O Despertar dos Sentidos LIVRO 1
20 17 - Um Domingo Incrível (parte 2)
O grupo entra na rodovia em direção a Caraguatatuba, um verdadeiro comboio com as motos na frente dos carros. Seguem por um trecho da estrada que adentra, um pouco, a floresta e a serra, passam por uma ponte que está sobre um pequeno rio que deságua no mar.
Simone não acredita no que seus olhos veem, pois jamais visitou o litoral norte de São Paulo. O mar esverdeado de um lado e a Serra do Mar do outro em um lindo dia de sol quente, mesmo sendo inverno, enquanto o grupo de amigos aproveitam a beleza da vida em suas motos envenenadas.
Todos os carros, motos e caminhões que passam na via contrária, buzinam ao ver o comboio, a rapaziada retribui com buzinadas e acenos dos caronas. O Júlio e a Simone estão na ponta da fila. Ela apoiando as mãos na cintura dele, mas, por causa da emoção, a ruiva solta suas mãos e começa a sentir o vento com elas abertas, os braços abaixados.
Subitamente, a ruiva fecha os olhos, levanta a cabeça sentindo o vento por todo seu corpo. Em seguida, começa a levantar lentamente os braços, ficando com as mãos totalmente acima da cabeça. Algumas das outras mulheres, fazem o mesmo que ela, começam a gritar eufóricas e seus companheiros começam a rir.
Simone sente-se tão feliz nesse momento, tão extasiada, que começa a ter novas ideias para os comerciais. Ela abre os olhos, fita o céu que ainda apresenta algumas pequenas nuvens, então se lembra do nascer do sol, do pedido de namoro de Júlio, sente pela primeira vez que o moreno poderá ser uma nova chance de ser feliz com alguém.
A ruiva abaixa os braços, levanta a viseira do capacete, dá um beijo no pescoço de Júlio que sorri. O moreno também sente que algo está realmente mudando, se transformando em seu coração, mas ainda não tem certeza do que é este sentimento.
O grupo chega em um trecho da orla, bem próximo do centro de Caraguatatuba, que finalmente conseguem ver o mar sem qualquer obstáculo como montanha ou floresta. Uma praia com vários quiosques, então eles resolvem parar para beber água de coco, além de dar alguns mergulhos.
Quase todos vão direto para perto do mar, ao tirar sua roupa, Simone deixa sua tattoo a mostra e Agatha fica maravilhada com o desenho:
— São muito lindas suas asas, Simone!
— Você gostou? – a ruiva puxa todo o cabelo para frente, se vira para que ela veja melhor — Deu um trabalhão para fazer!
— Eu imagino! A minha, que é menor que a sua, também me deu trabalho.
Camila se aproxima das duas e ouve a conversa:
— Realmente, a tatuagem da Simone é linda, assim como a sua, Agatha. Eu queria ter essa coragem, mas tenho medo da dor.
As duas trocam olhares e começam a rir, então Simone fala em tom de deboche:
— Dor? É só uma picadinha!
— Não é só uma picadinha, Camila. – murmura Eduardo ao se aproximar do grupo — A minha que é só essa borboletinha pequenina no alto das costas doeu muito!
Elas começam a rir da careta que ele faz, em seguida correm para ver quem chega primeiro na água e Simone é a primeira a chegar. Júlio e Elton sentam-se na areia, perto da arrebentação para admirar suas namoradas:
— E então? É sério o que você falou no café da manhã? – Elton pergunta olhando para Simone, depois para Júlio.
— Sobre?
— Você e a Simone? Vocês realmente estão namorando?
— Sim. – Júlio abre um grande sorriso, no instante em que olha para Simone, que está brincando com Eduardo, jogando água no amigo e rindo como uma criança.
Cesar se aproxima dos dois, permanecendo logo atrás sem que percebam que está perto, começa a ouvir a conversa:
— Mas... você realmente gosta dela? Porque a Simone parece ser uma garota bacana para você fazer o que sempre faz com as mulheres.
— Vou ser sincero com você, Elton, não sei direito o que sinto por ela. A verdade é que nunca senti isso por ninguém antes. – o moreno murmura sem tirar seus olhos de onde está a ruiva — Mas pode ter certeza que não quero magoá-la, por isso vou com calma, sem apressar nada e nem falar sobre o meu segredo. Não quero assustá-la.
— Certo. Então, isso quer dizer que você parou de frequentar aquelas festinhas?
