Notas iniciais
Vamos aos avisos:
Pessoal demorou um pouquinho, mas saiu.
Esperem capitulos para domingo
Mandem reviews com suas opniões e sugestões sobre esse capitulo por favor.

“Wow, incrível!”

Eu estava tão assustada que meu corpo inteiro estava paralisado de medo. A voz vinha detrás de mim e eu ainda não tinha tido coragem suficiente para me virar e ver quem era. Nesse momento estava rezando para que não fosse uma pessoa conhecida, mas a voz infelizmente me era familiar, mesmo assim não sabia dizer ao certo quem era. Droga! O que eu vou fazer se descobrirem?

“Você canta muito bem Hatsune-san! Estou ouvindo há algum tempo... Sua voz é tão angelical que nem senti o tempo passar.”

A voz soava tão masculina e tão doce... Eu sinceramente não sabia que essa combinação podia existir em um equilíbrio tão perfeito.

Fechei os olhos por um segundo tentando aceitar a situação. Já era! Em seguida me virei lentamente e encarei a pessoa que estava de pé atrás de mim.

Achei que ficaria cega. Que pessoa radiante! Aquele sorriso embora me desse uma sensação de paz, me deixava extremamente constrangida. O rapaz vestia roupas de inverno, mesmo que ainda esteja entrando na estação. Ele é bem mais alto que eu e tem o corpo robusto, contrastando com o rosto e cabelo que lembra o de um menino travesso. Ele é muito bonito, provavelmente deve ter cartas de garotas em seu armário todo o dia. Eu tinha a sensação de que já o tinha visto em algum lugar, assim, decidi perguntar:

“Você me conhece? Como você sabe meu nome?”

“Nossa, que cruel Hatsune-san! Como você pode se esquecer do seu gentil colega de classe? Eu até te ajudei a limpar a classe outro dia depois da aula.”

“Mentira!”

“Haha, você me pegou.”

“Ninguém nunca me ajuda com as tarefas...”

Mas que coisa... Ele é só mais um idiota.

“Bom, se eu ajudar da próxima vez não vai ser uma mentira, não é?”

Ele sorriu docemente. Tive que desviar o olhar ou seria atingida em cheio. Que droga! Qual é a dele?

“Já que não nos apresentamos apropriadamente... Eu sou Shion Kaito, prazer em conhecê-la.”

“Hmph. Se você já me conhece não vejo motivos para eu me apresentar.” virei o rosto para o lado contrário ao de Shion-san.

“HAHAHAHA!”

“Por que está rindo!? Qual é o seu problema!?”

“Ah, desculpe. Não sabia que a séria e responsável representante de classe Hatsune Miku-san era tsundere*. Você é realmente um mistério, já que nunca fala com ninguém na classe, me sinto um pouco feliz de poder conversar com você. Já tinha tentado me aproximar, mas você é muito fechada.”

Olhei para o meu reflexo na água. Meu rosto estava completamente vermelho. Meu coração estava disparado. É a primeira vez que um garoto diz que está feliz por poder conversar comigo. Ou melhor, é a primeira vez que uma pessoa, seja garoto ou garota, diz que está feliz por conversar comigo. Quando divaguei sobre isso me senti um pouco vazia e triste. Isso provavelmente transpareceu em meu rosto.

“O que você tem? Alguma coisa errada?”

Shion-san disse com um tom de preocupação, se aproximando e segurando meus ombros enquanto olhava para meus olhos que estavam perdidos no vazio.

“É-é... s-só... que...”

A sua preocupação me causou um sentimento estranho, senti as lágrimas virem. Porém disse “Não” a mim mesma, e as engoli sem misericórdia, mudando de assunto rapidamente para disfarçar.

“E-EU NÃO SOU TSUNDERE!”

Enchi de ar as bochechas ao dizer isso aos berros para Shion-san. Provavelmente eu era mesmo tsundere, apesar de não ter um conhecimento amplo sobre o termo... Mas quem admite os seus defeitos?

“Ah, é mesmo! Deve ser falta de educação chamar uma pessoa que acabou de conhecer melhor de tsundere. Desculpe Hatsune-san.”

“Hmph, que seja. Mas afinal o que você está fazendo aqui em uma hora dessas, Shion-san?”

“Você riria de mim se eu contasse.”

Ele sorriu e coçou a cabeça desconcertado.

“Eu não vou rir, fala logo.”

“Bom, na verdade tinha um boato se espalhando pela escola. Uma garota do primeiro ano que mora aqui perto disse ter ouvido um fantasma quando voltava do trabalho tarde da noite. Se não me engano algo sobre um espírito que ao cantar trás um presságio de morte a quem ouve, não sei bem ao certo. Como gosto de coisas de fantasma eu vim dar uma olhada. Hahaha, que idiota, não é?”

“QUÊ? TEM UM FANTASMA AQUI?”

Fantasmas com certeza não são meu ponto forte. No meu ginasial todos pareciam adorar histórias de terror, mas eu sempre ficava morrendo de medo e os outros se aproveitavam para se divertir as minhas custas, nos teste de coragem eu sempre ficava pra trás, chorando perdida, talvez isso de certa forma tenha contribuído em parte para eu ter dificuldades de se relacionar com as pessoas.

