Notas iniciais
Avisos:

1. O Corvo está conectada com Camp Paradise - Interativa, portanto, recomenda-se a leitura de ambas as histórias para maior compreensão das mesmas.

2. O prologo é narrado no passado, em terceira pessoa. Os outros capítulos provavelmente não vão seguir essa linha.

Boa leitura e boas festas!

— A lenda d´o Corvo é uma das maiores histórias da nossa Família e passa-la as gerações futuras é uma das nossas principais tradições. A lenda diz que num tempo indeterminado entre as gerações, nasceu uma menina diferente. Ela era mais forte e esperta que as outras da sua idade. Tinha cabelos negros como as asas de um corvo, era forte e ágil. Treinada de forma adequada, ela levava morte, destruição e vingança por onde ia de modo que aos poucos sua figura ficou relacionada com a do agouro da morte.

‘’Depois dela, toda menina que nasce tem seu antebraço esquerdo cortado com a adaga de prata forjada na lua cheia, roubada dos Vikings há séculos, de modo que seu sangue caia na bacia de prata usada pelas bruxas na Idade Média e se misture com a água benta. Sangue geralmente dilui quando misturado com água, mas não é isso que ocorre quando o Corvo nasce. Seu sangue coagula quando misturado com a água benta e fica assim por alguns minutos até diluir como se nunca tivesse saído do corpo, isto é, como se houvesse apenas água na bacia. ’’

Alexander não conseguiu se controlar e revirou os olhos mais uma vez durante a narrativa do seu avô, Heinz. Ele ouvia aquela história desde que se lembrava, uma das suas primeiras memórias era aquela lenda que narra o caminho percorrido por sua Família na construção do seu Império e explica o porquê do símbolo dos Schneider ser um corvo.

Alex realmente não sabia como seus irmãos e sua irmã mais velhos conseguiam aturar aquilo toda reunião de Família. Ou como Thomas, seu primo nove anos mais novo, conseguia prestar tanta atenção apesar de ter ouvido tudo aquilo diversas vezes.

— Talvez a memória dele seja fraca – murmuro com os braços cruzados contra o peito, pensando alto.

Clarice, sua irmã três anos mais velha, o acotovelou antes de lançar um olhar repreendedor sentada ao seu lado no sofá. Alex revirou os olhos e bufou impaciente.

O garoto de 14 anos, cabelo castanho, pele clara e olhos verdes preferia fazer quase qualquer coisa a ter que ouvir toda aquela baboseira em silêncio. Alex não entendia por que tinha que ouvir a mesma história toda vez que ia a casa do avô.

Era tão injusto ele ter que ficar ali enquanto seu irmão mais velho, Matthew, estava em outra sala com os adultos apenas por ter 19 anos. Alex não via a hora dele fazer 18 para poder deixar a sala de estar que a cada minuto ficava mais sufocante.

Olhou para o tapete macio com franjas onde seu irmão George, um ano mais velho, estava sentado puxando os fios do tapete com ar entediado. Trocaram um olhar que dizia ‘’prefiro colher uvas a fazer isso’’ antes de soltarem suspiros frustrados.

George desviou os olhos castanhos para os livros nas estantes e passou a mão distraído por seu cabelo ruivo. Thomas exclamou surpreso por algo que o avô disse e Alex não conseguiu deixar de achar o menino loiro de cinco anos completados naquele dia, sentados aos seus pés no tapete, fofo quando ele colocou as mãos gorduchas na boca, surpreso.

— Como se não soubesse a história – falei encarando-o com um sorrisinho.

— Fique quieto Alexander – Clarice falou séria.

Suspirou e encarou a irmã pelo canto do olho. Seu cabelo ruivo tom de cobre liso estava solto com uma fita rosa claro servindo de tiara. A pele clara estava com as maçãs do rosto avermelhadas devido a raiva e a boca rosada numa linha fina pela mesma razão. Seus olhos castanhos esverdeados me olharam pelo canto do olho, repreendedores.

Desviou o olhar e encarou a poltrona ao seu lado direito onde Charlie, irmão gêmeo de Clarice, estava sentado. Alex não compreendia como Charlie, com 17 anos e sabendo aquela história de cor conseguia prestar tanta atenção enquanto ele só conseguia contar os minutos para tudo acabar.

Voltou os olhos para o seu avô. Heinz Baden Corleone Schneider falava com uma cadência continua na sua voz potente. Graças aos seus 59 anos, alguns fios brancos salpicavam seus cabelos pretos e as rugas se tornavam cada vez mais visíveis principalmente ao redor dos seus olhos de um azul cristalino. Alexander perguntou-se se ele não se cansava daquilo. Se toda a tradição da história começou quando Matt nasceu ou antes, com seu pai, Stephan, e seu tio, Albert. Ou antes, quando o próprio Heinz era criança. Ou antes quando o pai dele o era e assim por diante.

Não importava, de qualquer forma aquela era uma tradição chata e fútil.

***

Talvez Alexander Miguel Apolo Baden Corleone Schneider ou Amiable não acreditasse que contar a história da sua Família é um ato inútil se soubesse que no andar superior, em um dos muitos quartos, sua prima de cinco anos e irmã gêmea de Thomas estava sendo sedada para ser largada na floresta dali algumas horas, como o mais novo Corvo.

Mas Alex não sabia disso, de modo que revirou os olhos mais uma vez se perguntando se faltava muito para acabar, para que ele fosse liberado e com sorte ganhasse permissão para jogar vídeo game com George antes de dormir.

Notas finais
Comentem para eu saber oq estão achando! Nem q seja pra me falar oq vão comer na ceia haha

XOXO,
Tia Mad.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.