O Desenhista

5 Capítulo 5 - A Descoberta de Peixes


Notas iniciais
Acabei de fazer este capítulo, dei uma revisada rápida. Mesmo assim, desculpem os erros!

Afrodite voltava para as Doze Casas sozinho. Shura o deixara para falar com uma moça e acabara desaparecendo com ela. Estava levemente zonzo, porém, sua dor havia sumido. Como as primeiras três Casas estavam vazias, pôde passar e subir sem o menor problema. Mas empacou na quarta Casa, Câncer. Podia ouvir musica, mesmo do lado de fora, vozes, gritinhos, gemidos, risadas. Estavam dando uma festa ali.

Não me surpreende o Touro e os gêmeos estar aqui, mas, o Mú também?, pensou ao empurrar a porta da entrada com força.

Naquele lugar só tinha mulher, nenhum dos Cavaleiros que ele citara. Com exceção de Máscara da Morte, que estava sentado, sendo acariciado por duas moças. Reconheceu-as de longe. Eram todas aspirantes a Amazonas. Ele nem mesmo pediu para passar. Correu sorrateiro para a porta da saída. Mas, Máscara o vira.

– Onde pensa que vai, Cavaleiro?

– Eu não queria atrapalhar. Já estou saindo. – respondeu Afrodite.

O canceriano estava visivelmente bêbado. As moças olhavam interessadas no que estava acontecendo.

– Só vai passar depois que eu permitir!

– Pois bem. Está no seu direito. Posso passar?

– Pode...

Ele tinha um sorriso malicioso que causou um arrepio de medo em todo o corpo de Afrodite, que apertou o passo para evitar confusão.

A Casa de Aiolia também estava vazia. Passou reto. Deu graças quando viu que Shaka estava em sua morada.

– O que está havendo, Shaka? Onde estão os outros Cavaleiros?

– Aldebaran, Saga, Kanon, Aiolia e Milo estão ouvindo um sermão da Deusa.

– Por quê?

– Estavam atrapalhando os afazeres de Mú e o mesmo relatou o que acontecia.

– Ela dá bronca neles por causa de um joguinho, mas deixa a festa do Máscara da Morte passar?

– Da festa ela não sabe, ainda. Peixes se vai passar, passe logo. Não temos por que prolongar nossa conversa.

Afrodite arregalou os olhos. Shaka continuava tão rude quanto antes. Continuou seu caminho até sua Casa, onde tomou um banho e se deitou e dormiu.


Sentia algo estranho. Cosmos alterados, agressivos. Acordar foi inevitável. Estava confuso. Olhou no relógio ao lado da cama. Não dormira nem uma hora. Mais que depressa, vestiu sua armadura e foi até o local do qual vinha àqueles cosmos. Um deles, sem duvida, era o da Deusa. Todas as outras Casas estavam vazias. Todas, menos a de Câncer.

Essa não...!, pensou Afrodite ao ver Milo e Shaka segurando Máscara da Morte pelos braços.

– Eu ao posso permitir que você continue aqui, Máscara da Morte. – dizia Athena. – Quero que saia, agora!

– Você quer! Você sempre quer! Você só sabe mandar, apontar! Faça isso, faça aquilo! É uma mala sem alça!

– Máscara, somos amigos, mas, se você continuar a cuspir insultos contra a Deusa terei de agir de alguma forma.

– Faça o que você quiser! São todos cachorrinhos dessa aí. E quer saber o que mais, deusa? Eu vou sair daqui sim, mas não porque você quer. É porque cansei dessa espelunca! Pode ficar com essa armadura, com a casa... Eu vou embora!

Athena se manteve neutra. Máscara da Morte se soltou das mãos dos outros dois e entrou, cambaleando, para pegar seus pertences. Kanon entrou em seguida para ajudar.

– Ele está bêbado, não deveriam levar a sério o que ele diz. – Afrodite o defendeu.

– A questão é exatamente essa, Afrodite. Ele está bêbado. Sempre bebendo, trazendo visitantes pra cá. – disse Athena. – Sem contar que arma confusões direto, estando sóbrio ou não. Não posso manter alguém assim aqui.

