MARA

ENCARO O ARMÁRIO FIXAMENTE POR DEZ SEGUNDOS. Dez segundos que viram trinta, depois um minuto completo.

— O que você está fazendo? — ouço a voz de Noah, mas não tiro os olhos do meu alvo.

O armário, Mara. Concentre-se no guarda-roupa.

— Vamos nos atrasar para a consulta com Doc.

Respiro fundo, clareando a mente e afastando o atraso junto do doutor da cabeça. Após voltarmos da Rússia, Noah indicou mesmo um médico — um muito bom, aliás —, o doutor Clark; apesar da descrição de Noah, Clark é um senhor de idade — e careca, bem careca — muito charmoso. Fiz questão de comentar sobre isso com Noah após a primeira consulta e ele não ficara feliz, me proibindo até mesmo de chamar o homem pelo nome.

— Não tem nada demais em chamar as pessoas pelo primeiro nome — dissera eu a ele. — O doutor Clark não se importa.

— Eu também não vejo problema, pois para você, senhora Shaw, doutor é o primeiro nome dele.

Quase me disperso com a memória, sabendo que Noah fizera isso mais para me irritar do que qualquer coisa.

Ouço seus pés no piso e não consigo me desviar dele quando para na minha frente, tampando minha visão das roupas entre as portas.

— Noah!

— Você sabe que isso não vai dar certo.

— Não é porque sei que deixarei de tentar.

Ele gargalha. Atiro-lhe um olhar mortal, o que o faz rir mais.

— Fico feliz que você ache graça do meu desespero.

— Mara — ele segura meu rosto em suas mãos —, nenhuma roupa surgirá magicamente lá dentro só porque você está olhando.

Descarrego minha exasperação em uma respiração brusca. Maldito poder de matar pessoas. Por que não nasci com o dom de ter roupas que eu quero na hora em que eu quiser?

— Nada me serve mais, Noah. Estou enorme!

— Enorme não. Você está gigante.

Encaro-o em silêncio enquanto ele ri da minha expressão fechada.

— Gigantemente maravilhosa, Mara.

— Sei.

As mãos dele se espalham por meu corpo praticamente desnudo. Só de toalha, estou esperando por um milagre desde a hora em que saí do banho. Seus dedos massageiam meus ombros e ele beija minha clavícula, logo acima da tatuagem com o nome dele. Depois que ele descobrira as tatuagens, Noah passou a beijá-las todos os dias, como um ritual. Agora mesmo ele está fazendo-o: começa pelo beijo sobre seu nome; depois ele levanta meu braço apenas o suficiente para que a parte interna dele esteja exposta, e descansa os lábios por mais tempo no nome de Lieben tatuado ali.

— Você sabe que, por mim, você iria nua, não é?

Virando os olhos, aceno com a cabeça.

— Só não deixo porque o Doc se aproveitaria da situação.

— Noah, daqui cinco meses eu e o doutor seremos tão íntimos que ele verá partes do meu corpo que não são comumente expostas.

Ele finge aborrecimento, embora sem sucesso, pois seus olhos sorriem. Nesses últimos meses, os olhos de Noah têm sorrido o tempo todo. A boca, a voz, o corpo, seus gestos mais singelos e seus olhares mais profundos estão mais felizes do que nunca.

— Nem me lembre disso. Ainda não sei porque você não me deixou fazer seu parto.

— Você é geriatra?

— Não.

— Está aí a sua resposta, então.

— Tão ética — bufa ele. Tirando a camisa branca que estava usando, Noah a entrega para mim —, aqui, vista-a. Ficará um pouco larga e grande, mas fará com que você fique confortável.

Não estou exatamente enorme, embora o peso que ganhei em quatro meses de gravidez sejam suficientes para uma gestação inteira. Visto a camisa que Noah me entregara e observo-o vestir outra rapidamente, seus dedos agitados e cabelos arrepiados.

Suspiro e alcanço minha calça bailarina. Puxo o tecido pelas pernas enquanto tento acalmar a ansiedade do meu coração. Noah e eu estamos uma pilha de nervos hoje, e não sem razão.

É o primeiro ultrassom em que será possível ver o sexo do bebê. Em breve descobriremos se será o Ani ou a Ani.

Sento na cama afim de pôr meus chinelos macios e reparo que estou realmente confortável com a roupa do meu marido. Além de ser larga nos lugares certos, há o resquício do calor dele no tecido, junto de seu perfume. Começo a dobrar as mangas para que não fiquem tão grandes com certa dificuldade, e Noah surge para ajudar em meu ofício.

