O Cowboy
20 Visíveis mudanças
Assim que cheguei em casa e já ia subir discretamente para tomar um banho e descer para tocar piano para Carlisle ele chegou ao meu lado com um olhar estranho.
– Onde estava a essa hora? – Perguntou.
– Cavalgando um pouco. – Eu disse naturalmente.
– Sozinha?
– Sim. – Eu disse com um tom de voz normal. – O que há demais?
– Nada, só que você poderia ter chamado alguém.
– Eu gosto de cavalgar sozinha de vez em quando, é bom pra pensar.
– Eu te entendo, também gosto disso. Mas e o piano? Ainda está de pé?
– É claro que sim. – Eu disse sorrindo. – Eu vou tomar um banho e já desço.
– Tudo bem. Estarei esperando.
Tomei um banho e coloquei meu pijama, em seguida desci até a sala e lá estava meu pai, sentado e assistindo TV enquanto me esperava.
– Vamos tocar piano? – Perguntei sorrindo.
– Vamos é claro.
Me sentei no assento do enorme piano de calda branco que tinha na sala de meu pai e ele sorriu orgulhoso com a visão.
– Posso tirar uma foto sua?
– Claro.
Carlisle pegou uma câmera em cima da estante da sala e eu sorri para a câmera quando ele bateu a foto.
– Achei que alguém tocaria piano aqui ao invés de posar para fotos. – Disse Edward chegando na sala.
– Edward. – Disse Carlisle sorrindo assim que o viu. – Que bons ventos o trazem aqui?
– Eu sei que já é noite, mas achei que seria o melhor momento para falar com você sobre a fertilização em vitro de equinos. Eu vi métodos muito interessantes e com baixo custo na conferência, achei que isso te interessaria.
– Com certeza me interessa. Só que isso é um assunto demorado suponho, então você se importa de eu permitir que a Bella toque um pouco de piano antes de começarmos a conversar?
– Claro que não.
– Então fique e aprecie junto comigo mais esse talento da minha princesinha. – Disse enquanto acariciava meus cabelos e eu sorria. – Sabia que ela também tem uma voz magnífica?
– Não. – Disse Edward parecendo interessado.
– Pois então mostre a ele Bella. – Disse Carlisle enquanto ia até o sofá e se sentava ao lado de Edward.
Comecei a tocar a música The climb, da Miley Cyrus, enquanto Edward e Carlisle admiravam minha voz e minha habilidade no piano, eu olhava de canto de olho e os dois estavam encantados, o que me deixou imensamente feliz, a final eram duas pessoas que eu realmente gostava e nada melhor do que agradar as pessoas que você gosta.
Quando terminei de tocar eles aplaudiram juntos e eu sorri agradecendo.
– Incrível filha! – Disse Carlisle orgulhoso. – Você parece um anjo quando está tocando e cantando.
– Parece mesmo. – Edward concordou prontamente. – Tem uma bela voz e muito talento com o piano, meus parabéns.
– Obrigada. – Eu disse sem graça com tantos elogios. – Acho que agora vou subir para deixá-los mais à vontade.
– Obrigado princesinha, amanhã você me mostra como toca o violão que eu sei que você também sabe tocar.
– OK.
Fui até Carlisle e dei um beijo em sua bochecha de boa noite e quando estava prestes a sair ele me chamou.
– Não vai se despedir do Edward não? – Perguntou.
– Ah claro.
Fui até Edward e abaixei ele colocou uma das mãos em minha cintura e eu coloquei a minha em seu ombro, o cumprimentando com dois beijos estalados na bochecha, depois subi para meu quarto. Agora eu estava me perguntando se ele tinha ido até lá só para me ouvir tocando. OK, isso era idiotice minha, afinal ele deixou bem claro que tinha ido até lá para falar sobre aquele negócio de equinos com o meu pai, mas que pareceu bem orgulhoso quando me viu tocando e cantando, isso pareceu.
O dia seguinte amanheceu extremamente frio e tudo que eu queria era permanecer na minha cama, mas eu tinha que levantar, e claro, tinha que ver o meu cowboy. Com certo esforço, me levantei e fui até Edward que me esperava do lado de fora como de costume. Nos cumprimentamos e eu subi no cavalo.
– E o meu beijo de bom dia? – Perguntei e ele sorriu virando o rosto para mim e me dando um selinho, foi então que Trovão deu uma leve empinada fazendo com que eu caísse, já que não estava me segurando em Edward.
