O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
7 6 - A Entrevista
Simone abre a porta de seu quarto para receber a bandeja com o café da manhã vestindo uma camisola de cetim na cor vinho e curto. Quem lhe entrega é o gerente do hotel.
— Bom dia, senhorita. – ele murmura com sorriso torto.
— Bom dia. – responde secamente pegando a bandeja.
— Queria pedir-lhe desculpas pelo acontecido ontem.
— As desculpas serão aceitas se não houver mais aquele tipo de problema. – responde fuzilando-o com um olhar furioso.
— C-com certeza, não... haverá. – gagueja, depois de faz reverência se vira e segue em direção ao elevador, enquanto Simone o observa tentando conter o riso.
A ruiva fecha a porta, começa a tomar o seu café sobre a cama, porém no meio da refeição ela olha o relógio:
— Nossa, já é tudo isso! Estou atrasada! – fala interrompendo sua refeição, vai ao banheiro para se banhar e se arrumar.
Depois de uma hora Simone aparece na recepção usando um vestido não muito justo na altura do joelho, na cor marrom chocolate com gola em V e mangas na altura do cotovelo. Como acessórios usa os mesmos brincos e o mesmo relógio que usara no dia anterior, uma bolsa de ombro preta combinando com as sandálias de salto Anabela na mesma cor. Cabelo solto e bem alinhado, maquiagem suave, própria para o uso diurno.
Ela sai do prédio e chama um táxi que por ali passa:
— Para aonde, senhora? – pergunta o taxista surpreendido com a beleza de sua passageira.
— Para Miranda Produções, aqui está o endereço. – entrega-lhe um pedaço de papel.
— Sim, senhora. – diz, mostra um sorriso de orelha a orelha devolvendo-lhe o papel.
O chofer sai com o carro, enquanto Simone observa a cidade e o trânsito pela janela começa a se perguntar "Como deve ser essa tal de Camila? Dudu disse que seu marido tem fama de galinha, ela deve sofrer muito por causa disso." Algumas motos barulhentas passam pelo carro tirando a atenção de Simone dos seus pensamentos, assim, murmura para o taxista:
— O trânsito está bem ruim.
— Sim, mas todos os dias são assim. – responde olhando-a pelo retrovisor, então sorrindo gentilmente — Mas não se preocupe que estamos quase chegando.
— Certo. – a ruiva retribui o sorriso.
Simone volta seus pensamentos para Miranda Produções. "Como deve ser essa empresa? Será que realmente é tão incrível como Dudu falou?".
Exatamente às oito horas e trinta minutos o táxi estaciona, o motorista fala fazendo Simone sair de seu devaneio:
— Chegamos, senhora.
Ela olha pela janela e vê uma escadaria que leva a grande porta de vidro de um prédio de seis andares coberto por vidros escuros e pintura clara nas paredes, então pergunta:
— Aqui é a Miranda Produções?
— Este é o endereço que me passou. – responde virando-se para olhá-la nos olhos — É vinte e dois reais, senhora.
— Sim. Só um minuto.
Simone abre a bolsa, pega o dinheiro, depois de entregá-lo ao motorista, sai do carro, então após fechar a porta permanece olhando para o prédio, enquanto o táxi se afasta. Percebe que o edifício ocupa todo o quarteirão e fala em voz alta, espantada:
— Como é grande! Aparentemente tem uma estrutura física enorme. – depois de dar um longo suspiro, reflete "Mas deixa de ficar admirando e vai logo, Simone. Vai dar tudo certo.".
Ela sobe as escadas, cumprimenta um rapaz usando uniforme de vigilante parado à frente da porta, em seu crachá ela lê Gustavo D. dos Santos:
— Bom dia.
— Bom dia! – ele responde admirando Simone dos pés à cabeça — Em que posso ajudar?
— Vim para uma entrevista. – a ruiva lhe mostra um sorriso meigo.
— Pode entrar e falar com a senhora da recepção. – ele murmura retribuindo o sorriso.
Simone entra, na recepção vê uma senhora conversando com um rapaz muito bonito, bem arrumado, quando ela se aproxima a recepcionista pergunta gentilmente:
— Em que posso ajudá-la?
