Jade corria o máximo que podia. O medo e a adrenalina faziam com que as pernas não doessem tanto, mas sabia que uma hora elas latejariam. Já cansada da corrida que dera, sentou-se em uma mureta e ficou olhando na direção da Wu Shi. A imagem do monge caindo do precipício não saia de sua cabeça. Queria que aquilo que havia visto não fosse verdade. Por mais que Liu Kang não fosse tão culpado da queda, o tom com que teve a última conversa com o monge não parecia nada amigável. O que será que conversavam? Seria sobre o caso dele com Sindel? Se fosse ela poderia ter o mesmo destino.

Resolveu fechar os olhos, recostou sua cabeça em uma estátua que estava ao lado e tentou lembrar-se de alguns momentos bons que vivera em Edenia. Foi então que sentiu uma mão quente em um de seus ombros, despertando de suas lembranças.

— Nightwolf! – ela disse sorrindo.

— Pensei que estava em Edênia. O que faz aqui?

— Achei que sabia – respondeu depois de um suspiro.

— Bem, imagino o motivo. Mas onde você estava agora?

Jade pigarreou e veio a memória da morte do monge. Contar ou não?

— Fui dar uma volta. – respondeu omitindo o que vira.

O índio se virou para ela, pegou uma de suas mãos, segurou-a e disse:

— Sinto que você não está bem aqui.

— Meu lugar é em Edenia. Praticamente fui exilada por saber demais.

— E você já comentou com Raiden sobre isso?

— Não tenho visto ele por esses dias. E sinceramente prefiro que ele saiba por si só.

— Por que pensa assim? – ele perguntou soltando a mão da edeniana

— Não quero me meter mais em nada desses problemas.

Nightwolf ficou pensativo por alguns instantes para tentar achar alguma saída para Jade.

— De verdade, Jade. Queria te ajudar, mas...

— Acho que tem um jeito de me ajudar — falou Jade — Mas você tem que ser muito cauteloso e isso eu sei que você é.

— Me diga, então.

— Tente ficar de olho na Kitana por mim. Tenho medo de Sindel ter colocado um guardião que á adepto as suas ideias.

— Disso eu lhe asseguro que o rapaz que foi colocado em seu lugar é de boa índole.

— Você o conhece?

— Nunca troquei uma palavra com ele, mas a fama dele não é má. É o irmão de Bi-han.

— Como? Aquele Lin Kuei atrevido? Vai ver esse rapaz é pior que o irmão dele.

— Não, isso eu garanto. Mesmo assim eu prometo fazer o que você me pediu.

Apesar de ter ficado um pouco mais tranquila com o que Nightwolf disse, Jade ainda continuava apreensiva pelo que aconteceu há poucos minutos atrás. Jurou para si mesma que não comentaria o que vira para ninguém. Já havia se envolvido neste problema além da conta, agora pagava o preço. A única certeza que ela tinha era que monge sabia demais.

(...)

O dia amanheceu em Edenia.

Kitana desceu para tomar como de costume, mas notou a ausência da mãe na mesa. Apenas Sheeva a esperava. A desconfiança de que Sindel escondia algo aumentou.

— Como passou a noite, Alteza?

— Não consegui dormir muito bem, pois tive uma discussão com minha mãe. – respondeu enquanto se sentava.

A shokan engoliu seco e perguntou:

— Mas o que houve?

— Não é nada que o reino possa se preocupar. Aliás, onde ela está?

— Acordou um pouco indisposta e pediu para que o café fosse serviço nos seus aposentos.

Kitana colocou um pedaço de queijo na boca e fez questão de se servir colocando um suco no copo. Sheeva ficou um pouco sem graça e disse a um dos servos que estava próximo:

— Por que não ficou atento para servir Sua Alteza?

— Sheeva, pare com isso! – falou Kitana – eu mesma me sirvo. Este servo tem suas obrigações.

— Pensei que gostava de ser servida – falou a shokan desapontada.

— De vez em quando é bom algumas mudanças, mas nem sempre.