– Bella? – Edward perguntou preocupado enquanto descia de Trovão em um pulo. – Tá tudo bem? – Perguntou enquanto acariciava meu rosto.
– Sim, eu estou bem. – Garanti e de fato estava.
– Tem certeza? – Edward perguntou enquanto me ajudava a levantar.
– Sim.
Quando eu já estava em pé e devidamente firme sobre meus próprios pés, Edward foi para frente, ficando cara a cara com Trovão e o olhou com um semblante furioso. Como se o cavalo fosse entender que ele estava com raiva.
– Muito feio isso que você fez Trovão, eu estou profundamente decepcionado com você. Pensei que fosse meu amigo, mas está derrubando a minha fêmea, amigos não fazem isso com os outros, estou desapontado com você.
Eu já estava pronta para perguntar se ele tinha enlouquecido ou algo assim, até que Trovão olhou para o chão, parecendo triste e então cutucou a perna de Edward com sua enorme pata, porém Edward se manteve irredutível sem nem mesmo olhar para ele, que inconformado passou o rosto no braço de Edward, como os cachorros ou gatos fazem quando querem carinho. Edward permaneceu parado e sem dar confiança, então Trovão olhou para mim e se aproximou, a princípio eu fiquei meio assustada e quis correr, mas depois percebi que ele estava em paz dessa vez. Ele abaixou a cabeça na direção de minha mão para que eu o acariciasse e foi o que fiz, então ele olhou para Edward que ainda estava parado ignorando totalmente sua presença. Trovão ainda não conformado bateu com a cabeça em minha bunda, fazendo com que eu fosse com tudo para cima de Edward que me segurou firme e não pôde evitar de sorrir, enquanto eu fiz o mesmo, em seguida ele me beijou. Depois olhou para Trovão que o encarava com expectativa, sim, eu vi expectativa nos olhos do cavalo! E não, eu não estava louca!
– OK. – Disse a Trovão assim que saí de seus braços. – Eu te perdôo.
Edward foi até ele e acariciou sua cabeça, fazendo com que o animal que até então só estava com a cabeça baixa se erguesse todinho, virando um verdadeiro cavalo de Jóquei.
Nós subimos novamente em Trovão que nos levou até o casebre, assim que chegamos pegamos todas as coisas necessárias e começamos o nosso trabalho, que como em todos os outros dias passou rapidamente. Quando cheguei em casa após o dia de trabalho, todos pareciam bem agitados, eles estavam preparando alguma coisa.
– O que tá rolando aqui? – Perguntei parando perto de Alice que estava sozinha na varanda dobrando algumas cobertas.
– Nós vamos fazer um acampamento! – Disse empolgada.
– “Nós” Quem? – Perguntei.
– Eu, o Jazz, a Rose, o Emmet, você e o Edward.
– E alguém consultou ao Edward? Porque ao menos eu só estou sabendo disso agora.
– Nós decidimos hoje à tarde. Temos três barracas para duas pessoas, Carlisle e Esme deixaram que fizéssemos contanto que eu e você dormíssemos em uma, o Jasper e o Edward na outra e a Rose e o Emmet juntos mesmo, já que todo mundo vê eles indo pro quarto um do outro durante a noite, então não é mistério para ninguém o que eles ficam fazendo. – Disse sorrindo.
– Mas vai ser assim mesmo? – Perguntei meio desanimada. – O Edward e o Jasper em um lado, eu e você do outro?
– Claro que não né? – Disse como se fosse óbvio. – Bella, eu adoro a sua companhia e te acho uma garota incrível, mas hoje estamos enfrentando um frio de quatro abaixo de zero, acha mesmo que vou trocar os braços quentes do meu Jazz pelos seus finos e femininos? De forma alguma. – Disse sorrindo. – Até mesmo porque eu acho que você também prefere os braços do meu titio para te aquecer.
– Definitivamente. – Eu disse pela primeira vez não negando até a morte sobre qualquer insinuação que Alice fizesse quanto a nós dois.
– O que? – Perguntou com os olhos arregalados e sorrindo. – Então agora está assim descarado?
– Sem exageros, tá Alice? – Perguntei sorrindo. – Nós estamos apenas nos conhecendo melhor.
– AAAAAAAAAAHHHHHHHHHH. – Ela soltou um grito estridente.
