O Cravo
1 Um
Notas iniciais
O príncipe caminhava dando suspiros tristes enquanto passeava com um longo manto vermelho pelo seu tão amado jardim, quando ouviu um suspiro que acreditou que havia saído de si mesmo.
Voltou seus olhos ônix para trás, surpreso, quando sentiu um movimento por entre os arbustos de flores. Levantou o olhar, deparando-se com uma jovem de cabelos loiros atrás de um peculiar arranjo de cravos cor de rosa — suas flores favoritas.
Ficou surpreso com a beleza da mulher que trajava um vestido com vários cravos bordados e algumas pedras preciosas cravejadas. Ela não era tão alta, com a pele quase pálida — e possuía curiosos olhos cor de chocolate que no momento estavam presos nele, lhe fazendo sentir uma leve vergonha. A emoção que os olhos da jovem — que para o príncipe pareciam tingidos de tristeza — lhe passaram atingiram em cheio seu coração.
Tão rápido quanto fora notada, a jovem desapareceu e então Natsu retornou para a casa de sua irmã Senhorita Dona das Terras do Norte, lhe dizendo que não se casaria mais com a princesa Lisanna — Uma jovem albina conhecida por sua gentileza do reino ao lado, visto que estava apaixonado pela jovem que havia visto em seu jardim.
Sua irmã compreendeu e mandou todos os guardas que estavam a seu dispor em busca da misteriosa jovem que trajava um vestido bordado com cravos. Mesmo que fosse contra as tradições da família, sua irmã mais velha faria o que fosse possível para ver Natsu feliz.
Seus soldados passaram por rios com águas correntes, desertos áridos e montanhas perigosas. Tudo isso em vão; a moça nunca fora encontrada.
A irmã mais velha então, se dirigindo a Natsu, disse:
— A mulher que você viu, meu querido irmão, não é uma entidade deste mundo. Acredito que seja, possivelmente, o espírito de um Cravo. É impossível para um jovem humano casar-se com algo que não é físico. Tendo dito isto, amanhã celebraremos o seu casamento com a Princesa Lisanna.
Só restou para Natsu assentir. Não podia continuar insistindo em algo que parecia ser apenas um capricho seu. Correu para seu jardim, ajoelhando-se em frente ao arbusto de Cravos e chorando sem parar, despedindo-se.
Suas lágrimas molhavam a terra e com isto, um pequeno Cravo desabrochou na sua frente, com uma bela coloração. Isso lhe fez chorar mais, inconsolável. Enquanto as lágrimas desciam sentiu como se houvesse alguém lhe abraçando e compartilhando de lágrimas também, mas levantou seu rosto e nada havia. Ainda assim, a sensação de alguém com ele era permanente.
Quando levantou-se, ouviu uma voz rouca ressoar em seu ouvido:
— Que as lágrimas que saem de meus olhos levem consigo meu amor que não foi correspondido, e que meu sorriso lhe dê a certeza de que desejo-te, príncipe, toda a felicidade do mundo.
Após ouvir essa frase Natsu sentiu a presença desaparecer e despencou chorando sem parar, até sua irmã aparecer e lhe encaminhar para dentro de casa onde fora confortado da melhor forma possível. De qualquer forma, Natsu sabia que a tristeza em seu coração não iria desaparecer.
Em seu casamento, o pequeno cravo que havia desabrochado roubou a atenção de todos, mas após os votos serem feitos, a flor já havia murchado.
O coração da pequena flor, não resistindo à dor daquele acontecimento, quebrou-se.
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