O Despertar das Trevas
15 As Lamentações de Jake
Notas iniciais
Por Jacob Summers
Então a imagem horrenda da minha cunhada como a rainha das trevas se desfez e senti uma dor excruciante percorrer todo meu corpo. Em seguida, me vi numa viagem horrível. Vi os pais de Harry mortos e Voldemort apontando a varinha pro garoto. Depois vi Hermione apontando a própria varinha contra os pais, com grande pesar. Vejo Rony... revivendo a morte de Fred. E por fim, o pior... eu sozinho no lago negro quando criança, me sentindo abandonado.
Senti um choque no peito e um empurrão que me fez colidir com a parede. Senti o ar dos meus pulmões se esvair quando cai aos pés do guarda roupa. Quando minha visão entrou em foco, vi três varinhas apontadas para mim. Hermione chorava desconsoladamente e Ron esboçava uma expressão tão furiosa que se eu me mexesse... ele poderia me matar ali mesmo. Harry estava neutro, mas sua varinha, com o leve brilho escarlate na ponta não dizia a mesma coisa. Quando encarei Emilly, ela me olhou como se não em conhecesse, chorando.
— Por que? — indaguei com dificuldade, tentando recuperar o ar perdido — Eu poderia... poderia...
Emilly começou a balançar a cabeça negativamente, chorando muito, apavorada. Foi quando me toquei que eu a estava deixando assim. Eu era um monstro...
— Desculpe-me... — falei ofegante e pesaroso. Não porque a assustei, mas porque a desrespeitei de propósito.
— Não Jacob!!! Não o desculpo! — Ela berrou, puxando os lenções da cama para si. — Você prometeu que nunca, nunca violaria minha mente ou a de outra pessoa! O que você fez foi desumano. Nem sei se continua sendo você...
— Meu amor...
— Não!!! Isso não é amor! Isso é controle. Se me amasse mesmo, jamais teria se utilizado dos poderes amaldiçoados para descobrir a verdade! Teria se contido por mim... teria esperado.
Silêncio. O ar frio da noite entra pela varanda e as palavras de Emmie ecoam na minha mente. Então tentei me levantar.
— Por favor... — tentei me levantar, mas Rony sacudiu a varinha e me jogou contra a resposta.
— Não... — Emmie sussurrou devagar, olhando para o teto, se agarrando a mão de Hermione.
— Emilly? — perguntou Hermione, preocupada.
— Não!!! — Ela berrou, mas vi os seus olhos desligados, como se tivesse em outro local... bem longe daqui. — ELE A LEVOU!!! NÃO! NÃO! ELA NÃO É UM DELES!!!
— Ela está tendo um ataque!!! — Hermione exclamou agarrando Emilly que se debatia freneticamente na cama.
Eu ia me levantar para ajudá-la, mas Rony apontou a varinha assim que tentei. Então rolei para o lado e peguei minha varinha, lançando um feitiço de desarmar assim que ele fez menção de lançar uma azaração da perna presa.
Harry ficou nervoso, mas baixou a varinha e ajudou Hermione a conter Emmie. Corri até ela e me ajoelhei ao lado da cama.
— Está se engasgando... — pedi a Hermione para se afastar e usei um feitiço para desobstruir as vias aéreas. A coloquei de lado na cama e cantei um feitiço que a relaxou e a fez para de tremer. — Shiu... está tudo okay? Emmie... está tudo okay.
— Não... ele levou ela... eu sei que ela não queria... eu sei que não... — sussurrava ela enquanto perdia a consciência progressivamente. — Por favor... salvem ela.
A aconcheguei nas cobertas da cama e deixei uma lágrima cair. Não deixaria que acontecesse novamente... sabia o que fazer.
Me virei para o trio.
— Sei que desculpas não vão adiantar, mas me desculpem por isso. Eu não...
Inesperadamente, Hermione me abraçou. Rony, apesar de Ranzinza, deu um breve aceno na cabeça e Harry sorriu. Houve um silêncio paralisante, então finalmente decidi falar.
— Aproveitando a deixa, eu queria pedir a ajuda de vocês para mais uma coisa.
— Pode falar Jake... — Harry disse.
— Queria levar Emilly para a casa dos pais trouxas dela. — soltei as palavras como uma metralhadora, amargurado.
— Mas isso não seria perigoso? — disse Rony. — Quer dizer, deixar Emilly numa casa sem proteção sendo que os servos de Delacroix estão a solta? Eles invadiram A’Toca, que possui tantos feitiços de proteção quanto o traseiro de Merlin.
