O Cowboy
12 Papo cabeça
Notas iniciais
Rosalie e eu nos arrumamos juntas, ela estava linda e muito bem arrumada. Eu também não ficava atrás, nós pegamos a picape de Carlisle emprestada e saímos em rumo à cidade, a chuva já havia passado o que facilitava a nossa passagem pelas ruas de terra daquela cidadezinha. Fomos à lanchonete no centro – Único local asfaltado naquele lugar. – e nos sentamos à mesa. Quando o garçom chegou, Rosalie pediu o maior sanduíche que tinha, com quantidade extra de bacon e uma coca cola de 600 ml. Eu pedi um cheese calabresa e uma lata de néctar de pêssego.
— Amiga, me fala. O que tá rolando entre você e o Cowboy? Porque tá todo mundo percebendo.
— Sério? Será que a Esme e o Carlisle já sacaram?
— Creio que não, mas se vocês continuarem dando bandeira desse jeito não vai demorar muito pra isso acontecer. Agora me fala.
— Ai Rose, eu to meio que atraída pelo caipira e isso tá me assustando.
— Ué, isso é normal. O que não pode é você ceder a isso, porque tem namorado.
— Acho que agora é meio tarde. – Eu disse sem graça.
— Isabella Marie Swan. Não me diga que você deu uns beijos no Cowboy.
— Se você não quiser eu não digo.
— Não acredito! Há quanto tempo?
— Quando a gente chegou do bailão ele me roubou um selinho. Ontem a gente foi cavalgar e acabamos nos beijando em uma montanha. E hoje, bem... A gente se beijou e rolou outra coisa também.
— O que? – Perguntou com os olhos arregalados. – Não vai me dizer que perdeu a virgindade.
— Não, não cheguei a esse ponto.
— O que vocês fizeram?
— Ele beijou os meus seios, quer dizer, beijou, lambeu, enfim, fez tudo que se pode fazer com a boca neles.
— Uau. Você nunca deixou o Jake fazer essas coisas.
— Pois é, eu não sei o que deu em mim. Esse cara me desperta um lado animal que nem eu mesma sabia que tinha, acho que é esse jeito másculo dele que trás de volta uns sentidos primitivos que existem aqui dentro, porque não é possível!
— Será que você está apaixonada?
— Claro que não Rosalie, não seja absurda! Eu estou apaixonada pelo meu namorado, Jacob Black. E por falar nele, meu Deus, estou me sentindo tão culpada, eu achei que ele não estava dando a mínima, porque nem estava entrando pra falar comigo, mas na verdade ele estava resfriado, hoje ele ficou online e disse coisas lindas pra mim, eu estou me sentindo péssima.
— Não estou querendo botar lenha na fogueira nem nada disso, mas quando eu o vi com os amigos, foi um dia antes de eu vir. Não sei se ele pegou resfriado nesses dias que eu vim, só sei que na última vez que o vi ele não estava não.
— É, isso é estranho, mas mesmo assim, ele foi muito carinhoso comigo quando nos falamos. E nada faz com que eu me sinta melhor pelo que fiz, e o pior é que aqui dentro eu não consigo me arrepender, se eu tivesse a oportunidade, tenho certeza que faria tudo de novo com o Edward.
— Amiga, em primeiro lugar você deve se acalmar. Não vai adiantar de nada ficar aí se culpando. Se o seu desejo é continuar com o Jake, então ignore o que está sentindo pelo Cowboy, agora se esse sentimento é forte demais a ponto de você não conseguir lidar, então largue o Jake e assuma de vez essa paixão louca pelo caipira gostoso.
— Assumir o que Rose? Tá louca? Ainda que eu quisesse algo com o Edward, de que adianta? Porque só vou passar três meses aqui, porque ele é um cara solitário que não gosta de gente, porque ele não se apega a uma mulher só, porque ele me acha uma grossa, porque ele é nove anos mais velho do que eu, porque ele é irmão da caipira, porque ele é um caipira. Preciso dizer mais?
— Quando duas pessoas se gostam de verdade, todas essas coisas não passam de detalhes.
— Aí é que está, a gente não se gosta de verdade. Quero dizer, aos poucos eu estou vendo que ele é um cara legal e quem sabe um dia a gente não seja amigo, mas só isso.