– Pare de gritar criatura! – Eu disse sorrindo. – Ninguém sabe ainda.
– Ninguém?
– Ninguém.
– Nem a Rose?
– Ela já nos viu aos beijos uma vez, mas eu nunca cheguei a dizer a ela que estávamos juntos.
– Então eu sou a primeira a saber? – Ela parecia extremamente contente em ouvir isso.
– É, mas por que tudo isso?
– Porque você e a Rose são tão amigas, já eram antes de me conhecer e são líderes de torcida, dançam super bem, populares, todos os garotos arrastariam um bonde para ficar com vocês, eu meio que me sinto a caipira deslocada, o patinho feio do grupo.
– Hei. – Eu disse segurando seus ombros e fazendo com que ela me olhasse. – Pare com isso entendeu? Você não é nenhuma caipira deslocada e muito menos o patinho feio do grupo. Você é linda, simpática, alto astral, amiga e é uma pessoa muito mais legal do que eu. Você e a Rose são super parecidas, eu que me sinto meio deslocada às vezes, mas mesmo assim eu não ligo, porque sei que vocês gostam de mim do jeito estranho que eu sou. Mas o que estou tentando te dizer é que você não tem que achar que é menor que a gente em nada, porque você não é. Nós dançamos, somos líderes de torcida, populares e temos vários homens nos querendo. E daí? Isso não é nada, o que importa é que temos a melhor amiga desse mundo aqui pertinho, que é você.
– Você acha mesmo? – Perguntou com os olhos marejados.
– Eu tenho certeza. E além do mais olhe para você, acha mesmo que todos os marmanjos por aí não dariam qualquer coisa para estar no lugar do Jazz? E ainda que não dessem, danem-se todos, não importa se eles arrastariam ou não um bonde pelo seu amor, o que posso te garantir é que eu e a Rose faríamos isso e muito mais por você e pela sua amizade.
– Eu entendo. – Disse sorrindo. – Então eu sou pra vocês tipo o que aquela Jane era?
– Não. Você nunca será como a Jane – Respondi imediatamente, fazendo com que ela olhasse para baixo triste. – Porque você é muito melhor do que ela em tudo. Nunca duvide disso.
– Exceto em dançar.
– É... – Eu disse sorrindo. – A Jane dança muito bem. Mas não tem importância, o problema de tudo é a dança? Rose e eu podemos te ensinar a dançar.
– Sério? – Perguntou empolgada.
– Sério. – Eu disse sorrindo.
– Ai, você é a melhor amiga desse mundo. – Disse me abraçando forte. – Eu te amo!
– Eu também te amo sua baixinha linda! – Eu disse enquanto retribuía o abraço.
– Abraço triplo! – Disse Rose soltando as caixas que estava trazendo para fora e nos abraçando também.
– Meninas, meninas. – Disse Alice eufórica desfazendo o nosso abraço triplo. – Agora que eu me lembrei. Hoje é domingo não é?
– Sim, é domingo. – Eu disse confusa porque toda essa comoção em cima de um domingo.
– Daqui a exatamente duas semanas é aniversário da cidade! – Disse Alice mega empolgada.
– Isso que é patriotismo! – Disse Rose tentando parecer empolgada para não deixar Alice sem graça, mas estava tão confusa quanto eu em relação aquilo tudo.
– E daí? – Perguntei direta.
– Daí que eles sempre dão o maior festão. É lá que fazem um monte de jogos legais, é tipo um baile de escola, só que bem mais legal.
– Parece interessante. – Disse Rose e eu permaneci quieta.
– É interessante, mas não é esse o ponto. – Alice continuou. – É lá que elegem a rainha do milho. Eu venho esperado por anos, pra poder me candidatar, e tem que ter no mínimo 17 anos. Eu tenho 17, então eu vou poder participar.
– Cara, isso é incrível. – Eu disse sorrindo.
– Vocês não vão se candidatar não? – Ela perguntou.
– Não, eu quero demais que você ganhe, se eu ganhar, não vou estar satisfeita. – Eu disse sorrindo, em uma ocasião normal eu até participaria, mas ela parecia tão empolgada quando dizia que finalmente ia poder participar que eu não queria ter sequer a chance de poder tirar isso dela.
– E você Rose?
– Somo um time não somos? – Perguntou. – Não seria uma vencedora feliz vendo a derrota de uma amiga, então se não é pra ganhar, pra que vou entrar?
