O Desenhista

2 Capítulo 2 - A Marca de Câncer


Todos arregalaram os olhos ao vê-lo. Ninguém havia percebido quando ele chegara.

- O que foi? Vocês estão estranhos... – disse Afrodite, olhando para eles com os olhos cerrados. – O que você nunca teve Mask?

Máscara ficou sem resposta. Abriu a boca, tentando dizer algo, mas nenhuma palavra saía.

- Ele nunca teve uma tela de pintura. – falou Saga, vendo que se não falasse nada, Máscara é que teria de falar.

- Tela de pintura? Para quê você quer uma?

- Não está sabendo? – perguntou Kanon – Máscara da Morte é o orgulho artístico do Santuário!

- Ah ta! – Afrodite soltou um riso debochado que chateou o italiano. Máscara da Morte apenas olhou baixo, uma postura séria.

- É sério, Afrodite! – defendeu-o Saga.

- Você também está nisso, Saga?

O pisciano olhou bem o trio – nada normal – e, vendo que Saga participava dele, levou a sério.

- Desculpe... Eu não quis te magoar com o comentário. Mas, em minha defesa, isso foi surpresa.

- Ah, tudo bem. Ninguém sabia até ontem.

Peixes sentou-se ao seu lado, colando o próprio braço ao de Máscara.

- Muito bem, Câncer. Se você desenha tão bem quanto os “gêmeos maravilha” dizem, desenhe algo pra mim. Agora!

- Agora não dá. Vim pra treinar e, além de tudo, nem tenho lápis e papel.

- Desculpas e mais desculpas.

- Não é desculpa!

Os irmãos só assistiam a cena.

- Então vamos a sua casa, assim você me mostra o que desenhou ontem e faz um desenho pra mim!

Máscara da Morte ficou vermelho. Afrodite estava bem perto dele e o cheiro doce de rosas lhe deixava excitado.

- Mais tarde... – disse, com muita dificuldade.

- Tá bem. Mas depois do treino você não me escapa. Vou indo.

- Vê se não volta mais! – falou Kanon, brincando, apara Afrodite. O pisciano olhou para trás e mostrou a língua para ele.

Saga e Kanon ficaram olhando ele se afastar.

- Por pouco, hein? – falou Saga.

- Bem pouco. Obrigado, rapazes. Mas agora tenho de levá-lo a minha Casa, e só de pensar que ele vai ficar bem pertinho de mim... Já fico com a “barraca armada”.

- Você e os oitenta e seis outros Cavaleiros vivos. – riu Kanon, mas se arrependeu depois ao olhar para Saga, que tinha a expressão séria e irritada ao mesmo tempo.

- Fica de “barraca armada” com ele, Kanon? Sua barraca tem “armado” assim ultimamente: pensando em outro?

O ciúme era mais que explicito na voz de Saga.

- Não... Foi só um comentário... Este é o seu problema, sabe? – falou Kanon, tentando distorcer a situação. – Você complica demais. Leva tudo a serio demais.

-...

- Me ajuda aí, Mask! – pediu Kanon, olhando para o canceriano, mas este tinha a expressão parecida com a de Saga.

- Qual é?! Eu não posso fazer um comentário que já sou considerado um imoral, é?

- É! – disse o irmão, o tom seco na voz.

- Eu vou dar uma volta. Fiquem aí, com esse azedume de vocês.

- Sempre assim. A coisa fica feia pra ele, ele desaparece. Não me conformo com isso.

- Não to nem ai com o problema familiar de vocês. Mantenha o seu irmão longe do Afrodite.

- Pode ter certeza que vou.

Saga deu um longo suspiro, mexeu na cabeleira e voltou-se para Máscara da Morte.

- Quer fazer o que primeiro: levantar peso, ou uma corrida com obstáculos?

- Quero é uma cerveja.

O geminiano concordou.

Foram juntos para a Casa de Câncer. Sentaram-se no sofá acabado de Máscara. A casa dele não era nenhum luxo. Sofá, um tapete que raramente era lavado, uma mesinha de centro, uma TV sem antena e vários filmes (a maior parte pornografia). Sua cozinha era um canto escuro, sem panelas, apenas alguns pratos e comida industrializada. Sua geladeira era cheia de bebidas, assim como o interior dos armários. Sabia que era proibido, mas não se importava. Quase todos nas Doze Casas conseguiam álcool com ele. O lugar onde começou a desenhar no dia anterior era uma saleta bem no fundo da casa, antes do quarto.