— Deixe que eu faço isso — sorrindo, ele assiste enquanto seus dedos rápidos arrumam as mangas em torno do meu pulso.

— Você vai me mimar, assim.

— Não faça cara feia, eu sei que você gosta — ele acaricia meu antebraço antes de continuar —, e não estou mimando você. Estou mimando nosso bebê.

— Ah — finjo uma expressão ofendida —, muito obrigada pela parte que me toca.

— Não — ele sorri maliciosamente, de um jeito que promete e cumpre coisas das quais só de pensar eu perco a fala —, a parte que te toca que agradece. Minha mão está muito feliz por te massagear nos ombros, como estou fazendo agora.

Sem pausar a massagem, Noah se aproxima de mim, seu nariz aconchegando-se ao meu.

— Meus lábios — ele beija a curva suave que desce do meu queixo até o pescoço, abaixo da orelha —, estão contentíssimos em te provar aqui, no pescoço. E, agora, maravilhados em beijar sua bela clavícula. O vão entre seus seios. Seu umbigo. O osso pélvico...

— Noah — seguro seus cabelos e o paro enquanto tenho pensamentos sãos —, se você continuar com isso, tenho certeza de que vamos, de fato, nos atrasar para a consulta.

Correndo a mão pelos cabelos bagunçados, ele beija minha coxa.

— Mais tarde?

— Mais tarde — levanto rapidamente e me abano, sentindo-me um forno. Prendo os cabelos, que agora batem na altura dos meus seios, e tomo uma garrafa d'água em poucos goles.

— Com calor? — Noah caçoa, e dou amém aos céus por ter treinado meus poderes, ou nesse momento ele estaria indo para a Conchinchina com uma passagem só de ida.

— Com vontade de enfrentar uma grávida em fúria?

— Excitada agora significa em fúria?

Ele está decididamente pedindo para morrer. Penteando o cabelo com os dedos, Noah se aproxima.

— Quer ver eu desarmar uma grávida em fúria em segundos? — seu olhar atrevido não deixa o meu enquanto caminhamos rumo à garagem.

— Você não quer continuar esse jogo — Percebo que ele está se referindo a quem acertará o sexo do bebê.

— Que jogo? — ele entra no carro e me observa do assento do motorista.

Quero provocá-lo. Preciso provocá-lo. Faz o tempo passar mais depressa e me distraio da ansiedade que sinto. Além do mais, é delicioso.

— Será que Clark me irritaria só para, em seguida, tirar vantagem de meus pobres hormônios?

Noah me olha feio antes de ligar o carro.

— Por que você está falando do doutor?

— Por que eu não falaria?

— Por que alguém, em todo o mundo, falaria dele?

— Será que alguém mais vê o lado charmoso dele que eu vejo?

— Será que queremos mesmo continuar essa conversa?

Encaro-o do banco do passageiro. Noah está concentrado no trânsito, embora um leve sorriso lhe cubra os lábios.

— O que eu recebo se ganhar esse jogo? — Questiono-o, mesmo sem haver uma necessidade real de um prêmio. Essa conversa toda está me distraindo, o que já é uma grande vitória.

— O que você acha que merece ganhar?

— Quando retornarmos, devemos comemorar.

Continuo olhando-o em silêncio.

— Se você ganhar, nós reinauguraremos nossa piscina com você só vestida em roupas íntimas.

Gosto da sugestão. Gosto muito da sugestão, e meus hormônios parecem achar que ela é mais atraente do que a paz mundial, porque eles estão em fúria.

— E se você ganhar?

— Se eu ganhar, reinauguraremos a piscina com você vestida apenas nessa camisa branca.

Não posso evitar de olhar para baixo, em direção à camisa indefesa.

— Estou errada em suspeitar que você planejou isso desde o início?

— Está — Noah me olha rapidamente antes de prosseguir —, se eu tivesse planejado tudo isso, nós teríamos definitivamente nos atrasado para a consulta.

Rio da audácia dele.

— Você sabe que irei ganhar.

Bufo.

— Bobagem.

— Aaron Warner disse que são os homens que escolhem o sexo dos filhos.

— Aaron Warner pode parecer um deus, mas ele não é um — rebato.

— Amaya poderia facilmente argumentar contra isso.

Dou de ombros.

— O que interessa é que é a mãe que escolhe o sexo. O que fará de mim a vencedora. Será uma menina.

— Um menino.

— Qual é a sua, afinal? Antes você não tinha preferências.