— Você tinha que parar de se privar tanto, e de ter tanto preconceito com as pessoas daqui, porque são todos exatamente como você. E acho também que você tem que se separar do Jake, porque se gostasse mesmo dele não estaria se entregando ao Cowboy assim, em menos de duas semanas.
— Rosalie, gostar de uma pessoa vai muito além de atrações físicas. Tentações todo mundo tem, a diferença é que uns são mais fortes e resistem e outros não, eu não resisti, mas isso não quer dizer que eu gosto menos do Jake do que alguma pessoa que está em um relacionamento e nunca traiu.
— Você quem sabe, mas de qualquer forma, pense muito bem no que vai fazer, porque não existe segunda chance pra todas as coisas na vida.
— Que seja. – Eu disse indiferente.
Rose e eu voltamos para casa e fomos para nossos respectivos quartos. No dia seguinte, acordei cedo e fui trabalhar.
— Bom dia Abelhinha. – Disse o Cowboy todo sorrisos.
— Bom dia. – Eu disse seca.
Fui até ele e subi no em Trovão. Edward e eu galopamos por mais algum tempo até chegarmos ao lugar exato onde tínhamos que pegar as coisas para trabalhar. Passei o dia inteiro fugindo dele e de suas investidas, estava sendo muito difícil, mas eu tinha que resistir, pelo bem do meu namoro. No fim do expediente eu realmente achava que poderia sair dessa sem nenhum comentário ou cobrança, tolinha.
— Vamos cavalgar hoje, não vamos?
— Acho melhor não. – Eu disse sem olhar para ele.
— Por que está me tratando assim? – Perguntou como quem estivesse finalmente falando algo que passou o dia entalado. – Tudo isso é pelo que rolou na minha casa ontem? Cara, não precisa ficar com vergonha nem nada disso, sei que você é nova e talvez nunca tenha feito, mas não é motivo pra se ignorar a outra pessoa.
— De fato, eu nunca fiz algo como aquilo, mas não é por vergonha que venho te ignorando durante o dia.
— Então é por quê?
— É que estou me sentindo mal por tudo que rolou entre a gente, eu tenho namorado e isso está errado. Tem que parar agora.
- Tudo bem, se é o que você quer nós podemos parar. – Por que ele não parecia satisfeito com isso? Na verdade ele parecia triste. Não foi só uma brincadeira pra ele? Esse cara realmente me confundia. – Mas estávamos começando a nos dar bem, então por favor, não estrague tudo por uma coisa que já aconteceu e não tem como voltar e corrigir.
— Tudo bem.
— Então você vem cavalgar hoje?
— Não sei.
— Ah Bella, por favor, só como amigos vai.
— Você me chamou de Bella? – Perguntei sorrindo.
— Não é esse o seu nome?
— É, mas você sempre me chama de Abelhinha, já até me acostumei.
— Então tá, vamos Abelhinha, por favor.
— Promete não tentar nada?
— Eu jamais faria qualquer coisa que você não quisesse. Eu garanto.
— OK, então eu vou.
Quando a noite caiu, fui ao encontro de Edward e nós cavalgamos até a plantação de azeitonas e catamos algumas, para fazer conserva.
— Foi você quem plantou todas essas coisas aqui? – Perguntei enquanto colhíamos e colocávamos em uma cestinha que ele havia trago. – Todo o dia eu perco a conta de quantas plantações a gente vai cuidar, são muitas.
— A maioria fui eu, mas algumas eram do caseiro antigo ou já estavam aqui quando o Carlisle comprou.
— Você acha que existe a mais remota possibilidade dele gostar de mim?
— Quem?
— O Carlisle.
— Tá de brincadeira né?
— Não. Por quê?
— O Carlisle te ama muito Bella. Só você não sabe disso.
— Mas desde que eu cheguei, ele nem tentou parar e conversar um pouco comigo, aliás, desde que ele se separou da minha mãe. A gente nunca mais conversou.
— Nesse ponto, eu acho que concordo com você. O Carlisle podia tentar mais, mas ainda sim, isso não faz dele um pai ruim, ele nunca deixou te faltar nada.
— Afeto, isso faltou.
— Bella, você não queria falar com ele. Como eu já disse anteriormente, concordo que ele devia ter ido atrás, mas cada um tem sua forma de pensar, às vezes ele só não se aproximou por medo de rejeição ou simplesmente por respeitar a sua vontade. Vontade não, porque eu não acredito que você queria ou quer ficar longe dele, o que ele pensava ser sua vontade.
