O Desenhista
4 Capítulo 4 - O Outro
Notas iniciais
Era quase meio-dia quando Afrodite acordou confuso. Estava vestido com as mesmas roupas do dia anterior e sua cabeça latejava. Foi beber água na cozinha, pois sua boca estava seca. Ao abrir a porta, quase caiu para trás, devido ao susto que levara. Máscara da Morte preparava algo para comer, sem se importar em pedir.
- O que você faz aqui?
- Eu dormi aqui, lembra?
- Dormiu? Então foi você que me colocou na cama?
- Sim.
- Minha deusa... Eu bebi né? Quanto exatamente eu bebi?
Máscara apontou para um canto da cozinha onde sete garrafas de vinho estavam vazias.
- Isso explica essa dor... – comentou com as mãos nas têmporas.
- Quer café? É só me dizer onde guarda que faço.
- Quero água. Eu não bebo café.
Afrodite falava baixo e mantinha os olhos fechados, inclusive quando Máscara lhe entregou o copo.
- Obrigado.
- Não se lembra de nada mesmo?
- Ah... Eu me lembro de te pedir pra colocar o quadro... Também me lembro do vinho, mas só até a segunda garrafa... Aconteceu mais alguma coisa? Não vá me dizer que eu criei caso fora daqui?!
- Não. – riu – Só ficamos conversando e, do nada, você apagou.
Ele sabia que um romance iniciado numa bebedeira não daria em nada. Sabia que Afrodite nunca levaria aquilo a serio. E mesmo se levasse, consideraria um erro e se afastaria dele, talvez para sempre.
- Ah... Eu não nasci pra essas coisas... Como você consegue?
- Depois de um tempo você se acostuma.
- Nunca mais vou fazer isso... – e depois praguejou algo para si mesmo, em sueco.
- Já que você acordou bem, eu já vou indo. Eu deixei um sanduíche pra você também.
- Agradeço a gentileza.
Antes de sair, Giovanni deu um aceno de mãos para Afrodite, que retribuiu. Pouco depois que o canceriano saiu, Afrodite se levantou, pegou o lanche e deu uma mordida.
Que atencioso da parte dele, pensava, Não sei de onde tiram a idéia de que ele seja odioso. Ninguém nunca preparou um lanche tão gostoso assim pra mim. Pensando bem, ninguém nunca preparou nada pra mim...
- Hunf! – bufou, ainda mastigando, rindo de seus próprios pensamentos.
De volta a sua Casa, Câncer sentara-se em seu sofá acabado. Ele sorria feito um bobo, mesmo um pouco triste por Afrodite não se lembrar do beijo.
- Esse é o lado negativo do álcool. – comentou em voz alta.
- O que tem o álcool?
Máscara da Morte deu um pulo e já se colocou em posição de luta. Mas o inimigo era Kanon. Ele saíra da cozinha de Câncer com alguns salgadinhos numa tigela.
- Opa! Calma italiano! Sou eu! Só vim pegar os salgadinhos... Esqueceu que hoje é dia de pôquer?
- Da próxima vez, avisa que você está aqui. Aliás, gostaria que você parasse de entrar e sair da minha casa a toda hora.
Kanon olhou para ele por alguns segundos e deu risada.
- Claro que você quer. Vai esperando...
- Perda de tempo total falar isso com você, não é? – riu junto.
- E como! Eu vou descendo porque hoje vamos jogar na casa do Aldebaran. Você vem, né?
- Em alguns minutos.
Ele demorou apenas o tempo de tomar um banho e escovar os dentes. Pôquer era uma das coisas que mais gostava. Quando estava saindo, animado, se deparou com Afrodite, mas ele estava agarrado a outro. Shura.
- Podemos passar? – perguntou Shura.
Máscara olhava de um para outro, perplexo. Afrodite estava agarrado ao braço de Shura, a cabeça encostada em seu ombro.
- Pode... – foi tudo o que conseguiu dizer.
Viu os dois saindo agarrados e mal conseguia piscar. Sentou-se numa cadeira e ali ficou até Milo e Aiolia o encontrarem, cerca de dez minutos depois.
- Ta pronto pra perder, Mask? – riu Aiolia.
O canceriano nada disse. Levantou-se e foi com eles até a casa de Aldebaran.
- Ué? Cadê o “chaveiro” do Milo? – perguntou Saga, vendo que uma cadeira ficara vaga.
- Camus disse que não viria mais. Não enquanto roubarem no jogo. – explicou Milo, rindo do que falara.
- Ninguém aqui roubou! Ele é que é muito ruim. – retrucou Aldebaran.
- É! Ele não quer é pagar a gente! – Kanon falou, colocando mais lenha na fogueira.
- Ô bando de fofoqueiras! Viemos aqui pra conversar sobre a vida do casalzinho ou jogar? – gritou Aiolia.
- Concordo – disse Saga, apoiando o leonino. – Aldebaran, distribua as cartas.