— Antes eu desconhecia o tanto de trabalho que meninas podem dar. E pode ter certeza, não saber algo sobre garotas fora uma grande surpresa para mim também.

Desdenho de seu argumento e digo que ele é igual a Aaron.

— Bonito e na moda? — Seu semblante brilha junto do sorriso.

— Não. Tem mais a ver com o que eu disse anteriormente sobre ser deus.

Ele vira os olhos.

— Eu sou um deus. Mais pagão do que tudo, mas bem, um deus é um deus.

— Pela graça divina, você é deus de quê?

— Posso fazer uma lista. Da beleza. Da diversão. Da libertinagem — bato na coxa dele, sem impedi-lo de continuar —, da distração.

Olho à minha volta e percebo que já estamos no hospital.

— Lembre-me de agradecê-lo mais tarde.

— Talvez você precise me lembrar de lembrar você, Mara. Estarei um tanto irracional ao ver seus cabelos caírem molhados por sobre a transparente e também encharcada camisa branca.

Abro a porta do carro e pulo para fora.

— Vai se ferrar — murmuro junto de um sorriso.

— Me ferro quantas vezes você desejar, desde que seja na sua companhia.

— Vai se ferrar sozinho — pego a mão dele e caminhamos juntos até o balcão de atendimento.

— Você sabe mesmo machucar meu pobre coração. Mara Shaw, por favor — ele diz à garota atrás do balcão. No seu cartão de apresentação diz que o nome dela é Vick. Olhos castanhos claro encaram o computador antes de voltar a nós.

— Senhor Shaw, o doutor Clark já está esperando por vocês.

Acenamos em agradecimento e tomamos nosso caminho em direção ao consultório. Uma enfermeira me recebe antes de me mandar até a área de exames — ela checa se tomei a quantidade adequada de água e se minhas vestes são práticas o suficiente para que eu possa fazer o ultrassom com elas. Como tudo estava certo, ela logo me encaminha até o meu geriatra. O doutor realmente está sentado em frente à todos os equipamentos quando chegamos.

— Mara! É bom te ver. Como vocês estão?

— Ansiosos — respondo, ao mesmo passo que Noah diz — Tranquilos.

Ignoro-o, e assim faz o bom doutor.

— É normal vocês estarem ansiosos. Estranho seria se não estivessem. Mara — Clark indica a maca com a mão enluvada —, deite e fique à vontade.

Ajeitando-me o melhor que posso de barriga para cima, encaro o teto enquanto escuto os estalidos que o doutor faz enquanto se move em sua cadeira de rodinhas, mexendo em instrumentos e aparelhos.

— Você pode abrir sua camisa para mim? — Olho para Noah e seguro um sorriso, achando graça de como meu marido estava fantasiando com a camisa que agora Clark pede para que eu abra. Fora a graça, obedeço o médico. — Até suas costelas está de bom tamanho.

Solto os botões até onde ele indicara e fecho os olhos, meu coração audível demais em meus ouvidos.

— Vamos começar — o médico está animado —, passarei o gel em você. Ele é um tanto gelado, então se prepare.

Ele conecta tudo o que tem de conectar — tanto em mim como nas máquinas — e inicia o procedimento.

Não respiro. Não abro os olhos. Apenas seguro a mão de Noah e agarro-me à segurança oriunda de Lieben que aquece meu coração.

— É um bebê saudável — diz Clark —, não vejo nada de errado. Ele talvez seja apenas pequeno para sua idade, mas isso não é problema.

Sorrio de olhos fechados.

— Ele? Então é um garotão? — a voz de Noah está cheia de adoração.

— Isso nós descobriremos agora — a mão dele zanza por minha barriga, procurando o sexo do bebê. Demoram alguns segundos para que o doutor volte a falar. — Aqui está.

Abro os olhos e fito Noah, querendo descobrir pela reação dele se é a Ani ou o Ani. Seus lábios se abrem em um grande sorriso e não posso me impedir de acompanhá-lo.

Ele está feliz demais para ter perdido. É um menino.

Ele acertou, afinal.

— Tirarei uma imagem em 3-D para vocês. Ela será uma bela garotinha.

Isso atrai minha atenção. Olho para o doutor e ele me mostra, na tela da TV, que o que eu ouvira está certo.

Uma menininha. A Ani.

— Querem ouvir o batimento dela?

Noah e eu trocamos olhares significativos. Sei que ele já escutara os batimentos da Ani, mas saber que na primeira vez que ouvirei ele estará comigo, torna tudo diferente, com uma nova perspectiva.