Afrodite os viu saindo, Kanon e Máscara da Morte. O canceriano cambaleava e xingava em italiano. Kanon fez um gesto, avisando que o acompanharia que foi aceito pela deusa.

– Já podem voltar para suas moradas, Cavaleiros. – disse Saga. Todos obedeceram.

Peixes foi o ultimo a subir. Ficou vendo Máscara da Morte se distanciar.


O Sol já estava alto quando Afrodite despertou. A sensação de que tivera um pesadelo na noite anterior não passava, embora soubesse bem que aquilo não fora pesadelo, ao menos não para ele.

Levantou-se da cama, sentindo-se desanimado. Depois de se banhar a arrumar, foi tomar um suco. Inevitavelmente passou por sua sala, vendo aquele quadro que ganhara. Sentiu um pesar enorme. Entrou na cozinha e preparou algo para comer. Em seguida, logo após terminar, voltou para a sala, pegou um livro e sentou-se em sua poltrona para ler. Mas, sua atenção sempre se voltava para o desenho de Câncer. E foi naquele lugar, sem ter o que fazer, que Afrodite ficou o resto do dia.


–x-

O dia de Máscara da Morte não tinha como piorar. Fora expulso de seu cargo, vivia num casebre agora e nenhuma das garotas que estavam com ele ontem o queria agora.

– Interesseiras... – dizia ele, ao sentar-se a mesa.

Ele enfiava os dedos por entre os cabelos, bagunçando-os. Sua vida tinha virado de cabeça para baixo. E o único que podia culpar era a si mesmo. Já estava marcado com a deusa há algum tempo. Mas o que o levara a fazer tal burrada na ultima noite fora Afrodite. Mesmo assim, não conseguia culpá-lo por nada.

– Afrodite... – balbuciou, os olhos começando a encher de lágrimas.

Seu único contato com ele agora seria em seus pensamentos e seus desenhos. Teve, então, uma idéia. Levantou-se, enxugando os olhos, e pegou uma quantia em dinheiro que havia guardado. Saiu com pressa até o mercado do vilarejo. Ali comprou tintas e pincéis, algumas telas e um tripé. Levou tudo para dentro de sua casa, após uma boa subida. Montou tudo como manda o figurino e começou um esboço a lápis. Apenas isso já o relaxou. O dia seria longo, mas, ao menos teria algo para fazer.


–x-

Já estava escurecendo quando ele tomou coragem.

– Preciso falar com Athena. – disse Afrodite ao Grande Mestre.

– Pode adiantar o assunto para mim, Peixes. – disse Shion, imperativo.

– Esse assunto eu só posso falar com ela.

– Afrodite! – disse Athena, atrás de Shion. O velho Cavaleiro levara um susto. – Se quer falar apenas comigo, o assunto deve ser sério. Me acompanhe.

Ela o levou até um salão e fechou a porta, garantindo a privacidade de ambos.

– Veio interceder por Máscara da Morte, não é mesmo? – disse ela, sorrindo.

– Como sabe? Bem, não vem ao caso isso. Deixe-o voltar, por favor! Eu sei que ele é rude, grosseiro, baderneiro, mas no fundo é boa pessoa.

– Afrodite... – ela sentara-se. – Eu sei de tudo isso. Sei que ele é uma boa pessoa. Mas precisa aprender uma lição para deixar de ser baderneiro, como você mesmo disse. Eu não vou deixá-lo isolado para sempre. Se fosse esse o caso eu já teria arrumado aspirantes a Cavaleiro de Câncer. Só quero que ele reflita um pouco. Um mês ou dois afastado vai fazer bem a ele. Vai mostrar quem são seus verdadeiros amigos.

Afrodite caiu de joelhos em frente a ela e beijou suas mãos. Carinhosa, Athena começou a acariciar seus cabelos.

– Obrigado! – disse ele.

– Eu sei que você gosta muito dele. E não é de hoje.

Ele levantou a cabeça e a fitou diretamente nos olhos.

– Eu gosto dele há algum tempo, mas nunca expressei isso. Ao mesmo tempo em que ele me faz sentir atraído, também me repele.

– Por que nunca falou nada par ele?

– Isso faria ele se afastar. Se tem uma coisa que eu acho que ele não gosta, é homem.

