O Coração do Dragão
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A pequena Shunrei caminhava na direção de um rio, com um balde em cada mão. Ela foi a pedido do Mestre Ancião, que havia lhe pedido para trazer água.
Ao chegar junto ao rio, abaixou-se e começou a encher um dos baldes.
— Olha quem temos aqui. Quanto tempo, Shunrei! – disse uma voz que parecia ser máscula e ousada demais. Shunrei interrompeu seu trabalho e se virou para o dono da voz.
— Okko! – disse ela, surpresa. – O que faz aqui?
— Eu apenas resolvi dar uma passadinha pra ver como as coisas estavam. Como está o queridinho do Mestre Ancião? – perguntou, ironicamente se referindo a Shiryu.
— Ele está bem, e o mestre também. Mas me deixe continuar o meu trabalho.
Shunrei não costumava dar esse tipo de resposta, pois não correspondia com seu jeito sempre meigo e educado de ser. Mas a verdade é que ela sempre teve um pouco de medo do Okko por seu jeito bruto e aparência descuidada. Temia que ele pudesse agredi-la. Não queria parecer indelicada, mas quanto menos tempo passasse perto dele, melhor seria.
— Ora, que modos são esses? – perguntou Okko, se aproximando.
— Desculpe. Só acho que se você quer saber sobre o Shiryu e o Mestre Ancião, deveria falar com eles. – segurou um balde na altura do peito, tentando não parecer nervosa.
— Não seja tão teimosa. Por que está com esse balde? – Okko já estava quase colado nela.
— Eu só estou pegando água pro...
Antes de completar a frase, Shunrei acidentalmente derramou água, por segurar o balde numa posição que não permitisse que Okko chegasse mais perto.
— Ei! – reclamou Okko. Shunrei, nervosa com a expressão dele, deixou o balde cair, derramando sem querer toda a água na roupa dele.
— Aah! Viu o que você fez?!
— Desculpa, foi um acidente!
— Ah, olha o que fez com minhas roupas! – Okko a fuzilou com o olhar e ergueu um punho ameaçadoramente. – O que há de errado com você, sua...
— Já chega, Okko!! – disse uma voz misteriosa.
Okko e Shunrei desviaram sua atenção para o menino que ralhou. Era Shiryu.
— Pare de perturbar a Shunrei. – disse ele, já mais calmo.
— Acontece que a sua amiga derramou água em mim e eu estou ensopado! – reclamou, zangado, se aproximando de Shiryu.
— Foi um acidente, e ela já pediu desculpas. Caso não tenha notado, os sapatos de Shunrei também ficaram um pouco molhados.
— Ainda assim foi um desaforo e eu não deixo passar em branco! – respondeu, voltando-se para Shunrei.
— Não, Okko! – disse Shiryu, se pondo entre ele e Shunrei. – Eu posso te dar minha camisa, mas não vou deixar você perturbar mais ainda a Shunrei.
— Cuide da sua vida!
Okko empurrou Shiryu com uma mão, fazendo-o cair. Shiryu levantou-se rapidamente, empurrou Okko com uma mão também, e ergueu seus punhos, colocando-se em pose de luta.
— O que é isso? Pensei que o professor tinha te proibido de lutar.
— Sim. Ele me ensinou que um homem deve evitar se meter em brigas, mas sempre estar disposto a proteger os amigos, a família e a mulher que ama.
— Hunf! Deixa pra lá! De qualquer forma, você vai morrer em minhas mãos um dia mesmo. Não vou mais perder o meu tempo. – disse, abrindo um meio sorriso.
— Vai querer a minha camisa ?
— Não, vou pegar roupas novas de algum moleque de alguma vila perto daqui. –respondeu, tirando a própria roupa e jogando-a no chão. — Cuide bem da sua namorada!
— O quê?! – perguntou Shiryu, espantado.
Okko começou a rir maldosamente e afastou-se, pulando de galho em galho das árvores da floresta, até desaparecer ao longe.
— Shiryu... – disse Shunrei, pousando suas mãos nos ombros dele. – Obrigada por me proteger.
— Não foi nada demais. – respondeu, olhando para o lado.
— O que você estava fazendo por aqui?
— Eu? Ah, eu só estava passeando um pouco. – respondeu, disfarçando que ele queria admirar a beleza de Shunrei de longe.
— E o que você quis dizer com aquilo que você disse sobre um homem proteger os amigos, a família e “a mulher que ama”?
— Ahn?! – Shiryu corou. – Ah, é que você é uma amiga e... Ah, deixa que eu faço isso pra você! – Shiryu pegou o balde no chão. – Vai, vai brincar! – tentou desconversar.
— Mas...
Shiryu começou a encher os baldes. Shunrei deu de ombros e resolveu ir brincar na floresta. Tentou erguer seu dedo indicador bem alto para ver se algum dos passarinhos que estavam por ali iria pousar. Depois de alguns segundos, um deles pousou em seu dedo. Shunrei baixou a mão devagar para tentar beijar o passarinho, mas ele começou a bater asas para voar na frente de seu rosto e o susto fez ela perder o equilíbrio e cair sentada no chão. Enquanto se levantava, viu um graveto no chão e resolveu pegá-lo para desenhar qualquer coisa no chão.
Depois de algum tempo pensando, teve uma ideia na cabeça. Com o graveto, desenhou um coração com a inscrição “S + S” dentro. Eram as iniciais de Shiryu e Shunrei.
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