“Pois é, pelo que eu soube ele sempre aparece em noites de lua como hoje a margem desse rio.”

Ele ia se aproximando bem devagar enquanto seu tom de voz ia ficando gradativamente mais assustador. Como tinha muito medo, nem podia raciocinar direito quando o assunto era fantasmas, espíritos ou coisas do além.

“Você não teria ouvido, certo? Todos que ouviram tiveram uma morte violenta uma semana depois.”

“Pensando bem talvez eu tenha ouvido alguma coisa assim há uns dias atrás! O que eu faço Shion-san!? Eu não quero morrer!!”

“Só a morte espera aqueles que foram amaldiçoados... Sinto muito Hatsune-san. Logo agora que a gente começou a se falar... Vou sentir sua falta. Trágico!”

“...”

Eu estava sem fala. Mesmo que quisesse falar alguma coisa, nada saia. Estava com medo. As lágrimas estavam a ponto de sair. Num completo anticlímax Shion-san soltou uma risada frenética:

“HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!”

A essa altura ele já estava chorando de tanto rir, enquanto se jogava no chão e segurava a barriga. Eu estava perplexa com a situação, até me esqueci da história do fantasma, da maldição e de todo o medo que tinha sentido a poucos momentos atrás. Aquele garoto rindo na minha frente era realmente diferente, único... Apesar de conviver com ele diariamente na escola, nunca tinha reparado que ele era assim, na verdade nunca nem tinha reparado que ele existia. Pensando melhor, eu nunca reparei em ninguém naquele lugar.

Nesse momento ele já tinha parado de rir e estava se recompondo.

“Não acredito que você acreditou naquilo. Você é tão bobinha por acreditar em tudo que as pessoas dizem.”

“Mas... Mas você disse...”

“Eu inventei a maior parte daquilo. Quanto ao que a garota do primeiro ano ouviu agora me parece claro.”

“Como assim?”

“Você vem aqui sempre nesse horário, certo?”

“Sim.”

“E quando você vem aqui sempre canta, certo?”

A essa altura já não tinha como esconder. Respondi hesitante:

“S-sim...”

“Para mim parece claro que o fantasma então é você.”

“EHH!?”

“Provavelmente a garota te ouviu cantando e o medo a fez pensar que era um fantasma que estava cantando, provavelmente o resto da história foi se inventando sozinha enquanto estava sendo contada de boca em boca.”

Agora que ele falou passou a fazer mais sentido.

“Que coisa. Todas vocês garotas parecem um bando de gatinhas assustadas.”

Ele afagou gentilmente minha cabeça, como se eu fosse uma criança que acabara de fazer uma travessura. Sem piedade afastei sua mão com um tapa e dei um soco em seu peito.

“Ai! Isso dói! Por que fez isso?”

“Isso é o que você ganha por assustar uma garota inocente como eu com suas historinhas. (*mostra língua*)”

Voltei a sentar-me a margem do rio com o violão no colo, de costas para Shion-san. Mesmo com ele me observando em pé detrás de mim, comecei novamente a tocar solitariamente algumas notas que não sabia ao certo quais eram.

“Ah, qual é? Foi engraçado.”

“...”

Apenas o ignorei e continuei tocando coisas aleatórias. Estava com muita raiva.

O garoto se aproximou por trás, se curvou e segurou em um de meus ombros.

“Ei, desculpe. Se você ficou tão chateada posso te compensar de algum jeito.”

“Ah, é mesmo espertinho? Como?”

“Como você aprendeu a tocar?”

Abaixei a cabeça e encarei o chão. Respondi a sua pergunta em um tom tão baixo que não sei como ele conseguiu escutar.

“E-eu... Eu aprendi sozinha...”

“Foi o que eu pensei. Você canta maravilhosamente bem, podia facilmente se tornar profissional. Mas ainda falta muito tocando, completamente amadora.”

Eu o soquei de novo.

“Ai! Qual é o seu problema? Eu só disse a verdade. O quero dizer é que se você quiser eu posso te ensinar um pouco do que eu sei.”

“!”

“O que me diz?”

“E você por um acaso sabe tocar alguma coisa?”

“Me empreste o violão um segundo.”

Me virei e entreguei o violão nas mãos dele.

Ele o segurou com cuidado e afagou com carinho, como se soubesse o quanto ele era importante pra mim. Em seguida sentou-se ao meu lado a margem do rio. Agora ele estava muito próximo, meu coração disparou, não podia encará-lo diretamente então apenas o olhava através do reflexo na água. Shion-san então começou a dedilhar o violão lentamente. A melodia era linda, com certeza é de qualidade profissional. Meu Deus , como ele toca bem. Mais uma vez estava surpreendida com aquele garoto.

“Que música é essa?” sem querer acabei por interrompê-lo, ainda sem o olhar diretamente.

“Ah, isso? Inventei agora.”

Como alguém pode inventar uma música tão boa assim do nada?

