O Décimo andar

19 Novo desafio e beijos quentes


O ar no escritório parecia mais denso naquela manhã. Eloah sentia cada batida do seu coração ressoar na garganta enquanto organizava seus arquivos, mas o escritório de Arthur permanecia com as luzes apagadas. O dia se arrastou entre códigos e petições, e a ansiedade de Eloah só crescia, alimentada pela conversa da noite anterior através da tela.

​Foi somente no final da tarde que o som familiar dos passos dele ecoou pelo corredor. Arthur chegou com a postura rígida de quem carregava o peso de decisões importantes. Poucos minutos depois, o ramal de Eloah tocou.

​— Na minha sala, Dra. Cavalcante. Agora.

​Ao entrar, ela o encontrou analisando uma montanha de documentos. Arthur não perdeu tempo.

​— Temos um novo desafio. Um caso de corrupção envolvendo um dos nomes mais influentes do cenário político atual. Precisamos de provas irrefutáveis para garantir a condenação. É um jogo perigoso, Eloah. Pode atrair muitos inimigos.

​Ela não hesitou nem por um segundo. O brilho de determinação em seus olhos era o mesmo que ele vira no tribunal.

​— Eu aceito. Vamos colocá-lo onde ele merece estar.

​A reunião seguiu técnica e fria, mas a eletricidade entre eles era quase visível. Quando terminaram, Eloah recolheu suas coisas e caminhou até o elevador, tentando se concentrar nas mensagens em seu celular para acalmar o turbilhão interno.

​As portas estavam se fechando quando a mão dele impediu o movimento. Arthur entrou.

​O silêncio do elevador era preenchido apenas pelo som da ventilação. Arthur apertou o botão do térreo e deu um sorriso de canto, um gesto que fez as pernas de Eloah fraquejarem.

​— Você lembra da última vez que estivemos travados em um elevador? — ele perguntou, a voz baixa e vibrante.

​— Como eu poderia esquecer? — ela murmurou, desviando o olhar do celular para encará-lo. — Foi o começo do nosso fim. Ou o fim do nosso começo.

​— Naquele dia, eu parei porque achei que era o certo — Arthur deu um passo em direção a ela, a mão estendendo-se para acionar a trava de emergência. O elevador deu aquele solavanco familiar e parou. — Mas hoje, não há mais "certo" ou "errado" entre nós. Só existe o agora.

​Ele não deu tempo para resposta. Arthur a agarrou pela cintura, puxando-a contra o seu corpo com uma urgência que acumulava cinco anos de espera. O beijo foi uma explosão de saudade e desejo reprimido. Eloah sentiu o metal frio do elevador em suas costas e o calor abrasador das mãos dele em sua pele.

​Não era mais o beijo de um mentor e sua protegida, nem de vizinhos proibidos. Era o encontro de dois iguais que finalmente haviam decidido que as regras do mundo não seriam mais fortes do que a conexão que os unia. Entre os andares do prédio, o tempo parou novamente, mas desta vez, ninguém tinha a intenção de fugir.