Abri os olhos apavorado e uma dor quase insuportável martelo minha cabeça. Estou deitado com o corpo todo dolorido em uma pedra enorme no coração do mundo, a floresta amazônica. Me coloquei de pé em medida que a dor de cabeça. Em volta dá pedra era possível ver que alguém havia criado uma clareira. Atrás de mim as pedras aumentava de tamanho e davam início a um morro irregular demais para escalar. O sol estava se pondo a minha frente dando a impressão que a floresta o engolia. Havia algo diferente naquele lugar, eu não lembrava de ter dormido nele e nem de haver feito uma clareira em lugar nenhum. Além disso na borda de onde começava a floresta, tinha uma pequena cabana feita de troncos mal cortados.

Eu não me lembro de nada disso.

Estou fraco e com muita fome, mas satisfeito com o novo legado que havia se desenvolvido, ou foi apenas um sonho?

Ando até a cabana com cautela, quando chego noto que é maior do que pensei, sua entrada era pequena, mas se estendia por dentro da floresta, dando o máximo de conforto que se pode ter no meio de uma floresta. A cabana não é dividida em cômodos, além de bolsas e sacos com mantimentos. avistei minha arca lórica em um canto isolado, o final dá cabana não tinha partes, pois quem a criou usou as árvores para camuflar o seu acesso pela floresta.

– Juan? — chamei meu cêpan — cadê você?

Não houve resposta, Juan era meu cêpan, ele foi designado a me treinar para a guerra, no total nós somos nove, dezoito se contarmos os cêpans de cada um. Dos nove membros da garde três já morreram, se o quatro for morto então eu serei o próximo. Existe um encanto que impede de sermos mortos fora de ordem, por enquanto ainda estou salvo.

Sento no chão, e sinto uma pequena onda de calor se espalhar pelo meu corpo. Então eu apago, é como se minha alma se dependesse do corpo e fosse para onde eu quisesse, era um legado novo, útil , porém mortal. Quando utilizado meu corpo fica inerte e vulnerável. Minha visão deixa a cabana se desloca pela floresta, não consigo ter noção de onde vai, mas não é muito longe da clareira. De repente minha visão não se locomove mais, mas ainda não o vejo. Olho para os lados e não o vejo. Então olho para cima e lá está ele em cima de um galho um tanto grosso de um pinheiro. Ele sempre foi discreto, e eu nunca soube seu verdadeiro nome, ele adotou o nome de Juan quando saímos da Espanha há uns cinco anos. Ele estava com seu arco na mão direita e apontava uma flecha para algum alvo que eu não conseguia ver, tentei avançar, mas tudo ficou embaçado e eu volto a cabana sem força nem para levantar. Estou cansado demais para pensar, fecho os olhos e durmo.

Antes de que meus legados se desenvolvessem Juan já me ensinava a usar a arma que ele mais admirava na Terra. O arco e flecha. Vivemos em várias tribos indígenas aprendendo como viver e sobreviver na floresta. Às vezes digo a ele que sou quase um índio, tirando minha cor um pouco mais bronzeada devido aos anos que moramos aqui na américa do sul. Juan passou um ano completo fazendo dois arcos para nós, ele conseguiu achar uma madeira que suportasse minha força sobre-humana sem quebrar. Foi a coisa mais difícil que eu já aprendi, nunca tive uma boa mira, o que só foi melhorar quando desenvolvimento a telecinésia. Não serei o mais velho e nem o mais forte dos membros dá garde, aposto que se sobreviver serei o caçula. Sou muito magro para a minha idade o que não me garante força igual aos outros, mas me permite ser mais ágil, pelo menos espero.

Abro meus olhos, mas não sinto meu corpo. Não estou mais na cabana. Estou voando tão alto como um avião sempre para o norte. O chão é apenas um borrão embaixo de mim. Começo a perder velocidade quando me aproximo de um deserto. Quando finalmente paro, desço até o solo e sinto meu controle sobre meu corpo, ando como se fosse um fantasma na rua, não sinto o vento e nada é sólido pra mim. Sou um fantasma. Uma van aparece no horizonte e vem na estrada que eu estou. Espero ela chegar e me lanço contra o vidro do motorista, ultrapasso a parte dá frente do carro, mas não consigo sair de dentro dele. Perdi novamente o controle.

Dentro da Van tem três meninas e uma pequena garota de no máximo doze anos, elas estavam sujas e com machucados em diversas partes do corpo.

– Ella, conseguiu falar com o Cinco? — Uma das meninas perguntou a mais nova.

Ella olhou em minha direção, era como se ela me visse.

– Eu estou aqui — Gritei esperando com que ela me ouvisse.

– Eu sei, eu consigo te ver, não precisa gritar — Ela resmungou me olhando fixamente.

As meninas se entreolharam com cara de deboche da pequena garota.

Comecei a ver tudo embaçado, o legado estava ficando fraco, talvez ela nem me visse mais.

– Onde você está? Estamos te procurando! — Ela gritou desesperada — Volta aqui!

Tentei responder, mas abri meus olhos e eu tinha voltado a cabana, e Juan me olhava feliz, me esperando para a janta.