— Sim... — disse Harry, dando uma leve gargalhada.
—Eu sei mas eu posso fazer um feitiço escondido dos pais dela... um feitiço com meu sangue.
— Mas Jacob... é muito perigoso! Aqui é bastante seguro para ela. — Hermione opinou, com a voz embargada.
— Eu sei gente, mas... — desviei meu olhar para Emmie e, por mais difícil que fosse, eu sabia que isso podia ser a salvação dela e talvez... até a minha própria. — Ela precisa da família trouxa dela... ela precisa de esperança.
Houve um breve silêncio e eu sabia que isso significava que concordaram com minha ideia... Me levantei e agitei a varinha na direção do guarda roupa. Ouviu-se um estampido e batidas. Um malão velho da Grifinória flutuou de cima do guarda roupa e abriu-se. Todos os pertences de Emilly se aninharam magicamente dentro do malão, que se fechou em seguida.
— Podemos ir agora. — disse eu, dolorosamente.
— Ela está dormindo... não podemos aparatar com ela. — disse Harry
— Nem ir de vassoura. — observou Rony. Obvio não?
— Temos a rede de flu. — Hermione ponderou, tenebrosa. — Mas é perigoso usar aqui... você sabe.
— Rony, você tirou a carteira de motorista não foi? — indaguei, arqueando uma das sobrancelhas.
— Sim, sim, mas eu não estou com o carro aqui.
— Isso não é problema. Eu tenho um no celeiro.
— Você dirige? — Harry perguntou, curioso.
— As vezes... — disse eu, amargo.
Deixamos a conversa de lado e descemos até a varanda. Emmie estava aninhada nos meus braços, o seu hálito adorável acariciando meu rosto. Pronunciei um encantamento silencioso e um ronco de carro soou alto do celeiro. No momento seguinte, o carro Lexus preto já estava estacionado a nossa frente, com as portas e o porta malas abertos.
— Nossa!!! Que carro! — Rony exclamou, com os olhos brilhando, circundando o carro — Quem te deu essa belezinha?
— Era do meu pai... ele deixou para mim. — disse eu, rígido. — Locomotor Malão!
O malão foi para seu devido lugar e eu entrei no carro, na parte de trás, aconchegando a cabeça de Emmie nas minhas e pondo o lençol sobre o seu rosto. Hermione entrou e pôs os pés de Emmie sobre suas coxas. Rony sentou no banco do motorista e Harry ao seu lado, na frente.
— Jake, a chave. — pediu Rony, com uma clara excitação na voz.
Falei numa língua estranha e o carro deu partida. Ninguém se pronunciou, mas Hermione me fitou, estupefata.
Rony nos guiou pelas nuvens, comentando o tempo todo como o carro era incrível. Harry e Hermione davam algumas gargalhadas divertidas, mas eu fiquei em silêncio, acariciando os cabelos de Emilly afetuosamente, absorto em meus próprios pensamentos...
***
A alvorada estava dando uma coloração avermelhada ao céu quando o carro, invisível a qualquer pessoa, começou a descer em direção ao condado inglês que os pais de Emmie moram. Hermione e Harry estavam dormindo quando Rony grunhiu bocejando:
— Senhoras e Senhores, bem vindos a Sunsety Grays...
Hermione, que estava agarrada ao sobretudo de Rony, se espreguiçou e Harry se agitou, com a varinha em punho, falando:
— O que houve?! Nenhum ataque?
— Não super herói... voamos como um pássaro no seu bando. — disse Rony, coçando os olhos.
— Agora só falta localizarmos a casa dos trouxas... — sussurrou Hermione, abrindo o vidro da janela com a varinha em mãos.
— Sim... — falei baixinho, com a voz fraca. Não havia dormindo durante toda a noite, ao contrário de Emmie, que ficou aninhada em mim como uma criança. O trio olhou para mim de repente. Era como se não tivessem me percebido durante toda a viagem.
— E ai? — perguntou Harry, virando-se para mim do banco dianteiro. — Tem certeza que quer fazer isso?
— Absoluta... ela não vê os pais a muito tempo. Queria vir aqui em família, mas...
— Então o que estamos esperando?! — Rony exaltou-se. — Mione faça o encantamento.
— Preciso de algo que enraíze o local...
Tirei uma pequena pedra que contém inscrições apagadas do bolso do sobretudo e entreguei a Hermione. Ela murmurou algumas palavras e em seguida:
— Harmonia Nectere Passus... Harmonia Nectere Passus... Harmonia Nectere Passus...