— Queremos, sim — Noah responde por mim.

Clark mexe um pouco no computador e logo um tum-tum rápido ecoa das caixas de som. O coração de nossa garotinha bate ferozmente dentro de mim, o que faz com que o meu se sincronize ao dela, emocionado e feliz.

— Parece com o de um passarinho — sussurro.

— Está mais pra de um anjo — Noah complementa.

— Vocês estão muito bem — o doutor diz enquanto desliga as máquinas. Sorrindo, ele nos parabeniza —, continuem se cuidando e tudo correrá bem. Nós já temos a próxima consulta marcada?

— Já, doutor. Já temos. — Sinto-me mas nuvens. Meu bebê está bem. Meu bebê está realmente bem.

— Sendo assim, até a próxima — ele aperta a minha mão —, qualquer coisa, me telefone.

— Pode deixar.

— Obrigado, Doc.

Passo meu braço pelo de Noah e caminhamos para fora. Ficamos em silêncio por alguns minutos, mergulhados no tipo de júbilo do qual palavras não são necessárias.

— Então — posso sentir meu sorriso chegando nas orelhas —, uma menina.

— Uma menina — Noah concorda, seu sorriso do tamanho do meu.

— Por um momento pensei que seria um menino. Você ficou muito animado quando Clark te mostrou o ultrassom.

Doutor — corrige, e mostro o dedo do meio para ele —, e é claro que fiquei animado. Mulheres dão mais trabalho, não brincarão com os carrinhos que sempre sonhei em ter na minha infância e não rolarão na lama comigo, mas ainda assim, é nossa. É minha.

Bufo.

— Só se for com você — aponto —, porque comigo elas farão tudo isso e muito mais.

Ele desvia seu olhar da direção por alguns segundos, surpreso e divertido.

— Pensei que você a criaria para ser uma dama.

— Nós a criaremos para ser feliz.

Um sorriso orgulhoso vem em forma de resposta.

— Bem dito, Mara Shaw. Por que você não me avisou antes? Pouparia muita discussão.

— Você já disse que ensinaria para nossas filhas como usufruir seu charme nato. Pensei que estivesse ciente que teria de ser eu a estragá-las.

Ele dá de ombros.

— Eu as ensinarei a coisa mais importante da vida.

— A coisa mais importante da vida?

— Tudo bem, uma das coisas mais importantes da vida — ele cede—, elas saberão conquistar qualquer um que desejarem: homem, mulher, cachorro ou unicórnio.

— E eu terei de ensinar todo o resto?

Noah bate os dedos no volante.

— Basicamente.

— Será divertido ver você descartando esse pensamento, Noah Shaw. Você ensinará para ela o mesmo, se não mais do que eu.

— Certo. Ela terá que tocar pelo menos um instrumento. E falar duas línguas estrangeiras.

Considero o que ele disse por um tempo antes de concordar.

— E um esporte — acrescento.

— O que você disser.

Abro a porta para sair do carro ao chegar em casa e Noah me intercepta no meio do caminho.

— O quê?— Questiono seu olhar.

— Você ganhou. Acertou que seria menina.

Pisco, pensando.

— Nós tínhamos um trato.

Ah. A camisa, a piscina.

— Nós tínhamos? Não lembro de ter assinado nada nem dado um aperto de mãos.

Ele grunhe.

— Vamos lá, Shaw, não banque a difícil.

Dou de ombros.

— Só com roupas íntimas, certo?

— É. — Sua voz não soa convincente.

— Você quer que eu entre na piscina com a sua camisa.

— É. — Convincente e sugestiva.

Suspiro.

— O que eu não faço por você?

Tiro os chinelos e desço as calças. Preparo-me para entrar na piscina, mas Noah me para. Encaro-o sem entender por alguns segundos. Ele sorri.

Só de camisa. — ele explica.

Ah. Ah.

— Você não presta — ponho os braços para trás, abrindo o sutiã, e tiro as alças pelos braços.

— Veja por esse lado — Noah abraça a minha cintura, seus lábios acariciando meus ombros —, nós temos muito a comemorar, então tem de ser perfeito.

Balanço a cabeça, sorrindo.

— Não vai adiantar discutir com você, vai?

— Não mesmo.

Respiro fundo e tiro a calcinha. Não fico envergonhada, pelo contrário: fico muito a vontade. Encaro-o todo vestido e tenho o anseio de ver todas aquelas roupas sumirem.

— Você não vai tirar a roupa também?

— Eu não devo.