— Eu não sei... Ele me deixou tão triste quando foi embora de casa, a gente era tão próximo sabe? Eu simplesmente não consegui aceitar o fato dele me deixar pra ir morar tão longe com uma mulher que ele mal conhecia, sei lá, eu me senti traída.
— Eu entendo perfeitamente e não tiraria a razão de uma menina de 9 anos se sentir assim, agora uma garota crescida, com 17, não, eu não entendo e nem dou razão, porque você já é grande o suficiente pra entender tudo isso. Você preferia o que? Que ele ficasse casado com a sua mãe enquanto ama outra mulher só pra manter a fachada de “Família feliz”?
— Ele ter se separado da minha mãe eu até entendo, mas ter se mudado pro Texas! Só pra vir atrás de rabo de saia. Por quê? Se eu que sou a filha dele estava na Califórnia.
— Tudo bem, você estava na Califórnia, mas ele queria morar no Texas, não tinha nada a ver com a Esme, porque eles se conheceram justo porque ele estava procurando uma fazenda pela região pra comprar. Ele tinha planos de vir pra cá e você estava inclusa nesses planos, só que ele se apaixonou por outra mulher e a sua mãe queria ficar com você. Ele estava disposto a lutar pela sua guarda, mas quando ele te perguntou se você queria ficar com ele, você foi bem clara dizendo que não, porque “Foi ele quem abandonou a família, então que fosse sozinho”. Eu vi o quanto ele sofria, toda vez que alguém tocava no assunto “sua filha” perto dele. Ele te ama Bella, e você com essa sua rebeldia só afasta as pessoas que gostam de você, fazendo-as sofrer e se fazendo sofrer. Nem vem dizer que ele não te procurou e não deu a mínima, porque todo ano ele ligava pra sua mãe, perguntando se você vinha passar as férias aqui, mas a resposta era sempre a mesma “Ela não quer ir”. Claro que eles erraram nesse ponto, porque você tinha 9 anos, ele deviam ter te obrigado, tenho certeza que você não estaria assim hoje se tivesse vindo naquela época, a Alice é da sua idade, vocês iam brincar o dia inteiro, além do fato de aqui ser um lugar maravilhoso pra interagir com a natureza e os animais. Acho até que não ia mais querer ir embora. Só que eles preferiram escutar uma criança a mostrá-la o lado bom da vida.
— Como sabe de toda a história tão detalhadamente?
— Antes de sermos irmãos, Esme e eu somos amigos. Eu conto tudo da minha vida pra ela e ela da dela pra mim.
— Tudo? – Perguntei assustada.
— Bom, quase tudo.
— Você contou sobre... Er... Aquilo que...
— O que rolou entre a gente?
— Isso.
— Não, eu não quero te meter em problemas com o Carlisle e nem fazer com que ele perca a confiança que tem por mim. Mas e você? Contou pra alguém?
— Pra Rose.
— Tudo?
— Tudo.
— Não era pra ter contado.
— Por quê?
— Porque ela pode contar pro Emmet, o problema nem é esse, porque confio nele, mas alguém escutar e isso parar no ouvido do Carlisle.
— Você confia no Emmet e eu confio na Rose e sei que ela não vai contar a ninguém, nem mesmo pra ele. Mas me responde uma coisa, por que todo esse medo do Carlisle descobrir? Não é uma coisa que eu quero que aconteça, mas se acontecer também, que se foda.
— Pra você é muito fácil falar isso, seu pai e sua mãe são ricos. Agora comigo não é bem assim, por enquanto eu dependo do seu pai. Depois que o meu pai morreu eu e meus irmãos vendemos a casa e dividimos a grana em bens iguais, não valia muita coisa, então só deu pra eu pagar uns meses da faculdade, foi então que o Carlisle me ofereceu emprego e moradia. Resumindo: Se eu me desentender com ele eu estou sem casa e sem emprego. Então diferente de você, eu não posso simplesmente dizer “Que se foda”.
— Entendo. Mas se você sabia que me beijar pudesse, mesmo que remotamente trazer todas essas consequências, por que o fez?
— Eu não sei. Foi mais forte do que eu.
— Você se arrepende?
— Faria tudo novamente.
Ele disse e então abriu lindo sorriso para mim. Sério, esse cowboy queria me tirar do prumo e estava conseguindo.
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