O Despertar dos Sentidos LIVRO 1

21 18 - O Início das Gravações Parte1


A segunda-feira começa com a Simone em sua sala fazendo algumas alterações em suas ideias para o vídeo do jornal, antes de dar início as gravações. Eduardo em sua própria sala selecionando as modelos para o vídeo de maquiagem. De repente, alguém bate na porta de Simone:

— Pode entrar. – autoriza olhando para porta.

Uma figura de terno preto entra segurando um buquê gigante de rosas vermelhas na frente de seu corpo e uma caixa de bombons finos, impedido que Simone veja seu rosto.

— Nossa, que lindo buquê! – arregala os olhos com um grande sorriso.

Rick abaixa o buquê, se deixando ver por ela.

— Sabia que iria gostar! Lembro que você adora rosas vermelhas! – o executivo mostra um sorriso doce, além de um olhar esperançoso.

— Ahh... é você. – a ruiva responde com uma ponta de decepção na fala.

— Nossa. Quanta emoção. – Rick fica com uma expressão de mágoa, aproximando-se lentamente da mesa dela.

— Perdão! São lindas. Muito obrigada. – ela se levanta e pega o buquê.

— Você esperava outra pessoa? – o executivo questiona com a voz triste.

— Não! Na verdade, não esperava ninguém. Mas... em que posso ajudar?

— Vim pedir desculpas!

— Desculpas pelo quê?

— Por ser tão insistente em querer que volte comigo. Você é e sempre será meu único amor. Por isso não me conformo com tudo que aconteceu.

Simone sorri para ele, coloca o buquê em cima do sofá, pega a caixa de bombons das mãos dele coloca-a sobre a mesa, depois o abraça forte. Rick, é claro, aproveita ao máximo o abraço sentindo o corpo de sua amada, cheirando seu cabelo. A ruiva o solta, dá um beijo no rosto do executivo e volta a sentar-se declarando:

— Entendo o que você está sentindo, mas a vida correu seu curso e as coisas mudaram. Não podemos simplesmente voltar no tempo, ou esquecer a vida que cada um tem agora. Gosto muito de você para ficar com raiva, por isso não quero mais discussões por causa do passado, ou por causa do que poderia ser se não tivesse ido embora, muito menos quero discussões por causa de sentimentos que devem ficar enterrados.

Rick senta de frente para ela mostrando uma expressão de amargura, dá um longo suspiro, então murmura:

— Entendo o que está dizendo, mas, a verdade, é que meu casamento é tão somente por causa do Benjamim. Não sou feliz e não estou fazendo a Diana feliz, pelo contrário, estou fazendo-a muito infeliz.

— Isso é você que tem que resolver, mas não posso e não vou me colocar entre vocês. – Simone faz uma pausa, suspira profundamente — Você tem que resolver isso com ela. – orienta.

Júlio entra na sala bem a tempo de ouvir a última frase da ruiva.

— Posso saber o que está fazendo aqui? – o moreno pergunta se posicionando ao lado da ruiva, coloca a mão no ombro dela fuzilando Ricardo com um olhar gélido.

— Ele veio me pedir desculpas por tudo o que aconteceu. – Simone segura a mão de Júlio — Inclusive, trouxe aquele buquê e esta caixa de bombons.

— Mas ouvi algo do tipo, "Você tem que resolver com ela.", resolver o que, com quem? – Júlio levanta uma sobrancelha.

— E o que você tem a ver com o que nós estamos conversando? – retruca Rick impacientemente.

— O que tenho a ver com a conversa de vocês? Simples! Sou namorado dela e, por já tê-la visto chorar por causa de sua estupidez, estou aqui para protegê-la de você.

— Namorado? – Rick franze o cenho.

— Sim! Namorado! Por quê? – responde com arrogância.

— Mas... – Rick é interrompido por uma ligação em seu celular, ele pega o aparelho para atender olhando fixamente para Simone, depois para Júlio. — Alô! – se levanta e sai da sala.

— Por que fez isso, Júlio? – Simone diz fitando-o com um olhar de reprovação.

— Porque tenho ciúme! Não quero ver o Ricardo ou o Cesar perto de você para nada!

— Entenda uma coisa, senhor Júlio Miranda! – Simone se levanta desafiando-o com o olhar — Só porque aceitei namorar você, isso não quer dizer que sou sua propriedade! Apesar de tudo, sou amiga deles e por nada, nem por ninguém, vou perder a amizade deles de novo.

Júlio arregala os olhos, assustado com a expressão dela, comprime os lábios, por fim murmura com a voz muito baixa.

— Me desculpa. – ele a abraça e beija seu rosto — Por favor, me perdoa?

— Está perdoado, mas que seja a primeira e última vez. – retribui o abraço, lhe dá um selinho, então sorri sentando-se novamente — Agora, me deixe provar esses bombons porque sou chocólatra assumida e não perdoo nenhum na minha frente.

Simone pega a caixa e começa a abrir, eufórica com as delícias contidas ali, enquanto ele começa a rir, ao mesmo tempo em que pergunta:

— Você gosta tanto assim de chocolate?

— Eu amo chocolate! – coloca um deles na boca, começa a saboreia-lo lentamente de olhos fechados e gemendo.