“Você gostou? Então quer dizer que você vai tentar aprender comigo, certo?”

“Não seja tão convencido! Eu não disse nada ainda.”

“AH! Qual é!? Você vai estar de novo aqui amanhã, não vai?”

“Não sei.”

“Eu não vou desistir até fazer você mudar de idéia. Então, nos vemos na escola, está bem?”

“Já que não tem jeito...”

Ele pegou o violão e colocou no meu colo. Senti sua mão descer e tocar as minhas que estavam descansando em cima da minha coxa. Senti ele me encarando, mas ainda não tive coragem de levantar o rosto.

“O-o q-que foi?” eu já estava gaguejando de nervosismo.

“Vamos.”

“V-vamos p-pra onde!??” senti meu rosto ficando quente, provavelmente estava todo vermelho, minhas mão suavam frio.

“Eu vou te levar em casa, você não pode ficar aqui tão tarde sozinha.”

“E-eu sei me cuidar.”

Eu estava muito nervosa com o garoto segurando minha mão. Puxei meu braço e me soltei, dando uns dois passos para trás, quando... ‘!’

“Cuidado!”

Me desequilibrei. Estava caindo. Shion-san ainda segurou minha mão, mas não adiantou muito, nós dois tínhamos caído dentro do rio.

“Brrr, que frio. Por que você fez isso garota? Você é doida?”

“Culpa sua que segurou minha mão.” Com o inverno chegando parecia que eu ia congelar de tão gelada que estava a água do rio.

“Que dizer que você sabe se cuidar, né?”

“Calado! Vamos logo pra casa antes que a gente pegue um resfriado.”

Shion-san subiu primeiro e estendeu sua mão direita para me ajudar a subir para a margem. Estava muito frio, e tinha torcido meu pé na queda e não conseguia andar direito. Me agachei e sem seguida me encolhi.

“Vamos.”

“Me deixa, eu bati meu pé, não consigo andar.”

“Deixa eu ver isso. Está inchado, é melhor você não se esforçar mesmo. Vamos que eu te levo.”

Ele me segurou com os dois braços. Uma mão segurava na altura do joelho, enquanto a outra ia um pouco acima da minha cintura. Com a facilidade com que ele me levantou parecia que eu não pesava mais que uma pena para ele. Mais uma vez aquele garoto que eu nunca tinha notado até alguns minutos atrás me surpreendia, me deixando sem ação mais uma vez.

“Tá mais calminha agora?”

Virei bruscamente meu rosto, foi então que nossos olhares se cruzaram. Ele também estava vermelho, devia estar tão constrangido quanto eu. Agora era ele que evitava meu olhar. Ele foi perguntando enquanto eu ia indicando o caminho para minha casa. A noite parecia muito mais fria agora que estávamos molhados, mas o corpo quente de Shion-san me fornecia um agradável calor que fazia a sensação ser bem menos desconfortável. Fomos calados a maior parte do caminho, falando somente o necessário, aquele garoto energético e agitado, parecia bem tímido agora, me pergunto o porquê disso. Não se podia ver mais ninguém na rua. O som do vento que podia ser ouvido de forma aguda era o suficiente para aumentar a sensação de frio.

Depois de um tempo andando, dobramos em uma esquina que tinha umas jardineiras com lindas flores em suas extremidades. Já era possível ver minha casa. No fim da rua, um grande portão podia ser visto entre muros de mesma altura.

“É aqui Shion-san. O-obrigada.”

“Nossa! Que casa enorme. Não sabia que você era uma Ojou-san** Hatsune-san.”

“Que isso, minha casa é normal.”

De fato, a minha casa era a maior de todo o quarteirão. Isso era uma coisa que não me importava muito, mas minha família era realmente muito rica.

“Puxa Hatsune-san, você é incrível mesmo.”

Ele me botou delicadamente no chão. Meu pé ainda doía um pouco.

“Ai.”

“Cuide disso por favor, está bem?”

“Sim, vou cuidar quando entrar. Ai.”

“Bom, já está tarde. Vou ind- Atchin!”

“Você está bem? Deve ter pegado um resfriado.”

“Não se preocupe, cuido disso quando chegar em casa.”

“Não é melhor pelo menos você se secar antes de ir?”

“Isso não lhe causaria problemas? Deixa que eu me viro.”

“Está todo mundo dormindo agora, é só fazermos pouco barulho.”

O que diabos estou dizendo!!?? Acabei de convidar um garoto pra entrar em casa tarde da noite. Qual é o meu problema?

Percebendo a situação que acidentalmente criei voltei a ficar vermelha e olhar para o chão. Com o tom de voz tímido apenas pude dizer:

“Entre.”

Ele segurou minha mão enquanto entravamos escondidos em casa. Suas mãos eram tão quentes e aconchegantes que apenas o calor delas era o suficiente para acabar com todo o frio que meu corpo sentia.

Naquela noite tudo começaria a mudar.


Notas finais
* Tsudere: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tsundere
** Ojou-san: Senhorita, garota refinada de família rica.
E agora? O que acontece? Será que dá treta ou será que não?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.