O Crime da Rainha
5 Conselho
Sindel andava pelos corredores do palácio a procura de algo para se distrair, observava as estatuetas sobre algumas colunas, via os quadros de pintura a óleo que registravam as batalhas vencidas sobre outros reinos. Tentava de alguma forma esquecer Liu Kang, mas não conseguia, aquele olhar o cativara e ela não conseguia se libertar. Seus pensamentos foram interrompidos por Jade, que andava apressadamente pelo corredor onde a rainha estava indo em direção à lavanderia. Sindel a interceptou puxando-a pelo braço, Jade logo fitou sua majestade, com um olhar temeroso e triste. A rainha desconfiada perguntou:
— O que há com você, Jade?
Jade delicadamente soltou o seu braço da mão de Sindel e respondeu:
— Não é nada, majestade. Eu estou bem.
— Sempre a vi com olhos brilhantes, sorriso expressivo... Pela primeira vez lhe vejo assim desde que o meu reino se iniciou. Exijo que me conte o que está acontecendo.
Jade se sentiu intimidada pela exigência da rainha e respondeu sem olhar em seus olhos:
— Eu e Kitana tivemos uma pequena discussão, mas é uma bobagem, logo passa.
— Ah sim – disse Sindel cruzando os braços – espero muito que vocês continuem sendo amigas. Acho a amizade de vocês muito bonita e não quero que terminem por uma discussão boba.
— Obrigada, majestade – disse Jade insistindo em olhar para o chão.
Sindel se sentiu um pouco incomodada com o gesto da jovem, levantou a cabeça dela pelo queixo e disse:
— Não precisa ter medo de voltar o olhar para mim. Quero ser sua amiga se assim permitir.
Jade deu um sorriso tímido, não esperava que a rainha falasse tal coisa. Respondeu sem jeito:
— É uma honra, majestade. Não mereço sua amizade, apenas... Suas ordens.
— Se você é amiga de Kitana, é minha amiga também.
— Como quiser, majestade.
Assim que disse isso, Jade fez reverência e continuou seu caminho para a lavanderia. Sindel ficou a observa-la, queria contar a alguém sobre aquela angústia que estava sentindo, aquele sentimento proibido que teimava se instalar em seu coração. Pensou em ir até Kitana perguntar o motivo da peleja, mas desistiu logo da ideia e resolveu ir para a sua alcova. Chegando lá olhou no espelho e começou a dizer para si mesmo: “Se eu conversasse com Liu Kang sobre isso, será que ele acharia besteira e debocharia da minha cara?” ”Não custa tentar.” Pegou um papel e começou a escrever um bilhete para ele ir até o palácio, pensou num bom pretexto e escreveu no papel, selou com o carimbo real e escreveu: Aos cuidados de Liu Kang. Chamou um dos mensageiros reais e disse a ele:
— Vá à academia Wu Shi e entregue esse recado direto para Liu Kang.
— É de caráter urgente, majestade? – perguntou o mensageiro.
— Sim. Agora vá, não espere resposta, apenas entregue esse papel nas mãos dele.
— Certo, majestade! – disse o mensageiro que pegou o bilhete, fez reverência e saiu da presença da rainha.
Sindel pediu para que o mensageiro não esperasse resposta para deixar o shaolin mais ansioso, caso sentisse o mesmo pela rainha.
(...)
Liu Kang treinava dois jovens em uma sala quando foi interrompido por um dos estudantes que entrou na sala. O shaolin se irritou e disse:
— Por que você está interrompendo o treino de seus colegas?
— Perdão, mas há um mensageiro de Nova Edenia lhe procurando.
— Nova Edenia? – perguntou Liu atônito – deixe que entre.
O estudante fez um sinal para que o mensageiro entrasse e ele entrou. Fez reverência e entregou o papel com o selo real de Nova Edenia nas mãos do shaolin, este perguntou curioso:
— O que é isso?
— Um recado urgente de Sua Majestade Sindel.
Liu Kang sentiu seu coração disparar, respirou fundo e ficou olhando o papel. O mensageiro logo se retirou voltando para Nova Edenia. Ele continuou olhando para o papel curioso para saber o seu conteúdo, ao ver que era quase seis horas da tarde disse para os que treinavam:
— Por hoje é só, aproveitem e descansem.
Os jovens fizeram reverência e saíram da sala de treino. Liu saiu da sala com o papel na mão e foi direto para o seu quarto, sentou em sua cama e abriu o bilhete, nele estava escrito:
Liu Kang,
Preciso que você venha amanhã até aqui para tratarmos sobre o seu casamento com Kitana. Quero saber de todas as suas intenções para com ela, como se conheceram... Desejo ter uma relação amigável contigo para evitar problemas futuros e assim garantirmos uma segurança tanto para o Plano Terreno como para Nova Edenia.
