fazer uma imitação dela, péssima por sinal. – Eu estou bem, Inu-Yasha, não se preocupe... – Ela largou um livro na cabeça dele. – Ai! – Ta, mas podia ser um pouquinho mais educado para falar com a minha mãe!– Calma, eu só... – Interveio a mãe, meio atordoada com a situação, mas Kagome não a deixou falar.– Só um minuto, mãe... – A Inu-Yasha. – Por que você me trouxe para cá? Tinha que me expor?– Eu não estava expondo você, Kagome! Sesshoumaru tinha ido embora! O que você queria que eu fizesse? Esperasse até você morrer?– E daí? Quando ele voltasse, me ressuscitava! Não precisava assustar a minha mãe desse jeito!“Nossa, como eles dois brigam...”, pensou a mãe. E enquanto observava os dois discutindo, ela sorriu para si mesma. De repente, começou a rir, o que chamou a atenção do casal, interrompendo sua discussão. – O que foi, mamãe?– Não é nada, minha filha... Mas é que eu me lembrei do seu pai... Nós brigávamos muito também... – Sorriu para os dois, que ficaram vermelhos. Depois ela se levantou e começou a se retirar do quarto.– A senhora vai sair assim sem me escutar?– Kagome, não há nada que você tenha a me dizer que eu já não saiba. Você está grávida, ama o pai dessa criança e o pai dela a ama... Tem algo mais que eu deva saber? – Os dois ficaram completamente atônitos. – Eu vou preparar o jantar. Acho que devem estar com fome. Você come conosco, não é, Inu-Yasha?– Err... sim, claro...Assim, com um sorriso, a mãe fez menção de sair do quarto, mas lembrou-se de algo.– Ah, a propósito, aqueles dois no pátio. Quem são eles?– Meu irmão e a namorada dele... “Isso soou tão estranho...”. – Sentia-se muito sem graça agora.– Vou convidá-los para comer também, tenho que agradecer ao seu irmão por ter salvo minha filha... – E fechou a porta.Enquanto Inu-Yasha olhava confuso para a porta, sentiu Kagome abraçá-lo.– Me desculpe, por ter deixado você preocupado desse jeito...– Agora vai ficar tudo bem, Kagome...O hanyou olhou pela janela e percebeu que seu irmão o havia notado. Os dois permaneceram assim, se olhando mutuamente.-x- Continua no próximo cap -x-
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