- Eu faço de tudo por ele! – disse Saga. – Ele arruma idéias sem nexo, eu o apoio! Ele arruma uma mania nova, eu aprendo a conviver com a mania. Eu não sei mais o que fazer!

- Ao menos você pode conversar com ele sobre isso. Eu nem consigo manter uma conversa saudável com o Afrodite sem parecer um idiota.

- Ao menos você não sofre com traição.

- Você é quem pensa Saga. Outro dia eu o vi com um cara. Eles estavam se agarrando. Minha vontade foi de mandar aquele desgraçado direto para o Submundo, quem sabe assim Afrodite se apaixonaria por mim?

- É um pior que o outro.

Eles foram bebendo e reclamando. Às vezes riam dos problemas deles, mas, em geral, apenas se lamuriavam. Foi então que o inesperado aconteceu.

- Tô entrando! – ouviram.

Máscara da Morte conhecia muito bem aquela voz. Era a voz do Afrodite.

- A-há! Eu sabia que estavam aqui! E bebendo! E nem pra me convidar!

- Não sabíamos que você bebia. – disse Saga.

- De vez em quando. Não gosto muito. E você, só me dando o cano, canceriano. Disse que ia treinar e só depois me desenhava, mas veio pra cá...

- Desculpe. Força do hábito. – sorriu Máscara.

- Tudo bem. Aquilo estava bem cato mesmo. Mas, já que estamos aqui, que tal fazer aquele tal desenho?

Máscara da Morte balançou a cabeça em resposta positiva.

- Já volto. Um minuto.

Afrodite sentou-se numa cadeira e ficou conversando com Saga sobre o que queria que Máscara desenhasse. Ele imaginava de tudo. Falava absurdos. Saga ria.

De onde estava, Máscara ouvia a voz de Afrodite e suspirava. Era a forma que encontrara para conseguir ficar no mesmo recinto que Afrodite. Pegou seus papéis, lápis, e toda a parafernália, e voltou à sala. Sentou-se de frente para Afrodite.

- Então? O que vai ser?

- Eu quero várias rosas. Mas várias mesmo! E bem vermelhas! Como as minhas!

Afrodite estava visivelmente entusiasmado.

- Como quiser.

Máscara começou a desenhar e Afrodite correu sentar-se ao lado para ver o desenho melhor. Um arrepio percorreu todo o corpo de Câncer. Os pelos de seus braços ficaram eriçados. Mesmo assim, continuou o esboço.

O que não parecia ter forma de rosa no começo logo se tornou uma bela flor. Em seguida, belas. Logo, mais de quinze flores inundavam o papel. Mas ainda não estava como Afrodite queria. Estava totalmente monocromático.

- Que lindo! – disse Afrodite ao apoiar seu rosto no ombro do canceriano. Ele falava bem baixinho.

Saga, que só observava o desenho, percebeu que estava sobrando.

- Depois quero que me mostrem o desenho terminado. – disse Saga, antes de sair.

Máscara foi pintando aos poucos. Uma camada leve com o lápis vermelho. Outra camada mais forte, pouco coisa, por cima. A terceira camada já deixava bem claro onde haveria sombras. Na quarta camada ele terminou ao menos uma das rosas. Fez o mesmo com as outras, uma por uma.

Afrodite estava boquiaberto. Nunca, nem em seus maiores devaneios, imaginou Máscara da Morte desenhando, ainda mais esse tipo de coisa.

Depois de certo tempo pintando e retocando ele finalmente termina.

- Uau! – disse Afrodite, puxando o desenho mais perto de si. – Incrível! Ficou lindo demais!

- Obrigado.

- Dá ele pra mim?

- Você quer meu desenho?

- Eu pago, se você preferir.

- Não, eu não cobro. Só achei estranho. Achei que só quisesse que eu provasse que desenho. – falou Máscara.

- No inicio, sim. Mas agora eu quero este desenho só para mim. Vou colocar num quadro. Isso é, se você me der.

- Dou, claro que dou!

- Obrigado!

Afrodite se jogou para cima de Máscara da Morte. Ele o abraçava com força e beijava suas bochechas. Não dava para negar que ele tinha a força de um Cavaleiro de Ouro. Afrodite não aparentava ter nem parte da força que tinha. Máscara da Morte não pode evitar imaginar que, numa briga mano a mano contra Peixes, sairia bem machucado. Mas também não pode deixar de pensar o quanto era bom tê-lo tão perto e intimo de si.

Ele levantou-se de cima de Câncer, o desenho em uma de suas mãos. Estava saindo, todo contente, quando reparou numa coisa do desenho.

- Não tem assinatura. – disse, olhando para Máscara da Morte.