— Sim! Totalmente!
— Se você está dizendo isso é porque realmente gosta dela e fico muito feliz por você.
Ao ouvir essas palavras, Cesar se afasta devagar para que continuem sem perceber que ouvira a conversa, "Quer dizer, então que parou de frequentar as festinhas! Mas se você pensa que vai ficar com a minha Simone está muito enganado, senhor Júlio. Ainda tenho chance de reverter essa situação! Você vai ficar a ver navios.", reflete.
O restante do grupo dá vários mergulhos. Entre um banho e outro, eles vão até o quiosque mais próximo, algumas garotas bebem cerveja, enquanto que o restante ingere apenas água de coco. O grupo permanece nesse local por uma hora, então resolvem voltar.
Passam pelas casas dos amigos para pegar as bebidas e as outras coisas para o churrasco, voltam todos para a casa de Júlio. Entre uma lata de cerveja e um pedaço de carne com farofa, o Júlio e a Simone entram no mar, sempre acompanhados de Elton, Agatha, Eduardo e Camila.
Júlio brinca com a Simone pegando-a no colo, a joga para cima, caindo na água em seguida. Quando emerge, a ruiva tenta nadar para longe dele, mas o moreno a persegue. Para poder se esquivar, joga água contra ele, sempre rindo muito.
Júlio a abraça, beijando-a, mas quando ele se esquece da brincadeira, Simone volta a jogar água nele e eles voltam com a perseguição. Agatha e Elton os observam rindo de tudo que fazem. Cesar é o único que não entra no mar, apesar da Camila o chamar para acompanhá-la por várias vezes. Ele apenas observa o casal que mais lhe interessa.
Por volta das dezesseis horas, todos partem juntos em direção a São Paulo, os motoqueiros na frente e os carros atrás formando, assim, uma caravana para o caso de existirem problemas com alguém durante o percurso, todos possam ajudar.
Camila volta com o Cesar dirigindo em total silêncio. O Eduardo e a Simone voltam com o Júlio, música alta no carro, cantarolando todos os três muito felizes.
Essa caravana funciona até o momento de chegarem a Grande São Paulo, então cada um segue para uma direção diferente, buzinando em um gesto de despedida.
Júlio estaciona o carro em frente ao prédio de Eduardo, depois de entregar-lhe a bolsa, a mochila e a cesta de piquenique, se despede do carioca. Simone aguarda o amigo entrar no edifício, eis que ela abraça o moreno:
— Obrigada novamente pelo passeio maravilhoso. – sussurra no ouvido dele.
— Eu é que tenho que agradecer por tudo. E... principalmente... pedir-lhe desculpas. – murmura com semblante preocupado.
— Desculpas pelo quê? – ela se solta do abraço, fita os olhos dele franzindo o cenho.
— Por ter contado a todos que estamos namorando. Eu estava tão feliz naquele momento que não consegui me controlar. – pega uma das mãos da ruiva.
— Mas foi a melhor coisa que fez. Quem sabe, assim, aqueles dois me deixam em paz.
— Não fiz isso por causa deles. – ele franze o cenho — Fiz isso por mim. Desejo muito namorar você.
Simone sorri, o moreno a abraça, lhe dá um beijo carinhoso de despedida. Ela se despede, entra no prédio com o Júlio a observando, lhe acenando. Quando a ruiva sai de seu campo de visão o moreno se vira, vibrando de tanta emoção:
— Consegui! Consegui fazê-la me dar uma chance. Agora tenho que fazê-la esquecer aqueles manés. – faz uma pausa e balança a cabeça, negativamente — Mas tenho tanto trabalho com aqueles livros, não sei se vai sobrar muito tempo. Não importa, vou dar um jeito!
(***)
Na mansão dos Miranda, Cesar entra no quarto com a Camila logo atrás, ela finalmente lhe pergunta:
— Fala a verdade para mim, Cesar. Você e a Simone já foram namorados?
— Por favor, Camila. Agora não quero discutir, estou cansado, quero tomar um banho e descansar. – responde tirando a roupa enquanto entra no banheiro.
— Me responde, por favor. – ela murmura mostrando seu semblante deprimido para ele.
— Não! – desvia seu olhar do dela – Agora, para de perguntar isso, por favor. – suplica, então fecha a porta.
Camila fica angustiada sem saber o que fazer, "Eles já tiveram alguma coisa, sim. Mas por que ele não confessa? Eu não entendo!", reflete.
Fale com o autor