O Crime da Rainha
18 Um guardião
Jade havia tomado café da manhã no Sky Temple, e estava levando suas coisas para o quarto em que iria ficar hospedada. Por mais que a vontade era estar junto com a princesa, ela estava se sentindo bem ali. Concordava que precisava de um tempo afastada daquela atmosfera, bem achava que não suportaria ver Kitana ser enganada e acabaria por dar com a língua nos dentes.
Seu quarto provisório era bem simples, uma cama no canto da parede com um criado feito de madeira avermelhada, um pequeno guarda-roupa e um espelho ao lado pregado na parede. Não precisava ela sair para ir ao banheiro, pois havia um acoplado ao quarto – o que ela achava excelente e ajudava melhor em sua privacidade.
Não fez questão de desarrumar sua mala — se era assim que ela podia dizer — deixando-a do lado da cama. Foi à janela que estava ao lado de sua cama e começou a apreciar a paisagem deslumbrante que havia ali. De lá ela conseguia ver a academia Wu Shi e algumas vilas próximas e o que começou a preocupa-la foi a possibilidade de Liu saber de sua ciência do seu caso com a rainha.
Por mais que preocupação com tudo o que está acontecendo fosse grande, Jade decidiu que aproveitaria o máximo do tempo que passasse naquele lugar. Sabia que não seria fácil, mas tentaria o máximo possível.
(...)
Já passava do meio-dia em Nova Edenia.
Erron Black voltava para o palácio junto com um rapaz um pouco mais alto que ele. Sua roupa era preta com alguns detalhes em azul que lhe cobria dos pés a cabeça, trazia em seu peito um emblema do Lin Kuei e seu rosto era coberto por uma máscara deixando apenas os olhos de fora. Caminhava logo atrás olhando tudo ao seu redor desde que entrou pelo portal.
— Nunca veio á Nova Edenia? — perguntou Erron dando uma olhada para trás.
— Bem... — começou o rapaz — sempre achei que fosse uma lenda até meu irmão contar sobre o que viveu aqui.
Enquanto andavam, Erron olhou para a vestimenta de Tundra e disse:
— Acho que seria melhor tirar um pouco dessa roupa quando chegar. Aqui não faz tanto frio assim.
Tundra balançou a cabeça negativamente querendo rir e disse olhando para algumas casas ao longe:
— Esqueceu que sou um criomante? Minha temperatura corpórea é diferente dos seres humanos normais.
— Ah eu esqueci que você é diferente. — disse Erron olhando para frente.
— Não é todo o dia que você encontra alguém com os meus poderes, não é?
— Já vi muita coisa nessa vida.
— Mas você não parece tão velho.
Erron deu uma risada, arrumou o chapéu para que o sol não batesse em seu rosto e falou colocando a mão no coldre:
— Bi-han não contou a minha história, não é?
— Não vai me dizer que você tem poderes também.
Vendo que já estavam próximos da entrada do palácio, o mercenário disse ao Lin Kuei:
— Como você ficará um bom tempo conosco, terei tempo o suficiente de te contar a minha história.
Tundra olhou para a entrada do palácio e ficou encantado com os detalhes das portas e das colunas. Puxado pelo braço o rapaz entrou naquele lugar. Os guardas o viram entrar e logo permitiram que prosseguissem caminho e mais dois guardas foram de encontro a eles para levarem-nos ao hall de entrada.
Chegaram lá e se depararam com Sheeva que conversava com um dos criados. Tundra se assustou ao ver a shokan, mas manteve a compostura. Sheeva olhou para Erron e mediu Tundra de cima a baixo com certa desconfiança.
— Esse rapaz irá ficar no lugar de Jade? — perguntou a shokan.
— Foi indicado pela própria rainha – respondeu Erron colocando as mãos para trás.
Sheeva deu de ombros e pediu para que eles a acompanhassem até a sala do trono. Ao chegarem à sala, a rainha conversava com um dos guardas.
— Majestade – chamou Sheeva.
Sindel olhou para os três e pediu que se aproximassem. E assim fizeram.
— Este é o guardião que Sua Majestade pediu que eu trouxesse.
Tundra baixou a cabeça, tirou a máscara e o capuz que cobria o seu rosto, fez vênia e disse:
— Aqui estou majestade.
A rainha sorriu e seus olhos brilharam ao presenciar tal atitude. Era tudo o que ela precisava naquele momento, alguém que demonstrasse grande respeito por sua autoridade e lealdade.
— Já te adiantaram o que irá fazer? – perguntou a rainha olhando para Erron.
O rapaz se ergueu e disse:
— Ser o guardião de Sua Alteza.
Sindel deu uma volta no rapaz, olhou bem nos olhos dele e disse:
— Preciso conversar a sós com ele.
Sheeva e Erron fizeram vênia e se retiraram da presença da rainha, deixando Tundra e ela a sós. Sindel pediu para que ele a acompanhasse até onde estava seu trono e disse ao rapaz:
— Você me parece bem leal a sua família e ao seu clã.
— Eu tento – falou Tundra com modéstia.
— Poderia ter escolhido muitas outras pessoas para esse cargo, mas como tive boas indicações sobre sua pessoa quis tentar você. Sabes bem o que faz um guardião, certo?
— Não sei se são as mesmas regras que conheço são as que valem neste mundo, mas se Sua Majestade puder me dizer o que devo fazer...
A rainha sorriu e respondeu:
— Não muda nada. Você acompanhará minha filha em tudo o que ela fizer, exceto em sua intimidade é claro.
O rapaz corou e baixou a cabeça assim que ela terminou a frase. Ela passou a mão no ombro forte dele e disse:
— Então não preciso te falar muita coisa, já sabe da maioria dos seus afazeres. Se caso eu precisar me ausentar terá que executar mais umas regrinhas.
— Como quiser – respondeu Tundra prontamente. – E a propósito, onde está a princesa?
— Percebo a sua ansiedade em conhecê-la. Ela passou o dia na casa de Li Mei e deve voltar bem tarde. Dependendo da hora que ela chegar, você só poderá vê-la amanhã. Vou agora te levar a Sheeva, ela lhe apresentará todo o palácio e falará mais sobre sua função.
— Sim, Majestade
Em seguida ele seguiu a rainha até a saída da sala do trono.
(...)
A noite ia alta, Kitana ainda não havia voltado e Tundra já havia se recolhido.
Sindel estava na varanda de seu quarto, sentada em uma cadeira de balanço olhando para o céu estrelado. Segurava o mesmo telefone que falara uma vez com Liu a espera de alguma novidade quanto à proposta que ela tinha feito. Ficou aliviada em ver que ele não procurou por Kitana naquele dia e que tudo estava saindo como planejado, só faltava o shaolin dar notícias.
Quando a rainha estava quase caindo no sono, o telefone vibrou em sua mão acordando-a. Ela logo atendeu e a voz de Liu disse:
— Já estava dormindo, Majestade?
— Liu Kang! Esperei uma ligação sua o dia inteiro.
— Perdoe-me, estava esperando a resposta e parece que deu certo.
— Do que está falando?
— Bem... fui hoje de manhã na casa de uma prima e contei para ela toda a nossa situação. Pedi a ela se poderia lhe hospedar na casa dela no seu período gestacional. Agora a noite ela deu a resposta que vai dar certo!
Sindel suspirou de alívio e disse:
— Não sabe como isso me alegra!
— O que te alegra, mamãe?
A voz de Kitana ecoou no quarto fazendo Sindel se assustar e largar o telefone no chão.
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