Liza aproveitava o resto de seu dia de folga sentada no sofá vendo Black Hayate brincar no tapete quando a campainha tocou. Ela se levantou calmamente e abriu a porta, do lado de fora um bonito homem fardado a olhava sorrindo. -- Coronel? – ela perguntou espantada. – Aconteceu alguma coisa? -- Você podia ter me avisado que hoje seria seu dia de folga. Tem idéia do susto que eu levei? -- Eu não lembrava, foram me avisar ontem no fim do dia, quando eu estava saindo – ela respondeu rindo. – Entre. O que o traz aqui? -- Vim vê-la! – ele aceitou o convite e entrou. Black Hayate foi recepcioná-lo, fazendo festa ao seu redor até que ele se abaixou para lhe fazer carinho. -- Mas, enfim, não aconteceu nada no quartel? -- Não, o dia foi bastante calmo hoje, até demais para o meu gosto! – ele fazia carinho no cachorro sentado no tapete, se não fosse pela farda, nem lembraria um homem do exército. -- O senhor aceita alguma coisa? Pra beber ou quem sabe um pedaço de bolo? -- Bolo seria ótimo! – ela se levantou para ir até a cozinha, ele continuava brincando, agora segurando as patinhas dianteiras de Black Hayate o fazendo dançar. – E, Liza – ele chamou e ela se virou. – Deixe o “senhor” para o quartel! Ela sorriu e voltou da cozinha com um bonito pedaço de bolo em um prato, que ele comeu como uma criança. Liza ainda tentava entender aquela visita repentina. -- Eu não esperava vê-lo aqui, senhor – Mustang olhou-a, erguendo as sobrancelhas. – Roy... -- Você tem alguma coisa pra fazer? -- O quê? -- São seis horas ainda, né? É muito cedo pra jantar. -- Eu repito: o quê? -- Você tem planos pra mais tarde? -- Não, nenhum plano. -- Então aceita jantar comigo? Liza ficou atônita com a proposta, as palavras simplesmente não saiam de sua boca, ela só consentiu com a cabeça. -- Ótimo então! Eu vou até a minha casa me trocar e pego você aqui às 20hs, tá? -- Certo – ela o encaminhou até a porta. Antes de sair, ele olhou-a novamente e perguntou: -- Por acaso, você não tem uma minissaia, tem? -- Não, por quê? Quer usar uma esta noite? Ele deu risada e saiu. Assim que se viu sozinha, Liza começou a se aprontar, sair com Roy Mustang era seu grande sonho e nenhuma das missões podia ser contada como um encontro. Ela tomou um longo banho, arrumou o cabelo, se maquiou e perfumou, escolheu um lindo vestido vermelho que tinha ganhado, mas nunca tivera ocasião de usar. Ela sabia que ele não costumava ser exatamente pontual, mas não era de se atrasar muito e passado um minuto do combinado, ela começou a ficar nervosa. Pouco depois, a campainha tocou e ela correu para abrir a porta, parecendo uma adolescente no seu 1° encontro. -- Uau! – ele exclamou, olhando-a. – Se produziu assim pra mim? -- E pra quem mais seria? Pensei que o costume era trazer rosas. -- Mas eu sei que você prefere lírios! Espero que goste de dançar, fiz reserva num restaurante dançante! -- Pra mim está ótimo! Os dois foram caminhando até o restaurante, ele tinha reservado uma mesa pra dois e o restaurante era fabuloso. Ele lhe deu o braço para entrarem, puxou sua cadeira pra que ela sentasse e escolheu um delicioso vinho pra começarem. Ela percebera que todas as mulheres presentes os olhavam. Eles jantaram, conversaram e riram, tudo estava perfeito. Quando terminaram, ele se levantou e lhe ofereceu a mão, ela aceitou e ele a conduziu para a pista de dança. Tocava uma música lenta e ele puxou a cintura dela e colou seus corpos, ela enlaçou seu pescoço e ficou acariciando sua nuca. Os dois dançaram por muito tempo, até a pista de dança se encher de casais, a luz diminuiu e Mustang a abraçou ainda mais. -- Liza – ele sussurrou em seu ouvido e ela o olhou. Ele aproximou o rosto do dela e a beijou profundamente. Ela o olhou surpresa e ele apenas lhe sorriu, tornando a dançar. Depois de um tempo, ele pagaram a conta e saíram. Era quase 23hs e a noite estava fria, Mustang tirou o paletó, jogou-o por cima dos ombros de Liza e passou o braço por sua cintura, para irem embora abraçados. Quando chegaram a porta da casa dela, os dois entraram juntos. Sentaram-se no sofá e continuaram conversando, Mustang a puxando sempre pra mais perto dele, até ficarem com os corpos colados, ela quase sentada em seu colo, os dois começaram a trocar carícias, os beijos foram ficando cada vez mais intensos, a tenente e o coronel tinham sido deixados totalmente pra trás. Ele a colocou em seu colo e começou a beijar-lhe o pescoço. Os dois se interromperam, ele encostou-se no sofá e puxou-a pra debruçar-se em seu peito, ficaram abraçados e de mãos dadas. -- Roy – ela disse depois de um tempo em silêncio. -- O que foi? – ele