— E as rosas? Também são suas flores favoritas? – pergunta pegando o buquê.

Ela abre os olhos, tenta, com um pouco de dificuldade, engolir o pequeno bombom.

— Sim! Na verdade, sempre fico em dúvida em qual é a minha favorita, se são as rosas vermelhas ou as margaridas.

— Margaridas?

— Sim, elas são flores sorridentes! – a ruiva olha para Júlio com um grande sorriso.

— Como assim, sorridentes? – questiona colocando as rosas sobre o sofá.

— Para mim, elas trazem paz e felicidade onde quer que coloquem. Às vezes, penso que se um dia vier a me casar, quero elas enfeitando toda a igreja e a festa. Mas, a favorita mesmo é a rosa vermelha. Adoro vermelho, acho que você já percebeu pelo meu cabelo.

— Sim! – ele ri — Já percebi isso!

— Mas, o que você queria ao vir aqui?

— Vim dar bom dia e um beijo, depois voltar ao trabalho.

— Então, pode vir aqui me dar o beijo, depois pode ir porque estou cheia de ideias novas para colocar no papel.

Simone se levanta, o abraça e o beija.

— Hum... beijo com gosto de chocolate é bom demais. – o moreno murmura sorrindo maliciosamente.

Simone começa a rir, Júlio pede outro beijo com gosto de chocolate, mas ela o expulsa da sala.

(***)

Rick fala ao celular, próximo ao elevador:

— O que você quer, Diana?

— Minha mãe ligou. Disse que a febre do Benji ainda não passou.

— E o que você quer que eu faça?

— Estou te ligando para avisar que vou embora, já pedi dispensa para Camila e vou lavá-lo ao hospital.

— Faça o que quiser!

— Nossa! É assim que se preocupa com o Benji?

— Tá! Me desculpa! São alguns problemas que estão me deixando maluco! – ele passa uma das mãos no cabelo.

— Mas é sério?

— Não se preocupe. Agora, vá levá-lo ao hospital e quando sair, me avise.

— Tudo bem. Tchau. – ela murmura.

— Tchau! – responde rispidamente.

— Um beijo. – Diana sussurra.

— Tá! – desliga o celular.

Ele aperta o botão do elevador pensando, "Namorados? Como foi isso? Ou melhor, quando isso aconteceu?".

Júlio aparece para pegar o elevador que acabara de abrir suas portas, os dois entram e Rick começa a questioná-lo com o olhar frio:

— Quando vocês viraram namorados?

— Em um maravilhoso amanhecer na praia. Por quê? – Júlio nem se dá ao trabalho de olhar para Ricardo.

— Porque havíamos combinado que ninguém se aproximaria dela até que estivesse terminado os trabalhos pendentes. – Rick cruza os braços mantendo o olhar frio.

A porta do elevador abre no andar administrativo, Cesar, que o aguardava, fala ao ver os dois:

— Ahhhhh! Que bom encontrá-los aqui! Vamos para minha sala, agora! Temos assuntos pendentes! – ele se vira para voltar a sua sala.

Os dois o seguem sem trocarem mais palavras, depois de entrarem e fecharem a porta, Cesar senta em sua poltrona, pede para que os dois se sentem, então começa:

— Você sabia, Ricardo, que nosso bom amigo Júlio aqui não é tão amigo assim? Na verdade, é um traidor?

— Por que diz isso? – pergunta olhando para Júlio que observa os dois com um olhar divertido, além de um leve contorcer de lábios.

— Porque não cumpriu o combinado! Agora é namorado da Simone.

— Acabei de descobrir e não gostei da notícia. Mas, o mais importante é, quando e como isso aconteceu?

— Ele aprontou uma cachorrada com a gente! – Cesar bufa dando um soco na mesa — Preparou tudo bem esquematizado. Se não fosse a minha desconfiança nas palavras da Camila, não saberia que ele levou a Simone para a casa de praia, preparou uma festa especialmente para ela, com os amigos a bordo. A fez acreditar que ele é a melhor escolha dentre qualquer um daqui. Porém, sabemos muito bem que isso é apenas um capricho de menino rico e mimado. Vai fazê-la sofrer mais tarde!

— Você é um cretino, Júlio! Filho da puta! Como pôde fazer isso?

— Vocês é que são os cretinos aqui! – finalmente Júlio se pronuncia ao se levantar — Soube de fonte segura que tentaram de todas as formas possíveis se aproximarem dela, durante toda a semana passada. Mais uma coisa, se por acaso se atreverem a tocar em um fio de cabelo da Simone, vão se ver comigo. – Júlio sai da sala batendo a porta com força.

— Quer dizer que nenhum de nós cumpriu com o acordo. – Cesar olha para Rick — O que vamos fazer, então?

— Cada um por si agora! – responde Rick se levantando. Ao abrir a porta, declara — Mas quero dizer que não vou desistir dela, então se preparem. E que vença o melhor!

— O mesmo digo para você! Se já éramos concorrentes antes, agora somos inimigos declarados!

Rick sai da sala deixando Cesar com seus pensamentos, tentando planejar alguma forma de separar a Simone de Júlio. Principalmente, planejando um jeito de deixar Ricardo totalmente fora da jogada.

CONTINUA...