Um brilho leve e amarelado inundou a ponta se sua varinha e Rony deu um gritinho de excitação.
— Olhem... uma trilha de vapor está aparecendo. — disse ele.
Hermione continuou concentrada, repetindo o encantamento. Alguns minutos se passaram até a trilha descer para uma rua deserta chamada Rua das Acácias e desaparecer. Pousamos nela silenciosamente e o carro voltou a ficar visível. Hermione saiu e apontou a varinha para as casas. O Número 07, uma casa colonial bem confortável, brilhou intensamente e Mione guardou a varinha, satisfeita.
Murmurei em uma língua estranha e as portas do carro se abriram. O malão de Emilly já estava na porta da frente do Número 07. Sai do carro e aconcheguei Emmie em meus braços. Rony e Harry me acompanharam até a porta.
— E agora? — indagou Hermione, preocupada, olhando para todas as casas.
— Batemos? — arriscou Rony.
— Não... não quero ver eles. — falei. — Hermione, abra a porta e venha comigo. Harry, pegue o saco com pó do sono de dentro do meu bolso e vá com Rony até o quarto dos pais de Emmie. Soprem só um pouco no quarto, para mantê-los dormindo enquanto estamos aqui.
Todos assentiram. Hermione utilizou um feitiço de arrombamento simples e subiu comigo e o malão enfeitiçado até o primeiro andar, onde os quartos se localizavam. Rony e Harry entraram no quarto do casal trouxa e sopraram um pouco de pó neles. Hermione abriu o antigo quarto de Emmie que estava, supreendentemente limpo e arrumado da mesma forma que alguns vários anos atrás...
Coloquei Emilly na sua espaçosa cama de casal e a enrolei com os lençóis. Sacudi a varinha para o malão, que se desfez, fazendo todas suas coisas irem para seu devido lugar no quarto. Fitei Emilly com ternura e Hermione saiu educadamente.
Me ajoelhei ao lado da cama e permiti que meus lábios tocassem os delas delicadamente e demoradamente. Quando terminei, acariciei seu rosto e detive meu olhar no porta-retratos antigo que estava sobre o criado mudo. Eu estava radiante, envolvendo Emmie nos meus braços. Hora estávamos abraçados, hora estávamos nos beijando. Permiti um sorriso ao se lembrar da época. Ainda frequentávamos Hogwarts. Meu sorriso era perturbador e não deixei de lembrar de meu filho, que detinha a mesma qualidade... ou não. Ainda sim, fiquei estupefato pelo fato da foto ainda existir. Os pais dela não deram fim nela.
Tirei um pequeno colar com uma pérola e deixei em cima do criado mudo. Então decidi que era hora de ir. Dei um beijo na testa de Emmie e sai para o corredor, onde o trio já esperava.
— Agora só falta o encantamento de proteção — disse eu.
— Jake... — Hermione estava temerosa.
— Confiem em mim, eu sei o que estou fazendo.
Rony e Harry se entreolharam e eu tirei um pequeno frasco de poções com um líquido amarelado.
— O que é isso? — perguntou Harry.
— Eu chamo de “Pesadelus Inimicum”. Foi criado por ninguém menos que Severus Snape... e uma ajudinha minha. — dei um sorriso travesso — Vai funcionar.
Eles ficaram em silêncio. Empunhei minha adaga de prata que eu uso para fazer poções e espetei meu dedo na sua ponta. Permiti que uma gota do meu sangue caísse no frasco de poção. A cor do líquido mudou imediatamente para a cor transparente e começou a brilhar.
— Pronto. Só precisamos jogar isso na porta da casa e seus habitantes estarão imunes a qualquer tipo de feitiço desse mundo, incluindo localizadores e qualquer objeto mágico. Além disso, eles ficarão invisíveis aos inimigos. — expliquei, chupando o dedo ferido.
— Um feitiço dessa magnitude tem consequências! — Hermione se exaltou.
— Shiu Hermione! — Rony sussurrou.
— Não se preocupe a consequência já foi paga a muito tempo...— disse eu, sombrio.
— Então vamos fazer logo isso. — disse Harry.
Fomos até a varanda. Sacudi o frasco, que adquiriu brilho intenso, destampei-o e joguei seu líquido na porta desenhando um X. Depois entramos no carro e enquanto este decolava, permiti-me dar uma última olhada para a janela do quarto de Emilly.
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