— Vim para uma entrevista. – Simone mostra um sorriso sutil.
A recepcionista é uma mulher que beira os quarenta anos, cabelo loiro curto, olhos castanhos escuros escondidos por óculos discreto, rosto de feições serenas, corpo um pouco obeso para sua estatura baixa, vestindo um terninho de cor clara. Simone lê em seu crachá o nome Beatriz G. Garcia. Depois olha para o rapaz, vê em seu crachá o nome Flávio M. Silva.
— A senhora é a primeira a chegar. – Beatriz sorri, em seguida aponta para o sofá ao lado do elevador — Pode aguardar no sofá ali. Deseja uma água ou um café?
— Não. Muito obrigada. – Simone senta-se no sofá — Mas é senhorita, por favor.
— Claro! Me desculpe. É o costume. – Beatriz mostra-lhe um sorriso cordial.
Flávio volta a conversar com Beatriz em um tom baixo, porém Simone consegue ouvi-los.
— Que moça linda, Bia! Acho que me apaixonei!
— Xiu! É, também achei, Flávio. – olha para Simone e sorri mais uma vez para ela, que retribui o sorriso, além de com um leve aceno de cabeça.
— Ela veio fazer entrevista para quê?
— Dona Camila falou ontem que seriam entrevistados candidatos a vaga de vice-presidente de produção.
— E a Camila? – pergunta intrigado.
— Agora é a nossa presidente.
— Ah! Ok. Mas, de qualquer forma, acho que me apaixonei. – fala olhando para Simone que disfarça seu olhar, além de tentar disfarçar o sorriso comprimindo os lábios.
Depois de cinco minutos, chega o segundo candidato, um homem aparentando trinta e cinco anos, tão alto quanto um jogador de basquete, mulato, muito bem vestido de terno e gravata, cabelo bem curto e arrumado, barba bem feita.
Simone o observa conversar com Beatriz, "Dudu iria adorar conhecer este rapaz! É bem o estilo que ele adora.", reflete. Sem conseguir se conter sorri por causa do pensamento. O rapaz se senta ao seu lado, a cumprimenta com um leve sorriso, ela retribui com um sutil aceno de cabeça.
Outros candidatos começam a chegar e às nove horas em ponto, há um total de doze candidatos esperando para a entrevista, quando o telefone de Beatriz toca:
— Miranda Produções, bom dia!
Simone fica atenta para ouvir o que será dito, depois de alguns segundos a resposta é liberada:
— Sim, senhora! – ela desliga o telefone — Por gentileza, podem subir ao sexto andar os dois primeiros candidatos para a entrevista. – ela fala olhando para Simone e seu concorrente — A recepção da presidência fica em frente ao elevador, procurem por Diana ou senhora Lourdes.
Os dois entram no elevador após agradecerem, menos de um minuto depois se encontram em frente à mesa de Diana e de dona Lourdes.
Dona Lourdes é uma senhora aparentando cinquenta e oito anos de cabelos bastante grisalhos e curtos. Elegante em sua forma de se vestir e cordial na forma de conversar.
— Bom dia. – dona Lourdes cumprimenta.
— Bom dia. – respondem os dois ao mesmo tempo.
— Qual dos dois candidatos chegou primeiro? – Lourdes pergunta.
— Ela! – o rapaz fala apontado para Simone e sorri.
— Então, você pode sentar-se em uma das cadeiras. – Diana fala apontando para as cadeiras ao lado do elevador — Qual seu nome, senhora?
— Senhorita Simone Andrade. – responde com um leve sorriso nos lábios.
Diana sorri e em tom cordial fala:
— Pois bem, senhorita Simone. Me acompanhe, por favor.
Simone a segue por um corredor longo e largo, chegam à frente de uma porta de compensado preta, com uma pequena placa de metal escrito presidência. Diana abre a porta:
— Senhora Camila, a primeira candidata, senhorita Simone Andrade.
— Mande-a entrar, por favor. E obrigada, Diana. – Camila murmura.
— Sim, senhora.
Simone entra na sala, cumprimenta Camila e Júlio que estão sentados atrás de uma mesa grande de madeira onde fica um computador e alguns papéis. Júlio fica tão surpreendido com a beleza de Simone que sua irmã tem que dar um cutucão para que volte a si.
