Passou-se 2 semanas.

Grande parte de Nova Edenia estava apreensiva devido a ameaças de uma revolta dos tarkatâneos, por não aceitarem o novo governo e seu regimento. E isso não era bom sinal para a família real. A pedido de Sindel aumentou a guarda tanto do palácio como dos lugares que pertenciam a família real. Ficar sempre perto de Sua Alteza era a máxima de Tundra. Ele a acompanhava-a em quase tudo o que ela fazia. Quando não era ele, eram enviado 2 ou 3 guardas para acompanhá-la. Mesmo assim a missão dada por Kitana a ele se tornara difícil de cumprir, pois era poucas as vezes que cruzava o caminho da rainha e não conseguia pegar praticamente nenhuma pista sobre o que poderia estar dando errado com ela. Quanto a visita a Jade, nunca era possível. Se não estava no papel de guardião, estava auxiliando no treino de novos soldados da guarda real.

— O pior é que agora com o reino nessa situação você não pode ficar longe de mim – dizia a princesa em um tom preocupado enquanto olhava um antúrio balançando com o vento no jardim.

No fundo, Tundra não achava ruim ficar mais próximo da princesa. Puro deleite e não via como trabalho. Mas para escapar de seus devaneios sugestionou um pouco contrariado:

— Erron Black poderia ficar com você enquanto eu visito Jade.

— Ah Tundra, Erron não é tão confiável.

— Por quê? – perguntou ele atônito — Ele se mostra leal a Nova Edenia.

— Como você é ingênuo. Erron é leal porque minha mãe o paga para isso. Se possível me venderia a um tarkatâneo caso esse oferecesse muito mais ouro que minha mãe.

— Eu jamais faria isso! – falou Tundra de ímpeto, mas logo se repreendeu ao deixar essa exclamação escapar.

Kitana deixou um sorriso escapar e disse segurando uma das mãos dele:

— Eu sei que não o faria.

O rapaz sorriu sem graça e uma pontinha de esperança se acendeu em seu coração. Ele tinha Kitana como um amor platônico. Sabia que quando as coisas se resolvessem, Jade voltaria a seu posto e ele voltaria para o Lin Kuei. Para completar teve a infeliz lembrança de Liu Kang, o futuro esposo de Sua Alteza, um concorrente desigual ao coração da princesa.

Fora despertado de seus pensamentos quando um dos guardas apareceu para chamá-los para uma reunião com a rainha. Ambos se levantaram, Kitana foi a frente e Tundra foi logo atrás colocando sua máscara.

A sala do trono estava consideravelmente cheia. A rainha entrou junto com Sheeva e sentou-se em sue trono, a princesa e o seu guardião chegaram logo em seguida e fizeram questão de estar de pé. Este ficou surpreso, pois não imaginava que tanta gente trabalhava ali. O vozerio estava um pouco alto e a shokan resolveu levantar os quatro braços pedindo silêncio e dando a palavra para a rainha. Esta se levantou do trono em que estava com toda sua elegância e começou a falar:

— Terei que me ausentar por alguns dias justamente para tratar sobre o possível motim tarkatâneo. Vamos orar para que tudo se estabeleça. Enquanto isso Kitana junto com Sheeva e Tundra ficarão a frente de Nova Edenia.

Kitana não deixou de transparecer a cara de espanto, mas bem notado pelo guardião que logo a cutucou com o braço.

— O que ela está dizendo? – perguntou Kitana assustada.

— Acalme-se, princesa – falou ele sussurrando – será por pouco tempo.

A rainha se despediu da plebe e eles saíram todos com o auxílio dos guardas para a saída comportada da sala. Assim que todos saíram, Kitana voltou-se para a mãe.

— Como Sua Majestade decide uma coisa dessas?

— Alteza – Tundra a chamou tentando impedi-la de enfrentar a mãe.

— Mãe – Kitana ignorou Tundra — como você toma decisões por mim assim?

Sindel virou-se para a filha já esperando sua reprovação.

— Eu não vou passar nem um mês longe. E Sheeva irá lhe ajudar no que for preciso.

A verdade é que Sindel não queria ir em hipótese alguma ao encontro da colônia tarkatânea. Aos poucos parecia ver os planos com Liu Kang ruídos. Estava detestando aquela situação e só ia ao encontro de Baraka tentar uma conciliação por não ter outro jeito. Kitana aproximou-se da mãe e perguntou:

— Por que você não me contou sobre a audiência com Baraka? Pensei que me deixaria a par de tudo antes da plebe. Também fui pega de surpresa.

