O Cálice do Desejo e o Retorno do Passado - 5ª Tem
31 A Ruptura
* * * Centro – Atenas, Grécia * * *
Hotel Primórdio – Restaurante — Terraço — Banheiros
Antonela
Saga estava parado olhando a senhorita Kido sair acompanhado do senhor Solo. Ela não parava de olhar fixamente para ele. Me aproximei do seu corpo, não queria que ele se sentisse mal com o fato de nos verem juntos. Quando os dois saíram do nosso campo de visão, ele passou a mão nos cabelos e disse baixinho “droga!”. Toquei no seu braço direito fazendo um suave carinho. Isso fez com que ele olhasse para mim e eu não conseguia descrever muito bem aquele olhar, era uma mistura de sentimentos que eu não saberia definir. Eu tinha que fazer alguma coisa, a minha noite não poderia terminar desse jeito, não depois dos momentos maravilhosos que tivemos a poucos minutos atrás.
(Antonela) — Tudo bem?
Saga olhou por onde os dois saíram e voltou a olhar para mim, passou a mão nos cabelos novamente.
(Saga) — Sim, tudo bem.
Eu precisava perguntar, ainda que temesse a resposta.
(Antonela) — Está arrependido?
Ele ficou sério.
(Saga) — E por que eu estaria? Por que ela nos viu? Foi maravilhoso, somos dois adultos! E respondendo a sua pergunta: não, não estou.
Respirei de alívio, sei que ele estava completamente desconfortável com tudo, não tinha como não estar diferente, eu mesma não queria ser flagrada pelo senhor Solo em uma situação tão íntima. Então sugeri.
(Antonela) — Saga, acho melhor sairmos daqui. Podemos voltar ao salão? Ou se quiser, podemos voltar para a mesa.
Ele me olhava sem me responder nada, não parava de olhar para onde os dois saíram. Toquei no seu rosto para ele voltar a sua atenção a mim e disse calmamente.
(Antonela) — Eu sei exatamente como está se sentindo, por isso quero tirar você daqui, entende? Assim podemos conversar melhor, o que acha?
(Saga) — Eu acho que eu deveria ...
Assim como eu, Saga viu pela visão periférica o senhor Solo sair do terraço para dentro do restaurante sem a companhia da senhorita Kido, O senhor Solo acenou chamando um garçom que logo se aproximou e ele começou a falar algo que o garçom apenas acenava a cabeça. Saga sem tirar os olhos do senhor Solo, falou para mim:
(Saga) — Preciso falar com ela agora!
E começou a andar em direção ao terraço onde o senhor Solo falava com o garçom. Eu estava tentando acompanhar os longos passos dele e falei.
(Antonela) — Saga, agora não é o momento para fazer isso!
Falou taxativo.
(Saga) — O momento não poderia ser melhor.
O senhor Solo, logo nos viu se aproximando e ficou na frente do Saga o impedindo de continuar a ir em direção a área externa do hotel. Saga falou entre os dentes.
(Saga) — Se eu fosse você sairia da minha frente agora!
O senhor Solo puxou um sorriso irônico como se já esperasse por esse tipo de resposta.
(Julian) — Mas como eu não sou o senhor, e agradeço aos deuses por isso, então sugiro que volte senhor Saga, sei o que quer fazer e esse não é o momento oportuno para que a veja.
Saga diminuiu a distância entre eles.
(Saga) — Você não me sugere nada! Esse assunto cabe somente a mim e a ela!
O senhor Solo falou sério.
(Julian) — A partir do momento que o senhor envolveu a minha funcionária e a noite caríssima que paguei com muito apreço para ficar na companhia da senhorita Kido, o assunto em questão passou a ser meu também!
Entrei na frente dos dois.
(Antonela) — Me desculpe senhor Solo, não queríamos atrapalhar a sua noite, iremos nos retirar.
(Saga) — Fale por você! Ele não é o meu chefe para me dar ordens!