— Bom dia.
— Bom dia. – os dois respondem.
— Sente-se, por favor. – diz Camila sorrindo — Meu nome é Camila Miranda Guedes e esse é meu irmão Júlio Miranda.
— Muito prazer. – Simone olha para ela, depois para Júlio.
— Simone, trouxe seu currículo? – Camila coloca as duas mãos sobre a mesa.
— Sim, aqui está. – diz e entrega o papel que estava guardado em sua bolsa para Camila.
— Bom, você deve saber que estamos procurando um novo executivo que vai se encarregar da vice-presidência de produções, ou seja, será nosso novo diretor de produções. Eu gostaria de saber por que acha que é a pessoa indicada para esse cargo? Qual é a sua experiência?
— Bom. Na verdade, não tenho experiência como diretora de produção. – responde, os irmãos trocam olhares — Mas deixe-me explicar! Cursei Cinema e Audiovisual na Universidade Federal Fluminense no Rio de Janeiro e como pode ver no meu currículo, defendi uma monografia com louvor e tive a média mais alta do curso. Fui estagiária interna da universidade na Unitevê que é o Canal Universitário de Niterói, minhas atividades lá eram operação de transmissão dos programas; produção de programas para TV Universitária; operação de equipamentos de TV em estúdio e em externa; noticiário UFF; pós-produção dos programas gravados; transmissão pela Rede UFF e Internet de Eventos; portal Unitevê na Internet com manutenção; transmissão online; programas de TV sob demanda; portal WebTV com transmissão online; desenvolvimento de tecnologia em software livre e manutenção do banco de dados do acervo audiovisual. Tenho como referências pessoais o reitor da Universidade. Também participei da produção de dois curtas como assistente de diretor, de um longa como continuista que consta como referência também. Depois fiz o curso de formação profissional Filmworks na Academia Internacional de Cinema aqui em São Paulo, por causa desse curso sou técnica de direção cinematográfica, também consta no currículo como referência os professores da AIC. Aí está toda a informação.
— Sim estou vendo. Seu currículo é muito bom. Você fala algum idioma? – Camila continua com as perguntas.
— Falo inglês, espanhol e um pouco de francês.
— Você é solteira, casada, separada, tem filhos? – Camila pergunta, olhando para o currículo de Simone.
— Sou solteira e tenho uma filha de dez anos.
— Nossa! Já é mãe com um currículo desses? – pergunta Júlio espantado.
— Sim, mas garanto que isso não influenciará meu trabalho. – Simone responde mostrando um sorriso sutil para Júlio.
— Muito bem, nós já temos seu currículo e assim que resolvermos, nós lhe telefonaremos. Muito obrigada por ter vindo. – Camila declara.
— Agradeço pela oportunidade. – diz Simone se levantando.
Sorrindo cumprimenta apertando a mão de Camila, depois a de Júlio que a segura um pouco mais de tempo tentando sentir a pele sedosa da ruiva. Camila dá outro cutucão no irmão fazendo-o soltá-la. Ele sorri meio envergonhado e também agradece.
— Por gentileza, Simone. – Camila murmura — Pede para Diana trazer o próximo candidato.
— Sim. E muito obrigada novamente. – responde sorrindo gentilmente.
Simone sai da sala, para ao lado da porta para ouvir a conversa entre Camila e Júlio.
— Muito bom o currículo dela, não é? – diz Camila.
— Sim, mas fiquei mais impressionado com a beleza, principalmente sendo mãe. – Júlio responde.
Simone sorri, segue em direção à saída, quando chega à mesa de Diana passa o recado de Camila, depois entra no elevador que já está com as portas abertas. Este a deixa na recepção geral, se despede de Beatriz e de Flávio, segue em direção à rua, ao passar por Gustavo se despede dele também. Chama um táxi que para em seguida, pede para o motorista levá-la para o hotel e, assim, aguardar a chamada que mudará totalmente sua vida.
(***)
Já é final da tarde, Cesar, Rick e JP continuam com suas conjecturas sobre novos trabalhos, de como deverá ser o próximo vice-presidente de produção da Miranda, além, é claro, falam das "flores" que ali trabalham, desta vez na sala de JP. Eis que Júlio entra na sala e ouve as últimas palavras ditas por seu cunhado:
— Ela é sem dúvida uma potranca maravilhosa e eu perco a linha perto dela!
