O Desenhista

1 Capítulo 1 - Agonia


Notas iniciais
A capa foi feita por mim mesma. Editei um pouco apenas para caber no quadro. Desculpem essa introdução curtinha... No proximo eu capricho!!!

Fico aqui, nesta casa, quieto, esperando algo diferente acontecer. Mas nada acontece. Nem uma chuva tem caído, ultimamente. O que mais eu posso fazer aqui? Só sei fazer coisas grotescas, com exceção de...

Ele se levantou e abriu a porta de um armário pequeno que ficava escondido da vista de qualquer um. Olhou os objetos de dentro com calma. Deu um suspiro e puxou vários para fora. Metade do que havia dentro caiu no chão. Soltou os mesmos palavrões de sempre e começou a catar tudo. Arrumou-os em uma mesa e depois trouxe uma cadeira para se sentar. Começou a separar algumas folhas limpas e a apontar o lápis que tinha.

Fez o primeiro risco no papel. Nada demais. Depois foi fazendo outro e mais outro. Minutos depois já tinha o esboço de um rosto. Uma careta em agonia, melhor dizendo. Era o tipo de coisa que mais gostava de desenhar. Pessoas sofrendo. Não era pra menos. Nascera num lugar onde mafiosos comandavam. De vez em quando encontrava um ou outro corpo, quando não vários de uma vez, quando criança, um em pior estado que o outro. Pegar “gosto” pela coisa não foi difícil.

– Mascara da Morte, tem cerveja aí? – perguntou Saga, entrando na Casa de Câncer, mas não obteve resposta. – Onde você está?

– Aqui no fundo... O que quer?

– Tem cerveja aí...? Nossa! Foi você quem desenhou?

Saga estava admirado e olhava o desenho do outro com grande espanto.

– Foi. Eu estava entediado e resolvi desenhar. – disse, se levantando. – O que você quer mesmo?

– Ah... Cerveja. – falou ainda admirado com aquilo.

– Ah, deixa disso, Saga. É só um desenho.

– É que... Desculpe, eu não esperava que você desenhasse.

– Como assim, “você”? – falou Mascara da Morte, trazendo a cerveja para o amigo. – Não posso ter um hobby?

– Eu não quis te ofender...

– Toma tua cerveja e some daqui.

Saga obedeceu. Estava acostumado ao jeito grosseiro do amigo. Saiu de lá, mas não sem antes dar mais uma olhada no tal desenho.

Máscara da Morte voltou ao seu desenho. Não deu nem cinco minutos, Kanon entra em sua Casa.

– Se quer cerveja, ta na geladeira ali no canto... Pegue todas elas e suma. – falou ele, sem nem dar chance do geminiano dizer a que havia ido lá.

– Não vim pegar cerveja nenhuma. Vim ver seu desenho. O Saga me falou dele.

Kanon era bem mais abusado que o irmão. Puxou o desenho da mão de Máscara da Morte só para ver.

– Onde você aprendeu a desenhar assim, Máscara?

– Sozinho. Agora me devolve!

– Me desenha?

– Não.

– Por que não?

– Porque eu não quero.

Mascara da Morte o ignorava.

– Me ensina a desenhar, então.

O canceriano deu um longo suspiro e se voltou para Kanon.

– Não! E saia! Quero ficar sozinho.

– Vai desenhar mulher pelada, né? – riu o mais velho, com malícia.

– FORA!

Rindo, Kanon deixou a Casa de Câncer.

– Abusado... – resmungou Câncer, indo trancar a porta do aposento em que estava.

Desenhar fazia com que ele ficasse mais relaxado, ou menos estressado. Fosse o que fosse, lembrou-se, naquele momento, que desenhar era sua verdadeira especialidade. E a Morte sua inspiração. Mesmo com um talento assim, ele não deixaria de ser macabro.

Passou o resto do dia ilustrando figuras medonhas nas folhas em branco.

Máscara da Morte acordou bem disposto na manhã seguinte. Há anos não acordava assim. Em geral, ou sentia muita dor de cabeça por causa de ressacas, ou acordava num lugar que não conhecia acompanhado de alguma meretriz. Ou mesmo as duas coisas. Quando não tinha com o que se preocupar ficava na farra.

Levantou-se e foi tomar uma ducha rápida; vestiu-se com roupas largas e confortáveis para o treino, para o qual saiu já correndo de sua Casa. Passou na Casa de Gêmeos e viu que nenhum dos dois irmãos estava. Deduziu que haviam ido para o campo de treinamento. Desceu a segunda Casa, que também se encontrava sozinha. Apenas Mu estava em seu posto.

– Tão cedo...? – comentou Mu, quando Máscara da Morte pedir passagem. – Caiu da cama? Pode passar. – disse, por fim, ao ver a cara de poucos amigos que ele fazia.

– Obrigado...

Mu nunca ia aos treinos matinais. Sempre ficava de guarda quando todos os outros saíam. Era seu momento de tranqüilidade naquele lugar. Shaka também aproveitava da paz.

– Ora, ora, ora... – disse Milo, ao ver Máscara chegando. – O que aconteceu, Câncer? Chegando agora da esbórnia?

– Não, apenas dormi mais cedo.

Você? Me engana que eu gosto... Fala aí o que aconteceu, Máscara!

– Já falei! Fiquei em casa o dia todo e dormi mais cedo. Por que isso tem importância?

– Ele ficou desenhando ontem, o dia todo. – falou Kanon, se intrometendo na conversa.

– Desenhando o que? Mulher pelada, né? – sorriu Milo, com malicia.

Nesse momento, Camus deu-lhe um puxão no braço.

– Ai, Camus! O que foi?

– Pára de ficar falando besteira. Vai levantar uns pesos, pra variar!

Ele estava claramente com ciúme de Milo.

– Já levantei peso, logo que acordei, lembra?

Camus ficou vermelho. Todos olhavam para ele.

– Vai logo antes que eu...!

Milo obedeceu, gargalhando.

Máscara da Morte, que só assistia a cena e ria acabou perdendo o foco ao ver Afrodite.

Embora não contassem a ninguém, perdia o sono pensando no pisciano. Foi assim desde que se conheceram, no Santuário. Mas o guardião da ultima Casa o via apenas como um amigo, mesmo com tantas investidas de Câncer. Por ficar frustrado com esse comportamento dele, Máscara da Morte se afundava na farra, tentando esquecê-lo.

Infelizmente não percebeu que sua expressão facial mudou de “descontraído” para “esperançoso”.

– Desista. – falou Saga, que havia se aproximado, na hora da bagunça. Ele via os olhos de Máscara brilhando ao mirar Afrodite. – Ele não é flor que se cheire.

– Literalmente. – completou Kanon.

– Do que vocês dois estão falando? – desconversou, olhando para outro lado.

– Dá pra ver de longe que você gosta dele. Fica fora de “sintonia” quando o Afrodite está por perto.

– Não só quando ele está por perto. – confessou, sentando-se passando a mão no cabelo rebelde. — Ultimamente tenho pensando mais ainda nele...

– Eu não sabia que você era gay, Máscara.

– Tecnicamente, não sou gay... Eu tenho uma queda por ele, só isso.

– Queda, tombo, pulo de penhasco... Chame como quiser. Acho que você deveria superar o Afrodite.

– Como vou superar algo que nunca tive, Saga?

– Nunca teve o que? – perguntou Afrodite ao chegar perto deles.

Notas finais
A capa foi desenhada por mim mesma. Editei um pouco apenas para caber no quadro.