estava de olhos fechados, pendendo a cabeça pra trás, um sorriso estampado em seu rosto e arfando exausto. -- Por que veio aqui hoje? – ela segurou firme sua mão, temerosa. -- Quer que eu vá embora? – ele perguntou malicioso, levantando a cabeça e encarando-a. Liza colocou a mão atrás de seu pescoço e puxou-o para um novo beijo, mais profundo. Ele segurou sua cintura pra que ficassem mais próximos. -- Não. Não quero que vá... -- Vim porque também não quero ir embora! – ele respondeu sério. Liza puxou-lhe a gravata e levantou, o fazendo subir as escadas e entrar em seu quarto, deitou-se na cama e o trouxe pra perto. -- Durante todos esses anos, eu vi você com muitas mulheres, Roy... -- Ah, não! Você também não! – ele disse, erguendo-se para olhá-la. – Aquele papo de “Alquimista Mulherengo” eu até aturava do Edward... -- Eu só quero saber que não sou só mais uma, entende? Ele caiu ao seu lado, ainda com o braço em sua cintura. -- O que quer que eu faça? Como posso provar que estou sendo completamente sincero? -- Roy, todas as mulheres no restaurante olhavam pra você... -- E, no entanto, eu só via você. Não vou dizer que tinha premeditado me deitar na sua cama essa noite, mas eu queria... -- O que fez você vir aqui hoje? -- Saudade. Estou tão acostumado a tê-la todos os dias e fiquei ainda mais quando ficou cuidando de mim. Preciso de você, Liza. Ela o puxou pra si novamente, seus corpos ficaram muito colados, ele deslizava suas mãos pelo corpo dela, quando ela lhe arrancou a camisa. Eles se envolveram e seus corpos se uniram num só, eles se entregaram completamente um ao outro misturando suas essências, tornando as carícias mais intensas, os beijos mais provocadores e exploraram cada sensação nova que nascia com aquele novo amor que tão ardentemente experimentavam. Liza acordou primeiro, suas pernas estavam enlaçadas as dele, sua mão estava sobre o peito dele e segurava sua mão. O braço dele estava segurando sua cintura e ela tinha se deitado sobre seu peito. Roy continuava dormindo, lindo e tranquilo como um bebê. Liza deu um beijo na bochecha dele e se soltou do abraço cuidadosamente para não acordá-lo. Desceu sem fazer barulho e começou a preparar o café da manhã. Ele se levantou sonolento, vestiu apenas a parte de baixo da roupa e foi até a cozinha. A mesa estava quase toda posta. Ele encostou no beiral da porta, cruzou os braços e sorriu, olhando-a cozinhando. Ela se virou e se assustou ao vê-lo. -- Bom dia, linda! – ele se aproximou devagar, agarrou a cintura dela e beijou-a com vontade. -- Bom dia! – ela conseguiu responder, depois que ele a soltou. – Está com fome? -- Faminto! – ele sentou-se e, quando ela terminou de pôr a mesa, ele a puxou para seu colo e começou a beijar-lhe o pescoço enquanto ela envolvia seus ombros. -- Preciso passar em casa antes de ir ao quartel! Não posso ir assim pra lá, né? Mas posso passar aqui pra irmos juntos... -- Não acho que seja uma boa idéia, Roy. Lá vão nos importunar por estarmos juntos. Por enquanto, acho melhor ser segredo. Tudo bem pra você? -- Bem não está, né? Mas você tem razão. Ela o levou até a porta, mas ele ainda ficou agarrado a sua cintura, beijando seu pescoço. -- Roy, vamos nos atrasar... -- Então me promete que eu posso vir aqui hoje novamente? -- Claro que pode... -- Então tudo bem. Eu não vou mais enrolar – ela o beijou mais uma vez. – Viu Black Hayate? – ele se virou para o cachorro antes de sair. – Papai volta mais tarde pra brincar com você, tá bom? -- Vai logo, seu bobo! -- Eu te amo também! Quando Mustang chegou ao quartel, os rapazes conversavam animadamente. -- Chegando tarde, hein Coronel? A noite foi boa? – ele apenas riu. -- Grandes planos para o fim de semana, Coronel? O senhor sempre encontra belas companhias, não? -- Agora vou sossegar! Sou homem de uma mulher só agora... -- O quê? Nosso Coronel foi fisgado? Não é possível... -- Mas que bagunça é essa? Isso virou um boteco agora? -- Liza, não vai acreditar, mas o Coronel acabou de dizer que foi fisgado! Que é homem de uma mulher só agora! Liza piscou espantada para o sorriso de Mustang. -- Se vocês vão ficar falando da vida amorosa do Coronel ao invés de trabalharem, eu me queixarei ao General! Coronel, o senhor tem muitos papéis pra analisar em sua mesa! – os dois entraram na sala de Mustang, deixando os outros voltando aos seus afazeres. -- Coitadinha! Antes ela até podia ter esperança de que chegaria a vez dela uma hora, mas agora... Deve estar com o coração partido! Mas também, bem por quem foi se apaixonar...

Notas finais
mereço reviews???
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!