O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
22 18 - O Início das Gravações Parte2
Os dias passam mais rápido, Simone e Eduardo estão bastante atarefados com as gravações do vídeo da marca de maquiagem. Maquiadores experimentam cores e tons em um total de cinquenta modelos, dentre elas todos os tipos de etnias, ou seja, asiáticas, negras, mulatas, indígenas, caboclas, cafuzas e brancas.
Não existe apenas modelos magras e jovens como alguns pensariam. Há, também, mulheres um pouco acima do peso ideal, obesas; altas, baixas; mulheres de trinta, quarenta, cinquenta, sessenta e até setenta anos. Todas belas, com suas características naturais, tudo isso para mostrar a grandiosa e belíssima miscigenação da população feminina brasileira.
É criada uma grande estrutura no estúdio principal para gravar cenas das modelos fazendo "caras e bocas", mexendo o cabelo, olhando de lado, depois olhando de frente, sérias, sorrindo, dando gargalhadas por causa das piadas de Eduardo, totalmente descontraídas. Simone, utilizando uma câmera profissional ultramoderna, pega quadro a quadro das atitudes de cada uma das modelos, sempre com a ajuda incansável de seu amigo e assistente.
Terminada as gravações é hora da edição. Os dois verificam todas as imagens de todas as modelos, escolhendo os melhores ângulos, as melhores posições de cada uma delas, começam a agrupar as imagens.
Colocam o som que já havia sido escolhido, então finalizam colocando o logotipo da maquiagem e os dizeres "A maquiagem feita para a mulher brasileira.". Exatamente, dezenove dias depois de começar a trabalhar na Miranda, Simone finaliza o primeiro vídeo.
Durante este período, a ruiva pede para Júlio dar um tempo nas saídas e nos jantares, ele aceita desde que todos os dias os dois almoçassem juntos no restaurante da empresa, além de levá-la para casa.
Simone concorda um pouco contrariada, porém nem tudo é paz e tranquilidade para a ruiva, pois todos os dias recebe flores, chocolates, pelúcias e cartões com dedicatória de Ricardo e de Cesar, fazendo com que Júlio fique enciumado.
Mas o maior problema é que nem o playboy e nem a executiva percebem que, em quase todas as noites, são seguidos por um carro preto de vidros escuros até chegarem ao prédio de Eduardo.
Mais alguns dias passam, Simone com seu fiel assistente, dão início ao planejamento das gravações do segundo vídeo, porém este lhe dará mais trabalho, pois sua ideia é de fazer perguntas para pessoas comuns e pessoas famosas sobre o jornal que leem. O que causou um aumento considerável no orçamento, por isso é convocada uma reunião extraordinária entre os executivos da Miranda e o cliente.
Uma senhora muito bem vestida, um pouco obesa, um pouco mais alta que a Simone, aparentando cinquenta anos, pele muito branca, olhos castanhos escuros e cabelo castanho claro. Seu nome, Cleia Ribeiro Sampaio, responsável pelo marketing da empresa onde trabalha, ou seja, o jornal.
— Minha ideia principal é perguntar que parte do jornal que cada pessoa mais gosta de ler, ou qual é a primeira coisa que essa pessoa procura ler quando pega um jornal nas mãos. – Simone começa a articular durante a reunião.
— Mas você quer fazer entrevistas com pessoas famosas que moram em São Paulo, isso aumentou muito o orçamento. – reclama Ricardo.
— Mas poderíamos conversar com essas pessoas e pedir que os cachês sejam menores, até porque, suas imagens vão estar relacionadas a um jornal de grande circulação. – informa JP.
— Eu gosto dessa ideia! Acredito que podemos convencê-los de fazer essa redução, como propôs o João Paulo. – finalmente Cleia fala.
— Então, JP, você ficará encarregado de entrar em contato com esses famosos e marcar uma reunião com eles. – Camila declara.
— Já estou terminando de desenhar o cenário, nada muito sofisticado, para fazer de fundo das entrevistas. – Simone murmura.
— E quanto às outras pessoas comuns, vamos fazer as entrevistas nas ruas. Pegá-las de surpresa para que deem a primeira resposta que vier em suas mentes, assim serão mais sinceras. – conclui Eduardo.
— Mas não se esqueçam de que, para isso, teremos que pedir a autorização de imagem dessas pessoas. – Cesar olha para Eduardo.
— Já sei disso, Cesar. O Eduardo já preparou essa autorização. – responde Simone.
— Perfeito! Gostei muito! – exclama Cleia.
— Então, está tudo resolvido. – finaliza Camila — Agradeço novamente sua presença nesta reunião, Cleia.
— Eu é que agradeço. Uma boa tarde a todos. – a executiva murmura ao se levantar, se despede de cada um cordialmente, então sai da sala seguida por Diana que a acompanha.
— Agora, ao trabalho pessoal. – Camila declara e todos começam a se levantar — Simone, não se vá ainda. Gostaria de falar com você.