— Com licença, senhores. – Júlio fala pigarreando — Como vocês estão?
— Oi, cunhadinho! – diz Cesar tentando disfarçar o nervosismo — Nós estamos bem. E você?
— Nem adianta disfarçar, Cesar! Ouvi o que você disse. "Uma potranca maravilhosa" e disse que com ela perde a linha! De quem você estava falando? É da minha irmã?
— Não... quer dizer... sim... é que eu...
— Nem precisa continuar porque te conheço, na verdade, conheço muito bem vocês três, sei que estavam falando de alguma das mulheres que passam por aqui. – diz Júlio secamente.
— Você nos conhece porque também faz parte do nosso clube. – retruca JP.
— Que clube? – o moreno pergunta franzindo o cenho.
— A dos cafajestes! – respondem os três olhando um para o outro e dando gargalhadas.
— Há! Há! Há! Para vocês, seus engraçadinhos! – responde Júlio bem sério.
— Desculpe-me, Júlio. Mas você também faz parte do nosso clube de lobos sedentos para comer algumas ovelhinhas que pastoreiam por aqui. – murmura Rick ainda rindo.
— Ok. Vamos deixar as brincadeiras para depois. Mila já escolheu o novo executivo e está entrando em contato com ela para que...
— Espera! Espera! Você disse, ela? – interrompe JP eufórico, batendo as duas mãos sobre a mesa.
— Sim, é uma mulher. E vou lhes dizer, que mulher! Um avião! – responde colocando as mãos na cabeça.
— Não disse! Você é sócio Vip do nosso clube. – JP dá uma nova gargalhada.
— Que tipo de avião? – pergunta Cesar rindo — Porque pode ser do tipo teco-teco.
— Não meu caro cunhado. Este não é um teco-teco! É um boing 747 com destino ao prazer.
— Então, nos fala como é esse boing? – Rick mostra-lhe um sorriso malicioso.
— Infelizmente, vou deixá-los com água na boca porque não vou dizer mais nada. – Júlio cruza os braços.
— Não seja cruel, homem! – JP retruca.
— Não se preocupem, pois ela virá amanhã para assinar o contrato, conhecer toda a empresa e começar a trabalhar.
— Mas fala sério. É tão maravilhosa assim? – Rick insiste.
— Maravilhosa? Espetacular! E vou dizer mais uma coisa, podem parar de pensar besteira porque essa é minha. – Júlio se irrita, ligeiramente.
— Calma! Cunhadinho! Não precisa ficar bravo. – Cesar levanta as mãos em defesa — Pode pelo menos nos dizer o nome da felizarda?
— Só me lembro do primeiro nome. É... é... Simone! Isso! É Simone o nome dela.
— Ok. Mas não pode se dizer proprietário dela, nem sabe se você faz o tipo dela. – JP reclama.
— Tudo bem. Mas de uma coisa eu sei, ela não faz o seu tipo, JP. – aponta o indicador para ele com um sorriso desafiador nos lábios.
— E por que não? – pergunta Rick.
— Porque o JP não sai com mães solteiras.
— Xi... mãe solteira, tô fora! – JP fala com cara de nojo.
— Não disse! Bom, espero que vocês se comportem bem amanhã. Mila disse que não quer que ela se assuste com vocês.
— Ok. Vamos nos comportar muito bem amanhã. – Rick mostra-lhe um sorriso maquiavélico.
— Cesar, a Mila pediu para você ir à sala dela para poderem ir para casa.
— Ok. – responde se levantando.
— Vai lá, cachorrinho! – diz Rick, depois imita a respiração de um cachorro e JP o acompanha na imitação.
— Parem com as palhaçadas. – declara irritado, bate a porta ao sair logo atrás de Júlio, enquanto que os outros dois participantes do clube caem na gargalhada.
(***)
Simone sai do banho com uma toalha enrolada no corpo e outra na cabeça, quando o celular toca e ela vai às pressas atendê-lo:
— Alô!
— Poderia falar com a Simone?