— Sim, você deve.

— Não, não devo. Quero me concentrar só em você.

Deve.

— Não devo.

— Deve.

— Está bem — ele sorri como se estivesse fazendo um grande sacrifício. Tirando a roupa rapidamente, ele me levanta em seus braços e abraça sua cintura com as minhas pernas.

Olho para o céu cinza e encaro a água da piscina.

— Essa água deve estar um gelo.

Noah avalia a situação por alguns segundos.

— Bem, talvez se entrarmos de uma vez na água, não sintamos tanto.

— É. — Penso mais uma vez no que ele disse. — Espera. Como assim, entrar de uma vez?

— Assim — Noah começa a correr até a piscina e me seguro mais firme em seu pescoço e na cintura dele.

Quando ele salta, solto um grito e fecho os olhos, pronta para o primeiro contato com a água, e o que eu suspeitava se mostra verdade. A água está congelante.

Noah — reclamo, enroscando-me mais em seu calor —, está muito frio!

Sinto sua risada vibrar por meu pescoço enquanto ele beija por baixo da minha orelha.

— Eu vou te esquentar rapidinho, prometo.

— Que encantador — caçoo.

— Não serei nada além de encantador pro resto de nossas vidas. Sempre tratarei você e nossos doze filhos muito bem.

Rio.

— Você conseguirá dividir sua atenção entre treze pessoas?

— Não serão só treze pessoas. Será a minha família.

Beijo a testa dele.

— Estarei pronta para jogar isso na sua cara na primeira oportunidade que surgir.

— Você não vai precisar. — Afastando-me um pouco para poder me olhar, Noah diz — Se nossas filhas forem um terço tão bonitas quanto você, elas precisarão de toda a minha atenção.

— Tão bonitas quanto eu? — beijo seu pomo-de-adão.

— Você está incrível. Queria que pudesse se ver com os meus olhos agora.

— Então diga-me. Descreva-me.

Seus dedos começam a desabotoar a camisa branca.

— Seus cabelos castanhos estão úmidos, grudados no seu pescoço; os lábios estão molhados, algumas gotículas caminham pela curva deles lentamente, delineiam-os devagar, causando certa inveja em mim.

Ele me beija, tomando e sugando a água e a mim, retirando o frio que se acomodava em minhas entranhas e aquecendo tudo em todo lugar.

— Há gotículas até em seus cílios ridicularmente grandes e curvados, brilhando e refletindo a luz, emoldurando sua beleza de forma que nenhum pintor ou fotógrafo poderia capturar.

Ele faz uma carícia na maçã do meu rosto. Seu toque é leve, quase impercetível, e por isso é perceptível demais. Meus pêlos se arrepiam, meu coração acelera, meus dedos se tornam escravos do meu desejo de tocar Noah.

— A minha camisa está justa e grudada em seu corpo.

Suas mãos caem nos meus ombros.

— Daqui posso ver seus seios.

As pontas dos dedos seguem os comandos de sua voz.

— Posso ver seu coração pulsando neles.

Seus lábios roçam minha bochecha quando ele se aproxima de mim, seu corpo duro e forte implorando para consumar o que começamos, mostrando-me que Noah está pronto.

— Consigo enxergar sua barriga levemente proeminente e sua cintura teimosamente perfeita.

Noah está sussurrando essas palavras diretamente em meu ouvido, suas mãos agarrando-me na cintura e descendo, descendo cada vez mais.

— O alto de suas coxas. Sua pelve. E, apesar de não ver nada mais, posso visualizar tudo que quero fazer com você nessa piscina.

Beijando o alto da minha cabeça, ele continua.

— Você me deixará fazer tudo que quero, Mara?

Noah pergunta como se eu tivesse uma resposta diferente de sim. Digo isso a ele.

— Obrigado, Mara.

Sei que ele não está agradecendo por minha autorização.

— Pelo o quê?

— Por Lieben. Pela Ani. Por não deixar o que meu pai fez nos separar.

Seguro seu rosto em minhas mãos.

— Sou eu que tenho de agradecer, Noah.

Ele concorda com a cabeça, seus olhos num brilho intenso.

— Você não precisará me agradecer por isso, pois o prazer será todo meu.

Confusa, encaro-o.

— Isso o quê?

Minha resposta não vem em palavras. Vem em gestos. Em beijos. Em mordidas e lambidas, apertos e fricções. Minha resposta vem com todo o seu amor e desejo poderoso.

E o mínimo que posso fazer é retribuí-lo. Para sempre.