O Desabrochar de Uma Dinastia
19 Capítulo XVIII.
Notas iniciais
15|03|1739 Palácio de Hampton Court
Anne era Nice, a deusa da romana da vitória, a que estava abençoando o casamento; Catherine era Vênus a deusa da beleza, e a vilã; Alice era a romana Iris, a deusa do arco-íris, conhecida por sua bondade e doçura, que estava lá apenas para observar o casamento. Havia também o conde Everton, como o noivo Cupido, e sua irmã Lady Caroline como Psiquê, a noiva, junto com filhos e filhas das damas de companhia de Catherine, como personagens pequenos
Tudo isso, era um apresentação de balé. Uma nova moda iniciada na Áustria pelas filhas do imperador: fazer seus filhos se apresentarem para seus pais e amigos em pequenas peças ou balés.
E Catherine como uma mulher que deseja estar na moda, decidiu que suas filhas se apresentariam para um pequeno grupo de amigos. E para que elas não tivessem medo, ela decidiu que os filhos de suas damas também iriam participar.
William poderia dizer, como um pai orgulhoso, que suas lindas rosas estavam se saindo muito bem, as aulas de dança não foram uma perda de tempo. Seus passos eram no tempo certo, eram certos, graciosos, mostravam também todo o sentimento da apresentação, e os outros também faziam isso, mas William não tinham sua atenção neles, Lady Everton o teria de perdoar, o que era uma grande certeza que faria.
Haviam erros e passos que não deveriam ser dados, mas eram príncesas, e também crianças, ninguém iria falar algo no momento. Mas a apresentação parecia estar agradando a todos, rei particularmente parecia muito encantado.
Mas a peça não durou para sempre o que foi tanto uma alegria quanto uma tristeza. E logo depois que acabou e as crianças saíram, todos voltaram a fazer o que melhor faziam, que era falar, e falar muito.
– Minha marquesa suas filhas foram espetaculares. Mas não esperava menos, sendo suas filhas e de Bristol. Tenho certeza que minha amada Caroline iria ter concordado.- Pelo que parece o rei ainda estava bastante deprimido com a morte da rainha em 37, embora ele continuasse como sempre, a visível tristeza dele durou apenas um mês.
– Eu agradeço meu senhor. Para minhas filhas foi uma alegria o ter na assistência.- Como sempre Catherine sendo a epítome da educação.– E sim. É uma tristeza que nossa amada rainha não esteja mais conosco. Sempre me doe o coração quando percebo isso.
William poderia acreditar na primeira parte do que Catherine disse, afinal ela e a rainha eram amigas. Mas não na última, a amizade delas não era assim tão grande.
Talvez a maior tristeza pela morte da rainha foi o fato deles perderem uma grande aliada, todos sabiam que a rainha Caroline tinha muita influência sobre o rei, o apoio dela seria o apoio do rei, e era assim que Walpole continuava a governar. Mas William esperava que a rainha tenha conseguido colocar algo na mente do rei.
– Foi uma tristeza para todos nós.
Depois disso o rei saiu e foi conversar com outras pessoas. O que deixava William sozinho na frente com Catherine.
– Imaginava eu que ele iria falar algo antes de ver o duque de Bedford.
– Seria algo como "certamente aquele desgraçado do meu filho mais velho não estava triste".- William teve que se esforça para não rir de Catherine imitando o rei. Certamente não era algo bom rir do rei, que estava na mesma sala, mas não se poderia evirtar.– Mas mudando de assunto. Você está preparado?
– Sim. Logo a ordem será dada, e teremos um futuro. Tenho meu discurso de sinalização bem decorado.‐ Pelo menos William esperava que isso desse certo.– E você, está preparada?
– Se eu disser que sim vou estar mentindo. Mas o seu discurso está por sinal muito bom. Não diz o que vamos celebrar, o que dá um ar de segredo e conspiração.- Catherine estava fazendo um ótimo trabalho em motivar, isso William teria que concordar.
– Não desejo ser pessimista mas eu espero muito que nosso plano de certo.
— Eu também.- Não foi muito motivador, mas William sabia que Catherine estava na mesma ruim situação.- Eu lhe daria um beijo de boa sorte. Mas não podemos.