O senhor Julian arrumou o punho do terno delicadamente.
(Julian) — Não, não sou, mas não estou falando em posição de hierarquia neste momento, pois se assim o fosse, o senhor não entraria neste hotel senhor Saga, assim como também não estaria naquela mansão.
O senhor Julian olhou nos olhos do Saga.
(Julian) — Como eu já havia dito anteriormente ao senhor, se permito que participe do dia a dia da senhorita Kido é exclusivamente porque não quero aborrecê-la falando de coisas que julgo banais e desnecessárias. Portanto, se o senhor se recusa a me escutar, escute a mulher que escolheu a pouco para te proporcionar prazer momentâneo e retire-se! Não permitirei que atrapalhe a minha noite com a senhorita Kido, como está fazendo agora com a noite da senhorita Antonela!
Por Zeus! Eu nunca fiquei tão constrangida em toda a minha vida com toda essa situação! Senti meu rosto corar. Me virei para o Saga e disse em tom de súplica.
(Antonela) — Saga, por favor escute! Eu sei que tem coisas a serem ditas e resolvidas entre você e a senhorita Kido, mas aqui e agora não é o momento! Você está atrapalhando a noite deles, assim como está consequentemente estragando a minha noite também! Só estou pedindo que você espere para falar com ela assim que tudo isso aqui terminar. Isso é pedir muito?
Saga olhava para mim pensando no que eu havia dito. Eu disse baixinho.
(Antonela) — Não me faça me sentir pior do que estou me sentindo agora na frente do meu superior.
Saga voltou a olhar sério para o senhor Solo e depois voltou a olhar para mim.
(Saga) — Me desculpe, Antonela, não tive a intenção de que se sentisse assim, POR VOCÊ eu vou esperar para falar com a Atena.
Respirei de alívio.
(Antonela) — Obrigada, por isso, Saga.
Olhei para o meu chefe.
(Antonela) — Nos desculpe pelo transtorno, senhor Solo, com licença.
Com dificuldade consegui mover o Saga para que fosse para o salão.
Hotel Primórdio – Cobertura — Restaurante — Terraço
Milo terminava a sua sobremesa, quando outro garçom se aproximou. Milo fez um sinal com a mão para que ele não anotasse nada.
(Milo) — Por enquanto estamos satisfeitos, amigo!
O garçom se aproximou mais dele e disse baixinho.
(Garçom) — Me desculpe atrapalhar, mas o senhor se chama Milo?
Milo acenou que sim com a cabeça, sem entender o porquê da pergunta.
(Garçom) — Preciso passar um recado ao senhor.
Milo ficou preocupado.
(Milo) — Certo, o que seria?
(Garçom) — O senhor Solo pediu que o senhor o encontre imediatamente, disse ser referente a senhorita Kido.
Milo se levantou na mesma hora.
(Milo) — Aconteceu alguma coisa com a Atena?
O garçom disse sem jeito.
(Garçom) — Lamento não ter mais informações senhor, pode me acompanhar?
Milo olhou para a Shaina que cruzou os braços e fechou a cara.
(Shaina) — Vai lá, atender aos caprichos da senhorita Kido!
Milo olhou sério.
(Milo) — Deusa Atena, não se esqueça!
Shaina sorriu com deboche.
(Shaina) — Não se preocupe, Escorpião, lembrarei que ela está estragando a minha noite com você!
Milo olhou para o garçom.
(Milo) — Vamos.
Os dois saíram em direção ao terraço.
Hotel Primórdio – Restaurante — Terraço
Milo se aproximou do senhor Solo. Julian agradeceu ao garçom assim que se aproximaram.
(Milo) — O que aconteceu com a Atena? Ela está bem?
Julian esperou o garçom se distanciar e falou olhando para o Cavaleiro de Escorpião.
(Julian) — Ela está na área externa esperando o meu retorno para a nossa mesa.
Milo tentou olhar mas não tinha visão da área externa, ele estava ficando mais preocupado.
