O Desabrochar de Uma Dinastia
14 Capítulo XIII
Catherine nunca imaginou que Charlotte ficaria tão triste com a morte do marido. Ela claramente iria ficar preocupada com sigo mesma e com os filhos. Também a perspectiva de ser viúva aos trinta anos não era a melhor.
Mas ainda foi surpreendente para Catherine ver Charlotte pálida, com os olhos vermelhos e francamente, horrível em um vestido preto. Catherine nunca sentiu uma pena e tristeza tão grande, até o momento. E Charlotte deve ter percebido o que Catherine estava pensando.
– Charles e eu conseguimos construir uma boa amizade.- Tudo era possível então.
William concordou em permanecerem em Meon Park por alguns dias, o que Catherine agradeceu muito. A família de Charlotte estava no outro lado do continente, e os únicos Everton que existiam eram os filhos e netos do segundo casamento de Charles Everton, o 3° conde Everton.
Esse pequena estadia em Meon Park também serviu para que Charlotte renunciasse ao seu cargo como " Primeira Dama da Marquesa". Esse cargo que era o mais importante na casa da marquesa de Bristol, foi originalmente pensando para Lady Penryn, mas ela recusou em favor de Charlotte. Os motivos foram que ela era muito velha, e que o título de conde Everton existia a mais tempo do que o título de conde de Penryn.
A pessoa que Charlotte escolheu para a substituir foi uma prima distante do falecido 3° conde. Para falar a verdade essa conversa estaria para sempre na memória de Catherine.
– Elizabeth Lancaster, a viscondessa Cambridge, é uma prima distante de meu marido. Ela é bonita e rica, sendo a única herdeira do seu pai Sir Edward Lancaster, 5° Baronete.
– E ela é adequada para essa posição? Ela é apenas a filha de um baronete, e esposa de um visconde.
– Sim ela é adequada. A reputação dela não tem mancha. E quanto ao seu pai e marido, sua riqueza herdada cobre a primeira falha, e Rudolf Lancaster, o 1° visconde Cambridge era anteriormente conhecido como conde Rudolf Von Wiese, filho do austríaco conde Von Wiese.
Isso iria servir, mas esse não era o problema da situação, era mais sentimental.
– Vou sentir muito sua falta Charlotte, a casa da marquesa nunca mais será a mesma.
– Minha senhora, eu nunca me permitiria a deixar. Eu sempre serei sua amiga, apenas não nos veremos mais todos os dias.
– Você está certa. Mas vou sentir saudade do mesmo modo.‐ Depois disso veio um abraço. Catherine pode sabia que Charlotte precisava mais desse abraçou que ela.– Sempre nos visite quando estiver em Londres para a temporada, e leve Caroline com você. Minhas pequenas gostam muito de brincar com ela. Assim como com o pequeno conde.
Depois de alguns dias foi a vez de Lady Penryn fazer uma visita. O que significava que William e Catherine poderiam voltar para junto de seus filhos em Londres.
– Foi bastante cansativa essa viagem.‐ William permaneceu esse dias horrivelmente calado. Mais que o normal.
Claramente Catherine não esperava por grandes demonstrações de tristeza da parte de William, mas ele estava muito calado, era como se algo o incomodasse. E como Catherine sabia por experiência própria, o melhor modo de saber o que uma pessoa estava pensando era em uma carruagem.
– Sim foi. Pobre Charlotte, que situação horrível.
– Tem algo lhe incomodando? Pode falar William.- Era melhor Catherine chegar logo ao seu objetivo.
– Não é nada.‐ Os olhos de William não concordavam com suas palavras.– O seu vestido é novo? Eu gosto muito desse azul.
– Você odeia azul escuro.- Não foi muito difícil prender William em suas palavras.– Pode me falar. É algo com Charlotte? Ou são minhas irmãs? Não esconda nada.
William apenas suspirou de forma cansada. Ele estava disposto a falar.
– Toda essa situação me lembrou de algo que já faz um bom tempo que não penso. A última pessoa que eu perdi foi minha avó, e isso foi a vinte anos.- Catherine bem sabia disso, foi um ano depois que seu pai morreu, e ela estava lá nos últimos suspiros da imperatriz Anna.– Mas o que aconteceu nesse dias me lembrou que a vida é como o vapor, logo desaparece.
– Você está com medo de morrer ou de um de nós encontrarmos a morte?
– Não... apenas estou com medo do que a morte pode causar. Não medo de morrer, mas medo vocês desamparados a mercê da coroa.‐ Catherine só poderia dizer que se sentiu tocada por essa preocupação.
– Eu confio em você William. Sei que se qualquer tragédia acontecer você vai ter se preparado para cuidar de nós. Devemos ter confiança de que vamos viver muito, mas nos prepararam para tudo que possa acontecer.
– Eu já disse que não há esposa melhor que você Catherine? Você me traz de volta a luz na escuridão dos meus pensamentos.
– Eu posso dizer que sinto o mesmo.-Depois disso o resto da viagem continuou de forma bastante tranquila. Tão calma foi que Catherine se entregou ao sono.
Quando Catherine foi acordada por William, a carruagem já estava na entrada do Palácio de Kensington, o único palácio que estava pronto para receber o marquês e a marquesa. Assim como era o palácio que Catherine menos gostava.
Mas quando a carruagem chegou onde ficava o seu apartamento e Lady Monmouth saiu, Catherine pode ver que havia algo errado. O rosto de Lady Monmouth estava triste.
– Algo está errado Lady Monmouth?
— Alteza... o pequeno príncipe Charles está doente.
