O Crime da Rainha
6 Naquela manhã
Chang está a passos lentos voltando à academia Wu Shi. O sol nascente batia forte em seu rosto e quase o cegava não o deixando ver o caminho para o seu destino. Encostou-se a uma das pilastras da porta da academia e Lao o avistou, foi direto ao seu encontro.
— Monge Chang! — disse o shaolin auxiliando o ancião para adentrar no local. — O que houve? Está tudo bem?
O monge não queria comprometer Liu Kang dizendo o que realmente estava acontecendo. Olhou para Lao e respondeu:
— Está tudo bem? Acho que andei mais do que devia.
— Avisei a Liu Kang que o senhor queria falar com ele.
— Sim eu sei. – disse Chang apoiando uma das mãos no ombro de Kung Lao – Você é um bom mensageiro.
Lao deixou uma risada escapar e continuou:
— Ele me disse que ia te procurar assim que chegasse de um compromisso.
— Eu já o encontrei, foi algo rápido.
— Ah, menos mal. Bem, talvez eu vá para Nova Edenia hoje à tarde com Raiden. Ele quer ver como estão as coisas por lá.
“Se Raiden soubesse o que Liu Kang está prestes a fazer, logo o interceptaria.” Pensou Chang e disse:
— Mande lembranças a Raiden e diga que qualquer dia eu apareço no Templo do Céu para conversarmos.
— Como quiser, monge. – respondeu Kung Lao.
(...)
O sol mal havia apontado entre as montanhas de Nova Edenia. Sindel estava tomando café da manhã e perguntou a Sheeva que estava ao seu lado:
— Onde está Kitana e Jade?
— Kitana foi para casa de Li Mei ajuda-la em seu jardim, a princesa levou algumas mudas de ervas medicinais para plantar lá.
— E Jade?
— Ela está com os servos da cozinha ajudando-os a cortar alguns legumes frescos.
— Mas isto não é trabalho para ela.
— Ela sempre gostou disso, fala que lembra a sua infância, pois ajudava os pais nessa tarefa.
— Que ótimo – respondeu Sindel levantando-se da mesa e se afastando da shokan.
— Por que essa expressão, majestade.
— Tenho visita agora pela manhã e não quero ser incomodada.
— Quem é a visita? – perguntou a shokan se levantando curiosa.
— Liu Kang, ele virá para conversarmos sobre... o casamento dele com minha filha.
— Ah sim, mas pensei que já tinham conversado.
Sindel pousou a mão em uma das cadeiras, sabia que Sheeva queria muito saber qual era o real motivo daquela visita. A rainha pegava as coisas no ar, nunca gostou de pessoas intrometidas, mas para ser educada com sua leal amiga respondeu:
— Ele andou afastado por um tempo... nem deu tempo de falarmos sobre esse assunto.
— Entendo.
Um dos guardas chegou e disse a rainha:
— Liu Kang chegou, majestade.
Sindel sentiu seu coração acelerar, engoliu seco e arrumou a tiara real que estava entre seus cabelos. Respondeu ao guarda:
— Diga para ele esperar no escritório que já irei atendê-lo.
— Como quiser majestade – disse o guarda se retirando.
A rainha disse a Sheeva:
— Veja com estão os servos do jardim, se precisam de alguma ajuda e anote tudo para mim.
— Sim, majestade – disse a shokan se retirando.
Sindel subiu ao seu quarto e retocou a maquiagem, tirou a tiara e penteou os longos cabelos deixando amarrados para trás e colocou a tiara novamente.
Liu Kang estava sentado em um dos sofás do escritório. Ele observava alguns quadros que estavam dispostos pelas paredes daquele ambiente, se levantou e foi olhar mais de perto um quadro que o intrigava. Era Sindel com Jerrod e Kitana ainda bebê. “Decerto este deve ser o famoso rei Jerrod.” Ele pensou. A porta se abriu e ele se assustou com o ranger que ela fez, mas sentiu grande paz em seu coração ao ver a figura da rainha entrar.