Depois que todos os outros saem da sala de reunião, Simone murmura com uma expressão de preocupação no rosto:
— Pode falar, Camila.
— Não é nada demais, só estou preocupada com o Júlio. Está tendo algum problema entre vocês?
— Por quê? – a ruiva franze o cenho.
— Porque, às vezes, parece que está no céu, cantarolando e rindo à toa, outras vezes, parece estar no inferno, nervoso, irritado e triste.
— Não sei o porquê de ele estar assim. Será que é porque, às vezes, o expulso do estúdio? É que não consigo trabalhar com ele do meu lado, fica me distraindo o tempo todo. Pedi para que déssemos um tempo nas saídas para ter mais tempo e, assim, terminar logo o trabalho.
— Pode ser, mas a atitude dele parece ser a de um homem com ciúmes.
— Você pode ter certeza que não dou motivo algum para que ele sinta ciúmes de mim. – responde lembrando-se de todos os presentes que recebera de Rick e de Cesar até esse momento — Na verdade, quando estamos juntos, nos damos muito bem, conversamos bastante.
— Bom. Pelo menos, vocês se dão bem. É o que importa. – fica com o olhar distante e triste.
— Algum problema, Camila?
— Acho que já temos intimidade suficiente para conversarmos sobre certos assuntos.
— Sim, claro. – Simone franze as sobrancelhas.
— Acho que o Cesar tem uma amante.
— Por que acha isso?
— Porque, quase todos os dias, ele sai antes de mim com a desculpa de que vai beber com o JP. Com esse álibi, não posso contestar. Sei que o JP encobre todas as safadezas do amigo. Ele não costuma chegar tarde, mas quando chega, fica estranho comigo. Não entendo!
— Talvez, seja apenas uma fase. Logo ele volta a ser o que era com você.
— Não sei se isso realmente vai acontecer, sinto ele cada vez mais distante de mim.
— Não fique assim, Camila. – a executiva coloca sua mão sobre a mão da empresária, que está espalmada sobre a mesa — Esses homens são todos iguais. Vai ver! Ele logo vai voltar a ser como era! Acho que é por causa dessas e outras que preferi ficar tanto tempo sozinha.
— Mas você gosta do Júlio. Certo?
— Bom... sim... estamos nos conhecendo, ainda. Tenho minhas próprias reservas em entrar de cabeça em algum relacionamento.
— Entendo, mas vou pedir uma coisa. – diz Camila fitando os olhos de Simone.
— Pode falar.
— Não o faça sofrer! Ele é a única família que me resta e não quero vê-lo infeliz.
— Não se preocupe. Agora, vou voltar ao trabalho.
— Certo. Pode ir. – Camila volta a ficar com o olhar distante, enquanto Simone sai da sala deixando-a com seus pensamentos.
Ao sair, a ruiva passa pela sala de Cesar, pergunta para a secretária se ele está, ao que ela confirma Simone bate na porta e ouve a voz lá de dentro:
— Pode entrar.
Ao entrar, ela vê JP sentado de frente para Cesar. Quando eles a veem, se levantam imediatamente, surpresos com a sua visita.
— Oi, Simone. – falam os dois ao mesmo tempo.
— Oi. – fecha a porta.
— A que devemos a honra de tão bela visita? – murmura JP com sorriso lascivo, enquanto volta a se sentar.
— JP, vê se dá um tempo! Nos deixe a sós! – retruca Cesar.
— Não será necessário. – Simone começa tranquilamente — Meu assunto é rápido! Como sei que são confidentes, evito que percam o tempo de vocês com comentários posteriores.
— Por que essa agressividade? – pergunta Cesar voltando a sentar-se.
— Vim apenas dar um aviso, desejo que o repasse para o seu amigo Ricardo.
— Antes de tudo, Simone, o Ricardo e eu somos inimigos declarados e...
— Não me interessa o que são! – a ruiva interrompe fuzilando-o com o olhar feroz — Quero que parem de me mandar presentinhos, lembrancinhas e flores. Isso está deixando o Júlio irritado e não quero ter mais problemas. Quanto a você, Cesar, que grande safado se tornou! Fica se engraçando para mim, mas no fim das contas fica galinhando por aí!
— Mas... – ele começa a responder, porém é interrompido com a saída intempestiva dela que bate a porta com força ao sair.
— Uou! O que foi isso, irmão? – pergunta JP assustado com a atitude da ruiva.
— Também não entendi, mas adorei! – responde abrindo um grande sorriso.
— Por quê?
— Deu a entender que está com ciúme de mim.
— O que será que a Camila falou para ela?
— Provavelmente, deve ter comentado das noites que tenho saído por aí e que devo ter uma amante.
— Vai me dizer que finalmente você desistiu da Simone e voltou para caçada. Se eu soubesse, teria ido com você!
— Deixe de ser imbecil, JP! Não voltei a caçar ninguém! Só não quero voltar cedo para casa porque a Camila fica me perturbando o tempo todo com perguntas que não quero responder para não magoá-la.