- Precisa?

- Como você não é um desenhista conhecido, acho que precisa. Sem contar que fica tão mais chique.

Máscara riu. Pegou o desenho de volta escreveu, num canto, “MdM”, em letras garranchosas. Ao lado fez o símbolo de Câncer.

- Perfeito! – sentenciou Afrodite.

Ele, mais uma vez, pegou o tal desenho e saiu da casa, todo animado, em direção a uma loja para comprar a tal moldura. Sozinho de novo, Máscara jogou tudo no chão e ficou sentado no sofá, cabisbaixo, aparentando estar chorando.

-x-

Saga deitou-se na cama, tão logo chegou a sua Casa. Sabia que, se deixasse Máscara da Morte e Afrodite juntos, o canceriano teria mais chances de investidas.

- Desculpe por hoje... – disse Kanon, aparecendo na inesperadamente na porta do quarto.

- Se você não falasse merda, eu não teria de te desculpar de nada.

- Não me trate assim, Saga! Sabe que sou doido por você.

Saga não sabia daquilo e sentia o mesmo pelo irmão. Levantou-se e foi até a porta. Levantou o braço direito. Kanon fechou os olhos, pronto para levar um tapa na face. Mas o que sentiu foi bem diferente. Saga agarrou sua nuca e o trouxe para perto.

- Deixe sua barraca “armar” novamente por outro que eu vou chutar o pau dela, entendeu? – disse Saga, a boca quase colada na do irmão.

- Entendi!

Kanon começou a dar beijinhos rápidos nos lábios de Saga, que não demorou a retribuir. Mas de forma mais quente. Invadiu de vez a boca de Kanon com sua língua. Era um beijo forte e violento. Saga guiou o irmão até a cama, onde o empurrou e dominou.

- Você é meu e de mais ninguém, Kanon. Não quero nem pensar na idéia de você se juntando a outros.

- Eu jamais faria isso! – falou Kanon. – Eu concordo plenamente com você, Saga. Sou seu! Mas você também é só meu. Somos um do outro.

O sangue de ambos corria mais depressa há muito. Saga não havia feito nada ainda e já ofegava, olhando o irmão, completamente dominado por ele, as mechas compridas espalhadas pela cama.

- Vá em frente, Saga! Faça o que nós dois queremos. – falou Kanon, um sorriso lascivo estampado em seu rosto.

Saga o envolveu com seus braços e começou a beijá-lo. Iniciou as caricias em seu pescoço, indo e voltando dele para o rosto. Mordia de leve os lábios de Kanon. Enfiou a mão dentro das calças dele foi apertando e deslizando a mão no membro duro, o quanto podia. Foi mais pra baixo e enfiou um dedo na entradinha do irmão. Kanon deu uma rebolada. O braço de Saga estava com marcas da calça. Resolveu tira-la.

Mas Kanon não era o único que estava rijo pela excitação. Saga estava se sentindo apertado na própria roupa. Ele não agüentou e despiu-se também.

Pegou com uma das mãos o pênis de Kanon e o apertou junto ao seu. A pulsação dos membros parecia uma só. Kanon agarrou Saga pelo pescoço e o beijou.

- Não me deixa só na vontade. Entra logo! – disse ele no ouvido de Saga, a voz quase um sibilo.

Saga, que sempre atendia aos pedidos do irmão, o penetrou.

- Aaahh! – gemeu Kanon, abrindo mais as pernas. Ele sorria.

Saga começou a se movimentar ao perceber que o irmão não sentia dor. Se alguém ouvisse do lado de fora do quarto não saberia qual dos dois gemia tanto. Mas esse alguém era Kanon. Saga o mordia enquanto movia os quadris. Ele sabia exatamente o ponto de mais prazer de Kanon. Conseguia levá-lo a loucura. Graças a isso, Kanon lambuzou o abdômen de Saga com seu sêmen. Saga, num espasmo violento, fez o mesmo, inundando-o de gozo.

Ele apoiou sua cabeça no corpo de Kanon, sentindo-se cansado. Ambos ofegavam como loucos.

- Agora... Ah... – começou Kanon, ainda sem fôlego. – Não somos um do outro... Somos um só...

Saga não levantou a cabeça para olhar para Kanon, mas sorriu satisfeito.

Notas finais
Acabei de fazer o capitulo. NÃo revisei nem nada.. To tão feliz que meu Cloth Myth chegou que nem to ligando kkkkk... Se acharem erros GROTESCOS, podem falar. Se algo não fizer nexo, pode falar tbm! Eu mudo!!
Bjos
^3^