O Despertar.
1 Capítulo 1
O clima em New Valley não era dos mais pacíficos, uma tempestade se instalou no céu da cidade causando raios e trovões. Nada que os habitantes já não estivessem acostumados. Muitas das vezes em que chovia era uma alegria contagiante, o clima era de celebração, ao que parecia a deusa Gaia havia gostado da adoração constante a sua grandeza. Apesar da grande maioria dos habitantes serem cristãos e católicos, por alguma razão se prendiam a rituais e celebrações pagãs, uma delas que era executada com louvor pelas mulheres puras era dançar em volta da fogueira pelada. Muitas das irmãs do convento diziam que essas mesmas mulheres ofertavam as suas almas ao diabo.
"CORRA!" — ordenou uma voz feminina que ecoou pela floresta em meio a escuridão.
Uma silhueta pequena e esguia corria como nunca, arfava pelo cansaço e feridas causadas pelos espinhos que lhe arranhavam, mas nada ou ninguém poderia explicar o porquê de tal urgência em correr com uma tempestade tão intensa acima de sua cabeça.
"VENHA ATÉ MIM". — Mais uma vez a voz ecoou em um timbre firme passando conforto.
A garota que até o momento estava correndo desesperada parou em frente a uma grande árvore, aparentava ser uma centenária mas era pouco provável já que não era natural daquela região.
"Se aproxime, não tenha medo criança!" — pediu a mesma voz de antes com um tom ameno.
Ainda que hesitante andou temerosa pelo que aconteceria a seguir. Seu coração palpitava à medida que sua mente gritava e pedia desesperadamente para dar meia volta e sair correndo sem olhar para trás. Mas por algum motivo desconhecido por ela mesma não o fez, a poucos passos do tronco da grandiosa árvore se assustou ao ver uma bela moça sair de dentro da madeira. Cambaleou para trás tropeçando em uma raiz indo de encontro ao chão, se encolheu tremendo-se, a linda moça sorriu sem mostrar os dentes sua pele era esverdeada e seus olhos negros. Um coque era amarrado com raízes e flores.
ー Não precisa ter medo! — garantiu a mulher sorrindo, mas parou quando viu que não surtiu efeito algum.
ー Você... v-vai me comer? — indagou com a voz falha pela tamanha angústia que sentia em seu peito.
ー Não. Você precisa se acalmar! Os mandarim das sombras se aproximam, não temos tempo criança. — avisou apressada, realmente podia-se notar um certo medo. Estendeu a mão para a garota de cabelos loiros no chão, prontamente agarrou levantando-se. — Eu, a princesa Acadyah te entrego o que é teu por direito! Que todo oculto se revela em tons de clareza, o que teus olhos humanos não vêem teu coração verá. — após o falatório esquisito andou apressada até o tronco da árvore que sairá minutos atrás, atravessando a mão pela madeira sólida arrancou de lá um lirvo de capa marrom e pedras sintiliantes roxas. — Guarde este livro como quem guarda a sua própria vida, certo? — indagou seriamente, a loira confusa acenou com a cabeça positivamente.
ー Quem é você? — perguntou a loira apertando o livro contra o peito.
ー Princesa Acad Yah! Agora vá, preciso matar alguns imbecis. — falou sorrindo de lado. Em um movimento com a mão o tronco se distorceu ficando em um estado parecido com água, a princesa espalmou a mão empurrando em direção ao peito da loira de longe e de repente uma ventania lançou a garota pelo tronco.
ー Finalmente, diversão. — disse a si mesma animada. Correu até uma árvore qualquer se fundindo a madeira.
ー Ela não pode pegar o livro! — Avisou irritado uma silhueta saindo do meio da neblina. Os demais acenaram positivamente, em passos calmos e calculados marcharam mata adentro.
Um dos homens assustado se encostou em uma árvore em busca de segurança, parecia ser sua primeira vez em campo. Desvantagem para ele é claro, já para a princesa nem tanto, rapidamente uma mão tapou a boca do homem com força ao mesmo tempo que passava suas garras na garganta do mesmo. Caindo no chão morto chamou a atenção dos demais, assim que chegaram e avistaram o corpo sem vida sentiram a temperatura diminuir rapidamente chegando quase a nevar.
ー Peguem a princesa! — Ordenou um dos homens furioso.
E assim tentaram, um a um foram sucumbindo, a própria mata reconhecida que deveria proteger sua alteza. Era como se eles estivessem em câmera lenta, com rapidez a princesa se esquivava e contra atacava, era um padrão que se repetiu diversas vezes ao longo da noite. Cansada do tédio apenas correu até uma árvore, à atravessando, procuraram por um bom tempo pela princesa até chegarem a conclusão da mesma ter utilizado uma espécie de portal.
~¥~
Uma luz esverdeada iluminou todo o cômodo onde um garoto dormia tranquilamente, um baque o fez despertar de vez pondo-se em posição de ataque, segurava firmemente uma adaga pronto para atacar.
ー Princesa Acadyah cadê você? — Gritou a loira assustada, seu desespero deixou o homem desconfiado, estreitou os olhos em direção a mulher e se assustou ao ver o livro que a mesma portava. ー Quem é você? Onde estou? — Indagou tentando não surtar, a primeira vez usando um portai poderia ser bastante desagradável.
ー O que aconteceu com a princesa? — indagou o loiro ainda em posição, estava pronto para matar a garota sem hesitar.
ー E-eu... e-eu... ar, não sei. — Respondeu perdida, olhou bem ao seu redor vendo a bagunça do quarto, por um certo perguntou a si mesma se isso tudo não passara de efeitos entorpecentes.
ー Como chegou aqui?
ー E-eu não s-sei... a princesa, ela me jogou na árvore grande. — Respondeu confusa, sua cabeça estava doendo de tanto buscar uma explicação lógica. Era até compreensível todos que tinham a primeira experiência nesse meio poderiam surtar por pouca coisa.
ー Certo.
Colocou a adaga na parte traseira do cinto e andou despreocupado até o outro cômodo deixando a loira sozinha no quarto. Em poucos minutos o homme voltou com um copo de vidro com água, estendeu a garota que pegou virando rapidamente consumindo o conteúdo.
ー Obrigado. — disse calma.
ー Bom saber que estava com sede. — sorriu malicioso.
ー O que tinha no copo?
ー Poção da verdade.
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