— Majestade – cumprimentou a Sindel fazendo uma leve reverência.
Ela trancou a porta, fazendo um barulho um pouco incômodo. Aproximou-se do rapaz, que estava com um suor nas mãos, ele começou a esfrega-las para aquele fluído sair, tinha receio de soltar alguma faísca de suas mãos.
— Que bom que veio, Liu Kang – disse a rainha sorrindo.
— Logo que recebi seu bilhete, me preparei para estar aqui.
— Tinha algum compromisso?
— Consegui adiá-lo.
— Ótimo! – disse Sindel encostando-se em uma mesa. Ela não sabia como começar aquele assunto que, para ela, seria como jogar fora tudo o que estava sentindo por ele. Decidiu falar:
— Queria saber como você e Kitana se conheceram.
O shaolin contou tudo a ela resumidamente. Ela sorria em alguns momentos e ouvia atentamente. Quando ele terminou a narrativa a rainha perguntou:
— E seus sentimentos por ela? Como estão?
Ele engoliu seco, tinha medo de dizer a verdade ou de que Sindel fosse telepata e descobrisse tudo. Liu Kang procurava as palavras certas para amenizar tudo aquilo que estava passando, até que achou uma e disse:
— Sinceramente, majestade, meu sentimentos para com ela estão um pouco... confusos.
— Confusos? – Sindel perguntou desconfiada e de braços cruzados – Como assim?
Liu Kang pensou que ela se satisfaria apenas com a sua resposta de que aquele sentimento era uma confusão. “Se eu disser o que sinto por ela, pode ser o meu fim.” pensou o shaolin. Sindel continuou o seu olhar nele esperando alguma resposta
— Está bem – disse ele com as mãos para trás – Se eu te disser, promete que não irá tirar barato da minha cara, nem me matar?
— Sim.
— Eu acho que estou gostando de outra mulher.
Sindel sentiu seu coração disparar, as mãos ficaram trêmulas. Logo indagou:
— Essa mulher... é do Plano Terreno?
— Não. Ela é edeniana também.
— Pode falar, não direi a ninguém. Dependendo vamos contornar essa situação – disse a rainha com pensamento de que era ela essa mulher.
— É você, majestade.
Sindel cerrou os punhos, desencostou de sua mesa e foi lentamente se aproximando do shaolin, que já temia o pior. Ele não ousava olha-la nos olhos, estava coberto de vergonha. A rainha ficou frente a ele e colocou as suas mãos no tórax do guerreiro, que estava tentando assimilar o que esta acontecendo. A rainha tentava encontrar os olhos dele e dizia:
— E você tem medo de ir adiante com esse sentimento?
— O quer dizer com isso, majestade?
— Eu sinto o mesmo por você, shaolin. Desde a primeira vez que te vi. Meu coração lamentou saber que você estava com outra mulher.
Liu não acreditava no que estava ouvindo, deixou uma risada escapar e Sindel também riu.
— O que foi? – perguntou a rainha.
— Não imaginava que isso era recíproco. Mas e quanto a Kitana? O que devo fazer?
— Há um jeito pra tudo. Temos que ver a hora certa para falar essa verdade a ela.
Sindel pousou um olhar cálido em Liu Kang que sorriu. Ele deixou seus braços envoltos na cintura da rainha fazendo com que ela aproximasse o seu rosto do dele. Eles fecharam os olhos e deixaram seus lábios de encontrarem em um beijo profundo. Uma batida delicada na porta fez-se ouvir no escritório.
— Mãe! – Kitana gritou. – Temos visita!
Os dois se separaram e ficaram apavorados olhando um para o outro e voltou-se para a porta.
Raiden e Kung Lao esperavam a rainha no hall de entrada. Kitana havia os recebido assim que chegou da casa de Li Mei.
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