(Julian) — Preciso que me ajude com a senhorita Kido, quero que desfaça o estrago que seu colega de trabalho acabou de fazer.
(Milo) — O quê?
Julian arrumava o terno calmamente enquanto falava.
(Julian) — Infelizmente a senhorita Kido teve o desprazer de ver o seu companheiro de aventuras sair do banheiro com a minha funcionária a pouco minutos.
Milo tentou traduzir o que ouviu, mas sem sucesso.
(Milo) — Não entendi.
Julian puxou um sorriso.
(Julian) — Tentarei ser mais claro, senhor Milo! Há poucos minutos a sua deusa presenciou o cavaleiro Saga sair do banheiro masculino acompanhado da minha funcionária Antonela logo após transarem.
Milo ficou petrificado com o que ouviu.
(Milo) — Ah, caralho!!!
Julian continuou.
(Julian) — Sim, foi lamentável e isso de alguma forma a deixou muito abalada.
(Milo) — Que merda!
Julian prosseguiu.
(Julian) — Diante do que eu relatei preciso que a conforte sobre o ocorrido. Eu poderia e adoraria fazer isso, mas pelo meu conhecimento sobre ela, ela não falaria o porquê de estar assim, uma vez que ela não sabe que já tenho conhecimento sobre as aventuras sexuais dela com o senhor e o senhor Saga. Como eu não quero perder a minha noite devido a esse incidente, preciso que converse com ela, que ela desabafe e possa sentir melhor após conversar com o senhor, para que assim eu possa ter a agradável companhia dela de volta. Me fiz entender, senhor Milo?
Milo ainda estava incrédulo, processando o que ouviu sobre o flagrante ocorrido.
Julian cruzou os braços e analisou o cavaleiro a sua frente.
(Julian) — Espero não estar o superestimando, senhor Milo. Será que além das aventuras sexuais o senhor consegue dar suporte emocional a alguém ou isso é pedir muito? Posso reconsiderar o meu pedido se for o caso.
Milo puxou um sorriso sarcástico.
(Milo) — Senhor Solo, para sua tristeza eu sou tudo o que ela precisar, e neste caso, sou muito mais para ela do que o senhor pode imaginar!
Julian não expressou nenhuma reação com o que ouviu.
(Julian) — Ótimo! Neste caso, não espero menos que uma situação estabelecida no meu retorno!
Milo cruzou os braços e sorriu incrédulo com as palavras do Julian.
Julian disse enquanto se afastava e olhava para o seu relógio de pulso.
(Julian) — Terá trinta minutos para isso, senhor Milo! Com licença.
Milo olhou o Julian se afastando e respirou fundo.
(Milo) — Porra, Saga! Que merda foi essa que você fez?
Milo foi em direção a área externa do restaurante.
Hotel Primórdio – Restaurante — Terraço — Salão
Antonela
Chegamos ao salão. Eu entrei primeiro, ficando de costas para o Saga. Não consegui identificar a música que tocava apenas levantei a cabeça, fechei os olhos e respirei fundo de alívio por estar longe de tudo o que tinha acontecido perto do senhor Solo. Senti o Saga se aproximar de mim.
(Saga) — Me desculpe pelo o que acabou de acontecer.
Então me virei e fiquei de frente para ele e o olhei sério.
(Antonela) — Por que você é tão teimoso? Por que não me ouviu? Eu disse que não era o momento para você resolver nada agora! Se tivesse me ouvido, eu não teria passado por essa humilhação na frente do senhor Solo!
Ele abriu a boca para falar alguma coisa e eu continuei, tinha muito o que falar:
(Antonela) — Quero esclarecer uma coisa muito importante, Saga! Não sei se deixei claro o quanto me importo com o meu trabalho, ou sobre tudo o que fiz e abri mão para chegar onde cheguei. Porque quero que saiba que é a primeira vez que permito que um homem entre na minha vida da forma que você entrou, que é a primeira vez que me senti desarmada, frágil, e vulnerável de frente para o meu chefe, pois sempre tive uma postura im–pe-cá-vel!