William gostou muito dessa sugestão, mas Catherine estava certa, não seria muito bem visto, mesmo os dois sendo casados.
– Há muitas pessoas aqui, mas todas estão um pouco afastadas. Então creio que você pensará em algo.- O sorriso que Catherine sempre tinham em seus rosto ficou malicioso. Então ela tinha pensado em algo.
– Veja William.- Catherine falou isso apontando para uma janela, que só mostrava o grande céu escuro.– Lá está minha constelação favorita. Vamos a ver.
Catherine pegou então a mão de William e o levou até a janela em uma parte da sala que estava escura e escondida.
– Não é lindo.- Catherine se virou então para William que sorriu e pegou seu rosto com suas mãos.
– A coisa mais linda que já tive o privilégio de observar.‐ Um beijo veio depois, rápido e simples, mas cheio de sentimentos e paixão, o suficiente para acalmar os dois.
Depois desse beijo rápido William e Catherine se separaram e foram para onde todos estavam. E lá William fez o anúncio.
– Meu rei, milordes e miladys. Eu agradeço muito pela sua presença aqui hoje, em um dia muito especial. Minhas amadas príncesas mostraram que estão perto da vida adulta e isso é uma alegria. Então eu proponho um brinde.- Com isso criados e entraram com o champagne.– Um brinde, não para uma pessoa ou um país, ao um futuro glorioso e cheio de vitórias, pois eu sinto que teremos um futuro, e será belo.
A maior parte da sala parecia não ter entendido isso. Mas os que deveriam sim. Estava chegando o momento de a Câmara dos Lords voltar a sua atenção aos Tudor-Habsburg, o parlamento deveria se lembrar deles e os salvar. Então depois do brinde, William seguiu para seu escritório com o duque de Devonshire, o conde de Hertford, e o agora conde de Carlisle.
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– Querida Catherine. O que significam as palavras do marquês?‐ Depois que William entrou em seu escritório com os lords, a condessa viúva Everton fez a pergunta que muitos também se faziam.
– Você logo saberá Charlotte.- A resposta foi dada em auto e bom som, todos deveriam ouvir.– Vamos mudar de assunto. Seus filhos se saíram muito bem, assim como os de todas vocês.
Todas as damas de companhia e amigas de Catherine estavam perto. Então seria bom deixar bem claro que foi algo lindo, e feito por todos.
– Sim minha senhora, foi esplendoroso. Mas onde está Lady Hastings para ser parabenizanda?- Logo Lady Hastings também se juntou ao grupo, e nela se concentrou toda a atenção. Era justo, foi Lady Hastings que planejou, escreveu e aprimorou essa apresentação, como a dama responsável pela educação das crianças de Bristol.
– Eu agradeço pelos elogios. Mas eu não mereço todos eles, as crianças fizeram a parte mais difícil.
– A milady é também modesta. Uma mulher realmente impressionante, bem nascida, educada, casada, e ainda é modesta.- Parece que Lady Hastings conseguiu a atenção do rei. Certas coisas nunca mudariam, mesmo viúvo o rei procurava amantes.
Mesmo assim foi horrivelmente engraçado ver toda essa situação. O rei tentando conquistar Lady Hastings, Lady Hastings fingindo dar atenção, e Lord Hastings fazendo o seu melhor para não matar o rei. Tudo isso muito engraçado, embora em certo momento Catherine tenha pensado que Lord Hastings iria quebrar sua taça e atacar o rei.
Mas enfim a noite acabou, sem nenhuma morte ou gota de sangue. Então Catherine foi para seus aposentos, não sem antes procurar suas filhas, e as parabenizar pela apresentação, elas foram perfeitas, e então ela foi despida por suas damas, e depois vestida com suas roupas de dormir.
Logo depois de Catherine se vestir para dormir, fazer suas orações e se deitar, foi a vez de William entrar em seus aposentos.
– Está feito Catherine. Logo amanhã será feito a Câmara dos lords uma petição para permitir a secessão feminina em Bristol.- William irradiava alegria e contentamento, era tão grande que Catherine sentia o mesmo agora.
– É a melhor notícia desse dia. Minhas noites mal dormidas serão recompensadas.