O jogo então começara. Não que fosse um jogo sério, nem nada profissional, eles apostavam apenas algumas moedas cada. O maior motivo daquele circo todo era beber, comer porcarias e tirar sarro uns dos outros, sem levar nada a sério. Podiam-se ouvir as risadas de longe. E ninguém melhor pra saber disso do que Mu. O ariano subira até a segunda Casa para reclamar.
- Sabiam que tem gente que não gosta de gritaria? – perguntou ele, de forma sarcástica.
- É mesmo? – respondeu Milo, mais sarcástico ainda, rindo da cara que Mú fizera.
- Eu tenho coisas a fazer, armaduras a consertar. Gostaria que vocês fizessem menos barulho.
- Vai dar não, Mu. – disse Câncer, que nunca fora com a cara do guardião da primeira Casa.
- E por que não, Câncer?
- Porque eu não quero. E por que, ao invés de ficar aí na sua Casa, não vai conversar com sua comadre, o virginiano?
Mu só não pulou no pescoço de Máscara da Morte porque Aldebaran segurara seu braço.
- Terminaremos isso logo, Mu. E vamos fazer silencio, não preocupe.
- Obrigado, Aldebaran!
Depois que ele saiu começou os comentários.
- Você é louco, Máscara? Quer arrumar confusão com um Cavaleiro de Ouro? E por um motivo tão idiota? – indagava Milo.
- E se eu quiser?
- Acho melhor você tomar cuidado. Já caiu no conceito da deusa, por causa de toda a bebedeira e mulherada, e quer arrumar briga com outro Cavaleiro? Pega leve. – advertiu Saga.
Mas a única coisa que Máscara fez foi rir e dar de ombros.
- Lembra-se do que ela falou? “Ou respeitam-se, ou perdem o direito a armadura”. Ela foi bem clara. – falou Aiolia.
- Ah! Chega! Vocês são todos uns covardes! Tão com medo do quê? De o cabritinho fazer uma queixa contra nós? Poxa vida, agora me borrei de medo! Athena não passa de uma menina mimada, e vocês é que a mimam com todo esse “lambe-lambe”. Parei com vocês! To saindo.
Máscara jogou suas cartas na mesa e saiu enfezado em direção a saída de Touro.
- Volte aqui e retire o que disse Câncer! Ou não te dou passagem pela minha Casa. – ordenou Saga.
Máscara se virou para ele e levantou o dedo do meio, mandando-o àquele lugar. Depois saiu da Casa de Touro.
- Desaforado... – Saga se levantara, mas Kanon o puxou de volta.
- Deixe quieto, Saga... É aquele problema, lembra? Agora ta pior.
- Como assim, pior?
- Eu vi uma coisa que eu sei que ele também viu... Vou falar com ele.
Kanon largara o jogo também, e saiu logo depois de Máscara. Ele conseguiu encontrar o amigo na saída dos fundos de Gêmeos.
- Máscara! Espera! Sou eu, Kanon!
- Vai me impedir de passar?
- Não. Quero conversar com você. Eu sei o que virou seu ovo. Viu Afrodite agora a pouco, né?
Máscara da Morte nada respondeu. Começou a respirar como um animal, andando de um lado para o outro. Aquilo valia como um “sim”.
- Como ele pôde? Depois de ontem... Achei que daríamos certo. Achei que eu conseguiria me aproximar dele.
- Tudo bem, fique calmo.
Eles se sentaram na escada. Câncer segurava a cabeça com as mãos. Ele não chorava, mas parecia querer.
- Eu sou um verdadeiro idiota por gostar assim dele.
Saiu correndo em direção a sua casa, onde se trancou.
-x-
No vilarejo, ao redor do Santuário, Shura e Afrodite andavam juntos, Peixes ainda trançava um pouco as pernas.
- Obrigado, mais uma vez, por me acompanhar. Eu bebi demais ontem e minha cabeça ainda dói. Sem contar essa tontura.
- Beber com o Máscara da Morte não é tarefa fácil. Poucos acompanham. Estamos quase chegando à farmácia de que te falei.
Andaram mais um pouco até entrarem na tal farmácia. Shura comprou o remédio para enxaqueca “pós-bebedeira”, como chamava, e deu a Afrodite.
- Quer voltar a sua casa agora?
- Se importa de esperar mais um pouco? Quero ver se consigo andar sozinho o caminho da volta.
Sentaram-se num banco, lado a lado, até que algo chamou a atenção de Shura. Uma moça jovem carregando uma cesta lhe acenava.
- Já volto... – disse a Afrodite.
- Eu sabia que você não deixaria passar. – Peixes riu.
Shura se levantou e foi até a moça. Encostou um dos braços na parede e começou a cortejá-la. Afrodite, que esperava a dor passar, ficou assistindo a cena toda.
- Acho que vou voltar sozinho... – comentou com si mesmo.
Notas finais
Ta, parei... kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Logo eu posto mais um capitulo de Uma História de Amor e de Book of Memories (Silent Hill)!
Bjos ^3^
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