Ele me olhava prestando atenção a cada palavra. Eu estava me sentindo péssima! Meus olhos lacrimejavam, toquei em uma lágrima que saía, olhei para o meu dedo indicador molhado e sorri incrédula.
(Antonela) — Eu não me lembro da última vez que chorei...
Olhei para ele.
(Antonela) — Saga, eu estou vivendo ao seu lado primeiras vezes que eu jamais permitiria viver por serem coisas inadmissíveis a mim! Por você, estou derrubando muros que pensei serem indestrutíveis. Estou me vendo em situações alheias aos meus princípios!
Ele passou a mão no cabelo.
(Saga) — Antonela, eu não queria que tivesse passado por isso e...
Levantei a mão para que ele não continuasse.
(Antonela) — Por favor, só me escute.
Diminui a distância entre nós dois e toquei no seu rosto.
(Antonela) — Saga, você me levou para os Campos Elísios em um momento e para o Tártaro em outro! E saiba que eu não me arrependeria por nada do que vivi aqui esta noite ao seu lado se tudo isso não fosse motivado pelo fato de você estar em uma relação onde se sente inferiorizado, desvalorizado e consequentemente não amado.
Saga olhou para o chão, tentei acompanhar o seu olhar.
(Antonela) — Eu sei que dói, mas me dói muito mais saber que é por essa motivação que você me fez passar por tudo isso! Tudo por causa de uma mulher que não o valoriza e que o pior, você ainda assim faz de tudo por ela, ao ponto de não pensar um minuto se quer em mim! Você não pensa nem em você mesmo! E percebi que quando o assunto é a senhorita Kido, você fica cego e surdo para tudo ao seu redor!
Ele não me olhava.
(Antonela) — Saga, se consegue fazer tudo isso por uma relação assim, é tão difícil para você se concentrar por uma noite em mim?
Ele voltou a me olhar.
(Antonela) — Não estou julgando os seus sentimentos por ela, sei que a ama! Quero que olhe para os meus por uma noite que seja, não escondo o meu amor por você, não quero que faça loucuras por mim! Só quero que você ao meu lado seja o Saga sorridente e leve que me fez companhia por hora, que sempre conversa comigo por se sentir à vontade ao meu lado! Ao contrário do que está vivendo com ela, se a minha presença o faz se sentir mal ou você vai me fazer sentir mal, ainda que eu o ame, eu prefiro ir embora, Saga!
Ele estava sério e pensativo. Eu não tinha mais nada a dizer. Então passava pelo seu lado direito para me dirigir a saída do salão. Ele disse:
(Saga) — Você tem razão, sou um idiota! Eu sempre estrago tudo...
Eu parei ao seu lado ficando de costas para ele.
(Saga) — Eu não sei explicar essa loucura que sinto por ela, é uma obsessão como se eu precisasse dela até para respirar. Ficar longe da Atena para mim é uma tortura. Eu só queria que ela enxergasse ou melhor entendesse isso! Mas na verdade eu acho que isso nunca vai acontecer.
Então nos viramos ficando de frente um para o outro. Ele me olhou nos olhos e disse:
(Saga) — Mas você se tornou muito importante e especial para mim, você é linda, inteligente, eu te acho uma mulher incrível! Você me mostrou como é me sentir especial, único, importante para alguém! E pela primeira vez, ao seu lado eu sinto que sou eu mesmo, sem tantas loucuras!
Eu fiquei sem palavras.
(Antonela) — Saga...
Ele com suas mãos segurou o meu rosto e beijou intensamente. Eu não sabia que precisava tanto desse beijo até recebê-lo. Ele sussurrou nos meus lábios.
(Saga) — Me desculpe, por tudo! Quero muito outra oportunidade para fazer a sua noite perfeita...
Sorri e acenei que sim.
(Antonela) — Vou adorar, Saga.
* * *
Fale com o autor