Sheeva sabia que a princesa ainda estava magoada pelo que aconteceu com Jade. Pousou uma das mãos no ombro de Kitana e disse:

— Sei bem como se sente, mas Jade logo volta, mas você precisa dar uma chance ao seu novo guardião.

Kitana olhou para frente pensativa. Talvez ele me ajude a descobrir o que realmente está acontecendo com minha mãe. A princesa bebeu um gole de suco e pediu:

— Traga-o para tomar café conosco.

A shokan fez uma expressão de surpresa e pediu que um guarda próximo o chamasse. Kitana, por sua vez continuou comendo e Sheeva comentou:

— Então, vai dar uma chance?

— Não posso passar pelas ordens de minha mãe. Resolvi tentar.

Mal ela terminou a frase, o guarda retorna junto com Tundra deixando o ambiente um pouco mais frio que o normal. O rapaz chegou enxugando a testa com uma toalha e logo parou ao ver a princesa.

— Desculpe-me pelos maus modos.

Kitana sorriu e disse:

— Não há o que se desculpar. Já tomou café?

— Ainda não, eu estava treinando.

— Isso é ótimo – falou Sheeva após um gole de suco – para um guardião isso é essencial.

Kitana deu um sorriso concordando com a fala de Sheeva. Voltou seu olhar para Kuai e pediu para que se sentasse a mesa para tomar café.

—Estou um pouco suado...

— Sem desculpas, Tundra – falou Kitana.

A verdade é que Kuai não estava suado, era apenas uma desculpa, pois se sentia indigno de tomar a mesa junto com a princesa.

— Você precisa se acostumar com essa realidade provisória que está diante de você – falou a princesa colocado um copo de suco para Kuai.

Ele deu um sorriso amarelo e bebeu um gole.

— Suponho que já tenham falado suas funções.

— Sim, alteza.

Kitana observava a forma como ele comia os pães, parecia um ritual e isso a deixava curiosa por saber como ele havia aprendido a comer daquela maneira. Mas naquele momento ela precisava saber se poderia contar com ele para com o que estava em mente. O que a impedia de começar o assunto era a presença de Sheeva.

— Bem – disse Kitana se levantando – se não se importa vou ver como minha mãe está. Quero te ver no jardim sul daqui a meia hora.

— Como quiser, alteza.

A princesa sorriu e se retirou da mesa deixando Sheeva e Tundra sozinhos na mesa. A shokan respirou fundo e disse num sorriso convincente:

— Bem, acho que Kitana gostou de você.

O criomante umedeceu os lábios e respondeu:

— Espero que não esteja enganada, Sheeva.

— Não estou, conheço essa menina desde pequena, ela não mente quando gosta de alguém.

Enquanto isso no segundo andar, Kitana caminhava em direção ao quarto da rainha. A curiosidade da princesa estava cada vez mais forte com o telefonema de ontem a noite... O que será que estava acontecendo?

Kitana chegou frente à porta do quarto da rainha, respirou fundo e bateu.

— Entre – ouviu-se a voz de Sindel.

Sem hesitar a princesa abriu a porta e disse fechando-a atrás de si:

— Bom dia mamãe!

Sindel se assustou ao ver a filha que quase se engasgou.

— Pensei que era Sheeva.

A rainha estava recostada em uma poltrona com um livro em seu colo. Estava pálida deixando a filha preocupada.

— O que você tem, mãe?

— Só um mal estar, mas logo passa.

De repente ouviu-se uma batida na porta assustando a princesa que logo se levantou e foi atender. Era Sheeva.

— Preciso falar com sua mãe.

Kitana deu uma olhada para a mãe e voltou o olhar para Sheeva dizendo:

— Chame um médico, ela não está bem.

— Farei isso e não deixe Tundra esperar. Ele já está onde você combinou.

Meio contrariada Kitana deu uma última olhada para Sindel e saiu do quarto. A shokan entrou e fechou a porta.

— O que foi?

— Liu Kang está a sua espera no escritório.