– Vá visitá-lo. Tome um chá com ele, converse, só não conte sobre essa punição.

– Obrigado! – Afrodite sorriu e se levantou. – Ah, mais um coisa.

– O que?

– Aquele monte de marmanjo levou fumo por causa do jogo de pôquer?

– Se fosse só o pôquer e a reuniãozinha deles, não me incomodaria. Mas saiu briga. Alguém roubou no jogo. Eu mesma nem me importei com quem foi só deixei claro que se não parassem, eu mandaria fazer uma limpa para tirar as bebidas e baralhos dessas Casas. Só me dão dor de cabeça.

Ele riu e saiu da sala com o consentimento dela. Desceu contente as Casas e, durante o caminho, viu Milo e Aiolia com os olhos roxos.

Então foram eles..., constatou Afrodite.

Desceu mais algumas escadarias e parou na casa de Gêmeos, não só pra pedir passagem, mas, também, para conversar e perguntar onde era a tal casa nova de Máscara.

– Ô de casa! – disse Afrodite, entrando.

Saga e Kanon estavam sentados um ao lado do outro, aparentando tédio.

– Oi! – disse Saga, que ficou mais animado ao ver outro Cavaleiro ali.

– Vocês estão bem?

– Sim. Só entediados.

– Kanon, onde é a casa do Máscara da Morte?

– Ah, é bem fácil. É só descer sentido ao vilarejo, mas, a casa dele é um pouco antes. Perto daquela floresta pequena, sabe?

– Ele vai adorar sua visita. – disse Saga.

– Sério? Por quê?

Afrodite deixara transparecer um leve sorriso.

– Porque ele é apaixonado por você. – Kanon soltou a frase como se não fosse nada.

A boca de Afrodite se abriu instantaneamente. Saga dera um tapão na cabeça de Kanon, que não revidou, pois sabia que não devia ter falado aquilo.

– Expliquem!

Saga e Kanon contaram tudo a ele, como descobriram que ele era a paixão de Câncer, como ele ficava embasbacado e bonzinho quando estava por perto, sobre ele achar que ele e Shura tinham um caso...

– Um caso? Shura e eu? Isso é loucura! Ele só não ataca Athena porque sabe que não é permitido! É um tarado! Ontem mesmo, me abandonou pra correr atrás de uma moça que deu mole!

– É, mas, não foi o que a entender quando vocês desceram agarrados...

– Kanon, descemos agarrados porque eu estava zonzo. Eu havia bebido com Máscara e, como não estou acostumado, me fez mal. Shura só se prontificou a ir comigo.

Ele se levantara de supetão, saindo com pressa para a Casa seguinte.

– Aonde você vai? – gritou Kanon.

– Explicar esse ma entendido ao Máscara da Morte.

Os gêmeos ficaram sozinhos. Nenhum dos dois parecia estar com vontade de segui-lo.


Afrodite corria sentido ao vilarejo. Quando chegou à altura que Kanon falara achou a casa quase que imediatamente. As luzes estavam acessas. A porta entreaberta. Mas parecia estar vazia. Entrou sem fazer barulho, receoso de que alguém entrara e esperava a isca ser fisgada. Foi em direção ao tripé que lá estava. Antes de olhar o desenho, garantiu-se de que não havia ninguém ali por perto. Entretanto, seus olhos se arregalaram.

Na tela em cima do tripé havia uma pintura a óleo por terminar. Era ele. Afrodite. Reparou que havia outras como aquela, mas, em cores e poses diferentes. Todas com o mesmo tema. Ele. A que mais achara bonita foi uma em que, ao redor dele, nadavam dois peixes e algumas rosas estavam espalhadas por seus cabelos. Nessa pintura, ele estava deitado em uma água cristalina. Mais uma vez, a assinatura de Câncer estava ali. A tela não havia secado totalmente ainda, por isso evitou tocar.

– O que faz aqui? – perguntou Máscara da Morte, surgindo de uma porta atrás de Afrodite, que se assustou.

– Eu vim fazer uma visita...

Notas finais
Continua no próximo capítulo hihihihihihhihihihehehehehheheheahahahhahahahahah