O Desespero no Nada
2 Chuva no "Nada"
Alvo liderava o grupo. Andava sem medo, porém não abandonou a cautela. Olhava para todos os lados, checava os outros espíritos, e não emitia qualquer som. Estavam concentrados, em tudo, e ao mesmo tempo, em “Nada”.
A única coisa que lhes permitia ter certeza que avançavam era a distância dos que não tiveram coragem o suficiente para explorar o local: pequenos pontos quase invisíveis, fosse pela distância fosse pela transparência dos espíritos.
A cada passo, os ‘exploradores’ adentravam o Nada. Seu interior, sombrio e misterioso.
Ah, o terrível!
Uma pausa. Afinal, espíritos também se cansam, obviamente. Todos se permitiram sentar, deitar, encostar-se aos outros, como pontos de apoio móveis.
Nem um minuto depois de pararem, fecharam os olhos. Impelidos por uma força invisível, como uma névoa, pairando sobre eles e os deixando sonolentos. Sim, fantasmas também dormem. E foi o que fizeram.
“Plin”
“Plin”
O suave gotejar fez com que alguns se mexessem, inquietos. Tentaram ignorar o barulho, mas ele continuava.
“Plin”
“Plin”
As gotas caíam sobre os espíritos, como se estivesse chovendo. Tornou-se impossível ignorá-las, dado que eram constantes e molhavam seus “corpos”.
Abriram os olhos com impressionante dificuldade, como se algo os mantivesse fechados. Uma substância pesada, contra a qual as pálpebras lutavam. E ao finalmente conseguirem, descobriram o que era.
O “céu”, se é que existia um, tornara-se rubro. E grossos pingos de sangue caíam do nada, manchando o “chão”, colorindo o “Nada” e as almas de vermelho vivo.
A cor era tão forte, tão intensa, que chegava a ser bela. Uma beleza macabra.
Após o susto inicial, estavam chocados demais para reagir.
Era como se milhões de vozes de repente gritassem de pavor, e subitamente silenciassem.
E todas as almas encharcaram-se de sangue.
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