—Alguém me ajuda! – Uma garota, cujas mãos ensanguentadas manchavam suas roupas brancas, gritava no final da rua, que dava para uma floresta. Dois policiais à paisana, Denise e Arnoldo, correram até ela. – É meu irmão! Ele foi morto!

Após acalmá-la, os três adentraram na floresta. Seu cheiro de chuva, misturado com o odor das folhas não cobriam o mau cheiro exalado do corpo do defunto.

Denise e Arnoldo, ao examinar o corpo, viram que o sangue ainda estava fresco e deduziram que ele fora assassinado há pouco tempo. Denise olhou em volta e notou uma trilha de folhas arrastadas e cobertas de sangue. Com isso, ela descobriu que ele não havia sido morto naquele lugar.

—Você sabe de quem aquela casa? – Denise apontou para a casa aonde o rastro de sangue seguia. – E qual é seu nome?

—Meu nome é Roberta, e aquela casa é minha, por quê?

—Caso não tenha visto, seu irmão não foi morto aqui, mas, sim, em algum lugar atrás de sua casa.

Arnoldo intrometeu:

—E, aparentemente, o assassino não estava nem um pouco interessado em esconder provas. Achei a arma deixada dentro de uma árvore oca aqui perto. É muito estranho ele não ficar preocupado em escondê-la, nem em esconder o corpo.

—Qual arma ele usou?

—Denise, parece um tipo de espada.

—É um punhal. Meu irmão colecionava, pois achava que um dia iria precisar para nos defender.

—E seus pais aprovaram isso? Ter um punhal em casa?

—Meu pai e minha mãe não se importam conosco. O que a gente faz eles não se importam e o que a gente pede eles dão. Robusto colecionava facas e punhais; Rita tem bulimia, anorexia e depressão; Rodolfo tem livros e símbolos de satanismo no quarto; e eu...

—E você? – Perguntou os dois policiais juntos.

—Eu não tenho nada! Sou a mais normal da casa!

Denise e Arnoldo acharam estranho o modo que a menina agiu após a pergunta. Então Denise disse que precisava falar com os pais dela.

—Meus pais viajaram para o exterior a negócios. E para que conversar?

—Todos são suspeitos, mesmo você que achou o corpo de seu irmão.

Os três seguiram para casa. Enquanto Roberta se limpava, Denise e Arnoldo chamavam Rita e Rodolfo para explicar o que aconteceu. Denise iria interrogar Rita, e Arnoldo, o Rodolfo, e quem acabasse primeiro iria falar com Roberta.

—Então Rita, sua irmã me disse que você tem bulimia, anorexia e depressão. Verdade?

—Essa pirralha não sabe quando calar a boca, né? Só isso que ela te falou?

—Ela contou que Rodolfo é satanista e que Robusto colecionava facas. E ela disse que é a mais normal da casa.

—Aí que você se engana. Ela estava nervosa na hora que te falou isso. E ela é a que tem mais problema com Robusto.

—Como assim?

—Todos nós tínhamos problema com ele. Ele batia em Rodolfo, me zoava por estar gorda e estuprava Roberta porque ela tinha mais peito e bunda. E não é só isso, ela tentava se matar.

—Então por isso vocês são assim?

—Sim. Robusto era o mais irritante.

—Bom irei falar com sua irmã, pode chamá-la, por favor?

—Não tô a fim de papo! – Rodolfo fechou a cara e cruzou os braços.

—Só vou fazer uma pergunta. Você e Robusto tinham algum problema?

—Ele me batia. Você acha que seria por isso que eu o queria morto? Apenas Roberta sabia onde ele escondia os punhais. Depois que a estuprava, ele mostrava o esconderijo para ela. Enquanto ele ia tomar banho, ela tentava se matar.

—O que mais seu irmão fazia errado além de te bater e estuprar Roberta?

—Ele zoava o peso de Rita. Ela sempre foi complexada e por isso desenvolveu anorexia. Tudo nessa família é desse jeito por causa dele.

—Tudo bem, pode chamar Roberta para a gente conversar.

Rodolfo saiu e Arnoldo pensou: "Ele não gaguejou ou ficou estranho, estou começando a desconfiar Roberta."

Denise e Arnoldo perceberam que eles estavam demorando muito. Foram até a sala e notaram que os três sumiram. Segundos depois, um barulho de tiro.

Foram até o jardim e se depararam com os três caídos no gramado.

Denise e Arnoldo revistaram a casa inteira e não acharam quem havia atirado nos três.

Só que ficaram sem saber quem matou os quatro irmãos, dessa forma ficou como caso não resolvido.

Só que havia um assassino a solta. Mas quem poderia ser?

Notas finais
Esse conto foi uma colaboração da página Vale dos Contos com a escritora Maria Caroline Sant' Ana Gonçalves
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!