– Exatamente. – Eu disse percebendo que Rose tinha pensado o mesmo que eu e por isso não participou.
– Eu só não entendo. A Tânia ganha há cinco anos consecutivos. É a chance de vocês tirarem o trono dela. Bella? Vocês não são rivais?
– Somos, mas essa é a sua chance, não nossa. Rose e eu abrimos mão e você vai valer por todas, porque vamos te deixar de um jeito que nem você mesma vai se reconhecer.
– Verdade. – Disse Rose. – Se você não destronar essa nojenta da Tânia, eu não me chamo Rosalie Halle.
Alice abriu um grande sorriso para nós e logo depois voltou a falar.
– Ah, tem também uma categoria de dança country, tem que ser no mínimo três pessoas. A Tânia e as amiguinhas dela sempre vencem também.
– Ah, então esse é o ano da derrota dela. – Eu disse imediatamente. – Porque nós três vamos entrar nessa e vamos ganhar essa parada.
– Com certeza. – Disse Rose. – Já está no papo.
– Só tem uma coisa né? – Disse Alice.
– O que? – Rose e eu perguntamos.
– Eu não sei dançar.
– Eu já não disse que vamos te ensinar? Pois então. – Falei.
– Mas em duas semanas?
– Dez dias antes das interestaduais na escola, uma das minhas meninas quebrou pé porque caiu da pirâmide, então como eu era a chefe, tudo estava nos meus ombros, então eu tive que as pressas conseguir outra pessoa, quem dançou foi uma garota que era minha vizinha. Na escola ela era do corpo dos “Grandes matemáticos” que nos representavam nos concursos de matemática. Ela não dançava nada e no dia da apresentação parecia uma estrela. Claro que ela passava praticamente o tempo inteiro desses dez dias na minha casa e a gente ficava o dia inteirinho passando coreografia. Acredite, você consegue dançar com duas semanas de treino. Só temos que decidir a música e montar uma coreografia.
– Isso é contigo. – Disse Rose. – Sabe que sempre foi fera em montar coreografias, eu só sei fazer o que me mandam.
– Você não tem vergonha de dizer isso não, garota? – Perguntei sorrindo e Rose negou sem problema algum. – Mas me diz, tem mais alguma categoria na qual podemos desbancar a rainha do milho?
– Só a de talentos, é de no máximo dois participantes, mas essa é mais mista, às vezes ela ganha, às vezes não.
– Vou participar dessa também. – Eu disse sorrindo.
– Mas a principal categoria da noite, quem é mestre é o Edward. – Disse Alice olhando para mim e Rose fez o mesmo.
– Qual? – Perguntei.
– O rodeio. Consistem em quem fica mais tempo em cima do touro, e quem fica mais de 8 segundos vai pra final e disputa. Ele participou durante três anos, só que aconteceu um lance aí e ele nunca mais tentou, mas eu sei que ele ainda é bom, porque toda vez que ele vai montar um touro no sítio de alguém ou por aposta todos ficam boquiabertos.
– O Edward é incrível com os animais, seja qual for. Ele tem uma coisa que eu não sei explicar. É uma conexão muito forte com eles. Mas quando você estava falando sobre ele não participar mais por certas coisas que aconteceram, estava se referindo ao lance da Victória? – Perguntei.
– Como você sabe? – Ela perguntou com os olhos arregalados.
– Ele me contou.
– Sério?! Todo mundo aqui em casa é proibido de tocar nesse assunto, porque o Edward chora sempre que falam nisso.
– Nossa, o que é? – Rose perguntou curiosa.
Olhei para Alice na dúvida se contava ou não, então ela mesma começou a falar tudo para Rose que escutava tudo atentamente e mesmo já sabendo de toda a história, ficava ainda mais impressionada com a monstruosidade daquela bruxa, assim como Rose, que estava perplexa.
Depois de conversarmos mais um pouco eu subi até meu quarto, tomei um bom banho, ajudei as meninas com algumas coisas que seriam necessárias para levarmos, enquanto os meninos faziam nada, segundo eles a parte que teriam que fazer vinha depois, quando chegássemos ao local do acampamento.
Depois que todas as coisas já estavam na varanda apenas esperando para serem levadas, eu pedi para que todos esperassem enquanto eu ia chamar Edward, e eu fui, algo me dizia que essa noite seria bem interessante.
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