O Destino da Coroa
3 Prólogo • II
Notas iniciais
Alguns anos antes
• São Paulo
—Você não acha que está muito frio para abandoná-la aqui? –perguntou Pedro olhando a pobre criança nas mãos de Stella.
Um vento gelado a atingiu, a manta que cobria o bebê que estava prestes a cair no chão quando o amigo a pegou no ar.
—Ela está bem –respirou fundo –ficará bem.
Ela beijou a testa da menina e colocou um colar com um pingente de anel no pescoço da pequena.
—Um dia você entenderá o porquê, meu bem –uma lágrima escorreu dos seus olhos, mas antes que o choro ameaçasse vir, respirou mais uma vez –chegou a hora.
Pedro assentiu e juntos colocaram a criança em um uma espécie de cesto, enrolaram-na em sua manta e a deixaram em frente a uma casa naquela noite, apertaram a campainha e se esconderam em um bosque que havia ali.
Depois de alguns minutos o dono da casa apareceu, olhou em volta e constatou que era uma brincadeira idiota de alguma criança do bairro até olhar para baixo e ver o que se encontrava ali.
—Angela! Angela!
Os dois que estavam escondidos viram a criança sendo levada para o interior da casa e após ver o portão se fechando, adentraram mais o bosque.
—Precisamos voltar, mais uma criança precisa ser entregue —Stella suspirou.
—O irmão dela? —perguntou Pedro.
—Acho melhor a gente deixar em outro mundo.
—Não há necessidade. Maria irá cuidar disso, ela nos deve um favor —Pedro seguiu em frente a trilha em que vieram —Devemos seguir o plano.
Stella pegou um walkie talkie em seu bolso.
—Maria, câmbio.
—Me diz que já estão vindo! Esse moleque é muito esperto, acho que é possível ele se lembrar de algo mesmo com a magia de esquecimento.
—Relaxa, é só fazer do jeito que te falei. Nós não poderemos te ajudar nessa, você consegue terminar sozinha, certo? Lembre-se que está me devendo uma.
—E se algo der errado? É minha primeira missão.
—Vai dar tudo certo. Termine aí e nos encontre no lugar de sempre. Câmbio, desligo.
—Não estou muito confiante, quanto a isso... —falou Pedro.
—Relaxa, ela vai dar conta. Precisamos ir.
Os dois pegaram o anel que estava em suas correntes no pescoço e proferiram juntos:
—Ostium contra mundum. (porta para o mundo)
Um portal cheio de luz começou a ser aberto e uma voz foi anunciada.
—Fatum cogito. (pense no destino)
E juntos pensaram em Volcaint, um mundo totalmente diferente daqueles em que estavam.
•••
Longe dali, Maria tentava enganar o pequeno garotinho em sua frente.
—Olhe para cá! Para cá! Você sabe que amo meus irmãos, certo? E se eu deixasse você junto com a sua?
Os olhos do pequeno brilharam e ele assentiu.
—Mas, vou ter que fazer você esquecer de tudo, entende? De toda a magia, dos seus pais e até mesmo de mim.
—Mas eu preciso protegê-la... Mamãe me pediu isso... Antes... Antes de... —ele estava prestes a chorar e Maria odiava ver crianças chorando porque não sabia o que fazer.
—Eu sei, eu sei –ela disse o abraçando –Seu pai precisou voltar para um lugar, entende? Mas acho que ele conseguirá voltar em breve. Tia Stella me disse que foi ajudar ele nesse lugar. E enquanto isso, você e sua irmã vão ficar em outra casa, entendeu?
—Por que a gente não pode ficar com você?
—Porque não é tão fácil assim, meu bem. Um dia vocês dois vão entender porque as coisas estão sendo feitas desse jeito.
—E por que não agora? Por que sempre um dia e um dia, tia? Sempre é a mesma coisa e agora a gente vai ficar sozinho sem conhecer ninguém! Eu não quero ir! Quero meu pai e minha mãe! Não é justo! –o menino gritou em meio as lágrimas.
Ela o abraçou novamente e passou a mão em seus cachos claros, fazendo um barulho em um ritmo musical.
—Olhe para mim –ela pediu.
Ele olhou e ela viu seus olhos claros molhados.
—Et nunc fugit obliviscaris (esqueça e durma) –ela disse e o menino adormeceu em seus braços.
—Agora vamos para o futuro e te deixar na mesma casa em que sua irmã está.
Dito isso, Maria pegou seu anel portal.
—Ostium contra mundum. (porta para o mundo)
—Fatum cogito. (pense no destino)
E então, pensou na casa de seu melhor amigo, no mundo cheio de humanos não dominadores de magia. Teria que esperar algum tempo até dar um jeito de deixar o menino em seu destino, até porque, duas crianças no mesmo dia seria estranho demais e talvez os pais adotivos não aceitassem a ideia.
•••
• Volcaint
No palácio real, um homem curvava-se diante de seu soberano.
—Mataram todos? —perguntou o rei em seu trono.
—Sim, majestade —disse Killian, capitão da guarda real.
—Então está feito, não há motivos para me preocupar com aquela profecia estúpida! —o rei sorriu —Isso fica entre nós, Killian, ninguém deve desconfiar do real motivo disso tudo.
—Até porque, meu caro amigo, quem um dia iria acreditar que você, cético do que jeito que é, iria dar ouvidos a uma vidente? —o capitão riu, mas o rei ficou sério porque sabia que profecias poderiam ser reais, mesmo quando ele, no passado, achava que não.

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