Sem mais,
Sindel.
Ao terminar de ler o escrito, Liu ficou pensando se seria viável falar sobre o que realmente estava sentindo. Não queria causar má impressão e pediria sigilo nesse diálogo. Em contrapartida, temia ferir o coração de Kitana ao revelar seus sentimentos para com a rainha.
Ouviu-se um barulho na porta do quarto, Liu logo escondeu o bilhete debaixo de seu travesseiro. Era Kung Lao, que chegará ofegante depois de um longo treino. Passou por Liu, que o acompanhava com o olhar e ficou seus olhos no pôr-do-sol que se podia ver pela janela do quarto, o sol poente batia em seu rosto deixando o amarelado. Lao colocou seu chapéu pendurado em um prego na parede, frente a sua cama e começou a tirar o camisete que vestia, viu Kang e ficou preocupado com aquele olhar perdido que seu amigo estava, aproximou-se dele passou uma das mãos frente ao seu rosto, dizendo:
— Ei! Liu! Liu!
O shaolin acordou do torpor em que estava submetido, percebeu que Lao estava a sua frente e perguntou meio perdido:
— O que houve?
— Você está com esses olhos de peixe morto e me preocupei? Está tudo bem?
— Sim, está. Acho que estou muito cansado.
— Os alunos estão lhe cansando? Pelo que vejo eles são até que bem obedientes.
Liu não estava cansado, ele apenas deixará a rainha da então Nova Edenia entrar em seus pensamentos, mas não ousava falar disso com Kung Lao. Liu disse:
— Acho que foram os alunos do outro Mestre que me cansaram.
— Ah sim — disse Lao levantando-se e terminando de tirar o camisete, que deixava aberto enquanto conversava com o amigo. — Aliás, o monge Chang estava a sua procura.
Chang era o monge que o orientara a ficar longe da rainha Sindel e, se possível, de Nova Edenia. Para tentar disfarçar Liu perguntou:
— O que ele queria?
— Daí eu já não sei, mas ele parecia preocupado, como se quisesse falar com você com certa urgência.
“Se eu procura-lo para falar sobre a minha decisão sobre ir à Nova Edenia amanhã, ele não deixará eu ir.” Pensou Liu Kang e disse ao amigo:
— Eu vou procura-lo amanhã por volta do meio-dia.
— Por que não vai logo de manhã? – perguntou Lao colocando a camisete em cima da cama.
— Tenho um compromisso perla manhã. Só estarei aqui ao meio-dia.
— Você que sabe. – disse Lao indo ao banheiro se banhar.
(...)
O sol nem havia apontado no horizonte, Liu já estava fora do território da academia Wu Shi indo em direção ao portal que levava a Nova Edenia. De repente o shaolin ouviu uma voz:
— Para onde vai, jovem?
Ele olhou para trás e lá estava monge Chang o acompanhando a passos lentos com um cajado de madeira na mão. Liu Kang respirou fundo e olhou para o céu com ar de cansaço. Chang o alcançou e apoiou uma das mãos em um dos ombros forte do shaolin:
— Pensei que não o alcançaria, você é bem veloz.
— Nem sabia que eu era veloz – disse Liu rindo.
— Kung Lao não te deu o recado? – perguntou o monge mudando o tom de voz.
— Ah... – Liu tentou disfarçar para soltar uma mentira, mas sabia que a ele ninguém poderia enganar e resolveu falar a verdade – ele deu sim.
— O menino Lao é bem obediente, tem um futuro promissor, mas por que você não veio até mim? Fiquei a tua espera.
— Tenho um compromisso agora de manhã e só iria lhe procurar por volta do meio-dia.
— Este compromisso é em Nova Edenia, certo?
Liu olhou para baixo e fez um sinal afirmativo com a cabeça. O monge o repreendeu:
— E ignoras a ordem que te dei?
— Mas já passou tempo o suficiente...
— E então me responda o motivo de você ainda estar apaixonado pela rainha Sindel?
Liu ficou surpreso e perguntou:
— Quem... Quem lhe disse isso?
— Os seus olhos me dizem tudo, caro jovem. Acha mesmo que pode enganar esse velho?
— Mas eu fui convocado por ela a ir até lá para falar sobre mim e Kitana...
— Eu sei muito bem o porquê ela te chamou até lá.
Liu já estava cansado daquela conversa. Olhou firme para o monge e disse:
— Sinceramente, não sei por que eu te procurei, agora eu tenho que ir.
Chang se atravessou na frente e disse:
— Você tem noção a ferida que causará em sua noiva, caso cometa tal ato?
— Eu não farei nada, me deixe ir – disse Liu empurrando o monge para o lado fazendo-o cair.
— Você pode destruir um reino por causa disso – gritava o monge para Liu, mas este simplesmente ignorou e prosseguiu o caminho.
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