O Despertar da Rosa Branca
1 A Luz e a Espada
Uma luz intensa brilhava, e eu só conseguia sentir o peso do meu corpo dolorido. Onde eu estava? Minha respiração estava mais rápida do que o normal, e o que eu vestia parecia tão pesado quanto uma armadura. A pressão na minha cabeça era tão intensa, tanto interna quanto externa.
— Aurelis...
Alguém me chamava. Mas espere, esse não era meu verdadeiro nome. Uma parte de mim sabia que "Aurelis" era um nome familiar, mas a outra parte sentia que tudo ali era desconhecido. Estaria eu sonhando?
— Não tenha medo, guerreira. Estou te esperando...
Aos poucos, criei coragem e abri os olhos. A primeira coisa impressionante que vi, à medida que o embaçado se dissipava, foi o céu. Muitas estrelas brilhavam, e duas luas cheias iluminavam a floresta. Porém, à minha esquerda, havia uma luz tão forte que parecia falar comigo. Levantei a mão para o céu e vi meus dedos machucados, revestidos por uma armadura. Flashbacks confusos começaram a surgir... imagens de uma luta que havia ocorrido recentemente. Eu havia me separado dos meus companheiros e me encontrado nesse lugar. Com dificuldade, sentei-me na grama, no meio da floresta. A luz continuava a brilhar.
— Você voltou para um tempo como este.
Quem estava falando? Eu sentia uma dor na perna e meu corpo estava pesado. Será que tudo isso era um sonho? Aos poucos, ergui-me e comecei a caminhar em direção à luz que falava comigo.
— Quem é você? Onde eu estou? — Perguntei, ainda confusa, com memórias se misturando na minha mente como se fossem sonhos. Morri?
— Não, você não morreu. Você é Aurelis, e veio a este universo porque eu precisava de você. — A luz continuou a falar. À medida que me aproximava, vi sua silhueta e, lentamente, tudo ficou mais claro. Era uma espada fincada no solo, com uma rosa branca na bainha.
— Eu... estou confusa. Meu nome é Aurelis, mas não lembro do meu nome verdadeiro. É você, rosa branca, que está falando? — Continuava tentando processar tudo, sem dúvida, aquilo parecia um sonho.
— Eu sei que é muito para você processar, Aurelis. Me segure em suas mãos. Você é digna desta espada.
Ela era tão linda, prateada, com linhas que pareciam esculpidas à mão. Meu coração acelerou enquanto, com dificuldade, me aproximei. Era algo inexplicável, um sentimento de pertencimento. Como se tivéssemos uma conexão antiga e profunda, e naquele momento, estávamos nos reencontrando.
Assim que segurei a bainha da espada, o caule da rosa branca se enrolou em meu punho. Com facilidade, a espada se desprendeu do solo. Naquele instante, a rosa fincou-se em meu pulso, e toda dor do meu corpo desapareceu, como se aquela luz estivesse dentro de mim e ao meu redor. Uma paz e serenidade invadiram todo o meu ser, como se aquele encontro estivesse destinado a acontecer.
Mas o que estava acontecendo? Meu nome, certamente, não era Aurelis. Aurelis era o corpo do qual eu agora fazia parte. As memórias da antiga Aurelis eram fracas, mas, sem dúvida, mais intensas do que a minha realidade atual. Quem eu era e de onde vinha era um completo mistério na minha mente.
— Não tenha medo, Aurelis. Aos poucos, você entenderá; eu irei te ajudar.
— Obrigada. Você tem um nome? — Olhei para a espada, mas estava claro que não era ela que falava comigo. Meus olhos se moveram até encontrar o núcleo da voz, que estava no meu pulso. Era a rosa branca.
— Não tenho um nome, mas sou seu destino. Quando quiser me esconder, basta pensar na espada entrando em meu corpo.
— Irei tentar. — Imaginei um bracelete de prata com uma rosa delicada também de prata no centro, e a espada transformou-se naquela imagem.
— O que aconteceu? Rosa? — Continuei perguntando, mas não obtive resposta. Era como se, agora, a magia e a rosa decidissem não falar mais comigo.
— Aurelis??
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