— Sou eu. – responde sentindo seu coração acelerar, ao mesmo tempo que arregala os olhos.
— Simone, tudo bem? É Camila da Miranda Produções.
— Oi, Camila. Estou bem, obrigada. – murmura abrindo um grande sorriso.
— Simone, depois de realizar todas as entrevistas que achei necessárias e fazer algumas considerações com meu irmão chegamos à seguinte decisão.
— Sim? – ela cruza os dedos.
— Queremos que você venha trabalhar conosco.
— Como?
— Queremos que venha trabalhar conosco!
— Maravilha! Quando posso começar.
— Venha amanhã às oito da manhã para assinar o contrato e conhecer toda a empresa, não se esqueça de trazer seus documentos.
— Sim. Com certeza.
— Amanhã nos vemos, então. Até logo.
— Até e muito obrigada pela oportunidade!
— Não agradeça ainda. Temos muito trabalho pela frente.
— Sim. Até amanhã.
— Até.
Simone, ainda desacreditando no que acabara de ouvir, desliga o celular e se joga na cama:
— Não pode ser! Eu consegui? – começa a gargalhar e a repetir "eu consegui" várias vezes, ao mesmo tempo em que pula sobre a cama. Mas logo interrompe seus saltos, procura o celular que havia caído da cama:
— Preciso falar já com o Dudu.
Ela digita os números e aguarda.
— Atende! Atende logo! – fala ansiosamente até que finalmente ele atende.
— Alô!
— Dudu! Consegui! Eu consegui! – a ruiva diz, então começa a gritar baixo.
— Calma, Simone! O que você conseguiu?
— Eu consegui o trabalho na Miranda!
Ele também começa a gritar do outro lado da linha, ao mesmo tempo que ela.
— Ok, minha flor. – ele dá um longo suspiro e pergunta — Quando você começa?
— Amanhã! Amanhã vou conhecer a empresa, assinar o contrato e tudo mais.
— Maravilha, amiga! Temos que comemorar. Vou passar aí daqui a pouco para sairmos.
— Sim! Mas a comemoração não pode se prolongar muito, tenho que estar lá às oito da manhã.
— Sem problema será uma comemoração rápida. Até mais tarde.
— Até.
Simone desliga o celular, começa a imaginar como será sua vida de agora em diante e de como poderá dar tudo o que sua filha precisa. Ainda pensativa, digita os números da casa de Rosilene em seu celular, aguarda alguns segundos até uma voz muito familiar atender o aparelho:
— Alô!
— Oi, meu amor! Tudo bem com você? – Simone murmura emocionada.
— Oi, mãe! Estou bem.
— Como está a escola?
— Muito chata! Acho que a professora de geografia está ficando maluca!
— Por quê? – pergunta rindo.
— Ontem ela chorou na sala, eu não entendi direito porque estava falando com a minha amiga, mas depois disseram que foi porque um garoto estava imitando ela.
— Vocês vão deixar suas professoras malucas mesmo! – responde Simone depois de dar uma gargalhada. — Mas, e de resto, está tudo bem?
— Está. Quando você volta? Estou com saudade.
— Mas já! – responde sorrindo — Eu também, meu amor. Olha vou demorar mais um tempinho, a Rose está?
— Sim. Pera! Vou chamar.
Simone ouve Ângela gritar o nome da amiga.
— Simone?
— Oi, Rose.
— Oi. Tudo bem? Como foi a entrevista?
— Vou começar a trabalhar amanhã, mas não é no mesmo lugar que achei que seria, é um lugar muito melhor.
— O que você pretende fazer agora?
— Vou começar a procurar um lugar para mim e a Ângela morarmos, também uma escola para ela, quando estiver tudo pronto você pode trazê-la para mim?
— Claro. Só precisamos combinar tudo certinho para coincidir com minha folga dupla do hospital.
— Certo. Assim que tiver tudo pronto, nós combinamos.
— Ok. Tchau. E boa sorte!
— Obrigada. Manda um beijo para Ângela.
Simone desliga o celular, se aproxima da janela, olha o céu que começa a escurecer e murmura:
— São tantas coisas para fazer e tão pouco tempo. Obrigada meu Deus, o senhor nunca falha comigo.
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