– Claro que não foi decidido a nosso favor ainda, mas será, devemos ter fé.
Logo então William se trocou e se juntou com ela na cama. Catherine gostava muito quando William dormia com ela, embora nem sempre algo acontecesse, era muito bom, fazia Catherine voltar no tempo.
– Eu amo quando você faz isso William.- Não era a vontade de Catherine falar isso.
– O que exatamente você gosta que eu faça?- Catherine esperava que William não tivesse escutado. Era algo tão horrível de falar.
– Eu gosto quando você se deita comigo, e me abraça exatamente como está fazendo agora. Me faz lembrar quando eram éramos mais jovens.- As vezes era impressionante pensar que eles estavam casados a quase vinte anos.– Quando éramos apenas Wilhelm e Katharina, o neto e a filha de imperadores, dois arquiduques. Quando éramos recém-casados, o mais belo casal da corte vienense, sem preocupações, problemas como temos agora.
– Eram dias muito felizes. Mas você não foi feliz aqui?- Catherine sentiu William aumentar seu aperto. A resposta sua resposta era então muito importante.
– Eu verdadeiramente sou muito feliz aqui. Mas há uma diferença. Em Viena minha alegria foi a de uma jovem inexperiente e inocente, eu era uma criança. Mas em Londres eu cresci, então foi uma alegria com muita tristeza, gerada de vitórias pela sobrevivência, que particularmente foram poucas
– Saber que você está feliz me alegra muito... Sei como você se sente. Cada passo nosso pode significar vitória ou fracasso. Mas somos felizes, temos menininhas lindas como filhas, amigos muito bons, e eu tenho você e você a mim.
Isso era verdade, a vida poderia ser cheia de problemas e de tristeza, mas Catherine nunca a trocaria pela sua vida antiga em Viena, o agora que importava o passado era apenas uma agradável lembrança.
O resto da noite foi agradável e pacífica. Foi uma das melhores de Catherine, pelo simples motivo de não existir nada melhor do que a simples presença de alguém amado.
Dois dias depois, Catherine e William estavam sentados no jardim, observando Lord Gerald Congreve, o irmão mais novo do marquês de Nondell, que era um renomado pintor, fazendo uma pintura de suas lindas filhas.
– Voltaire parece não gostar muito do catolicismo.– Catherine não era como William que gostava muito de flores, e nesse momento em específico estava observando um canteiro de narcisos. Era melhor para Catherine ler um livro, e nesse momento nada melhor que filosofia.
– Mamãe esse livro foi lançado a anos.‐ Catherine se absteve de responder a Anne que ele foi publicado em 1733, então só faziam seis anos.– Voltaire não publicou outros?
– Minhas queridas filhas, um livro não é bom apenas por ser novo, mas ele se torna bom quando captura sua atenção. Não é mesmo Lord Gerald?
— Minha senhora está absolutamente certa.- Lord Gerald um homem sempre agradável.
– Você está certíssima mamãe. Anne pensa o contrário apenas porque não sabe reconhecer algo de bom.‐ Anne mostrou que não se importava com que sua irmã Catherine disse, por apenas mostrar mais ainda dignidade.– Só desejo saber o motivo de termos que fazer outro quadro.
– Você sabe muito bem o motivo Catherine. Vocês não vão ter bons casamentos se não souberem como vocês são belas.‐ As vezes Catherine se cansava muito por causa de sua filha do meio. Ela tinha absolutamente uma personalidade forte.– Por que vocês não podem ser como Alice?
Alice era claramente a mais doce e gentil das filhas de Catherine. E parece que a do meio não gostou do que ouviu, mas não pode responder.
– Um mensageiro trouxe notícias de Westminster.- Que impressionante, a dois dias eles recebiam notícias de que os lords estavam em alvoroço. Mas pela expressão de William era uma boa notícia.– Lord Gerald tenha cuidado em retratar Anne, possivelmente você está retratado a futura marquesa de Bristol.
Era oficial, o lord chanceler da câmara permitiu que uma comissão fosse feita, estava quase certo, os Tudor-Habsburg iriam prevalecer, e nem mesmo depois de trezentos anos morrer.
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