Sindel já não aguentava mais os questionamentos da filha e deu uma bufada colocando a trança de seu cabelo por cima do ombro.

— As coisas aconteceram muito rápido e não tive tempo de te contar – falou sem olhar nos olhos da princesa. Se atravessou entre os guardiões – Preciso agora falar com o chefe dos guardas para tratar sobre isso, com licença.

Os três ficaram petrificados olhando para a rainha até ela passar pela porta. Kitana se sentia como se tivesse levado um soco em sua face, com seu coração angustiado confirmou que cada dia que passava, sua mãe se distanciava mais e mais dela. Tundra percebeu a tristeza no olhar de Kitana, pousou a mão em seu ombro e disse:

— Sinto muito, princesa.

Kitana respirou fundo, olhou para o alto e secou uma lágrima que queria cair.

— Até quando?

— Vamos ao jardim tomar um ar – disse Tundra conduzindo-a para fora da sala do trono.

Sheeva ficou sozinha e foi a uma das janelas da sala e refletindo em seu íntimo. Prometeu a si mesma que não seguraria mais aquele segredo, enquanto isso uma lágrima descia pelo seu rosto rústico.

(...)

Liu Kang começou a se intensificar mais em seus treinos e nas aulas como professor fazendo os monges e até o proprio Kung Lao ficar impressionado com seu empenho.

— Isso é para compensar os dias letárgicos – comentava Lao fazendo Kang se irritar.

A morte de Chang foi uma fatalidade, pois não tinha mesmo como o shaolin salvá-lo. A vantagem que Liu vira é que era uma boca calada. Conversava em dias esporádicos com Sindel via telefone para não levantar suspeitas. Mas ficou irritado quando soube que ela iria ficar fora por alguns dias do palácio.

— Afinal quando vou poder te deixar na minha prima?

— Eu ainda não sei. Essa revolta dos tarkatas estão comendo meu juízo e não posso deixar que Kitana resolva essa questão.

— E ela está desconfiada de alguma coisa?

— Faz tempo que não paramos para conversar. Pelo menos ela não está mais me atormentando por causa de Jade.

— E já pensou no que fará com ela?

— Bem, Fujin veio me visitar antes de ontem dizendo que ela já melhorou bem e quer que ela volte para Nova Edenia. Mas não sei se isso é seguro ainda.

— Ah Sindel... você terá que decidir isso, querendo ou não, já estou sentindo a morte de Chang nas minhas costas.

A rainha desligou o telefone e guardou em uma gaveta trancando com a chave e saiu. Já havia alguns dias que estava pensando no que fazer com Jade caso ela tivesse que retornar. Desceu as escadas e encontrou um guarda fazendo ronda. Aproximou-se dele e perguntou por Erron.

— Está em uma taverna aqui próxima.

— Fale para me encontrar na sala do trono.

Em questão de meia hora, Erron já estava lá e a rainha pediu para que a deixasse sozinha com o pistoleiro.

— Pelo visto ainda não está bêbado. – a rainha falou enchendo uma taça de licor e entregando a Erron.

— Vou lá mais para jogar cartas – disse ele pegando a taça — mas estranhei por Sua Majestade me chamar esse horário.

— Isso é o de menos. Preciso de um serviço seu.

— Dependendo faço ainda hoje. – disse Erron depois de um gole de licor.

Sindel foi a uma mesinha próxima da porta e voltou com um saquinho de pano cheio e estava prestes a entregar a Black.

— Quero que dê cabo da vida de Jade.

Erron ficou impressionado com o pedido que acabara de ouvir, mas nada perguntou. Mas ele negou aquele saquinho nas mãos dela e disse:

— Não, lindeza. Esse serviço não farei em troca de dinheiro.

— Como assim? O que você quer?

Ele andou em volta dela devagar e disse em seu ouvido:

— Quero dormir com você.

Sindel se assustou com a frase que acabara de ouvir e disse:

— Como ousa, verme insolente?

— Você acha que ninguém está sabendo do seu caso com Liu Kang? É esse o preço e o pagamento é adiantado – e se aproximou mais – e tem que ser naquela cabaninha que você se encontrava com ele.

Sindel estava em uma encruzilhada. Sabia da reputação de Black em sempre fazer os serviços bem feitos e sem deixar vestígio. O que ela precisava naquele momento é a boca de Jade calada para sempre, pois não sabia quando poderia se livrar do peso que aquele segredo estava lhe causando. Sacrificar-se-ia pelo amor que tem por Liu Kang e acabar na cama com um fascínora?