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Dois dias depois da chegada em Kensington, em 20 de agosto, o príncipe Charles de Bristol, morreu de gripe. Foi uma horrível tortura para William e Catherine, seu pequeno bebê já não existia mais.
Os dias que que se seguiram foram os mais sombrios na vida do casal Bristol. Era uma dor imensa sofrer um aborto, mas enterrar um filho depois de alguns anos de vida era pior ainda.
E como era o costume, William e Catherine não poderiam estar na Abadia de Westminster para o enterro temporário. Assim como não poderiam estar oficialmente de luto. Isso não impedia o uso de roupas escuras. Assim como não impedia que a tristeza e a desolação continuassem.
O casal Bristol, estava cada um em seu lugar, lidando com a tristeza de seu medo. William estava nos jardins antes de decidir procurar Catherine, afinal, dizem que mães sofrem mais nessas situações, embora William tivesse suas dúvidas.
William encontrou Catherine no berçário das crianças. Ela não estava chorando, estava sentada, olhando para nada especificamente.
– Eu sei que é uma pergunta horrível. Mas você está bem Catherine?- Catherine aparentemente não tinha percebido a entrada de William.
– Eu vou ficar. Me cansei de chorar, não vai trazer meu pequeno de volta, e faz meu rosto ficar vermelho, inchado e com dor de cabeça.- William ficou calado e se aproximou mais de Catherine.
– Nós vamos...
– Eu estou tão desolada William. Ernest foi criado para ser sua imagem, Anne a minha e Catherine deveria ser o melhor dos dois. Mas Charles e Alice eles deveriam ser meus bebês especiais. Como sendo a sombra de seus irmãos eu fiz deles especiais. Mas agora eu pedi um deles.
William abraçou Catherine, era algo que ambos precisavam e eles ficaram assim por um longo tempo. As vezes pequenas ações curam mais que palavras.
– Vamos conseguir suportar, juntos.- Catherine só deu um longo e cansado suspiro, e olhou para William, que deu um sorriso consolador. Depois Catherine voltou a sorrir, um sorriso fraco, mas seria bom esse no momento. E assim ficaram abraçados e se consolando por um bom tempo.
William e Catherine decidiram passar mais tempo com seus filhos restantes. Eles já passavam claro muito tempo com eles, a própria Lady Penryn comentou uma vez que ela e Lord Penryn brincavam apenas uma hora por dia com seus filhos quando eram pequenos.
E as crianças, apesar da tristeza de perder um irmão, perceberam muito bem que seus pais estavam mais tempo ainda com eles.
– Mamãe, nós gostamos muito de brincar, mas gostaríamos de saber o motivo de você é papai passarem tanto tempo no berçário.- Mesmo William estando ocupado brincando com Alice, ele pode ouvir Ernest.
Assim como também pode perceber que isso foi planejado. Ernest era muito inteligente, mas não era uma criança de fazer discursos. O que as vezes realmente o lembrava de si mesmo.
– Apenas queremos passar mais tempo com nossos amados filhos. Você gosta, não é mesmo Alice?- A pequena Alice apenas assentiu a pergunta.
– Almoçamos juntos, a tarde temos um lanche juntos, e pela noite passamos duas horas brincando. Isso não é algo normal.- A pequena Catherine fazia isso parecer errado.
– É por causa de Charles?- Anne como sempre muito observadora. Mas a pergunta de Anne não fez Catherine reagir muito bem, seu sorriso de antes foi trocado por tristeza, foi algo tão recente, as vezes William mesmo sentia vontade de chorar.
– Olhe o que você fez Anne.‐ Depois de Ernest apontar isso se início um pequena discussão, o que faz Catherine voltar a si.
– Já chega! É nosso desejo aproveitar cada momento que temos com vocês, e cabe a vocês aceitar.- As crianças apenas ficaram caladas. Elas tinham entendido.– É peço que vocês dois, Ernest e Anne não discutam mais. Você é um cavalheiro Ernest, e você Anne é uma princesa. Vocês entenderam?
Os dois não responderam. O barão Quenberry entrou com um presente da vindo diretamente da rainha Caroline. Eram pequenos cisnes, pareciam recém-chocados.
– "Eu envio para minha bondosa amiga esses lindos cisnes. Talvez cuidar dessas belas criaturas a ajude a encontrar o consolo que precisa. Para mim eles foram um consolo ao perder meu querido William. E junto com a carta, envio uma permissão feita pelo rei para a criação de cisnes. De sua amiga a rainha."- Então a rainha enviou cisnes, um presente bem incomum. Mas eram mais animais para a conta. – Não entendo o motivo de me enviarem animais. Mamãe me presenteou com pavões, e meu tio queria me enviar um elefante. Onde eu iria colocar um elefante?
– Por que não enviam um cachorro? Os que temos são todos para a caça. Eles me dão medo.- William poderia concordar com Alice. Mas os cães eram dele, e as crianças já tinham muitos animais.
– Bem Alice. Devemos aceitar tudo o que enviam, especialmente se é de uma rainha, imperatriz ou imperador. Mas o que você fará com eles Catherine?- Catherine apenas sorriu maliciosamente.
– Eu irei providenciar que eles sejam bem cuidados. Mas o lugar onde eles ficarão será você que vai planejar. Espero que em um dos seus muitos projetos de jardins tenha um lindo lago.‐ William aceitou esse desafio, seria interessante.
Depois disso Catherine devolveu os cisnes para Lord Quenberry e eles voltaram a brincar com as crianças. E isso alegrava o coração de William. Não só brincar, mas também ver que sua família, infelizmente agora reduzida, estava voltando a normalidade. William só esperava que durasse.
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