— Então, você ainda quer ficar com a Simone?
— É claro!
— Mas, o que não entendo é por que a Camila acha que tem outra?
— Porque... – ele faz uma pausa analisando o amigo — Não vou falar! Você vai ficar me gozando depois.
— Ahhhhhh, fala! Prometo que não vou dizer nada. Eu juro! – sorri cinicamente.
— Ok. Mas lembre-se que você prometeu!
— Fala logo, Cesar! – JP cruza os braços, irritado.
— Desde o dia em que a Simone entrou por aquela porta de vidro na sala de reuniões, quando começou a trabalhar aqui... – Cesar faz uma pausa, passando as mãos pelo cabelo e pelo rosto enquanto solta um suspiro — Não voltei a tocar em Camila.
— O quê? – JP arregala os olhos.
— É isso que você ouviu, desde aquele dia não tenho vontade de tocá-la. Não a desejo de forma alguma. É por isso que suspeita que tenho outra.
— Não, irmão! Vou ter que chamar o hospital de malucos para te internar porque você enlouqueceu de vez, ou vou colocá-lo em um monastério. Virou santo! Ou pior, virou fruta igual ao amiguinho da Simone! Sai de perto de mim, hein! Não me olha desse jeito!
— Quantas imbecilidades você é capaz de dizer em um minuto, JP? – Cesar revisa os olhos enquanto seu amigo dá uma gargalhada – Mas... pensando bem... Acho que enlouqueci. Estou pensando seriamente em deixar tudo, esquecer-me de tudo. Só para ficar com a Simone.
— Tá vendo! Enlouqueceu! Vou ter que chamar o hospital!
Ao ouvir as palavras do amigo, Cesar se debruça sobre a mesa fazendo ruído de dor e tristeza.
— Ok. Agora mudando um pouco de assunto, mas nem tanto. Quer dizer que o Ricardo também está mandando presentinhos para Simone. Você sabia disso?
— Não sabia. – Cesar responde ao se levantar e olhar o amigo com os olhos flamejando de raiva — Ele disse que não iria desistir dela, por isso eu disse que somos inimigos declarados.
— Então, isso tudo virou uma guerra? – JP pergunta com um sorriso maquiavélico nos lábios.
— Sim. Por isso, poderia fazer o favor de repassar o recado da Simone para ele, pois já me basta vê-lo nas reuniões. Não quero ver e nem falar com ele.
— Tudo bem. Mas vou avisando que não sou garoto de recados de ninguém.
JP se levanta, sai da sala seguindo direto para a sala de Ricardo, bate na porta e ouve a autorização para entrar:
— Oi, Ricardo. – fecha a porta a porta atrás de si.
— Oi, JP. Pode falar.
— Vim passar um recado que me pediram.
— Recado? De quem?
— Do Cesar. Não, na verdade é da Simone. – sorri sentando-se na poltrona em frente ao Ricardo.
— Como assim? – Rick franze o cenho.
— Simone passou na sala dele depois da reunião e ordenou que vocês dois parem de mandar presentinhos para ela. Disse que não quer ter problemas com ninguém.
— E por que ela mesma não veio falar comigo?
— Talvez para evitar mais problemas. – JP dá de ombro.
— Quero ouvir isso da boca dela! – diz se levantando.
— Se eu fosse você, não iria falar com ela. Estava muito irritada.
Ricardo fica estático por um segundo, volta a sentar-se observando JP, então pergunta levantando uma sobrancelha:
— Muito irritada?
— Muito! Nunca a vi daquele jeito. Bom, o recado está dado, agora vou trabalhar. – ele se levanta.
— Espere! Só mais uma coisa.
— O que é? – volta a sentar-se.
— Quer dizer que o Cesar também estava mandando presentinhos?
— Sim. Agora, pelo que entendi, isso tudo virou uma guerra, não é?
— Realmente, agora é guerra pelo coração da Simone.
— Bom, apesar do Cesar ser meu amigo, acredito que você tem mais chance de ficar com ela. – JP abre um leve sorriso.
— Por que diz isso? – Rick franze o cenho e comprime os lábios.
— Você realmente tem uma história com ela, vocês namoraram. E cá entre nós, o Cesar morre de medo de se separar da Camila. Não quer perder a mordomia, se é que me entende. – responde com um sorriso ardiloso.
— Eu sabia que ele só se casou por interesse. – Rick dá um soco na mesa.
— Bom, é o que eu penso. Não me comprometa! – JP levanta as mãos em defesa.
— Certo.
— Agora, vou voltar ao trabalho. – diz já abrindo a porta e sai da sala.
Rick reflete um pouco sobre as palavras de JP, então murmura com expressão de incredulidade no rosto:
— Será que o JP não é tão amigo assim do Cesar! Isso é estranho! Ahhh... que me importa... o importante, agora, é a Simone!
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